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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

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  Sérgio Moraes Sampaio foi um cantor e compositor brasileiro, nascido em Cachoeiro de Itapemirim (Espírito Santo) em 13 de abril de 1947 e falecido no Rio de Janeiro em 15 de maio de 1994.


Carreira

Após ter sido radialista em Cachoeiro, Sérgio foi tentar a carreira musical no Rio de Janeiro. Contratado pela CBS (hoje Sony BMG), Sérgio lançou ao lado de Raul Seixas o álbum Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 em 1971. No ano seguinte, lançou a marcha-rancho Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua no Festival Internacional da Canção. A música se tornou sucesso nacional e deu nome ao primeiro disco solo de Sérgio. Apesar do sucesso do compacto do Bloco, o LP não foi bem-sucedido, em parte pelo comportamento displicente de Sérgio, que se dedicava mais à vida boêmia carioca do que à divulgação do álbum.
Já com o rótulo de "maldito" da MPB, Sérgio passou por várias gravadoras e lançou um álbum independente. Alcoólatra, só se recuperou do vício na década de 90, mas acabou falecendo antes de retornar a carreira. Revista Pontozero .

Cronologia

1947
Sérgio Moraes Sampaio nasce a 13 de abril, em Cachoeiro de Itapemirim, filho de Raul Gonçalves Sampaio, fabricante de tamancos e maestro de banda e Maria de Lourdes Moraes, professora primária.
1956
Começa a ajudar o pai na tamancaria. Na escola é aluno aplicado, eventualmente o melhor da classe: Dona Maria de Lourdes o colocava para estudar em casa todos os dias.
1963
Fica vidrado no samba "Cala a boca, Zebedeu", de autoria de Seu Raul, inspirado numa vizinha da Rua Moreira que espinafrava o marido diariamente. O apelido do sujeito era "Fulica".
1964
Ingressa como locutor na XYL-9, Rádio Cachoeiro. Torna-se um fã do samba-canção de Orlando Silva, Nélson Gonçalves e Sílvio Caldas.
1965
Passa três meses de experiência como locutor da Rádio Relógio Federal, no Rio de Janeiro. Retorna a Cachoeiro para servir no "Tiro de Guerra" local. É detido freqüentemente por trocar os pernoites por incursões aos bares e bordéis cachoeirenses.
1967
Mudança definitiva para o Rio de Janeiro, para tentar a vida como locutor ou cantor-compositor.
1969
Passagens pelas rádios Rio de Janeiro, Mauá e Carioca. Ingressa na rádio Continental, onde conhece Erivaldo Santos, parceiro no primeiro samba feito no Rio, "Chorinho inconseqüente", mais tarde incluído no LP "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez".
1970
Novembro: acompanha ao violão o compositor Odibar, parceiro de Paulo Diniz em "Quero voltar para a Bahia", num teste na gravadora CBS com o então produtor Raulzito. As músicas de Odibar não agradam e Sérgio canta composições suas como "Coco verde" e "Chorinho inconseqüente". Na saída, Raul Seixas lhe diz ao pé do ouvido: "Volte amanhã".
1971
Janeiro: assinatura do contrato com a CBS. Sérgio e Raul se tornam amigos. Com Raulzito, Sérgio conhece o rock e o pop internacional em geral. Abril: "Sol 40 graus", com o Trio Ternura, é a primeira letra de Sérgio Sampaio a ganhar as rádios. Ele assina a música como "Sérgio Augusto" e seu parceiro Ian Guest, como "Átila". No mesmo ano compoe "Minha miragem" em parceria com Ian, música até entao inédita.
Junho: compacto "Coco verde/"Ana Juan", direção artística de Raul Seixas e arranjos de Ian Guest. O disco toca muito, devido à ajuda de amigos disk-jockeys de Sérgio, mas vende pouco.
Setembro: LP "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez", com Raul Seixas, Míriam Batucada e Edy Star, que causa na época o maior fordunço na gravadora CBS. Também pudera: o disco era uma verdadeira sessão de escracho musical, uma coleção de pastiches de rock, samba e ritmos nordestinos, com letras sarcásticas, entremeadas por piadas e sátiras ao cotidiano em forma de vinhetas malucas.
Outubro: Sérgio participa do VI FIC com "No ano 83", de sua autoria. A seu lado, nos vocais, Jane Vaquer, futuramente conhecida como Jane Duboc.
1972
Março: conhece o guitarrista Renato Piau nos corredores da CBS.
Abril: compacto "Classificados nº 1"/ "Não adianta". Direção artística de Raul Seixas.
Setembro: Pelas mãos de Raul Seixas, que já estava na gravadora, Sérgio ingressa na Phillips, dirigida por André Midani, para trabalhar com o produtor Roberto Menescal. Gravação de "Eu quero é botar meu bloco na rua", inscrita no VII FIC, com presença de Piau no violão, Ivan Machado no baixo, os "Cream Crackers" na percussão, Raul Seixas e membros dos Golden Boys no coro.
Outubro: estouro no FIC com o "Bloco", que invade as rádios de todo o Brasil. Em poucos meses, vendas de mais de 300 mil compactos.
Dezembro: Sérgio contrai tuberculose, mas ainda assim começa as gravações de um LP para a Phillips, com produção de Raul Seixas, e na banda de apoio Renato Piau, o tecladista José Roberto Bertrami, o baixista Alex Malheiros e Ivan "Mamão" Conti na bateria. Também participam os "Cream Crackers" e o baterista Wilson das Neves.
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Março: sai o LP "Eu quero é botar meu bloco na rua". Mesmo contendo a música de grande sucesso, torna-se um fracasso comercial e de crítica. No entanto, permanece até hoje como o disco preferido da maioria dos sampaiófilos. Apesar da boa execução nas rádios de músicas como "Viajei de trem", uma toada-rock de alta lisergia, a valsa pop "Leros & leros & boleros" e os sambas "Odete" e "Cala a boca, Zebedeu", a vendagem não ultrapassa as 5 mil cópias.
Maio: apresentação na série de shows "Phono 73", em São Paulo.
Outubro: Sérgio recebe o "Troféu Imprensa", o "Oscar brasileiro", do programa "Sílvio Santos", na TV Globo, como "Revelação de 72".
1974
Janeiro: compacto "Meu pobre Blues"/ "Foi ela". A primeira, uma lírica e dúbia elegia ao seu ídolo de juventude, Roberto Carlos. A segunda, um samba com feeling de rock, cadenciado e envolvente.
Abril: casa-se com Maria Verônica Martins (Ponka), numa cerimônia hippie em Cachoeiro. Aplica um beijo na testa do Juiz de Paz no final.
Junho: rescinde o contrato com a Phillips e retira-se por algum tempo em Mimoso, cidade próxima a Cachoeiro, onde compõe o samba "Velho bandido".
1975
Janeiro: retorna ao Rio e ingressa na gravadora Continental.
Junho: compacto "Velho bandido"/"O teto da minha casa", com produção de Roberto M. Moura e arranjos do violonista João de Aquino.
Novembro: sua marchinha "Cantor de rádio" é incluída no LP "Convocação Geral nº 2", da Som Livre.
1976
Janeiro: show "O pulo do gato", da SOMBRÁS, no Teatro Casa Grande, com Jards Macalé e Dona Ivone Lara. Entre maio e junho, gravações e lançamento do LP "Tem que acontecer", muito elogiado pela crítica mas pouco executado nas rádios.
http://3.bp.blogspot.com/_2iPxl3ewN_o/R1NOsaLc-3I/AAAAAAAAAFk/vQh6nyT5Fhg/s320/4.bmp1977
Março: compacto "Ninguém vive por mim / História de boêmio(Um abraço em Nélson Gonçalves).
Junho: cancelamento de um novo LP para a Continental seguido da rescisão do contrato.
Agosto: show no Teatro Tonelero, organizado por universitários, com Fagner, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Lô Borges.
1978
Junho: internação no Hospital Miguel Couto do Rio com uma crise de pancreatite.
Novembro: lota por uma semana o Teatro Opinião, do Rio, com o show "Agora".
1979
Julho: temporada de 15 dias na Sala Funarte/Sidney Miller, no Rio, ao lado do compositor Carlos Pinto.
1982
LP independente "Sinceramente". Um trabalho denso e confessional, enfocando ao mesmo tempo as diversas facetas pessoais e artisticas de Sampaio. Lançado em meio à explosão de ursinhos blau-blaus, batatas-fritas e folias na praia da "niuêive" carioca, o disco passa despercebido.
1983
Fevereiro: nasce João Sampaio, da união com Angela. O compositor Xangai (Eugênio Avelino) é o padrinho.
1986/87
Mesmo os mais atentos fãs acham que Sampaio abandonou a carreira. Raramente se ouve falar nele. Seus discos viram peças de colecionador, disputados a tapa nos sebos de todo o país. Letras como as de "Meu pobre Blues" ou "Ninguém vive por mim", músicas lançadas apenas em compacto, são cultuadas e reconstituídas verso a verso pelos "sampaiófilos" de carteirinha. Os 80 são realmente um habitat muito ingrato para Sampaio: nenhuma música no rádio, magros direitos autorais e escassos shows, quase sempre em bares e sem nenhuma cobertura da mídia. Na vida pessoal, o alcoolismo minando dia a dia suas forças. Ainda assim, o artista continua compondo regularmente e cada vez melhor suas novas músicas, que apresenta nos shows lado a lado com seus cavalos de batalha.
1988
Outubro: temporada de 10 dias na Sala Funarte, do Rio, com Jards Macalé.
1989
Encontra com Raul Seixas em São Paulo. O Sérgio se assusta com o estado do amigo. O encontro foi gravado em video pelo RRC.
1990
Novembro: shows no Segredo de Itapuã, Bahia, ao lado de Xangai. Sérgio começa a namorar a produtora de shows Regina Pedreira e resolve mudar-se para a Bahia.
1991/92
Os ares baianos fazem muito bem a Sampaio, que vivencia uma espécie de renascimento artístico e pessoal. Novas composições e diversos shows em bares da periferia de Salvador e em outros estados nordestinos.
Outubro/92: participação no show "Baú do Raul", na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, na Bahia, cantando músicas do LP "Sociedade Kavernista...".
1993
Fevereiro: no aniversário do filho João, Sérgio anuncia que deixou a bebida. Ao longo do ano, shows em Brasília, Goiânia, Vitória e Rio de Janeiro.
1994
Janeiro: Convite do selo paulista Baratos Afins para gravação de um CD de inéditas. Abril: aniversário no Rio com presença de amigos como Sérgio Natureza, Chico Caruso e Luiz Melodia.
Maio: internação no CTI do Hospital IV Centenário com crise aguda de pancreatite. Sérgio estava muito debilitado, nao queria ser visto por ninguem, falece às 5 da manhã do dia 15 de maio. Poucas pessoas acompanham o enterro, sinal de abandono, a midia pouco se falou. O maldito descansava...
2006
Depois de muito tempo esquecido, enfim a volta: lançado o CD "Cruel", produzido por Zeca Baleiro, com 12 canções inéditas de Sérgio Sampaio, interpretadas por ele em gravações caseiras, agora remasterizadas.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Posted on quarta-feira, janeiro 27, 2010 by Guto Dias

