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quinta-feira, 28 de maio de 2009

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É estamos aí com a novela da globo mostrando a Índia sua religião e seus costumes, mesmo que por muitas vezes de forma capenga, não acreditem por exemplo em toda aquela riqueza que é ostentada, a Índia como o Brasil é de uma população paupérrima. A religião Hindu é uma religião das mais antigas da Terra, da qual foi fonte para várias outras vertentes religiosas, mas esse é outro papo, pesquisei alguns textos e encontrei muita coisa boa, escolhi o que realmente me pareceu mais completo e estou postando aqui, creditando a Wikpedia, fiquem com o texto agora:

O hinduísmo é uma tradição religiosa[1] que se originou no subcontinente indiano. O hinduísmo é frequentemente chamado de Sanātana Dharma (सनातन धर्म) por seus praticantes, uma frase em sânscrito que significa "a eterna dharma (lei)"[2]

Num sentido mais abrangente, o hinduísmo abrange o bramanismo, a crença na "Alma Universal", Brâman; num sentido mais específico, o termo se refere ao mundo cultural e religioso, ordenado por castas, da Índia pós-budista.[3] Entre as suas raízes está a religião védica da Idade do Ferro na Índia.

O hinduísmo é citado frequentemente como a "mais antiga tradição religiosa" dentre os principais grupos religiosos do mundo,[4][5] ou como a "mais antiga das principais tradições existentes".[6][7][8] É formado por diferentes tradições e composto por diversos tipos, e não possui um fundador.[9] Estes tipos, sub-tradições e denominações, quando somadas, fazem do hinduísmo a terceira maior religião, depois do cristianismo e do islamismo, com aproximadamente um bilhão de fiéis, dos quais cerca de 905 milhões vivem na Índia e no Nepal.[10] Outros países com populações significativas de hinduístas são Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão, Malásia, Singapura, ilhas Maurício, Fiji, Suriname, Guiana, Trinidad e Tobago, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.

O vaso corpo de escrituras do hinduísmo se divide em shruti ("revelado") e smriti ("lembrado"). Estas escrituras discutem a teologia, filosofia e a mitologia hinduísta, e fornecem informações sobre a prática do dharma (vida religiosa). Entre estes textos os Vedas e os Upanixades possuem a primazia na autoridade, importância e antiguidade. Outras escrituras importantes são os Tantras, os Ágamas, sectários, e os Puranas (AFI: [Purāṇas]), além dos épicos Maabárata (AFI: [Mahābhārata]) e Ramáiana (AFI: [Rāmāyaṇa]). O Bagavadguitá (AFI: [Bhagavad Gītā]), um tratado do Maabárata, narrado pelo deus Críxena (Krishna), costuma ser definido como um sumário dos ensinamentos espirituais dos Vedas.[11]

Os hindus acreditam num espírito supremo cósmico, que é adorado de muitas formas, representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistos como meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes, e realizar a verdadeira natureza de seu Ser.

A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos avatares (manifestações corporais) da divindade suprema, Brâman. Particular destaque é dado à Trimurti - uma trindade constituída por Brama (Brahma), Xiva (Shiva) e Vixnu (Vishnu). Tradicionalmente o culto direto aos membros da Trimurti é relativamente raro - em vez disso, costumam-se cultuar avatares mais específicos e mais próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes, como por exemplo Críxena (Krishna), avatar de Vixnu e personagem central do Bagavadguitá.

Templo hinduísta em Mysore, Índia.

Etimologia

Hindū é o nome em persa do rio Indo, encontrado pela primeira vez na palavra Hindu (həndu) do persa antigo, correspondente ao sânscrito védico Sindhu.[12] O Rigveda chama a terra dos indo-arianos como Sapta Sindhu (a terra dos sete rios no noroeste da Ásia Meridional, um deles o Indo), que corresponde ao Hapta Həndu no Avesta (Vendidad or Videvdad, 1.18), escritura sagrada do zoroastrianismo. O termo foi utilizado para designar aqueles que viviam no subcontinente indiano, ou para além do "Sindhu".[13]

O termo persa (persa médio Hindūk, persa moderno Hindū) entrou na Índia pelo Sultanato de Délhi e aparece nos textos do sul da Índia, bem como da Caxemira, a partir de 1323 d.C.[14], e a partir daí é cada vez mais utilizado, especialmente durante o Raj britânico. Desde o fim do século XVIII a palavra passou a ser usada no Ocidente como um termo que abrange a maioria das tradições religiosas, espirituais e culturais do subcontinente, com a exceção do sikhismo, budismo e jainismo, religiões distintas.[15]

Divisões

O hinduísmo contemporâneo pode ser subdividido em diversas correntes principais. Dos seis darshanas ou divisões históricas originais, apenas duas escolas, a vedanta e a ioga, sobrevivem. As principais divisões do hinduísmo hoje em dia são o vixnuísmo, o xivaísmo, o smartismo e shaktismo. A imensa maioria dos hindus atuais podem ser categorizados sob um destes quatro grupos, embora ainda existam outros, cujas denominações e filiações variam imensamente.

Alguns estudiosos dividem as correntes do hinduísmo moderno em seus "tipos":[16]

  • Hinduísmo popular, baseado nas tradições locais e nos cultos das divindades tutelares, praticado em nível mais localizado;
  • Hinduísmo dármico ou "moral diária", baseado na noção de carma, na astrologia, nas normas de sociedade como o sistema de castas, os costumes de casamentos.
  • Hinduísmo vedanta, especialmente o Advaita (smartismo), baseado nos Upanixades e nos Puranas;
  • Bhakti, ou "devocionalismo", especialmente o vixnuísmo;
  • Hinduísmo bramânico védico, tal como é praticado pelos brâmanes tradicionalistas, especialmente os shrautins;
  • Hinduísmo iogue, baseado especialmente nos Yoga Sutras de Patandjáli.

Crenças

Temple carving at Hoysaleswara temple representing the Trimurti: Brahma, Shiva and Vishnu.

O hinduísmo é uma corrente religiosa que evoluiu organicamente através dum grande território marcado por uma diversidade étnica e cultural significativa. Esta corrente evoluiu tanto através da inovação interior quanto pela assimilação de tradições ou cultos externos ao próprio hinduísmo. O resultado foi uma variedade enorme de tradições religiosas, que vai de cultos pequenos e pouco sofisticados os principais movimentos da religião, que contam com milhões de aderentes espalhados por todo o subcontinente indiano e outras regiões do mundo. A identificação do hinduísmo como uma religião independente, separada do budismo e do jainismo, depende muitas vezes da afirmação dos próprios fiéis de que ela o é.[17]

Temas proeminentes nas (porém não restritos às) crenças hinduístas incluem o darma (dharma, ética hindu), samsara (samsāra, o contínuo ciclo do nascimento, morte e renascimento), carma (karma, ação e consequente reação), mocsa (moksha, libertação do samsara), e as diversas iogas (caminhos ou práticas).

O hinduísmo repousa sobre o fundamento espiritual dos Vedas, conjunto de escritos religiosos, sendo por isso mesmo conhecido como o Dharma Veda, além dos escritos meditativos destes, os Upanixades, e os ensinamentos de diversos gurus que viveram ao longo dos tempos.

O Caminho eterno

Mandala de Vixnu, divindade do hinduísmo.

"O caminho eterno" (em sânscrito सनातन धर्म, Sanātana Dharma), ou a "Filosofia perene/Harmonia/Fé", é o nome que tem sido usado para representar o Hinduísmo desde a antiguidade. De acordo com os Hindus, transmite a idéia de que certos princípios espirituais são intrínsecamente verdadeiros e eternos, transcendendo as ações humanas, representando uma ciência pura da consciência. Mas essa consciência não é meramente aquela do corpo, da mente ou do intelecto, mas a de um estado de espírito supramental que existe dentro e além de nossa existência, o imaculado Ser de tudo. A religião dos Hindus é a busca inata pelo divino dentro do Ser, a busca por encontrar a Verdade que nunca foi perdida de fato. Verdade buscada com fé que poderá tornar-se reconfortante luminosidade independente da raça ou do credo professado. Na verdade, toda forma de existência, dos vegetais e animais até o homem, são sujeitos e objetos do eterno Dharma. Essa fé inata, então, é também conhecida por Arya/Dharma Nobre, Veda/Dharma do Conhecimento, Yoga/Dharma da União, e Dharma Hindu ou simplesmente Dharma.

O que pode ser compreendido como uma crença comum a todos os hindus são o Dharma, a reencarnação, o karma, e a moksha (liberação) de cada alma através de variadas ações de cunho moral e da meditação yoga. Entre os princípios fundamentais incluem-se ainda o ahimsa (não-violência), com a primazia do Guru, a palavra divina Aum e o poder do mantra, amor à verdade em muitas manifestações como deuses e deusas, e a compreensão de que a chama divina essencial (Atman/Brahman) está presente em cada ser humano e em todas as criaturas viventes, que podem chegar por diversas sendas à Verdade Una.

Ioga

Um dos pontos de vista (darshanas) do hinduísmo é a ioga (yoga), que significa "união", no sentido de "integração". Trata-se de uma filosofia prática surgida há mais de 5.000 anos,[carece de fontes?] e os Upanixades são o mais antigo registro escrito desta cultura.

No século III a.C. a ioga foi clássificado por Patandjali, em sua célebre obra Yoga Sutra.