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Em primeiro lugar estamos acostumados a escutar que anarquia seria uma bagunça generalizada, aí está o primeiro erro, anarquia é a organização total de um povo.



Anarquismo é uma palavra que deriva da raiz grega αναρχία — an (não, sem) e archê (governador) — e que designa um termo amplo que abrange desde teorias políticas a movimentos sociais que advogam a abolição do capitalismo e do Estado enquanto autoridade imposta e detentora do monopólio do uso da força. Exemplificando, Anarquismo é a teoria libertária baseada na ausência do Estado. De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita, defendendo tipos de organizações horizontais e libertárias.
Para os anarquistas, Anarquia significa ausência de coerção, e não ausência de ordem. Uma das visões do senso comum sobre o tema é na verdade o que se denomina por "anomia", ou seja, ausência de leis. Existe em torno desta questão um debate acerca da necessidade ou não de uma moral anarquista, ou se a natureza humana bastaria por si só na manutenção pacífica das relações.
As diferentes vertentes do anarquismo têm compreensões diferentes quanto aos meios para a abolição dos governos e quanto à forma de organização social que disso resultaria.

Posted on quarta-feira, janeiro 27, 2010 by Guto Dias

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sábado, 7 de novembro de 2009

 http://umaluz.files.wordpress.com/2008/09/cab1qui.jpg

Designação da produção poética caracterizada pela experimentação rítmica e musical, além do abandono, por parte dos poetas, dos meios tradicionais de circulação das obras (editoras, livros, livrarias). A poesia foi levada às praças, às ruas, às universidades. Os poemas circulavam em cópias mimeografadas, eram pendurados em "varais", jogados do alto de edifícios, distribuídos de mão em mão. A poesia marginal foi uma prática poética marcada pelo artesanal, por poetas que queriam se expressar livremente em época de ditadura, buscando caminhos alternativos para distribuir poesia e revelar novas vozes poéticas. A poesia marginal apresenta também oposição ao concretismo.


INFLUÊNCIAS:
- Geração de 22 (1ª fase do Modernismo)
- Tropicalismo
- Movimentos de contracultura como o rock, o movimento hippie, histórias em quadrinhos e o cinema
CARACTERÍSTICAS:
- Coloquialidade
- Humor
- Espontaneidade
- Paródia
- Cotidiano urbano

Paulo Leminski: o marginal dos marginais

Este sim foi um verdadeiro marginal. Dos poetas da geração 68, como ele mesmo se intitulou em uma espécie de manifesto na revista Pólo Inventiva em 1978, ninguém mais do que Paulo Leminski encarnou o que havia de realmente original nessa geração marcada pelo inconformismo e rebeldia: a incoerência. Dono de uma personalidade singular, o poeta curitibano era capaz de reunir num mesmo ser a figura de hippie, ex-seminarista, poeta, publicitário, judoca e haicaísta zen. Embora soe um tanto quanto paradoxal, a sua incoerência era o que havia de mais sensato nesse contexto histórico pós-68.

Uma de suas contradições, se é que assim a podemos considerar, era o fato de ser marginal e, curiosamente, possuidor de uma erudição como poucos em sua época. Por trás do linguajar coloquial e dos versos livres, fazia-se presente na poesia de Leminski um rigoroso trabalho com a linguagem, fruto de um conhecimento aprofundado de autores consagrados como James Joyce e Ovídio, e da amizade de longa data com intelectuais de primeira grandeza como Décio Pignatari e Haroldo de Campos. É sabido também que o poeta tinha familiaridade com línguas. Ele mesmo se orgulhava de ser um “bandido que sabia latim”.

Leminski, ou a “besta dos pinheirais”, como também foi alcunhado, não via incoerência alguma em ser marginal e concretista ao mesmo tempo. Se de um lado, os marginais buscavam a liberdade contra todo tipo de repressão, do outro, o Concretismo, com o seu arcabouço teórico rígido e inflexível, representava a alguns deles o que havia de pior: um verdadeiro AI-5 da literatura. Nesse cenário, a figura de Leminski surgiu como uma válvula que despressurizava o rigor do Concretismo ao mesmo tempo que inflava a poesia marginal com uma boa dose de lirismo e erudição. Nesse meio tempo, conseguiu ainda espaço para ser tropicalista na gélida e sóbria Curitiba.

É, contudo, no campo social onde Leminski guardava suas maiores contradições. Escreveu a biografia do revolucionário russo Trotski, envolveu-se com organizações de esquerda como a Libelu, Liberdade e Luta, mas ainda assim não se permitia fazer poesia social. A respeito dos poemas de colegas que versavam sobre “bóias-frias ou metalúrgicos do ABC”, costumava dizer que “a realidade objetiva é a prostituta mais barata no mercado de idéias”. No começo da década de 80, numa reunião de escritores alemães no Rio de Janeiro, chegou a acusar o poeta maranhense Ferreira Gullar de “oportunista” e “carreirista”. Nesse caso, Leminski concordava com Fidel Castro. Preferia “um bom poema romântico a um mau poema político”: o primeiro, pelo menos, não prestaria um desserviço à revolução. Em seus textos criativos, podemos encontrar muitas vezes uma metalinguagem daquilo que considerava a verdadeira poesia marginal.

[Marginal é quem escreve à margem,]
Marginal é quem escreve à margem
deixando branca a página
para que a paisagem passe
e deixe tudo claro à sua passagem.

Marginal, escrever na entrelinha,
sem nunca saber direito
quem veio primeiro,
o ovo ou a galinha.

Como o poeta Ademir Assunção afirma, Leminski fazia questão de “alterar o texto para bagunçar o contexto”. Um exemplo clássico disso é a paródia que fez do discurso nacionalista de Médici: “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Leminski escreve: “ameixas / ame-as / ou deixe-as”. Ele consegue subverter o discurso militar ufanista somente alterando algumas palavras e, de quebra, se diverte com isso. Em tempos de chumbo, costumava dizer que “rir é o melhor remédio, achar graça, a única saída”.

Outra contradição saltaria aos olhos do público quando o poeta decidiu conciliar a literatura com a profissão de publicitário. Em 1975, no lançamento de sua obra prima Catatau, Leminski valeu-se de um recurso de marketing: pousou nu, em posição de flor de lótus, para o cartaz promocional da obra. Décio Pignatari, também publicitário, qualificou Catatau como o primeiro livro que surgiu dentro de uma perspectiva inovadora de promoção e marketing. O escritor Jaques Brand, contudo, foi bastante crítico ao destacar o ego de Leminski nessa “jogada publicitária”. O poeta curitibano então responde: “o que irrita Brand é que usei técnicas da propaganda para lançar um livro de literatura. Como se a literatura – numa sociedade de mercado e de consumo – fosse algo de santo ou pátrio”.

Leminski viveu intensamente as contradições de sua época. Faleceu aos 44 anos de cirrose hepática como Fernando Pessoa, embora desejasse ter sido como Pound e Maiakovski, dois grandes poetas que não bebiam. Apesar de ser enquadrado por muitos nos apêndices ora do Concretismo, ora da poesia marginal e ora do Tropicalismo, conseguiu realizar uma façanha ainda maior, como poucos na história da literatura: ser maior que um simples emblema. Ser ele mesmo.


Posted on sábado, novembro 07, 2009 by Guto Dias

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O blues é uma forma musical vocal e/ou instrumental que se fundamenta no uso de notas tocadas ou cantadas numa frequência baixa, com fins expressivos, evitando notas da escala maior, utilizando sempre uma estrutura repetitiva. Nos Estados Unidos surgiu a partir dos cantos de fé religiosa, chamadas spirituals e de outras formas similares, como os cânticos, gritos e canções de trabalho, cantados pelas comunidades dos escravos libertos, com forte raiz estilística na África Ocidental. Suas letras, muitas vezes, incluíam sutis sugestões ou protestos contra a escravidão ou formas de escapar dela.

O blues tem exercido grande influência na música popular ocidental, definindo e influenciando o surgimento da maioria dos estilos musicais como o ragtime, jazz, rhythm and blues, rock and roll e música country, além de ska-rocksteady, soul music e influenciando também na música pop convencional e até na música clássica moderna.

História

As origens

O blues sempre esteve profundamente ligado à cultura afro-americana, especialmente aquela oriunda do sul dos Estados Unidos (Alabama, Mississipi, Louisiana e Geórgia), dos escravos das plantações de algodão que usavam o canto, posteriormente definido como "blues", para embalar suas intermináveis e sofridas jornadas de trabalho. São evidentes tanto em seu ritmo, sensual e vigoroso, quanto na simplicidade de suas poesias que basicamente tratavam de aspectos populares típicos como religião, amor, sexo, traição e trabalho. Com os escravos levados para a América do Norte no início do século XIX, a música africana se moldou no ambiente frio e doloroso da vida nas plantações de algodão. Porém o conceito de "blues" só se tornou conhecido após o término da Guerra Civil quando sua essência passou a ser como um meio de descrever o estado de espírito da população afro-americana. Era um modo mais pessoal e melancólico de expressar seus sofrimentos, angústias e tristezas. A cena, que acabou por tornar-se típica nas plantações do delta do Mississippi, era a legião de negros, trabalhando de forma desgastante, sobre o embalo dos cantos, os "blues".

As raízes no delta

Há várias versões sobre aquela que é a primeira composição típica de blues, assim como seu primeiro idealizador. Diz a lenda que o autoproclamado "Pai do Blues" W. C. Handy ouviu este tipo de música pela primeira vez em 1903, quando viajava clandestinamente em um vagão de trem e observava um homem que tocava violão com um canivete.[carece de fontes?] Daí teria surgido aquele que é dito como o primeiro blues da história, St. Louis Blues. Porém o mais correto a afirmar é que o blues surgiu de uma forma mais ambiental e progressiva do que uma única canção. De fato, a instrumentalização das work songs (canções de trabalho) foi o marco inicial para o surgimento do blues como estilo de música.

O primeiro nome popular a surgir como músico específico de blues foi o de Charley Patton, em meados da década de 20. Posteriormente, na mesma época, surgiram nomes como de Son House, Willie Brown, Leroy Carr, Bo Carter, Silvester Weaver, Blind Willie Johnson, Tommy Johnson entre outros. A princípio, a maioria das canções interpretadas eram cantos tradicionais como Catfish Blues e John The Revelator, canções essas que tiveram vários intérpretes e versões variadas no decorrer da história. Porém, foi na década de 30 que surgiu aquele que é talvez o nome mais influente e idolatrado do blues: Robert Johnson. Influenciado sobretudo por Son House e Willie Brown, Johnson viveu pouco tempo, cerca de 27 anos, sendo que a sua data de nascimento não é totalmente precisa. Vitimado, segundo a lenda, por um whisky envenenado pelo marido de uma de suas amantes.[carece de fontes?] Gravou 29 canções apenas, entre 1936 e 1937, porém são considerados os maiores clássicos de blues de todos os tempos. Diz ainda a lenda que o estrelato de Robert Johnson veio após um trato feito com o diabo numa encruzilhada.[carece de fontes?] Johnson entregou sua alma ao diabo e em troca ele se tornaria o maior cantor de blues de todos os tempos. Coincidências à parte, de fato a curta vida de Robert Johnson é repleta de mistérios, sobretudo a sua controvertida morte.

No final dos anos 30 e inícios dos 40 surgiram as primeiras grandes bandas de blues, de Sonny Boy Williamson e Big Bill Broonzy. E a partir de 1942 o blues sofre sua primeira grande "revolução" interna com o soar das primeiras notas eletrificadas do legendário guitarrista T-Bone Walker. Certamente é deste nome que remonta as origens do formato consagrado do blues moderno, baseado na repetição 12 compassos da melodia base e com o solo totalmente livre do acompanhamento, (ou seja, o puro improviso) o que não ocorria até então já que o solista era na maioria dos casos também o responsável pelo parte rítmica instrumental. O que certamente tornou possível a T-Bone Walker ser o precursor do estilo clássico moderno do blues foram suas raízes no Jazz, que posteriormente imortalizariam a marca de seu Blues. Com a explosão do blues em Chicago e o advento da eletricidade na música, o blues atingiu um patamar novo, deixando de ser restrito a um pequeno grupo, para se tornar cultura popular no sul dos Estados Unidos.

O blues de Chicago

Em meados dos anos 40, começa um período intenso de migração do delta do Mississippi para Chicago, que já ocorria há alguns anos, porém de forma mais escassa. A população negra do sul dos Estados Unidos, procurando fugir da repressão e das condições precárias de vida que lá encontravam, viram em Chicago um lugar para novas oportunidades. Os músicos de Blues que, por essa época, chegavam em grande número a Chicago, encontraram a eletricidade na música, o que possibilitou uma gama enorme de novas possibilidades e os permitiu alçarem vôos mais altos com sua música. Talvez o grande nome dessa nova fase tenha sido o de Muddy Waters, o primeiro a eletrificar todos os instrumentos de sua banda. Com seu blues carregado, poderoso e intenso, Muddy Waters é talvez, junto com Robert Johnson, a figura mais influente e popular do blues americano, sendo o primeiro bluesman a ter seu nome reconhecido fora dos Estados Unidos, sobretudo na Inglaterra, onde influenciaria posteriormente o surgimento de diversas bandas importantes como The Beatles, Yardbirds e The Rolling Stones. Essa última inclusive teve seu nome baseado em uma música de Muddy Waters, Rollin' Stone. Waters compôs e/ou interpretou inúmeros clássicos máximos do blues como Baby Please Don't Go, I Can't Be Satisfied, Honey Bee e Hoochie Coochie Man, entre muitas outras. Sua importância no desenvolvimento do blues como gênero dominante no cenário mundial é tão grande que é necessário um capítulo à parte para descrever toda a sua obra.

Outro grandioso nome do blues surgido nesse período foi o de Willie Dixon. Um dos poucos baixistas líder de banda do Blues, Dixon é considerado o "poeta do blues", já que suas letras se tornaram hinos da cultura bluesística. Sem dúvida é o mais importante compositor da segunda geração do blues. É dele a composição de um dos maiores clássicos, Hoochie Coochie Man, que se tornou famosa na versão de Muddy Waters. Entre outros clássicos estão You Shock Me, I Can't Quit You Baby, Little Red Hooster (composição em parceria com Howlin' Wolf), Spoonful e Back Door Man.

Não menos importante foi o nome de Howlin' Wolf. Guitarrista e gaitista de origem, ficou famoso por sua voz rouca e de um blues bastante swingado. Definiu um estilo impossível de não ser reconhecido, que influenciaria de forma marcante posteriormente músicos como Eric Clapton, Jeff Beck e Stevie Ray Vaughan. Suas parcerias com Willie Dixon renderam verdadeiras obras primas, além de composições conjuntas. Destaques para The Little Red Rooster e Howlin' For My Baby.

A guitarra elétrica se tornou unanimidade absoluta no blues, nesse período, porém nenhum outro nome consagrou tanto a guitarra solo como elemento central do blues quanto B.B. King. Influenciado diretamente por T-Bone Walker, outro virtuose da guitarra solo, B.B. King criou um estilo único e quase inigualável de frasear o instrumento, de forma pura e melódica como poucos conseguem. O seu vibrato tornou-se marca registrada, dando aos solos de guitarra uma forma quase verbal. Sem falar de seu vocal-tenor que muitas vezes se destacava mais que o próprio instrumento. Influenciando praticamente todos os guitarristas que vieram posteriormente, é classificado, merecidamente, como o "rei do blues". De fato, blues e B.B. King hoje são termos quase inseparáveis.

Inevitável não citar a figura de John Lee Hooker, que se identificaria posteriormente pelo seu Booggie, e seu estilo falado de cantar, que se tornaria sua marca registrada. Porém sua importância no blues vai muito mais além do que apenas uma vertente adjunta. Além de ter sido um dos primeiros a eletrificar a guitarra no blues, John Lee Hooker foi o percursor do Blues de Chicago, antes mesmo de Muddy Waters ganhar renome e importância, e suas obras foram de total referência na estilo Rock que estava nascendo.