Os quatro objetivos na vida do hindu

Outro maior aspecto do Dharma Hindu que é uma prática comum de todos os Hindus é o purushartha, ou "quatro objetivos da vida". Eles são kama, artha, dharma e moksha. É dito que todos os homens seguem o kama (prazer, físico ou emocional) e artha (poder, fama e riqueza), mas brevemente, com maturidade, eles aprendem a controlar estes desejos, com o dharma, ou a harmonia moral presente em toda a natureza. O objetivo maior é infinito, cujo resultado é a absoluta felicidade, moksha, ou liberação (também conhecida como Mukti, Samadhi, Nirvana, etc.) do Samsara, o ciclo da vida, morte, e da existência dual.

Os quatro estágios da vida humana

A vida humana também é vista como quatro Ashramas ("fases"ou “estágios"). Eles são Brahmacharya, Grihasthya, Vanaprastha e Sanyasa. O primeiro quarto da vida, brahmacharya (literalmente "pastar em Brahma") é passado em celibato, sobriedade e pura contemplação dos segredos da vida sob os cuidados de um Guru, solidificando o corpo e a mente para as responsabilidades da vida. Grihastya é o estágio do chefe de família, alternativamente conhecido como Samsara, no qual o indivíduo se casa para satisfazer kama e artha na vida conjugal e em uma carreira profissional. Vanaprastha é o gradual desapego do mundo material, ostensivamente entregando seus deveres aos filhos e filhas, e passando mais tempo em contemplação da verdade, e em peregrinações santas. Finalmente, no Sanyasa, o indivíduo vai para reclusão, geralmente em uma floresta, para encontrar Deus através da meditação Yogica e pacificamente libertar-se de seu corpo para uma próxima vida.

Om (ou Aum) é o mais importante símbolo religioso do hinduísmo, e significa o Espírito Cósmico.

Origens, nomenclatura e sociedade

Origens históricas e aspectos sociais

Pouco é conhecido sobre a origem do hinduísmo, já que sua existência antecede os registros históricos. É dito que o Hinduísmo deriva das crenças dos arianos, que residiam nos continentes sub-indianos, ('nobres' seguidores dos Vedas), dravidianos, e harapanos. Alguns dizem que o hinduísmo nasceu com o budismo e o jainismo, mas Heinrich Zimmer e outros indólogos afirmam que o jainismo é muito anterior ao hinduísmo, e que o budismo deriva deste e do Sankhya que em conseqüência afetaram o desenvolvimento de sua religião mãe. Diversas são as idéias sobre as origens dos Vedas e a compreensão se os arianos eram ou não nativos ou estrangeiros na Índia. A existência do Hinduísmo data de 4000 a 6000 mil anos a.C..

É preciso salientar que há, atualmente, dúvidas entre os estudiosos sobre ter ou não havido uma invasão ariana na Índia. Questiona-se sobre a miscigenação lenta, em lugar de invasão violenta, com os dravidianos e outros povos de origem autóctone e mesmo mediterrânea, existentes na região antes da chegada dos pastores-guerreiros vindos da Europa. Isto coloca em questão também a origem do hinduísmo. Como reforço a esta hipótese, a análise dos Rig Vedas mais antigos (cerca de 1500 a.C.) mostra uma série de fórmulas mágicas de propriedade de famílias no poder, sem qualquer indicação das práticas de yoga que acompanham a filosofia Sankhya, e que são documentadas em selos de cerca de 2500 a.C..

Historicamente, a palavra hindu antecende o hinduísmo como religião; o termo é de origem persa e primeiramente referia-se ao povo que residia no outro lado (do ponto de vista persa) do Sindhu ou rio Indo. Foi utilizado para expressar não somente a etnicidade mas a religião védica desde o século XV e XVI, por personalidades como Guru Nanak (fundador do sikhismo). Durante o Império Britânico, a utilização do termo tornou-se comum, e eventualmente, a religião dos hindus védicos foi denominada "hinduísmo". Na verdade, foi meramente uma nova vestimenta para uma cultura que vinha prosperando desde a mais remota antiguidade.

Distribuição geográfica atual

A Índia, a ilhas Maurício, e o Nepal assim como a ilha indonésia de Bali têm como religião predominante o hinduísmo; importantes minorias hindus existem em Bangladesh (11 milhões), Myanmar (7,1 milhões), Sri Lanka (2.5 milhões), Estados Unidos (2,5 milhões), Paquistão (4,3 milhões), África do Sul (1,2 milhões), Reino Unido (1,5 milhão), Malásia (1,1 milhão), Canadá (1 milhão), Ilhas Fiji (500 mil), Trinidad e Tobago (500 mil), Guiana (400 mil), Holanda (400 mil), Cingapura (300 mil) e Suriname (200 mil).

Filosofia hindu: as seis escolas védicas de pensamento

As seis escolas filosóficas ortodoxas hindu (Astika, que aceitam a autoridade dos Vedas) são Nyaya, Vaisheshika, Sankhya, Yoga, Purva Mimamsa - também denominadas Mimamsa -, Uttara Mimamsa e Vedanta. As escolas não-védicas são denominadas Nastika, ou heterodoxas, e referem-se ao budismo, jainismo e Lokayata. As escolas que continuam a influênciar o hinduísmo hoje são Purva Mimamsa, Yoga, e Vedanta.

Purva Mimamsa

O principal objetivo do Purva ("cedo") ou da escola Mimamsa era estabelecer a autoridade dos Vedas. Consequentemente a valiosa contribuição desta escola ao Hinduísmo foi a formulação das regras da interpretação Védica. Seus aderentes acreditavam que a revelação deveria ser provada através da razão, e não aceita como um dogma cego. Este método empírico e eminentemente sensível de aplicação religiosa é a chave para Sanatana Dharma e foi especialmente desenvolvido por racionalistas como Sankaracharya e Swami Vivekananda. Para aprofundar-se mais neste tema veja Purva Mimamsa.

Yoga

Ver artigo principal: Ioga

O sistema da Yoga (ioga, em português) é geralmente considerado como tendo surgido a partir da filosofia Sankhya. Entretanto a yoga referida aqui, é especialmente a Raja Yoga (ou união através da meditação). E é baseada em um texto (que exerceu grande influéncia) de Patandjali intitulado Yoga Sutras, e é essencialmente uma compilação e sistematização da filosofia da Yoga meditacional. Os Upanixades e o Bagavadguitá também são textos indispensáveis ao estudo da ioga.

A filosofia Sankhya é anterior ao bramanismo, filosofia que deu origem ao hinduísmo, como coloca o indólogo Heinrich Zimmer em seu clássico Filosofias da Índia. Patandjali, monge do sul da Índia, onde até hoje a tradição tamil preserva elementos das filosofias pré-védicas, tinha formação no sistema Sankhya-yoga, indissociável. O Sankhya foi compilado bem antes de Patandjali (que viveu no século II a.C., por Kapila, que viveu pouco tempo antes de Buda. Uma diferença importante entre o Sankhya e o bramanismo é que o primeiro é dualista, e o segundo monista, mas ambos vêem o espírito, ou Deus, como imanente e transcendente ao mesmo tempo.

A diferença mais significante do Sankhya é que a escola de yoga não somente incorpora o conceito do Ishvara (ou "Deus pessoal") numa visão do mundo metafísica mas também sustenta Ishvara como um ideal sobre o qual meditar. A razão é que Ishvara é o único aspecto de purusha (do infinito Terreno Divino) que não foi mesclado com prakrti (forças criativas temporárias). Também utiliza as terminologias Brahman/Atman e conceitos profundos dos Upanixades, adotando uma visão vedântica monista. A realização do objetivo da ioga é conhecido como moksha ou samadhi. E como nos Upanixades, busca, o despertar ou a compreensão de Atman como sendo nada mais que o infinito brâmane, através da (mente) ética, (corpo) físico meditação (alma) o único alvo de suas práticas é a "verdade suprema".

Uttara Mimamsa: As Três Escolas de Vedanta

A Escola Uttara ("tarde") Mimamsa é talvez a pedra angular dos movimentos do hinduísmo, e certamente foi responsável por uma nova onda de investigação filosófica e meditativa, renovação da fé, e reformas culturais. Primeiramente associada com os Upanixades e seus comentários por Badarayana, e Vedanta Sutra, o pensamento vedanta dividiu-se em três grupos, iniciados pelo pensamento e escrita de Sankaracharya. A maioria da atual filosofia hindu, está relacionada a mudanças que foram influenciadas pelo pensamento vedanta, o qual é focalizado na meditação, moralidade e centralização no Eu uno ao invés de rituais ou distinções sociais insignificantes como as castas.

Puro monismo: Advaita Vedanta

Advaita literalmente significa "não dois"; isto é o que referimos como monoteístico, ou sistema não-dualístico, que enfatiza a unidade. Seu consolidador foi Shankaracharya (788-820). Shankara expos suas teorias baseadas amplamente nos ensinamentos dos Upanixades e de seu guru Gaudapada. Através da analise da consciência experimental, ele expos a natureza relativa do mundo e estabeleceu a realidade não dual ou Brahman no qual Atman (a alma individual) ou Brahman (a realidade última) são absolutamente identificadas. Não é meramente uma filosofia, mas um sistema consciente de éticas aplicadas e meditação, direcionadas a obténção da paz e compreensão da verdade. Sankaracharya acusou as castas e rituais como tolos, e em sua própria maneira carismática, suplicou aos verdadeiros devotos a meditarem no amor de Deus e alcançarem a verdade.

Monismo qualificado: Vishistadvaita Vedanta

Ramanuja (1040 - 1137) foi o principal proponente do conceito de Sriman Narayana como Brahman o supremo. Ele ensinou que a realidade última possui três aspectos: Ishvara (Vixnu), cit ("alma") e acit ("matéria"). Vixnu é a única realidade independente, enquanto alma e material são dependentes de Deus para sua existência. Devido a esta qualificação da realidade últimA, o sistema de Ramanuja é conhecido como não dualístico.