Os anos 60 e o blues britânico

Um dos momentos mais marcantes do blues foi a apresentação de Muddy Waters em Londres no início dos anos 50. Foi um marco, pois dali em diante o blues ganharia renome internacional e influenciaria o surgimento de novas vertentes musicais, especialmente o rock n' roll. Logicamente Chuck Berry é indiscutível como iniciador do modelo rock, porém sua origem é absoluta no blues, ainda mais na música de Waters. Mas foi o reconhecimento do blues na Inglaterra nos anos 50 que alavancaria o nascimento de uma revolução na história da música ocidental. E foi da fusão do blues, com essa nova vertente, o rock, que nasceria o gênero que marcaria em essência toda a nova geração de músicos que surgia no cenário mundial. Era o blues-rock. Bandas como Beatles, Rolling Stones, Yardbirds e mais posteriormente Cream, Fleetwood Mac, Jeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas no blues elétrico de Chicago. Talvez o grupo de maior importância no recém surgido cenário blues britânico tenha sido John Mayall and the Bluesbreakers, que além de ter grande influência no crescimento do blues dentro do país, foi a banda-alçapão de músicos que viriam a se tornar importantíssimos nesse cenário musical em ascensão, como Eric Clapton, que posteriormente viria a formar o Cream, Peter Green que sairia do grupo para ser líder e compositor do Fleetwood Mac, e Mick Taylor, que seria requisitado como guitarrista dos Rolling Stones. E, com o reconhecimento mundial desses músicos, os nomes clássicos do folk-blues americano como Robert Johnson, Son House, Muddy Waters, Howlin' Wolf e B.B. King passaram a ser referências diretas. Foi no Newport Folk festival de 1963 que o blues teve seu auge, com a apresentação de diversas figuras consagradas do estilo. Daí em diante praticamente todos os músicos dos mais diversos estilos provenientes do rock e blues regravaram clássicos antigos. O Led Zeppelin, em seu primeiro álbum gravou uma série de composições de Willie Dixon, porém incluindo como autoria própria, o que resultaria em uma batalha judicial, que obrigaria a banda a identificar Dixon como autor original.

Na América, os efeitos foram diretos, e músicos como Creedence Clearwater Revival, The Doors, Bob Dylan e Jimi Hendrix desenvolveram seus estilos próprios fundamentados nas raízes do blues. Internamente, nomes como Albert King, Freddie King e Buddy Guy, iniciaram uma mudança na sonoridade do blues, juntando elementos típicos do rock, a guitarra distorcida e pesada, com o som tradicional, o que levaria alguns puristas a rejeitarem essa nova "moda" que contrariava o purismo tradicional da música.

O renascimento nos anos 80

Durante os anos 70, o blues, como forma predominante de influência musical, que havia influenciado o surgimento de diversas outras tendências, ia perdendo espaço cada vez mais para os elementos eletrônicos e especialmente da era disco. Até meados dos anos 80 o blues quase inexistia como estilo musical. As aparições dos músicos clássicos de Chicago eram cada vez mais esporádicas, e a própria nova moda rejeitava a sua tendência não comercial contrastante com a fase "Dancing" dos anos 80. Porém foi com o guitarrista texano Stevie Ray Vaughan, que o blues ganhou novas forças. Virtuoso e intenso ao tocar, Vaughan trouxe à tona um estilo até então adormecido, regravando clássicos e criando uma marca própria, unindo elementos típicos do blues de Chicago de Albert King, B.B. King e Howlin' Wolf, com o virtuosismo de Jimi Hendrix. Medalhões apagados como B.B. King, Eric Clapton e outros voltavam a ser referências, e Vaughan foi o responsável por essa nova fase. Vaughan gravou quatro álbuns de estúdio, e neles estão composições que se tornaram referências ao blues e suas vertentes. Suas interpretações variavam do blues tradicional (Pride and Joy, Texas Flood), ao cool jazz (Stang's Swang, Riviera Paradise), passando por soul music (Life Without You), funk rock (Could't Stand't The Weather) e shuffle (Rude Mood). Após a sua morte prematura em 1990, o blues nunca mais teve a mesma força e influênca que teve em tempos passados, e por isso seu nome é lembrado como um verdadeiro herói na história do blues. Coincidentemente ou não, o desaparecimento gradativo do blues no cenário mundial nos anos 90,

Leadbelly

coincidiu com a queda de praticamente todas a vertentes musicais expressivas, que foram cedendo espaços a estilos comerciais voltados para a mídia e para o marketing, pouco preocupados com uma expressão artística e cultural, da música como forma de transmissão de idéias e emoções, o que levou a uma queda acentuada na qualidade artística das composições musicais nesse final de milênio. Porém numa proporção mais restrita, novos músicos de blues surgem no cenário musical americano como Keb' Mo' e Corey Harris, mas ainda longe de ser expressivo e significativo como outrora fora.

Blues de dança

Blues é também o nome do estilo de dança informal conhecido por “swing dancing”, estilo sem padrões fixos e principalmente baseado no contacto, sensualidade e improvisação.

Posted on sexta-feira, agosto 07, 2009 by Guto Dias

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terça-feira, 26 de maio de 2009

A Contracultura Ontem e Hoje

Ensaio escrito por Armando Ferreira de Almeida Jr.*

Ainda não foi dada à contracultura a exata dimensão de seu papel nas transformações das relações sociais vividas no mundo ocidental nestas três últimas décadas.

Acredito que o motivo maior para tal demérito ao assunto, deveu-se em parte à incomum maneira de se manifestar, que lhe dava um aparente ar de alienação e, muito mais, à inédita temática que a contracultura colocou em cena em dimensões nunca antes vividas. Pela primeira vez na história da humanidade, enormes massas humanas, mais especificamente jovens, informalmente se organizaram em todo o mundo ocidental, para lutar com paz e amor. Não exatamente contra a miséria e a fome. Contra temas que em geral vêm oprimindo aos homens desde os primórdios das sociedades humanas, independentemente da classe social a que pertençam. Temáticas que não dizem respeito apenas a um país ou a um possível segmento de fanáticos. Mas, a toda uma aldeia global.

O que se trouxe à baila, sem dúvida, não faz parte do tradicional território político. O que se contesta, são tabus culturais e morais. Os costumes e os padrões de nossa sociedade judaico-cristã. Nossas tradições e preconceitos. Enfim, nossas instituições sociais.

De certo modo, vou dizendo o que entendo por contracultura no decorrer desta minha reflexão. Defini-la daria pano para muita manga. E nos desviaria um pouco do assunto. O Woodstock e Maio de 68 na França são seus mais indiscutíveis marcos. A partir deles a contracultura adquiriu universalidade. Quanto a isto, creio que já haja um consenso. Tenho certeza que principalmente depois destes acontecimentos nunca mais fomos os mesmos. É isto, em parte, o que pretendo mostrar.

Por ter se insurgido contra toda uma enorme teia de padrões sociais por onde se exprime o poder no mundo ocidental, diria que a contracultura é sociologicamente um fenômeno de proporções continentais, que em seus desdobramentos vem sutilmente tornando menos repressivas as normas e os padrões de existência no planeta. Pelo que deixou enraizado em nossa cultura ocidental, tudo indica, continua fazendo sair "dos prédios para as praças uma nova raça". Como dizia uma canção de Moraes e Galvão.

Como enquadrar na nossa tradição marxista a análise de um fenômeno social que não tem sua expressão na luta de classes? Como conceber que uma pessoa da classe dominante possa ser oprimida. Ainda mais supor que ela também possa ser discriminada? Não há como negar que ela, em várias situações, também é. Enquanto mulher, negra e homossexual; por exemplo. Esta é uma questão que transcende a luta de classes.

A natureza dos assuntos tratados pela contracultura, por perspectivas diversas, foi tema de grandes pensadores de nossa cultura ocidental.

"De perto ninguém é normal", diz o nosso poeta Caetano Veloso na canção Vaca Profana. Freud, com minhas palavras, diz mais ou menos assim: sem querer pintar todas as ovelhinhas de preto, somos todos neuróticos. Precisamente foi em "Mal Estar na Civilização", que Freud se referiu desta maneira à sua teoria da neurose. Ensaio como ele mesmo disse, imbuído pelo "sentimento oceânico" de um amigo. Que o fez escrever este livro, que deve ser seu mais sociológico ensaio. Para ele, a vida em sociedade nos impõe normas e padrões de coexistência que necessariamente implicam em repressão a nossos instintos. Motivo que faz a todos um tanto neuróticos. Uma síntese a grosso modo, desta parte do pensamento Freudiano, nos permite expressar o assunto assim: a essência da sociedade é a repressão aos indivíduos.

Marcuse chama a atenção em seu livro "Eros e Civilização", que a psicologia individual de Freud é também uma psicologia social. Muitos não enxergam deste modo.

Uma das mais brilhantes definições que conheço sobre o objeto de estudo da sociologia foi escrita por Durkheim. Em "As Regras do Método Sociológico". Segundo ele, a sociologia é a ciência que estuda as instituições sociais. Para reconhecermos o que é uma instituição social, diz , basta que qualquer um vá de encontro a ela. "A consciência pública reprime", assim se expressou. Basta contestar, por exemplo, as relações sociais de casamento, as relações familiares, o comportamento sexual estabelecido, os estamentos raciais, a religião, as leis e a linguagem. Todas, instituições sociais. Espaço onde gravitou a contracultura.

(É bom sempre lembrar, que a linguagem foi o primeiro produto social dos homens. No início de tudo foi o verbo. Sabiamente é assim que a Bíblia se inicia. Toda linguagem contém uma concepção de mundo e delimita o campo de visão dos homens. Dou esta pausa porque a contracultura e seus desdobramentos, vêm sistematicamente dando uma nova cor à linguagem e aos códigos estabelecidos. Ela foi riquíssima quanto à variedade de formas em que se exprimiu para propor uma nova maneira de agir, pensar e sentir).

Para Marx, a relação de troca, que é a base de nossa civilização, eminentemente mercantil, esconde as relações sociais que lhe são intrínsecas. O valor dado às mercadorias para a troca mercantil cria um hieróglifo social que lhe dá um ar de fenômeno natural. Para que haja a troca devem existir regras, e principalmente, instituições como a da propriedade; que se sustentam no universo das leis e dos costumes.

Ao comparar o pensamento dos três, podemos ver muito de comum entre eles quanto ao entendimento de como se estruturam os fundamentos da civilização. Para Freud, sem a repressão aos instintos humanos não há sociedade. Para Marx, junto com Engels, em "A Ideologia Alemã", a vontade coletiva está sempre acima da vontade individual nas sociedades humanas. E isto se exprime na realidade cotidiana "...como dependência recíproca dos indivíduos entre os quais é partilhado o trabalho". Vista sobre a ótica de Durkheim, a vida social é inteiramente feita de representações que são instituídas no direito e nos costumes; vigilantes quanto à conduta dos cidadãos.

Todos falam de uma entidade além de nós. Para Marx, esta entidade é simbolizada pelo Estado e seus aparelhos de sustentação. Em Durkheim, a civilização institui deveres aos cidadãos para além deles através de suas instituições. Na linha do pensamento freudiano, o conceito de "inconsciente coletivo", criado por Jung, representa melhor este poder social além de nós.

O Woodstock visto por olhos desavisados não passou de um concerto de rock de proporções gigantescas. É no mínimo uma estupidez não se interrogar sobre o sentido histórico de um acontecimento tão rico de significados. E que espantou a todo o mundo. Um espetáculo sem precedentes na história. Inimaginável que um show musical pudesse mobilizar tantos jovens, por tanto tempo. Mesmo sabendo que estariam tão mal acomodados. Devia haver entre eles uma identidade de propósitos para com a vida muito forte. Algo que os unia além deles mesmos.

O que mais assustou não foi tanto o grau de organização demonstrado. A partir do Woodstock, tomou-se idéia do tamanho da confraria, que os 500.000 jovens, que conseguiram se reunir naquela fazenda perto de Nova York, representavam. Em 1969 já formavam uma grande família. (Calcula-se que um milhão de pessoas não tiveram como chegar ao local. A área foi considerada de calamidade pública, pela falta de condições para abrigar tanta gente. A expectativa dos organizadores era de 50.000 pessoas). Foram três noites e três dias sem nenhuma violência. Embalados pela música. Reunidos por proporem uma sociedade diferente.

Aqueles jovens estavam assumindo diante dela, uma outra atitude de vida. Com uma forma e um conteúdo bem pouco convencionais. Estranhamente eram bárbaros e doces. Não eram o que se poderia chamar, "jovens bem comportados". Mas, eram lindos e falavam em paz e amor. Na aparência, eram o protótipo da alienação. Ao mesmo tempo, na essência, ameaçavam a moral vigente. Usavam drogas. Não pregavam a antropofagia ou o incesto. Porém, questionavam na prática até a monogamia. E propunham um conceito diferente de família. Em comunidades um tanto atípicas. (Que para muitos era coisa de comunista).

Era um tanto fácil identificar a "tribo". A maioria já tinha um modo incomum de se expressar também na maneira de se vestir. Eu diria até, que nunca a roupa e o penteado comunicaram tanto. (E a nudez também). Rockeiros, freaks, beatniks, cabeludos, psicodélicos, motoqueiros, filhos da guerra fria, andarilhos, malucos, Yppies, hippies. Independentemente do nome que lhes seja dado, já estavam por aí contestando os costumes estabelecidos. E se proliferavam. Espécie na mais franca expansão. Mais exatamente desde o final da década de 50 com a "Beat Generation", diga-se de passagem. (Jorge Mautner e José Agripino de Paula são bons exemplos no Brasil).

Há até quem tenha confundido esta tribo com anarquistas, que pregam a extinção do Estado e de seus aparelhos de manutenção ideológica. Não é o caso. O que se pregava era uma mudança mais realista nas regras sociais que vêm conduzindo o nosso "processo civilizatório".

Para mim o Woodstock representa um salto mais radical na contracultura que Maio de 68 na França. Sem com isto, querer diminui-lo. Os europeus que fizeram maio de 68 foram no social produto da liberdade que o surrealismo, o dadaísmo, o cubismo e o existencialismo representaram na arte, na literatura e na filosofia de nosso século. Entretanto esta versão européia da revolução cultural e ideológica que nascia, ainda estava muito impregnada de uma mentalidade tradicional do fazer político. Questões econômicas de camponeses franceses se misturavam aos assuntos que efetivamente mais marcaram a contracultura e lhe fez diferente: questões mais gerais da superestrutura ideológica.

Os acontecimentos de Maio de 68 estavam presos a um conceito limitado de política. Onde os costumes ainda eram tratados como problemas menores. Faltava entender que sempre que se age para transformar o mundo se está fazendo política. Não há dúvida que na França também se deu prioridade à luta ideológica, contudo as palavras de ordem "gozem sem entraves" e "é proibido proibir" não são questões da mesma esfera das lutas pela redução de impostos. As barricadas e a violência também marcaram esta época. A contracultura, ao contrário, foi um acontecimento essencialmente pacífico. Mais na linha de Gandhy. Da desobediência civil.

Os franceses também tiveram contra si um enraizamento cultural e institucional inegavelmente muito mais solidificado que os americanos. O que além de fazê-los mais conservadores, os fez encontrar uma resistência mais feroz do establishment. A guerra do Vietnã, o rock and roll, os beatniks, uma população mais comprometida com a idéia de criar um novo mundo e um desenvolvimento capitalista mais avançado, entre outros fatores, explicam porque "a coisa" partiu com mais consistência e com menos resistência dos Estados Unidos. Por que ao Pato Donald é negada a consciência social? Estava acontecendo nada mais, nada menos, que a velha dialética de transformação das sociedades humanas: o desenvolvimento das forças produtivas impulsionando as relações de produção. Estávamos naquele momento, lançando o homem à lua e tornado realidade, com os Beatles cantando All You Need Is Love, a primeira transmissão via satélite para o planeta.

A contracultura foi mais que tudo, uma luta no campo da ideologia e das relações de reprodução da vida social. No plano das instituições sociais e da "espiritualidade". Radicalmente pacífica e mais despida dos preconceitos dos europeus quanto à dimensão política das lutas ideológicas. Menos discurso formal e mais prática informal.

É um equívoco muito comum pensar-se as relações sociais de produção reduzidas às relações de trabalho. Esquece-se de que toda relação de produção (que é social) é ao mesmo tempo uma relação de reprodução da vida social. Do mesmo modo, como passa em branco para a maioria, que a primeira divisão do trabalho foi feita entre homem e mulher, e se solidificou no casamento e na família. Em outras palavras, os homens não produzem a vida social apenas através das relações de trabalho, eles a produzem e reproduzem principalmente através de suas instituições sociais. A contracultura extrapola o ambiente de trabalho. Ela é resultado de um outro tipo, ainda mais forte, de sintonia entre as pessoas.

Em a "Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" Engels, ao tratar da "produção e reprodução da vida imediata" vê o assunto da seguinte maneira: "A ordem social em que vivem os homens de determinada época ou determinado país está condicionada por essas duas espécies de produção: pelo grau de desenvolvimento do trabalho, de um lado, e da família, de outro."

É também por puro preconceito que não se foi a fundo até agora no significado da contracultura para todos nós. Difícil citar a contracultura sem nos depararmos com o mal utilizado clichê: "sexo, drogas e rock and roll".

Parece um fato que a música consegue romper a barreira das línguas com muito mais facilidade que qualquer outra forma de expressão. Não por outro motivo foi quem mais viabilizou a universalidade de uma nova consciência. Ajudou inclusive a romper, com mais facilidade, as diferenças de formação intelectual dos jovens de várias partes do planeta. Um típico fenômeno de massas.

Não consigo pensar no papel que a música teve na contracultura sem me remeter a Nietzsche aos 27 anos, em "A Origem da Tragédia no Espírito da Música". Não consigo assistir a um concerto de rock sem imaginar-me em um ritual dionisíaco. E ver no cantor um sacerdote. Onde todos entram em transe e perdem a noção de tempo e espaço. Tal qual um ritual religioso, quando nele estamos por inteiro em seus cânticos. Somente a música, única das artes que não necessita materializar-se para nos tocar a alma, para poder nos permitir este encontro com os deuses. (No candomblé não é diferente).

Segundo Nietzsche a transformação do ritual dionisíaco em tragédia teatral coincide com o início da decadência da fase helênica e o surgimento da civilização ocidental, nos modos como ainda hoje ela se apresenta.

Foi a vitória da razão sobre a intuição, disse Nietzsche. Ou nas palavras de Yoko Ono, a vitória das virtudes masculinas sobre as femininas. Nietzsche, viu uma saída. Sonhou um super-homem, que seria resultado da superação destas amarras sociais. Yoko Ono, junto com John, enfrentou costumes por um planeta menos dividido, menos repressor, menos inquisidor e menos porco chauvinista. Mais humano. "Demasiadamente humano". A contracultura foi mais intuição que razão. Por isto estou convencido que ela acrescentou uma ótica feminina à sociedade ocidental. Abriu alas para as mulheres.

Podemos afirmar que foi, principalmente através da música de influência pop que esta geração mais se expressou e se comunicou. Já eram tempos de mass mídia. Creio que não por outro motivo é que na música estão de alguma maneira, boa parte de nossos melhores poetas modernos. Quando digo nossos, falo da maioria dos países onde a contracultura vem sendo diluída ao longo desses anos. Os artistas são a antena da raça(fazendo uma paródia com frase de Ezra Pound). Naquele momento o mundo se espantava em ser os Beatles mais conhecidos que Jesus Cristo.