Dualismo: Dvaita Vedanta

Madhva (1199 - 1278) identificou deus com Vishnu, mas a sua visão da realidade era puramente dualista, pois ele compreendeu uma diferenciação fundamental entre o Deus supremo e a alma individual, e o sistema consequentemente foi denominado Dvaita (dualístico) Vedanta.

Culturas Alternativas de Adoração

As Escolas Bhakti

A Escola Devocional Bhakti tem seu nome derivado do termo hindu que evoca a idéia de "amor prazeroso, abnegado e estupefante de Deus como Pai, Mãe, Filho Amados", ou qualquer outra forma de relacionamento que encontre apelo no coração do devoto. A filosofia de Bhakti procura usufruto pleno da divindade universal através da forma pessoal, o que explica a proliferação de tantas divindades na Índia, freqüentemente refletindo as inclinações particulares de pequenas áreas ou grupos de pessoas. Vista como uma forma de Yoga ou união, ele preconiza a necessidade de se dissolver o ego em Deus, na medida em que a consciência do corpo e a mente limitada, como individualidade, seriam fatores contrários à realização espiritual. Essencialmente, é Deus que promove toda mudança, que é a fonte de todos os trabalhos, que a idade através do amor e da luz. 'Sins' e mal - fazendo da devoto são mencionado cair embora da sua próprio acorde , o entusiasta enrugar limitedness já transcendido , através do amor de Deus. Os movimentos Bhakti rejuvenesceram o Hinduísmo ao longo da sua intensa expressão de fé e receptividade às necessidades emocionais e filosóficas da Índia. Pode-se dizer corretamente que influenciaram a maior onda de mudança em orações e rituais hindus desde tempos remotos.

A mais popular forma de expressão de amor a Deus na tradição hindu é através do puja, ou ritual de devoção, frequentemente utilizando o auxílio de murti (estátua) juntamente com canções ou recitação de orações meditacionais em forma de mantras. Canções devocionais denominadas bhajan (escritas primeiramente nos séculos XIV-XVII), kirtan (elogio), e arti (uma forma filtrada do ritual de fogo Védico) são algumas vezes cantados juntamente com a realização do puja. Este sistema orgânico de devoção tenta auxiliar o indivíduo a conectar-se com Deus através de meios simbolicos. Entretanto, é dito que bhakta, através de uma crescente conexão com Deus, é eventualmente capaz de evitar todas as formas externas e é inteiramente imerso na bênção do indiferenciado amor a Verdade.

Tantrismo

A palavra tantra significa "tratado" ou "série continua", e é aplicada a uma variedade de trabalhos místicos, ocultos, médicos e científicos bem como aqueles que agora nos consideramos como "tântricos". A maioria dos tantras foram escritos no final da Idade Média e surgiram da cosmologia hindu.

Temas e simbolismos importantes no hinduismo

Ahimsa e as vacas

É vital uma nota sobre o elemento ahimsa no hinduísmo para compreender a sociedade que se formou à volta de alguns dos seus princípios. Enquanto o jainismo, à medida que era praticado, era certamente uma grande influência sobre a sociedade indiana - que dizer da sua exortação do estrito veganismo e da não-violência como ahimsa - o termo primeiro apareceu nos Upanixades. Assim, uma influência internamente enraizada e externamente motivada levou ao desenvolvimento de uma grande quantidade de hindus que acabaram por abraçar o vegetarianismo numa tentativa de respeitar formas superiores de vida, restringindo a sua dieta a plantas e vegetais. Cerca de 30% da população hindu actual, especialmente em comunidades ortodoxas no sul da Índia, em alguns estados do norte como o Guzerate e em vários enclaves brâmanes à volta do subcontinente, é vegetariana. Portanto, enquanto o vegetarianismo não é um dogma, é recomendado como sendo um estilo de vida sátvico (purificador).

Os hindus abstêm-se predominantemente de carne, e alguns até vão tão longe quanto evitar produtos de pele. Isto acontece provavelmente porque o largamente pastoral povo Védico e as subsequentes gerações de hindus ao longo dos séculos dependiam tanto da vaca para todo o tipo de produtos lácteos, aragem dos campos e combustível para fertilizante, que o seu estatuto de "cuidadora" espontânea da humanidade cresceu ao ponto de ser identificada como uma figura quase maternal. Assim, enquanto a maioria dos hindus não adora a vaca, e as instruções escriturais contra o consumo de carne surgiram muito depois dos Vedas terem sido escritos, esta ainda ocupa um lugar de honra na sociedade hindu. Diz-se que Krishna é tanto Govinda (pastor de vacas) como Gopala (protector de vacas), e que o assistente de Xiva é Nandi, o touro. Com a força no vegetarianismo (que é habitualmente seguido em dias religiosos ou ocasiões especiais até por hindus comedores de carne) e a natureza sagrada da vaca, não admira que a maior parte das cidades santas e áreas na Índia tenham uma proibição sobre a venda de produtos de carne e haja um movimento entre os Hindus para banir a matança de vacas não só em regiões específicas como em toda a Índia.

Formas de Adoração: murtis e mantras

Contrário a crença popular, o hinduísmo prático não é politeístico nem estritamente monoteístico. A variedade de deuses e avatares que são adorados pelos hindus são compreendidos como diferentes formas da Verdade Única, algumas vezes vistos como mais do que um mero Deus e um último terreno Divino (Brahman), relacionado mas não limitado ao monismo, ou um princípio monoteístico como Vixnu ou Xiva.

Acreditando na origem única como sem forma (nirguna brahman, sem atributos) ou como um Deus pessoal (saguna Brahman, com atributos), os Hindus compreendem que a verdade única pode ser vista de forma variada por pessoas diferentes. O Hinduísmo encoraja seus devotos a descreverem e desenvolverem um relacionamento pessoal com sua deidade pessoal escolhida (ishta devata) na forma de Deus ou Deusa.

Enquanto alguns censos sustentam que os adoradores de uma forma ou outra de Vishnu (conhecido como Vaishnavs) são 80% dos Hindus e aqueles de Shiva (chamados Shaivaites) e Shakti compõem o restante dos 20%, tais estatísticas provavelmente são enganadoras. A maioria dos Hindus adoram muitos deuses como expressões variadas do mesmo prisma da Verdade. Entre os mais populares estão Vishnu (como Krishna ou Rama), Shiva, Devi (a Mãe de muitas deidades femininas, como Lakshmi, Sarasvati, Kali e Durga), Ganesha, Skanda e Hanuman.

A adoração das deidades é geralmente expressa através de fotografias ou imagens (murti) que são ditas não serem o próprio Deus mas condutos para a consciência dos devotos, marcas para a alma humana que significam a inefável e ilimitada natureza do amor e grandiosidade de Deus. Eles são símbolos do príncipio maior, representado mas nunca presumido ser o conceito da própria entidade. Conseqüentemente, a maneira hindu de adoração de imagens as toma apenas como símbolos da divindade, opostos à idolatria, geralmente imposta (erroneamente) aos hindus.

Mantra

Recitação e mantras originaram-se no hinduismo e são técnicas fundamentais praticadas até os dias de hoje. Muito da chamada Mantra Yoga, é realizada através de japa ("repetições"). Dizem que os mantras, através de seus significados, sons e recitação melódica, auxíliam o sadhaka (aquele que prática) na obtenção de concentração durante a meditação. Eles também são utilizados como uma expressão de amor a deidade, uma outra faceta da Bhakti Yoga necessária para a compreensão de murti. Frequentemente eles oferecem coragem em momentos dificeis e são utilizados para a obtenção de auxílio ou para 'invocar' a força espiritual interior. As ultimas palavras de Mahatma Gandhi enquanto morria foi um mantra ao Senhor Rama: "Hey Ram!"

O mais representativo de todos os mantras Hindu é o famoso Gayatri Mantra:

ॐ भूर्भुवस्व: | तत् सवितूर्वरेण्यम् | भर्गो देवस्य धीमहि | धियो यो न: प्रचोदयात्
Aum bhūrbhuvasvah | tat savitūrvareṇyam | bhargo devasya dhīmahi | dhiyo yo naha pracodayāt

Significa, literalmente: "Om! Terra, Universo, Galáxias (invocação aos três mundos). Que nós alcancemos a excelente glória de Savitr, o Deus. Que ele estimule os nossos pensamentos/meditações."

O mantra Gayatri é considerado o mais universal de todos os mantras hindus, e invoca o Brâman universal como um princípio de conhecimento e iluminação do sol primordial, mas somente em seu aspecto feminino. Muitos hindus até os dias de hoje, seguindo uma tradição que permanece viva por pelo menos 5.000 anos, realizam abluções matinais às margens do rio sagrado (especialmente do rio Ganges. Conhecido como um mantra sagrado, é reverenciado como sendo a forma mais condensada do "Conhecimento Divino" (Veda). E governado pelo principio, Ma ("Mãe") Gayatri, também conhecido como Veda Mata ("mãe dos Vedas") e intimamente associado à deusa do aprendizado e iluminação, Sarasvati.

O maior objetivo da religião védica é alcançar moksha, ou liberação, através da constante dedicação a Satya (Verdade) e uma eventual realização de Atman (Alma Universal). Não importa se atingido através de meditação ou puro amor, este objetivo universal é alcançado por todos. Deve ser observado que o Hinduísmo é uma fé prática, e é incorporado em cada aspecto da vida. Acredita igualmente no temporal e no infinito, e somente encoraja perspectivas destes principios. Os grandes rishis (sábios, considerados espécies de santos hindus) e também denominados como samsárico (aquele que vive no samsara, i.e. plano temporal ou terrestre) aquele que segue um meio de vida honesto e amável (dhármico) é um jivanmukta (alma vivente liberta). As verdades fundamentais do hinduísmo são melhores compreendidas na frase dos Upanixades, Tat Twam Asi (Assim És Tu), e na última aspiração como segue:

Aum Asato ma sad gamaya, tamaso ma jyotir gamaya, mrityor ma aamritaam gamaya
"Aum Conduza-me da ignorância para a verdade, das trevas para a luz, da morte para a imortalidade."