A contracultura também teve seus intelectuais letrados no sentido clássico. Mas aqueles que melhor traduziram o momento, escolheram a canção popular de massa, como sua arma mais quente. No Brasil, Caetano e Gil são um dos melhores exemplos destes intelectuais orgânicos. Formadores de opinião de enormes multidões. Sempre afinados com os princípios de liberdade que tomaram corpo a partir da contracultura. Já como tropicalistas, além do que representam para todos nós, também foram pais e filhos da contracultura no Brasil. Contribuíram muito para criar uma nossa versão da modernidade que se apresentava ao mundo através dela.

Pode-se dizer que está nos princípios da contracultura, lutar contra tudo que venha de encontro à quebra da individualidade e do direito de fazer com o próprio corpo o que bem lhe convier; direito fundamental de todo ser humano. Entre outras, a questão das drogas se insere também neste contexto. Somente a moralidade impede a sua legalização. O consumo delas não deve ser um caso de polícia. Elas devem estar na alçada do Ministério da Saúde. Hoje em dia vem sendo muito discutida. Contraditoriamente a "discriminação" das drogas vem sendo aceita como a arma mais letal ao narcotráfico. Além do que, reconhece-se que a prisão de consumidores de drogas só tem contribuído para criar bandidos. Elas devem ser sim, um caso para orientação, compreensão, ajuda no tratamento e apoio na recuperação. A experiência da contracultura com as drogas, em muitos momentos trágica, nos ensina hoje a conviver com elas.

Parece indiscutível que são heranças da contracultura, na maneira em que estão hoje organizados, os movimentos de luta pela igualdade de direitos para as mulheres e em defesa dos homossexuais. Os movimentos anti-racistas e pela legalização das drogas. São também filhos da contracultura os movimentos pacifistas e as coloridas e "performáticas" passeatas contra a guerra e pelo equilíbrio ecológico.

Em suma, as questões dos hoje, chamados movimentos de minorias, (que em realidades são de imensas maiorias éticas), tomaram corpo e universalidade a partir da contracultura.

A revalorização da cultura oriental, em si uma contestação da cultura ocidental, que presenciamos na três últimas décadas, tomou corpo sobretudo nesta época. Data também daí, a voz dada por muitos neste período, às populações sem voz. (assim chamadas por mim, aqui, porque elas têm a característica comum, de não terem quase sempre nenhuma condição de racionalizar o pensamento nos moldes da lógica formal). Refiro-me às crianças, aos loucos e índios, entre outros. E à anti-psiquiatria, os movimentos em defesa das populações indígenas, e às tímidas incursões de luta em torno dos direitos das crianças, mais especificamente.

Não só a religiosidade ocidental foi posta em xeque pela confrontação com outras maneiras de ver o mundo e as coisas. Até mesmo os hábitos alimentares e o conceito de saúde foram postos contra a parede.

A lista é muito extensa. O raio de abrangência é tão grande, que não estaria me arriscando em afirmar que a contracultura mudou a cara do mundo ocidental. Ela promoveu uma nova visão de mundo. ( Como deixar de lembrar Luís Carlos Maciel? - O livro dele, uma preciosidade de ensaios sobre o assunto, não por acaso se chama "Uma Nova Consciência").

Fala-se muito em duas vertentes de contestação assumida pela juventude no início dos anos 70. Uma, militante, clandestina e até terrorista. E outra, de confrontação pelo distanciamento assumido quanto as formas de organização social. O estereótipo destas vertentes de contestação é a atitude hippie e a guerrilheira. Possivelmente, um resultado daquela má compreensão do fazer político, mencionada acima.

A história de Gabeira é uma história de final feliz na direção da extinção desta cega visão. Um bom exemplo de uma síntese daquelas duas vertentes. Quando retornou, nos tempos da anistia e da abertura política, contribuiu para que parte da mencionada vertente mais militante e partidarista da juventude brasileira, e da que estava se formando nas greves estudantis, ainda muito impregnada de uma prática estreita, quebrasse tabus. O que ele trazia para discussão eram ironicamente temas que os herdeiros mais diretos da contracultura já vinham, como minhocas, fazendo a terra respirar mais aliviada.

Pessoas como ele ajudam a ampliar a base de um novo consenso. (Não deixa de ser um sinal de evolução política o fato de que hoje, quase todos os partidos políticos no Brasil não deixem de incluir, em suas quase sempre enganosas plataformas, várias questões das "minorias").

Depois de Gramsci me espanta que o ser político seja, ainda, apenas o militante de um partido registrado. Ou engajado na vida partidarista oficial. Desconhece-se o elementar; a vida social nos obriga a tomar partido a todo instante. O conceito de sociedade civil é bastante utilizado por Gramsci, sobretudo para mostrar a natureza orgânica de uma sociedade. Para ele "todo homem exerce uma certa atividade intelectual, adota uma visão de mundo, uma linha de conduta moral deliberada, e contribui portanto para defender e fazer prevalecer uma certa visão do mundo". Acho que não foi por outro motivo que os temas por ele mais bem acabados na prisão, foram reunidos em um livro que não poderia ter outro título:"O Intelectual Orgânico".

Um pensamento só é hegemônico em uma sociedade quando uma maioria lhe garante legitimidade. Independentemente dos partidos políticos de uma nação. Somente através do alargamento da base de consenso se torna possível fazer prevalecer uma nova maneira de pensar.

A contracultura não foi propriamente um movimento anti-capitalista. Ao mesmo tempo, manifestou-se contra a cultura estabelecida. Exatamente porque o que ela põe em questão é tão antigo quanto a civilização. Depois dela passamos a lutar por um novo modo de viver já. Aqui e agora. A contracultura plantou uma nova idéia de família, de casamento, das relações sexuais; de uma outra atitude para com a natureza, para com o próprio corpo e para com Deus. Ela cobrou uma adequação da superestrutura às mudanças na infra-estrutura do mundo ocidental.

Longe de mim achar que são hegemônicas na sociedade contemporânea as transformações sociais que tomaram curso a partir da contracultura. Não tenho dúvidas entretanto, que elas vêm alargando a sua base social de consenso progressivamente, através das sementes que plantou em boa parte desta geração que agora atinge a maturidade e vem criando seus filhos com outra maneira de ver as coisas instituídas. Ao criar novas personalidades os homens vão modificando as relações de produção da vida social. As lutas ideológicas têm a característica de poderem ser vitoriosas mesmo sem a tomada do poder. É o que diz Gramsci.

Os que comungaram e os que ainda comungam com as idéias de liberdade aqui discutidas foram e ainda são, por muitos, tratados como alienados. Diria que esta é maneira de ver muito própria ao maniqueísmo stalinista. Como os que assim si expressam, em geral mamaram no pensamento marxista, não me resta outra alternativa senão mais uma vez, ressuscitar o velho Marx.

Marx falava que havia uma dialética na natureza das transformações das forças produtivas. Uma luta entre contrários. Atento a analisar o modo de produção capitalista, era natural que ele concentrasse suas atenções na produção industrial. Ela era a melhor expressão da técnica daquele momento. Segundo ele, se a ampliação constante da divisão do trabalho, no interior da indústria, por um lado aliena os homens, na medida em que cada vez mais os especializa e os torna distante do conhecimento e da consciência social, por outro lado, a indústria, contraditoriamente é sempre obrigada a reunir, em número sempre maior, mais pessoas num mesmo ambiente de trabalho. Não por outro motivo seriam os operários industriais a vanguarda das transformações sociais. Pela facilidade de organização e conseqüente poder de pressão que o ambiente industrial possibilita.

Mais de um século depois somos forçados, no mínimo, a ampliar o raio de ação de suas idéias. Por forças produtivas devemos entender não apenas tecnologia, mas também know-how. Conhecimento. O desenvolvimento tecnológico que presenciamos neste fim de século caminha célere no sentido de eliminar fronteiras entre povos e nações. Os meios de comunicação estão socializando o conhecimento. Eles vêm contribuindo para sintonizar um espantoso número de agentes sociais dentro e principalmente, fora de seus ambientes de trabalho. Como se não bastasse, não se pode diminuir o poder de pressão de muitas categorias sociais do setor terciário e mesmo do primário. O conhecimento saiu do papel e das escolas. Ele foi para o rádio, o cinema, a televisão. Viaja hoje via satélite, pelo telefone e pela Internet. A sociedade atual se organiza de modo bem diferente daquela vivida por Marx.

Esta é mais uma contradição no desenvolvimento do capitalismo. Desde os primórdios o controle sobre o saber tem sido instrumento vital aos que sustentam o poder. Parece que não se percebe, que quando se intenta socializar a produção o que se pretende em última instância, é a socialização do consumo. Isto inclui o saber. Ele não pode ser patrimônio de classes sociais. Nem de um modo de produção específico. Ele é da humanidade. Quando Chico Buarque resolve se apresentar na televisão, quem mais lucra com isto não é a Souza Cruz, eventual patrocinador do evento, mas o povo brasileiro. Naquele momento, privilegiada multidão.

Ao rever o filme Woodstock nos espanta o grau de lucidez dos depoimentos registrados em relação aos motivos de tamanha sinergia.