Escrituras sagradas do hinduísmo

Muita da morfologia e filosofia lingüística inerente ao aprendizado do sânscrito está associada ao estudo dos Vedas e outros relevantes textos Hindus. Os textos hindus apresentam diversos níveis de leitura: físico material, sutil ou supernatural. Engloba vários níveis de interpretação e compreensão. As escrituras hindus são divididas em duas categorias:

  1. Shruti - aquela que se escuta - oral (i.e. revelação)
  2. Smriti - aquela que se recorda - escrita (i.e. tradição, não revelação).

Vedas

Os Vedas são os textos mais antigos do hinduísmo, e também influenciaram o budismo, o jainismo e o sikhismo. Os Vedas contêm hinos, encantamentos e rituais da Índia antiga. Juntamente com o Livro dos Mortos, com o Enuma Elish, I Ching e o Avesta, eles estão entre os mais antigos textos religiosos existentes. Além de seu valor espiritual, eles também oferecem uma visão única da vida cotidiana na Índia antiga. Enquanto a maioria dos hindus provavelmente nunca leram os Vedas, a reverência por mais uma noção abstrata de conhecimento (Veda significa "conhecimento" em sânscrito) está profundamente impregnada no coração daqueles que seguem o Veda Dharma.

Existem quatro Vedas:

  • Rig Veda
  • Sama Veda
  • Yajur Veda
  • Atharva Veda

Upanixades

Os Upanixades são denominados Vedanta, porque eles contêm uma exposição da essência espiritual dos Vedas. Entretanto é importante observar que os Upanixades são textos e Vedanta é uma filosofia. A palavra Upanishad significa "sentar-se próximo ou perto", pois os estudantes costumavam sentar-se no solo, próximos a seus mestres.

Os Upanixades organizaram mais precisamente a doutrina védica de auto-realização, yoga, e meditação, karma e reencarnação, que eram veladas no simbolismo da antiga religião de mistérios. Os mais antigos Upanixades são geralmente associados a um Veda em particular, através da exposição de uma brâmana ou Aranyaka, enquanto os mais recentes não.

Formando o coração da Vedanta (Final dos Vedas), eles contêm a técnica de adoração aos deuses védicos e capturam a essência do dito do Rig Veda "A Verdade é Uma". Eles colocam a filosofia hindu separada e acolhendo uma única e transcendente força imanente e inata na alma de cada ser humano, identificando o microcosmo e o macrocosmo como Um. Podemos dizer que enquanto o hinduísmo primitivo é fundamentado nos quatro Vedas, o Hinduísmo Clássico, a Ioga e Vedanta, e correntes tântricas do Bhakti foram modelados com base nos Upanixades.

Puranas - Smriti

Os Puranas são considerados smriti; ensinamentos não escritos passados oralmente de uma geração a outra. Eles são distintos dos shrutis ou ensinamentos em escritos tradicionais. Existem um total de 18 Puranas maiores, todos escritos em forma de versos. E dito que estes textos foram escritos muito anteriormente ao Ramáiana e ao Maabárata.

Acredita-se que o mais antigo Purana provém de cerca de 300 a.C., e os mais recentes de 1300-1400 d.C. Apesar de terem sido compostos em diferente períodos, todos os Puranas parecem ter sido revisados. Tal fato pode ser notado no fato de que todos eles comentam que o número de Puranas é 18. Os Puranas variam muito: o Skanda Purana é o mais longo com 81.000 versos, enquanto o Brahma Purana e o Vamana Purana são os mais curtos com 10.000 versos cada. O número total de versos em todos os 18 Puranas é 400.000.

As Leis de Manu

Manu é o homem lendário, o Adão dos hindus. As leis de Manu são uma coleção de textos atribuídos a ele.

Bhagavad Gita

O Bhagavad Gita (Bagavadguitá em português) é considerado parte do Maabárata (escrito em 400 ou 300 a.C.), é um texto central do hinduísmo, um diálogo filosófico entre o deus Krishna e o guerreiro Arjuna. Este é um dos mais populares a acessíveis textos do hinduísmo, e é de essencial importância para a religião. O Gita discute altruísmo, dever, devoção, meditação, integrando diferente partes da filosofia hindu.

O Ramayana e o Mahabarata

O Ramayana e o Mahabarata são os épicos nacionais da Índia. São provavelmente os poemas mais longos escritos em todo o mundo. O Mahabharata é atribuído ao sábio Vyasa, e foi escrito no período entre 540 e 300 a.C.. O Mahabharata conta a lenda dos báratas, uma das tribos arianas.

O Ramayana é atribuído ao poeta Valmiki, e foi escrito no primeiro século d.C., apesar de ser baseado em tradições orais que datam de seis ou sete séculos a.C..

Escrituras hindus importantes

  • Bagavadguitá
  • Maabárata
  • Ramáiana
  • Upanixades
  • Vedanta Sutras
  • Yoga Sutras
  • Vedas
  • Devi Mahatmya

Posted on quinta-feira, maio 28, 2009 by Augusto Mota

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sempre achei que os grandes loucos da música morriam cedo, afinal, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Rendrix, Fred Mercury... Sem contar com os brasileiros, Raul Seixas, Cazuza, Cassia Eller...
E hoje começei a prestar mais atenção ao ver um clipe atual do Bob Dylan, caramba, sempre me apeguei ao inicio de carreira do Dylan, mas ele está aí, compondo e gravando, um verdadeiro sobrevivente... E não pense vocês que Dylan foi algum santinho, nada disso, foi um dos caras mais loucos da sua época. Assistam esses vídeos, o primeiro de uma apresentação em São Paulo em março de 2008 e o segundo de 1966, obviamente ha suas diferenças




Posted on quarta-feira, maio 27, 2009 by Augusto Mota

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terça-feira, 26 de maio de 2009

A Contracultura Ontem e Hoje

Ensaio escrito por Armando Ferreira de Almeida Jr.*

Ainda não foi dada à contracultura a exata dimensão de seu papel nas transformações das relações sociais vividas no mundo ocidental nestas três últimas décadas.

Acredito que o motivo maior para tal demérito ao assunto, deveu-se em parte à incomum maneira de se manifestar, que lhe dava um aparente ar de alienação e, muito mais, à inédita temática que a contracultura colocou em cena em dimensões nunca antes vividas. Pela primeira vez na história da humanidade, enormes massas humanas, mais especificamente jovens, informalmente se organizaram em todo o mundo ocidental, para lutar com paz e amor. Não exatamente contra a miséria e a fome. Contra temas que em geral vêm oprimindo aos homens desde os primórdios das sociedades humanas, independentemente da classe social a que pertençam. Temáticas que não dizem respeito apenas a um país ou a um possível segmento de fanáticos. Mas, a toda uma aldeia global.

O que se trouxe à baila, sem dúvida, não faz parte do tradicional território político. O que se contesta, são tabus culturais e morais. Os costumes e os padrões de nossa sociedade judaico-cristã. Nossas tradições e preconceitos. Enfim, nossas instituições sociais.

De certo modo, vou dizendo o que entendo por contracultura no decorrer desta minha reflexão. Defini-la daria pano para muita manga. E nos desviaria um pouco do assunto. O Woodstock e Maio de 68 na França são seus mais indiscutíveis marcos. A partir deles a contracultura adquiriu universalidade. Quanto a isto, creio que já haja um consenso. Tenho certeza que principalmente depois destes acontecimentos nunca mais fomos os mesmos. É isto, em parte, o que pretendo mostrar.

Por ter se insurgido contra toda uma enorme teia de padrões sociais por onde se exprime o poder no mundo ocidental, diria que a contracultura é sociologicamente um fenômeno de proporções continentais, que em seus desdobramentos vem sutilmente tornando menos repressivas as normas e os padrões de existência no planeta. Pelo que deixou enraizado em nossa cultura ocidental, tudo indica, continua fazendo sair "dos prédios para as praças uma nova raça". Como dizia uma canção de Moraes e Galvão.

Como enquadrar na nossa tradição marxista a análise de um fenômeno social que não tem sua expressão na luta de classes? Como conceber que uma pessoa da classe dominante possa ser oprimida. Ainda mais supor que ela também possa ser discriminada? Não há como negar que ela, em várias situações, também é. Enquanto mulher, negra e homossexual; por exemplo. Esta é uma questão que transcende a luta de classes.

A natureza dos assuntos tratados pela contracultura, por perspectivas diversas, foi tema de grandes pensadores de nossa cultura ocidental.

"De perto ninguém é normal", diz o nosso poeta Caetano Veloso na canção Vaca Profana. Freud, com minhas palavras, diz mais ou menos assim: sem querer pintar todas as ovelhinhas de preto, somos todos neuróticos. Precisamente foi em "Mal Estar na Civilização", que Freud se referiu desta maneira à sua teoria da neurose. Ensaio como ele mesmo disse, imbuído pelo "sentimento oceânico" de um amigo. Que o fez escrever este livro, que deve ser seu mais sociológico ensaio. Para ele, a vida em sociedade nos impõe normas e padrões de coexistência que necessariamente implicam em repressão a nossos instintos. Motivo que faz a todos um tanto neuróticos. Uma síntese a grosso modo, desta parte do pensamento Freudiano, nos permite expressar o assunto assim: a essência da sociedade é a repressão aos indivíduos.

Marcuse chama a atenção em seu livro "Eros e Civilização", que a psicologia individual de Freud é também uma psicologia social. Muitos não enxergam deste modo.

Uma das mais brilhantes definições que conheço sobre o objeto de estudo da sociologia foi escrita por Durkheim. Em "As Regras do Método Sociológico". Segundo ele, a sociologia é a ciência que estuda as instituições sociais. Para reconhecermos o que é uma instituição social, diz , basta que qualquer um vá de encontro a ela. "A consciência pública reprime", assim se expressou. Basta contestar, por exemplo, as relações sociais de casamento, as relações familiares, o comportamento sexual estabelecido, os estamentos raciais, a religião, as leis e a linguagem. Todas, instituições sociais. Espaço onde gravitou a contracultura.

(É bom sempre lembrar, que a linguagem foi o primeiro produto social dos homens. No início de tudo foi o verbo. Sabiamente é assim que a Bíblia se inicia. Toda linguagem contém uma concepção de mundo e delimita o campo de visão dos homens. Dou esta pausa porque a contracultura e seus desdobramentos, vêm sistematicamente dando uma nova cor à linguagem e aos códigos estabelecidos. Ela foi riquíssima quanto à variedade de formas em que se exprimiu para propor uma nova maneira de agir, pensar e sentir).

Para Marx, a relação de troca, que é a base de nossa civilização, eminentemente mercantil, esconde as relações sociais que lhe são intrínsecas. O valor dado às mercadorias para a troca mercantil cria um hieróglifo social que lhe dá um ar de fenômeno natural. Para que haja a troca devem existir regras, e principalmente, instituições como a da propriedade; que se sustentam no universo das leis e dos costumes.

Ao comparar o pensamento dos três, podemos ver muito de comum entre eles quanto ao entendimento de como se estruturam os fundamentos da civilização. Para Freud, sem a repressão aos instintos humanos não há sociedade. Para Marx, junto com Engels, em "A Ideologia Alemã", a vontade coletiva está sempre acima da vontade individual nas sociedades humanas. E isto se exprime na realidade cotidiana "...como dependência recíproca dos indivíduos entre os quais é partilhado o trabalho". Vista sobre a ótica de Durkheim, a vida social é inteiramente feita de representações que são instituídas no direito e nos costumes; vigilantes quanto à conduta dos cidadãos.

Todos falam de uma entidade além de nós. Para Marx, esta entidade é simbolizada pelo Estado e seus aparelhos de sustentação. Em Durkheim, a civilização institui deveres aos cidadãos para além deles através de suas instituições. Na linha do pensamento freudiano, o conceito de "inconsciente coletivo", criado por Jung, representa melhor este poder social além de nós.

O Woodstock visto por olhos desavisados não passou de um concerto de rock de proporções gigantescas. É no mínimo uma estupidez não se interrogar sobre o sentido histórico de um acontecimento tão rico de significados. E que espantou a todo o mundo. Um espetáculo sem precedentes na história. Inimaginável que um show musical pudesse mobilizar tantos jovens, por tanto tempo. Mesmo sabendo que estariam tão mal acomodados. Devia haver entre eles uma identidade de propósitos para com a vida muito forte. Algo que os unia além deles mesmos.

O que mais assustou não foi tanto o grau de organização demonstrado. A partir do Woodstock, tomou-se idéia do tamanho da confraria, que os 500.000 jovens, que conseguiram se reunir naquela fazenda perto de Nova York, representavam. Em 1969 já formavam uma grande família. (Calcula-se que um milhão de pessoas não tiveram como chegar ao local. A área foi considerada de calamidade pública, pela falta de condições para abrigar tanta gente. A expectativa dos organizadores era de 50.000 pessoas). Foram três noites e três dias sem nenhuma violência. Embalados pela música. Reunidos por proporem uma sociedade diferente.

Aqueles jovens estavam assumindo diante dela, uma outra atitude de vida. Com uma forma e um conteúdo bem pouco convencionais. Estranhamente eram bárbaros e doces. Não eram o que se poderia chamar, "jovens bem comportados". Mas, eram lindos e falavam em paz e amor. Na aparência, eram o protótipo da alienação. Ao mesmo tempo, na essência, ameaçavam a moral vigente. Usavam drogas. Não pregavam a antropofagia ou o incesto. Porém, questionavam na prática até a monogamia. E propunham um conceito diferente de família. Em comunidades um tanto atípicas. (Que para muitos era coisa de comunista).

Era um tanto fácil identificar a "tribo". A maioria já tinha um modo incomum de se expressar também na maneira de se vestir. Eu diria até, que nunca a roupa e o penteado comunicaram tanto. (E a nudez também). Rockeiros, freaks, beatniks, cabeludos, psicodélicos, motoqueiros, filhos da guerra fria, andarilhos, malucos, Yppies, hippies. Independentemente do nome que lhes seja dado, já estavam por aí contestando os costumes estabelecidos. E se proliferavam. Espécie na mais franca expansão. Mais exatamente desde o final da década de 50 com a "Beat Generation", diga-se de passagem. (Jorge Mautner e José Agripino de Paula são bons exemplos no Brasil).

Há até quem tenha confundido esta tribo com anarquistas, que pregam a extinção do Estado e de seus aparelhos de manutenção ideológica. Não é o caso. O que se pregava era uma mudança mais realista nas regras sociais que vêm conduzindo o nosso "processo civilizatório".

Para mim o Woodstock representa um salto mais radical na contracultura que Maio de 68 na França. Sem com isto, querer diminui-lo. Os europeus que fizeram maio de 68 foram no social produto da liberdade que o surrealismo, o dadaísmo, o cubismo e o existencialismo representaram na arte, na literatura e na filosofia de nosso século. Entretanto esta versão européia da revolução cultural e ideológica que nascia, ainda estava muito impregnada de uma mentalidade tradicional do fazer político. Questões econômicas de camponeses franceses se misturavam aos assuntos que efetivamente mais marcaram a contracultura e lhe fez diferente: questões mais gerais da superestrutura ideológica.

Os acontecimentos de Maio de 68 estavam presos a um conceito limitado de política. Onde os costumes ainda eram tratados como problemas menores. Faltava entender que sempre que se age para transformar o mundo se está fazendo política. Não há dúvida que na França também se deu prioridade à luta ideológica, contudo as palavras de ordem "gozem sem entraves" e "é proibido proibir" não são questões da mesma esfera das lutas pela redução de impostos. As barricadas e a violência também marcaram esta época. A contracultura, ao contrário, foi um acontecimento essencialmente pacífico. Mais na linha de Gandhy. Da desobediência civil.

Os franceses também tiveram contra si um enraizamento cultural e institucional inegavelmente muito mais solidificado que os americanos. O que além de fazê-los mais conservadores, os fez encontrar uma resistência mais feroz do establishment. A guerra do Vietnã, o rock and roll, os beatniks, uma população mais comprometida com a idéia de criar um novo mundo e um desenvolvimento capitalista mais avançado, entre outros fatores, explicam porque "a coisa" partiu com mais consistência e com menos resistência dos Estados Unidos. Por que ao Pato Donald é negada a consciência social? Estava acontecendo nada mais, nada menos, que a velha dialética de transformação das sociedades humanas: o desenvolvimento das forças produtivas impulsionando as relações de produção. Estávamos naquele momento, lançando o homem à lua e tornado realidade, com os Beatles cantando All You Need Is Love, a primeira transmissão via satélite para o planeta.

A contracultura foi mais que tudo, uma luta no campo da ideologia e das relações de reprodução da vida social. No plano das instituições sociais e da "espiritualidade". Radicalmente pacífica e mais despida dos preconceitos dos europeus quanto à dimensão política das lutas ideológicas. Menos discurso formal e mais prática informal.

É um equívoco muito comum pensar-se as relações sociais de produção reduzidas às relações de trabalho. Esquece-se de que toda relação de produção (que é social) é ao mesmo tempo uma relação de reprodução da vida social. Do mesmo modo, como passa em branco para a maioria, que a primeira divisão do trabalho foi feita entre homem e mulher, e se solidificou no casamento e na família. Em outras palavras, os homens não produzem a vida social apenas através das relações de trabalho, eles a produzem e reproduzem principalmente através de suas instituições sociais. A contracultura extrapola o ambiente de trabalho. Ela é resultado de um outro tipo, ainda mais forte, de sintonia entre as pessoas.

Em a "Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" Engels, ao tratar da "produção e reprodução da vida imediata" vê o assunto da seguinte maneira: "A ordem social em que vivem os homens de determinada época ou determinado país está condicionada por essas duas espécies de produção: pelo grau de desenvolvimento do trabalho, de um lado, e da família, de outro."

É também por puro preconceito que não se foi a fundo até agora no significado da contracultura para todos nós. Difícil citar a contracultura sem nos depararmos com o mal utilizado clichê: "sexo, drogas e rock and roll".

Parece um fato que a música consegue romper a barreira das línguas com muito mais facilidade que qualquer outra forma de expressão. Não por outro motivo foi quem mais viabilizou a universalidade de uma nova consciência. Ajudou inclusive a romper, com mais facilidade, as diferenças de formação intelectual dos jovens de várias partes do planeta. Um típico fenômeno de massas.