Além de alienação, duas outras palavras são muitos utilizadas para diminuir a contracultura: massificação e consumismo. Geralmente são usadas de modo elitista e preconceituoso. Nelas está subentendido que o que é feito em série, em grande quantidade, é ruim. É de baixa qualidade. Em outras palavras, o que é da massa não presta. Para os que assim pensam recomendo a leitura de "A Obra de Arte na Época de Suas Técnicas de Reprodução", de Walter Benjamin. Essencial ao entendimento da modernidade. O desenvolvimento das técnicas nos impõe fenômenos culturais de massa. Em Benjamin percebemos porque todo aumento na quantidade dos que consomem termina resultando quase sempre, num crescimento da qualidade coletiva.

Mesmo sem condições de me debruçar em mais detalhes, me arrisco a intuir algumas contribuições da contracultura que tenho certeza, a muitos parece pura digressão:

Acho que a contracultura, sem receio de exagerar, mas por lhe querer o devido lugar, também nos ajuda a entender a implosão democrática do bloco socialista. A queda do muro de Berlim. A voluntária atitude desarmamentista da União Soviética. Acontecimentos com um grau de civilidade sem precedentes na história.

Vejam que oportuna reflexão de Freud: é de se supor, segundo ele, que a "...civilização constitua um processo que a humanidade experimenta a serviço de eros, cujo propósito é combinar indivíduos isolados, depois famílias e, depois ainda raças, povos e nações numa unidade da humanidade".

O que fez as nações mais poderosas passarem a ter mais respeito pela autonomia dos povos? Em parte, não poderia ser atribuída a uma nova consciência dos homens? Que mudança de consciência não implica em modificação das instituições sociais? Não há civilização sem cultura. E também sem contracultura. Nunca ela e a economia foram tão planetárias. Quem poderia pensar outra solução para o apartheid na África do Sul? Esta é mais uma prova de que a força por si só não basta ao exercício do poder. Será que estas transformações se explicam apenas pelo confronto das forças políticas tradicionais? Estou convencido que há hoje uma maior consciência entre os homens quanto a necessidade da paz, e do respeito à autodeterminação dos povos, das nações, e das raças, e que é evidente uma maior preocupação pela preservação da espécie e do planeta. Impensável falar sobre o pacifismo, nestas três últimas décadas, sem citar a contracultura.

Rumo à preservação da espécie, a paz e o desarmamento são quase uma imposição ao mundo contemporâneo. A terceira guerra mundial pressupõe a inexistência da quarta.

Mais uma vez o conhecimento do mundo vem desembocando em sua própria transformação. Mais uma vez o modo de produção social, cria seus próprios meios de superação.

A contracultura tem a ver com tudo isto porque ela cobrou-nos uma nova maneira de pensar e sentir. Uma nova sensibilidade para os homens. Sensibilidade que hoje em dia, é mais que nunca determinada pela história.

O desenvolvimento econômico atual já permite a toda a humanidade superar as questões materiais da luta pela sobrevivência.

Não foi por motivos econômicos que a maioria das nações civilizadas embargou relações comerciais com a África do Sul. A "imoralidade" a que tinha chegado o apartheid, face a uma nova visão de mundo necessária à vida contemporânea, fez surgir uma nova moralidade diante do fato. Que, de certa maneira, as fez realizar um boicote global de peso. Difícil de suportar no grau atual de internacionalização das economias. Do mesmo modo como aconteceu com a escravidão no passado.

Finalizando. O que os herdeiros dos beatniks e seus desdobramentos vem intentando mudar faz surgir um novo bloco histórico e ideológico. Que vai se formando sutilmente, como a maioria dos processos que resultam em efetiva transformação social. O inconsciente coletivo também é produto da história. Creio que, ao contrário do que possa parecer, é exatamente por sua contemporaneidade que os temas levantados pela contracultura não caducaram. As resistências à sua sedimentação no conjunto da sociedade ainda são muito grandes. Ultimamente, vêm sendo muito reforçadas com o advento da AIDS. Mas ao mesmo tempo convocadas a um debate mais franco.

A tomada do poder pressupõe uma nova consciência. Uma nova ideologia. Somente com novos olhos se pode construir um mundo novo. "Olhos Novos para o Novo", dizia Oswald de Andrade, nosso antropofágico poeta. O consenso necessário à conquista da hegemonia política pressupõe sempre uma nova maneira de ser. Por isto, para que não venha a implodir, a sociedade contemporânea ocidental tem sido obrigada a discutir, entre outras mudanças, a legalização das drogas e do aborto. A conviver com uma nova visão das relações sexuais, do casamento, das relações raciais e com a natureza. E a ter que aceitar o divórcio, a quebra do tabu da virgindade, o uso da pílula e atualmente a camisinha (estupidamente condenada pela igreja). Etc e etc.

Penso que quando John Lennon cantou "o sonho acabou", na música God, ele não estava desistindo de uma nova consciência social. De um modo de ser que o fez, e a muitos, sonhar. Aqueles versos soam como um alerta contra atitudes extremas. Contra a idolatria. Naquele momento se falava no fim da era de aquários. Momento de reavaliação. Início de uma nova atitude. Era preciso que aqueles versos soassem como um "se toque". "Encare a realidade de frente". "Seja mais você, com suas opiniões". John Lennon sabia disto. Se assim não fosse, ele não teria composto a canção Imagine, pouco tempo depois. Nem achado que valia a pena pedir uma chance à paz. Ele convocava a todos a mudar o mundo em suas entranhas.

Já havia a certeza que só se modifica a sociedade por dentro. Dela participando. Pondo em prática e defendendo as nossas idéias no dia-a-dia. Na vida cotidiana. Em casa, na rua e no trabalho. No interior da família, do casamento, no comportamento sexual e social. "Esses feitos afetariam toda a gente da terra. E nós veríamos nascer uma paz quente"(Caetano Veloso).

Um lugar comum é dizer-se que o "sistema absorveu" as contestações da contracultura. Para muitos "o sonho acabou" significa isto. Uma vitória conservadora, nesta luta entre duas visões de mundo. Luta entre hegemonias. Para muitos, os sonhos foram triturados pela sociedade de consumo. Por que não ver por outra ótica? Por que não considerar que uma sociedade que absorve outras maneiras de ser é uma sociedade modificada? Exatamente por ter uma nova maneira de ser, ela é uma sociedade diferente. Que mudou qualitativamente em sua hegemonia.

Invés de achar, por exemplo, que o sistema absorveu os movimentos afros na Bahia, sou levado a crer que foi a revalorização das origens africanas que modificou mais recentemente a Bahia. O orgulho mais à mostra de sua gente, lhe deu mais personalidade.

"apaches, punks, existencialistas, hippies, beatniks de todos os tempos uni-vos". Caetano Veloso extraído da canção "ele me deu um beijo na boca", gravada no disco "cores nomes". 1982.


referências bibliográficas :

BENJAMIN, Walter. A Obra de Arte na Época de suas Técnicas de Reprodução. In A Idéia do Cinema, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, pp. 55-95, 1969.

BROWN, Norman Oliver. Vida Contra Morte. Petrópolis, Vozes, 1974.

DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. Coleção os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1978.

ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1977.

FREUD, Sigmund. O Mal Estar na Civilização. Coleção os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1978.

GRAMSCI, Antônio. Os Intelectuais e a Organização da Cultura. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1978.

MACCIOCCHI, Maria-Antonietta. A Favor de Gramsci. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1974.

MACIEL, Luís Carlos. Uma Nova Consciência. Não disponho dos outros dados.

MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização. Rio de Janeiro. Zahar Editores. 1975.

MARX, Karl. O Capital (Crítica da Economia Política). Livro: O Processo de Produção do Capital). Volume 1. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1975.

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. Lisboa, Editorial Presença e Livraria Martins Fontes, 1980.

MCLUHAN, Marshall. Os Meios de Comunicação - como extensão do homem (understanding media), Cultrix, São Paulo, 1964.

NIETZSCHE, Friedrich. A Origem da Tragédia no Espírito da Música. Editora Portuguesa. Não me lembro da editora e do ano de publicação. Nem do ano.

RISÉRIO, Antônio. Carnaval Ijexá. Editora Currupio, Salvador-BA, 1981.


* Sobre o autor:

ARMANDO Ferreira de ALMEIDA Júnior, é economista, com tese de mestrado sobre "Relações de produção em um Perímetro Irrigado da Codevasf, em Juazeiro-BA" - 1986.

Ensaio escrito para servir de base a uma palestra em um ciclo de debates sobre o assunto, realizado em Salvador-BA, no mês de abril de 1996.


Posted on terça-feira, maio 26, 2009 by Guto Dias

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um dos documentários mais polêmicos de todos os tempos, mostrando provas cabais da manipulação do sistema pelos homens do poder ( seriam os Illuminates ? ). No documentário você vai descobrir verdades sobre religião e política que talvez jamais imaginasse. Apesar de ser um estudioso em assuntos religiosos fiquei surpreso com comparações de "personagens" e datas que eu jamais tive acesso ou interesse. A parte política do documentário também nos tras fatos muito importante sobre o 11 de setembro, o governo americano e pasmem, a sociedade entre o Bush e Bin Laden. Pois é gente, um documentário imperdivel e altamente nescessário. Então assistam que está hospedado online.