Não consigo pensar no papel que a música teve na contracultura sem me remeter a Nietzsche aos 27 anos, em "A Origem da Tragédia no Espírito da Música". Não consigo assistir a um concerto de rock sem imaginar-me em um ritual dionisíaco. E ver no cantor um sacerdote. Onde todos entram em transe e perdem a noção de tempo e espaço. Tal qual um ritual religioso, quando nele estamos por inteiro em seus cânticos. Somente a música, única das artes que não necessita materializar-se para nos tocar a alma, para poder nos permitir este encontro com os deuses. (No candomblé não é diferente).

Segundo Nietzsche a transformação do ritual dionisíaco em tragédia teatral coincide com o início da decadência da fase helênica e o surgimento da civilização ocidental, nos modos como ainda hoje ela se apresenta.

Foi a vitória da razão sobre a intuição, disse Nietzsche. Ou nas palavras de Yoko Ono, a vitória das virtudes masculinas sobre as femininas. Nietzsche, viu uma saída. Sonhou um super-homem, que seria resultado da superação destas amarras sociais. Yoko Ono, junto com John, enfrentou costumes por um planeta menos dividido, menos repressor, menos inquisidor e menos porco chauvinista. Mais humano. "Demasiadamente humano". A contracultura foi mais intuição que razão. Por isto estou convencido que ela acrescentou uma ótica feminina à sociedade ocidental. Abriu alas para as mulheres.

Podemos afirmar que foi, principalmente através da música de influência pop que esta geração mais se expressou e se comunicou. Já eram tempos de mass mídia. Creio que não por outro motivo é que na música estão de alguma maneira, boa parte de nossos melhores poetas modernos. Quando digo nossos, falo da maioria dos países onde a contracultura vem sendo diluída ao longo desses anos. Os artistas são a antena da raça(fazendo uma paródia com frase de Ezra Pound). Naquele momento o mundo se espantava em ser os Beatles mais conhecidos que Jesus Cristo.

A contracultura também teve seus intelectuais letrados no sentido clássico. Mas aqueles que melhor traduziram o momento, escolheram a canção popular de massa, como sua arma mais quente. No Brasil, Caetano e Gil são um dos melhores exemplos destes intelectuais orgânicos. Formadores de opinião de enormes multidões. Sempre afinados com os princípios de liberdade que tomaram corpo a partir da contracultura. Já como tropicalistas, além do que representam para todos nós, também foram pais e filhos da contracultura no Brasil. Contribuíram muito para criar uma nossa versão da modernidade que se apresentava ao mundo através dela.

Pode-se dizer que está nos princípios da contracultura, lutar contra tudo que venha de encontro à quebra da individualidade e do direito de fazer com o próprio corpo o que bem lhe convier; direito fundamental de todo ser humano. Entre outras, a questão das drogas se insere também neste contexto. Somente a moralidade impede a sua legalização. O consumo delas não deve ser um caso de polícia. Elas devem estar na alçada do Ministério da Saúde. Hoje em dia vem sendo muito discutida. Contraditoriamente a "discriminação" das drogas vem sendo aceita como a arma mais letal ao narcotráfico. Além do que, reconhece-se que a prisão de consumidores de drogas só tem contribuído para criar bandidos. Elas devem ser sim, um caso para orientação, compreensão, ajuda no tratamento e apoio na recuperação. A experiência da contracultura com as drogas, em muitos momentos trágica, nos ensina hoje a conviver com elas.

Parece indiscutível que são heranças da contracultura, na maneira em que estão hoje organizados, os movimentos de luta pela igualdade de direitos para as mulheres e em defesa dos homossexuais. Os movimentos anti-racistas e pela legalização das drogas. São também filhos da contracultura os movimentos pacifistas e as coloridas e "performáticas" passeatas contra a guerra e pelo equilíbrio ecológico.

Em suma, as questões dos hoje, chamados movimentos de minorias, (que em realidades são de imensas maiorias éticas), tomaram corpo e universalidade a partir da contracultura.

A revalorização da cultura oriental, em si uma contestação da cultura ocidental, que presenciamos na três últimas décadas, tomou corpo sobretudo nesta época. Data também daí, a voz dada por muitos neste período, às populações sem voz. (assim chamadas por mim, aqui, porque elas têm a característica comum, de não terem quase sempre nenhuma condição de racionalizar o pensamento nos moldes da lógica formal). Refiro-me às crianças, aos loucos e índios, entre outros. E à anti-psiquiatria, os movimentos em defesa das populações indígenas, e às tímidas incursões de luta em torno dos direitos das crianças, mais especificamente.

Não só a religiosidade ocidental foi posta em xeque pela confrontação com outras maneiras de ver o mundo e as coisas. Até mesmo os hábitos alimentares e o conceito de saúde foram postos contra a parede.

A lista é muito extensa. O raio de abrangência é tão grande, que não estaria me arriscando em afirmar que a contracultura mudou a cara do mundo ocidental. Ela promoveu uma nova visão de mundo. ( Como deixar de lembrar Luís Carlos Maciel? - O livro dele, uma preciosidade de ensaios sobre o assunto, não por acaso se chama "Uma Nova Consciência").

Fala-se muito em duas vertentes de contestação assumida pela juventude no início dos anos 70. Uma, militante, clandestina e até terrorista. E outra, de confrontação pelo distanciamento assumido quanto as formas de organização social. O estereótipo destas vertentes de contestação é a atitude hippie e a guerrilheira. Possivelmente, um resultado daquela má compreensão do fazer político, mencionada acima.

A história de Gabeira é uma história de final feliz na direção da extinção desta cega visão. Um bom exemplo de uma síntese daquelas duas vertentes. Quando retornou, nos tempos da anistia e da abertura política, contribuiu para que parte da mencionada vertente mais militante e partidarista da juventude brasileira, e da que estava se formando nas greves estudantis, ainda muito impregnada de uma prática estreita, quebrasse tabus. O que ele trazia para discussão eram ironicamente temas que os herdeiros mais diretos da contracultura já vinham, como minhocas, fazendo a terra respirar mais aliviada.

Pessoas como ele ajudam a ampliar a base de um novo consenso. (Não deixa de ser um sinal de evolução política o fato de que hoje, quase todos os partidos políticos no Brasil não deixem de incluir, em suas quase sempre enganosas plataformas, várias questões das "minorias").

Depois de Gramsci me espanta que o ser político seja, ainda, apenas o militante de um partido registrado. Ou engajado na vida partidarista oficial. Desconhece-se o elementar; a vida social nos obriga a tomar partido a todo instante. O conceito de sociedade civil é bastante utilizado por Gramsci, sobretudo para mostrar a natureza orgânica de uma sociedade. Para ele "todo homem exerce uma certa atividade intelectual, adota uma visão de mundo, uma linha de conduta moral deliberada, e contribui portanto para defender e fazer prevalecer uma certa visão do mundo". Acho que não foi por outro motivo que os temas por ele mais bem acabados na prisão, foram reunidos em um livro que não poderia ter outro título:"O Intelectual Orgânico".

Um pensamento só é hegemônico em uma sociedade quando uma maioria lhe garante legitimidade. Independentemente dos partidos políticos de uma nação. Somente através do alargamento da base de consenso se torna possível fazer prevalecer uma nova maneira de pensar.

A contracultura não foi propriamente um movimento anti-capitalista. Ao mesmo tempo, manifestou-se contra a cultura estabelecida. Exatamente porque o que ela põe em questão é tão antigo quanto a civilização. Depois dela passamos a lutar por um novo modo de viver já. Aqui e agora. A contracultura plantou uma nova idéia de família, de casamento, das relações sexuais; de uma outra atitude para com a natureza, para com o próprio corpo e para com Deus. Ela cobrou uma adequação da superestrutura às mudanças na infra-estrutura do mundo ocidental.

Longe de mim achar que são hegemônicas na sociedade contemporânea as transformações sociais que tomaram curso a partir da contracultura. Não tenho dúvidas entretanto, que elas vêm alargando a sua base social de consenso progressivamente, através das sementes que plantou em boa parte desta geração que agora atinge a maturidade e vem criando seus filhos com outra maneira de ver as coisas instituídas. Ao criar novas personalidades os homens vão modificando as relações de produção da vida social. As lutas ideológicas têm a característica de poderem ser vitoriosas mesmo sem a tomada do poder. É o que diz Gramsci.

Os que comungaram e os que ainda comungam com as idéias de liberdade aqui discutidas foram e ainda são, por muitos, tratados como alienados. Diria que esta é maneira de ver muito própria ao maniqueísmo stalinista. Como os que assim si expressam, em geral mamaram no pensamento marxista, não me resta outra alternativa senão mais uma vez, ressuscitar o velho Marx.

Marx falava que havia uma dialética na natureza das transformações das forças produtivas. Uma luta entre contrários. Atento a analisar o modo de produção capitalista, era natural que ele concentrasse suas atenções na produção industrial. Ela era a melhor expressão da técnica daquele momento. Segundo ele, se a ampliação constante da divisão do trabalho, no interior da indústria, por um lado aliena os homens, na medida em que cada vez mais os especializa e os torna distante do conhecimento e da consciência social, por outro lado, a indústria, contraditoriamente é sempre obrigada a reunir, em número sempre maior, mais pessoas num mesmo ambiente de trabalho. Não por outro motivo seriam os operários industriais a vanguarda das transformações sociais. Pela facilidade de organização e conseqüente poder de pressão que o ambiente industrial possibilita.

Mais de um século depois somos forçados, no mínimo, a ampliar o raio de ação de suas idéias. Por forças produtivas devemos entender não apenas tecnologia, mas também know-how. Conhecimento. O desenvolvimento tecnológico que presenciamos neste fim de século caminha célere no sentido de eliminar fronteiras entre povos e nações. Os meios de comunicação estão socializando o conhecimento. Eles vêm contribuindo para sintonizar um espantoso número de agentes sociais dentro e principalmente, fora de seus ambientes de trabalho. Como se não bastasse, não se pode diminuir o poder de pressão de muitas categorias sociais do setor terciário e mesmo do primário. O conhecimento saiu do papel e das escolas. Ele foi para o rádio, o cinema, a televisão. Viaja hoje via satélite, pelo telefone e pela Internet. A sociedade atual se organiza de modo bem diferente daquela vivida por Marx.

Esta é mais uma contradição no desenvolvimento do capitalismo. Desde os primórdios o controle sobre o saber tem sido instrumento vital aos que sustentam o poder. Parece que não se percebe, que quando se intenta socializar a produção o que se pretende em última instância, é a socialização do consumo. Isto inclui o saber. Ele não pode ser patrimônio de classes sociais. Nem de um modo de produção específico. Ele é da humanidade. Quando Chico Buarque resolve se apresentar na televisão, quem mais lucra com isto não é a Souza Cruz, eventual patrocinador do evento, mas o povo brasileiro. Naquele momento, privilegiada multidão.

Ao rever o filme Woodstock nos espanta o grau de lucidez dos depoimentos registrados em relação aos motivos de tamanha sinergia.

Além de alienação, duas outras palavras são muitos utilizadas para diminuir a contracultura: massificação e consumismo. Geralmente são usadas de modo elitista e preconceituoso. Nelas está subentendido que o que é feito em série, em grande quantidade, é ruim. É de baixa qualidade. Em outras palavras, o que é da massa não presta. Para os que assim pensam recomendo a leitura de "A Obra de Arte na Época de Suas Técnicas de Reprodução", de Walter Benjamin. Essencial ao entendimento da modernidade. O desenvolvimento das técnicas nos impõe fenômenos culturais de massa. Em Benjamin percebemos porque todo aumento na quantidade dos que consomem termina resultando quase sempre, num crescimento da qualidade coletiva.

Mesmo sem condições de me debruçar em mais detalhes, me arrisco a intuir algumas contribuições da contracultura que tenho certeza, a muitos parece pura digressão:

Acho que a contracultura, sem receio de exagerar, mas por lhe querer o devido lugar, também nos ajuda a entender a implosão democrática do bloco socialista. A queda do muro de Berlim. A voluntária atitude desarmamentista da União Soviética. Acontecimentos com um grau de civilidade sem precedentes na história.

Vejam que oportuna reflexão de Freud: é de se supor, segundo ele, que a "...civilização constitua um processo que a humanidade experimenta a serviço de eros, cujo propósito é combinar indivíduos isolados, depois famílias e, depois ainda raças, povos e nações numa unidade da humanidade".

O que fez as nações mais poderosas passarem a ter mais respeito pela autonomia dos povos? Em parte, não poderia ser atribuída a uma nova consciência dos homens? Que mudança de consciência não implica em modificação das instituições sociais? Não há civilização sem cultura. E também sem contracultura. Nunca ela e a economia foram tão planetárias. Quem poderia pensar outra solução para o apartheid na África do Sul? Esta é mais uma prova de que a força por si só não basta ao exercício do poder. Será que estas transformações se explicam apenas pelo confronto das forças políticas tradicionais? Estou convencido que há hoje uma maior consciência entre os homens quanto a necessidade da paz, e do respeito à autodeterminação dos povos, das nações, e das raças, e que é evidente uma maior preocupação pela preservação da espécie e do planeta. Impensável falar sobre o pacifismo, nestas três últimas décadas, sem citar a contracultura.

Rumo à preservação da espécie, a paz e o desarmamento são quase uma imposição ao mundo contemporâneo. A terceira guerra mundial pressupõe a inexistência da quarta.

Mais uma vez o conhecimento do mundo vem desembocando em sua própria transformação. Mais uma vez o modo de produção social, cria seus próprios meios de superação.

A contracultura tem a ver com tudo isto porque ela cobrou-nos uma nova maneira de pensar e sentir. Uma nova sensibilidade para os homens. Sensibilidade que hoje em dia, é mais que nunca determinada pela história.

O desenvolvimento econômico atual já permite a toda a humanidade superar as questões materiais da luta pela sobrevivência.

Não foi por motivos econômicos que a maioria das nações civilizadas embargou relações comerciais com a África do Sul. A "imoralidade" a que tinha chegado o apartheid, face a uma nova visão de mundo necessária à vida contemporânea, fez surgir uma nova moralidade diante do fato. Que, de certa maneira, as fez realizar um boicote global de peso. Difícil de suportar no grau atual de internacionalização das economias. Do mesmo modo como aconteceu com a escravidão no passado.

Finalizando. O que os herdeiros dos beatniks e seus desdobramentos vem intentando mudar faz surgir um novo bloco histórico e ideológico. Que vai se formando sutilmente, como a maioria dos processos que resultam em efetiva transformação social. O inconsciente coletivo também é produto da história. Creio que, ao contrário do que possa parecer, é exatamente por sua contemporaneidade que os temas levantados pela contracultura não caducaram. As resistências à sua sedimentação no conjunto da sociedade ainda são muito grandes. Ultimamente, vêm sendo muito reforçadas com o advento da AIDS. Mas ao mesmo tempo convocadas a um debate mais franco.

A tomada do poder pressupõe uma nova consciência. Uma nova ideologia. Somente com novos olhos se pode construir um mundo novo. "Olhos Novos para o Novo", dizia Oswald de Andrade, nosso antropofágico poeta. O consenso necessário à conquista da hegemonia política pressupõe sempre uma nova maneira de ser. Por isto, para que não venha a implodir, a sociedade contemporânea ocidental tem sido obrigada a discutir, entre outras mudanças, a legalização das drogas e do aborto. A conviver com uma nova visão das relações sexuais, do casamento, das relações raciais e com a natureza. E a ter que aceitar o divórcio, a quebra do tabu da virgindade, o uso da pílula e atualmente a camisinha (estupidamente condenada pela igreja). Etc e etc.

Penso que quando John Lennon cantou "o sonho acabou", na música God, ele não estava desistindo de uma nova consciência social. De um modo de ser que o fez, e a muitos, sonhar. Aqueles versos soam como um alerta contra atitudes extremas. Contra a idolatria. Naquele momento se falava no fim da era de aquários. Momento de reavaliação. Início de uma nova atitude. Era preciso que aqueles versos soassem como um "se toque". "Encare a realidade de frente". "Seja mais você, com suas opiniões". John Lennon sabia disto. Se assim não fosse, ele não teria composto a canção Imagine, pouco tempo depois. Nem achado que valia a pena pedir uma chance à paz. Ele convocava a todos a mudar o mundo em suas entranhas.

Já havia a certeza que só se modifica a sociedade por dentro. Dela participando. Pondo em prática e defendendo as nossas idéias no dia-a-dia. Na vida cotidiana. Em casa, na rua e no trabalho. No interior da família, do casamento, no comportamento sexual e social. "Esses feitos afetariam toda a gente da terra. E nós veríamos nascer uma paz quente"(Caetano Veloso).

Um lugar comum é dizer-se que o "sistema absorveu" as contestações da contracultura. Para muitos "o sonho acabou" significa isto. Uma vitória conservadora, nesta luta entre duas visões de mundo. Luta entre hegemonias. Para muitos, os sonhos foram triturados pela sociedade de consumo. Por que não ver por outra ótica? Por que não considerar que uma sociedade que absorve outras maneiras de ser é uma sociedade modificada? Exatamente por ter uma nova maneira de ser, ela é uma sociedade diferente. Que mudou qualitativamente em sua hegemonia.

Invés de achar, por exemplo, que o sistema absorveu os movimentos afros na Bahia, sou levado a crer que foi a revalorização das origens africanas que modificou mais recentemente a Bahia. O orgulho mais à mostra de sua gente, lhe deu mais personalidade.

"apaches, punks, existencialistas, hippies, beatniks de todos os tempos uni-vos". Caetano Veloso extraído da canção "ele me deu um beijo na boca", gravada no disco "cores nomes". 1982.


referências bibliográficas :

BENJAMIN, Walter. A Obra de Arte na Época de suas Técnicas de Reprodução. In A Idéia do Cinema, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, pp. 55-95, 1969.

BROWN, Norman Oliver. Vida Contra Morte. Petrópolis, Vozes, 1974.

DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. Coleção os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1978.

ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1977.

FREUD, Sigmund. O Mal Estar na Civilização. Coleção os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1978.

GRAMSCI, Antônio. Os Intelectuais e a Organização da Cultura. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1978.

MACCIOCCHI, Maria-Antonietta. A Favor de Gramsci. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1974.

MACIEL, Luís Carlos. Uma Nova Consciência. Não disponho dos outros dados.

MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização. Rio de Janeiro. Zahar Editores. 1975.

MARX, Karl. O Capital (Crítica da Economia Política). Livro: O Processo de Produção do Capital). Volume 1. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1975.

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. Lisboa, Editorial Presença e Livraria Martins Fontes, 1980.

MCLUHAN, Marshall. Os Meios de Comunicação - como extensão do homem (understanding media), Cultrix, São Paulo, 1964.

NIETZSCHE, Friedrich. A Origem da Tragédia no Espírito da Música. Editora Portuguesa. Não me lembro da editora e do ano de publicação. Nem do ano.

RISÉRIO, Antônio. Carnaval Ijexá. Editora Currupio, Salvador-BA, 1981.


* Sobre o autor:

ARMANDO Ferreira de ALMEIDA Júnior, é economista, com tese de mestrado sobre "Relações de produção em um Perímetro Irrigado da Codevasf, em Juazeiro-BA" - 1986.

Ensaio escrito para servir de base a uma palestra em um ciclo de debates sobre o assunto, realizado em Salvador-BA, no mês de abril de 1996.


Posted on terça-feira, maio 26, 2009 by Augusto Mota

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sexta-feira, 15 de maio de 2009


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Partido negro revolucionário estadunidense, fundado em 1966 em Oakland - Califórnia, por Huey Newton e Bobby Seale, originalmente chamado Partido Pantera Negra para Auto-defesa (no original, "Black Panther Party for Self-Defense", depois, mais conhecido como "Black Panther Party" (Panteras Negras).

A finalidade original do partido era patrulhar guetos negros para proteger os residentes dos atos de brutalidade da polícia. Os Panteras tornaram-se eventualmente um grupo revolucionário marxista que defendia o armamento de todos os negros, a isenção dos negros no pagamento de impostos e de todas as sanções da chamada "América Branca", a libertação de todos os negros da cadeia, e o pagamento de compensação aos negros por séculos de exploração branca. Sua ala mais radical defendia a luta armada. Em seu pico, nos anos de 1960, o número de membros dos Panteras Negras excedeu 2 mil e a organização coordenou sedes nas principais cidades.

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Os conflitos entre os Panteras Negras e a polícia nos anos de 60 e nos anos de 70 conduziram a vários tiroteios na Califórnia, em Nova Iorque e em Chicago, um desses resultando na prisão de Huey Newton pelo assassinato de um policial.

Na medida que alguns membros do partido eram considerados culpados de atos criminais, o grupo foi sujeitado a uma grande hostilização da polícia que algumas vezes se deu na forma de ataques violentos, despertando investigações no Congresso sobre as atividades da polícia com relação aos Panteras. Nos meados dos anos de 70, tendo perdido muitos de seus membros e diminuído a simpatia de muitos líderes negros estadunidenses, levaram a uma mudança dos métodos do partido, que mudaram da violência para uma concentração na política convencional e em um fornecimento de serviços sociais nas comunidades negras. O partido estava efetivamente desfeito em meados dos anos de 1980.

Abaixo uma cópia da plataforma e programa dos panteras negras:


PARTIDO DOS PANTERAS NEGRAS
PLATAFORMA E PROGRAMA
Outubro 1966

O que nós queremos
O que nós acreditamos


1- Queremos liberdade. Queremos o poder para determinar o destino de nossa Comunidade Negra.
Nós acreditamos que o povo preto não será livre até que nós sejamos capazes de determinar nosso destino.
2- Queremos emprego para nosso povo.
Nós acreditamos que o governo federal é responsável e obrigado a dar a cada homem emprego e renda garantida. Nós acreditamos que se o homem de negócios americano branco não nos dá emprego, então os meios de produção devem ser tomados dos homens de negócios e ser colocados na comunidade de modo que o povo da comunidade possa organizar e empregar todas as pessoas e dar-lhes um padrão elevado de vida.
3- Precisamos acabar com a exploração do homem branco na Comunidade Negra.
Nós acreditamos que este governo racista tem nos explorado e agora nós estamos demandando a quitação do débito de quarenta acres de terra e duas mulas. Quarenta acres e duas mulas foram prometidos 100 anos atrás em restituição pelo trabalho escravo e assassinato em massa do povo preto. Nós aceitaremos o pagamento em moeda corrente, que será distribuída às nossas muitas comunidades. Os Alemães estão agora reparando os Judeus em Israel pelo genocídio do povo Judeu. Os Alemães assassinaram seis milhões de Judeus. O Racista Americano tomou parte no massacre de mais de vinte milhões de pessoas pretas; conseqüentemente, nós sentimos que esta é uma demanda modesta que nós fazemos.
4- Nós queremos moradia, queremos um teto que seja adequado para abrigar seres humanos.
Nós acreditamos que se os senhores de terra brancos não dão moradia descente para a nossa comunidade negra, então a moradia e a terra devem ser transformadas em cooperativas de maneira que nossa comunidade, com auxílio governamental, possa construir e fazer casas descentes para as pessoas.

5- Nós queremos uma educação para nosso povo que exponha a verdadeira natureza da decadente sociedade Americana. Queremos uma educação que nos mostre a verdadeira história e a nossa importância e papel na atual sociedade americana.
Nós acreditamos em um sistema educacional que dê a nossos povos um conhecimento de si mesmo. Se um homem não tiver o conhecimento de si mesmo e de sua posição na sociedade e no mundo, então tem pouca possibilidade relacionar-se com qualquer outra coisa.
6. Nós queremos que todos os homens negros sejam isentos do serviço militar.
Nós acreditamos que o povo preto não deve ser forçado a lutar no serviço militar para defender um governo racista que não nos protege. Nós não lutaremos e mataremos os povos de cor no mundo que, como o povo preto, estão sendo vitimizados pelo governo racista branco da América. Nós nos protegeremos da força e da violência da polícia racista e das forças armadas racista, por todos os meios necessários.
7. Nós queremos o fim imediato da brutalidade policial e assassinato do povo preto.
Nós acreditamos que nós podemos terminar a brutalidade da polícia em nossa comunidade preta organizando grupos pretos de autodefesa que são dedicados a defender nossa comunidade preta da opressão e da brutalidade racista da polícia. A segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos dá o direito de portar armas. Nós acreditamos conseqüentemente que todo o povo preto deve se armar para a autodefesa.
8. Nós queremos a liberdade para todos os homens pretos mantidos em prisões e cadeias federais, estaduais e municipais.
Nós acreditamos que todas as pessoas pretas devem ser liberadas das muitas cadeias e prisões porque não receberam um julgamento justo e imparcial.
9. Nós queremos que todas as pessoas pretas quando trazidos a julgamento sejam julgadas na corte por um júri de pares do seu grupo ou por pessoas de suas comunidades pretas, como definido pela Constituição dos Estados Unidos.
Nós acreditamos que as cortes devem seguir a Constituição dos Estados Unidos de modo que as pessoas pretas recebam julgamentos justos. A 14ª emenda da Constituição dos ESTADOS UNIDOS dá a um homem o direito de ser julgado por pares de seu grupo. Um par é uma pessoa com um acumulo econômico, social, religioso, geográfico, ambiental, histórico e racial similar. Para fazer isto a corte será forçada a selecionar um júri da comunidade preta de que o réu preto veio. Nós fomos, e estamos sendo julgados por júris todo-brancos que não têm nenhuma compreensão "do raciocínio do homem médio" da comunidade preta.

10. Nós queremos terra, pão, moradia, educação, roupas, justiça e paz. E como nosso objetivo político principal, um plebiscito supervisionado pelas Nações-Unidas a ser realizado em toda a colônia preta no qual só serão permitidos aos pretos, vítimas do projeto colonial, participar, com a finalidade de determinar a vontade do povo preto a respeito de seu destino nacional.


We want land, bread, housing, education, clothing, justice and peace. And as our major political objective, a United Nations-supervised plebiscite to be held throughout the black colony in which only black colonial subjects will be allowed to participate for the purpose of determining the will of black people as to their national destiny.


Quando no curso de eventos humanos, se torna necessário que um povo dissolva as amarras políticas que o tem conectado com o outro, para que assuma, entre os poderes da terra, um estado separado e igual a que as leis do deus da natureza e da natureza a intitulam, um respeito decent às opiniões da humanidade requer que deve declarar as causas que impel as à separação.


When in the course of human events, it becomes necessary for one people to dissolve the political bands which have connected them with another, and to assume, among the powers of the earth, the separate and equal station to which the laws of nature and nature's God entitle them, a decent respect to the opinions of mankind requires that they should declare the causes which impel them to the separation.


Nós prendemos estas verdades para ser evidentes de self, esse todos os homens somos semelhante criado; que estão dotados por seu criador com determinadas direitas unalienable; aquela entre estes é vida, liberdade, e a perseguição da felicidade. Que, para fixar estas direitas, os governos estão instituídos entre os homens, derivando seus poders justos do consentimento do governado; isso, sempre que todo o formulário do governo se torna destrutivo destas extremidades, é a direita dos povos alterá-la ou abolish, e instituir um governo novo, colocando sua fundação em tais princípios, e organizando seus poders em tal formulário, a respeito deles parecerá muito provável efetuar suas segurança e felicidade.


We hold these truths to be self evident, that all men are created equal; that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights; that among these are life, liberty, and the pursuit of happiness. That, to secure these rights, governments are instituted among men, deriving their just powers from the consent of the governed; that, whenever any form of government becomes destructive of these ends, it is the right of the people to alter or to abolish it, and to institute a new government, laying its foundation on such principles, and organizing its powers in such form, as to them shall seem most likely to effect their safety and happiness.


O prudence, certamente, ditará que longo dos governos estabelecido não deve ser mudado para causas da luz e do transeunte; e conformemente, todo o hath da experiência mostrado, essa humanidade é disposto mais ao supper, quando os evils forem sufferable, do que à direita ela mesma abolishing os formulários a que são accustomed. Mas, quando um trem longo dos abusos e dos usurpations, perseguir invariável o mesmo objeto, evinces um projeto para os reduzir sob o despotism absoluto, é sua direita, ele é seu dever, jogar fora de tal governo, e fornecer protetores novos para sua segurança futura.


Prudence, indeed, will dictate that governments long established should not be changed for light and transient causes; and accordingly, all experience hath shown, that mankind are more disposed to supper, while evils are sufferable, than to right themselves by abolishing the forms to which they are accustomed. But, when a long train of abuses and usurpations, pursuing invariable the same object, evinces a design to reduce them under absolute despotism, it is their right, it is their duty, to throw off such government, and to provide new guards for their future security.


Posted on sexta-feira, maio 15, 2009 by Augusto Mota

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