Posted on segunda-feira, abril 27, 2009 by Guto Dias

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sexta-feira, 6 de março de 2009





Talvez uma das primeiras experiências anarquistas do mundo, antes mesmo de ter sido criado o termo, tenha ocorrido nas margens da Baía de Babitonga, perto da cidade histórica de São Francisco do Sul. Em 1842 o Dr. Benoit Jules Mure, inspirado na teorias de Fourier, instala o Falanstério do Saí ou Colônia Industrial do Saí, reunindo os colonos vindos de França no Rio de Janeiro em 1841. Houve dissidências e um grupo dissidente, à frente do qual estava Michel Derrion, constituiu outra colônia a algumas léguas do Saí, num lugar chamado Palmital: a Colônia do Palmital.

Mure conseguiu apoio do Coronel Oliveira Camacho e do presidente da Província de Santa Catarina, Antero Ferreira de Brito. Este apoio foi-lhe fundamental para posteriormente conseguir a ajuda financeira do Governo Imperial do Brasil para seu projeto.

O anarquismo no Brasil ganhou força com a grande imigração de trabalhadores europeus entre fins do século XIX e início do século XX. Em 1889 Giovani Rossi tentou fundar em Palmeira, no interior do Paraná, uma comunidade baseada no trabalho, na vida e na negação do reconhecimento civil e religioso do matrimônio, (o que não significa, necessariamente, "amor livre"), denominada Colônia Cecília. A experiência teve curta duração.

No início do século XX, o anarquismo e o anarco-sindicalismo eram tendências majoritárias entre o operariado, culminando com as grandes greves operárias de 1917, em São Paulo, e 1918-1919, no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período, escolas modernas foram abertas em várias cidades brasileiras, muitas delas a partir da iniciativa de agremiações operárias de inclinação anarquista.

Alguns acreditam que a decadência do movimento anarquista se deveu ao fortalecimento das correntes do socialismo autoritário, ou estatal, i.e., marxista-leninista, com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922 participada inclusivamente, por ex-integrantes do movimento anarquista que, influenciados pelo sucesso da revolução Russa, decidem fundar um partido segundo os moldes do partido bolchevique russo.

Porém, esta posição, sustentada por muitos historiadores, vem sendo contestada desde a década de 1970 por Edgar Rodrigues (anarquista português naturalizado no Brasil, pesquisador autodidata da história do movimento anarquista no Brasil e em Portugal), e pelos recentes estudos de Alexandre Samis que indicam que a influência anarquista no movimento operário cresceu mais durante este período do que no já fundado (PCB) e só a repressão do governo de Artur Bernardes, viria diminuir a influência das idéias anarquistas no seio do movimento grevista. Artur Bernardes foi responsável por campos de concentração e centros de tortura, nos quais morreram inúmeros libertários, sendo que o pior de tais campos foi o de Clevelândia, localizado no Oiapoque. Edgar Rodrigues apresenta em várias de suas obras as investidas de membros do PCB que, procurando transformar os sindicatos livres em sindicatos partidãrios e conquistar devotos às idéias leninistas, polemizavam em sindicatos e jornais, chegando a realizar atentados contra anarquistas que se destacavam no movimento operário brasileiro, durante a década de 1920.

Provavelmente devido aos problemas de comunicação resultantes da tecnologia da época, os anarquistas só terão compreendido a revolução russa de forma mais clara, a partir das notícias de célebres anarquistas, como a estadunidense Emma Goldman, que denunciara as atrocidades cometidas na Rússia em nome da ditadura do proletariado. Seria a partir deste momento histórico que se definiria a posição tática do anarquismo perante os socialistas autoritários no Brasil, separando a confusão ideológica que reinava em torno da revolução russa, identificada pelos anarquistas inicialmente como uma revolução libertária. Esta ideia seria depois desmistificada pelos anarquistas, que acreditam no socialismo sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolição do Estado.

Para Rômulo Angélico, foi durante o governo de Getúlio Vargas que o anarco-sindicalismo recebeu seu golpe de morte, devido ao surgimento dos sindicatos controlados pelo Estado e as novas perseguições estatáis. Até a primeira metade da década de 1930, no entanto, o anarquismo permaneceu a idelogia mais influente entre os operários brasileiros.

Durante o Regime Militar (1964-1985), as principais expressões anarquistas no Brasil foram o Centro de Estudos Professor José Oiticica, no Rio de Janeiro, o Centro de Cultura Social de São Paulo e o Jornal O Protesto no Rio Grande do Sul. Todos foram fechados no final da década de 1960, mas seus militantes continuaram se encontrando clandestinamente, publicando livros e se correspondendo com libertários de outros países. na década de 1970 surge na Bahia o jornal O Inimigo do Rei, impulsionando a formação de novos grupos anarquistas, atráves das editorias autogestionárias, em várias partes do Brasil. No Rio Grande do Sul, nos anos oitenta, cria-se na cidade de Caxias do Sul, o Centro de Estudos em Pesquisa Social- CEPS, voltado para o trabalho social. No ano de 1986, na cidade de Florianópolis, é realizada a Primeira Jornada Libertaria com o lançamento das bases para a reorganização da Confederação Operária Brasileira - COB/AIT e a organização dos anarquistas.

O anarquismo, mesmo com a repressão, renasce, em meio aos estudantes, intelectuais e trabalhadores.

você pode ver na internet um livro de Edgard Leuenroth "Anarquismo roteiro da libertação social" publicado na década de 60 pela editora mundo livre feita pelo CEPJO.

Posted on sexta-feira, março 06, 2009 by Guto Dias

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Chamamos Phi ao número 1,618... identidicado como a Divina Proporção.
Durante anos o homem procurou a beleza perfeita, a proporção ideal. Os gregos criaram então o retângulo de ouro. Era um retângulo, do qual havia-se proporções... do lado maior dividido pelo lado menor e a partir dessa proporção tudo era construído. Assim eles fizeram o Pathernon... a proporção do retângulo que forma a face central e lateral. A profundidade dividia pelo comprimento ou altura, tudo seguia uma proporção ideal de 1,618.

Os Egípcios fizeram o mesmo com as pirâmides cada pedra era 1,618 menor do que a pedra de baixo a de baixo era 1,618 maior que a de cima, que era 1,618 maior que a da 3a fileira e assim por diante.

O número Phi aparece com uma constância notável na Natureza. Podemos encontrá-lo na forma de crescimento das plantas e dos demais seres vivos, nos chifres dos cordeiros selvagens, nas presas dos elefan tes, na distribuição das sementes das plantas, nos caracóis, nas coníferas, nas escamas de peixes e em tantos outros locais...

A partir de 2 coelhos, Fibonacci (matematico) foi contando como eles se aumentavam a partir da reprodução de várias gerações e chegou numa seqüência onde um número é igual a soma dos dois números anteriores

1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89...

1+1=2
2+1=3
3+2=5
5+3=8
8+5=13
13+8=21
21+13=34
E assim por diante.

Aí entra a 1ª "coincidência"; proporção de crescimento média da série é... 1,618. Os números variam, um pouco acima às vezes, um pouco abaixo mas a média é 1,618, exatamente a proporção das pirâmides do Egito e do retângulo de ouro dos gregos

Então, essa descoberta de Fibonacci abriu uma nova idéia de tal proporção que os cientistas começaram a estudar a natureza em termos matemáticos e começaram a descobrir coisas fantásticas.

-A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos em uma colméia é de 1,618;

-A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618;


-A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais sementes de um girassol é de 1,618;

-A proporção em que se diminuem as folhas de uma arvore a medida que subimos de altura é de 1,618;

-E não só na Terra se encontra tal proporção. Nas galáxias as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo à proporção de 1,618 também.

Por exemplo:

-Meça sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até o chão; o resultado é 1,618.

-Meça seu braço inteiro e depois divida pelo tamanho do seu cotovelo até o dedo; o resultado é 1,618.

-Meça seus dedos, ele inteiro dividido pela dobra central até a ponta ou da dobra central até a ponta dividido pela segunda dobra. O resultado é 1,618;

-Meça sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até o chão. O resultado é 1,618;

-A altura do seu cranio dividido pelo tamanho da sua mandíbula até o alto da cabeça. O resultado 1,618;

-Da sua cintura até a cabeça e depois só o tórax. O resultado é 1,618;

(considere erros de medida da régua ou fita métrica que não são objetos acurados de medição).

Tudo, cada osso do corpo humano é regido pela Divina Proporção.

Por isso, o número Phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO. Porque, os historiadores descrevem que foi a beleza perfeita que Deus teria escolhido para fazer o mundo.

Ela aparece por ser realmente importante ou é apenas uma coincidência forçada pelo homem?

Posted on segunda-feira, janeiro 05, 2009 by Guto Dias

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

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A tatuagem (também referida como tattoo na sua forma em inglês) ou dermopigmentação ("dermo" = pele / "pigmentação" ato de pigmentar, ou colorir) é uma das formas de modificação do corpo mais conhecidas e cultuadas do mundo. Trata-se de um desenho permanente feito na pele humana que, tecnicamente, é uma aplicação subcutânea obtida através da introdução de pigmentos por agulhas, um procedimento que durante muitos séculos foi completamente irreversivel (embora dependendo do caso, mesmo as técnicas de remoção atuais possam deixar cicatrizes e variações de cor sobre a pele). A motivação para os cultuadores dessa arte é ser uma obra de arte viva, e temporal tanto quanto a vida.




Arqueologia da tatuagem

Existem muitas provas arqueológicas que afirmam que tatuagens foram feitas no Egito entre 4000 e 2000 a.C. e também por nativos da Polinésia, Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia (maori),tatuavam-se em rituais ligados a religião.[1]

A Igreja Católica na Idade Média baniu a tatuagem da Europa (Em 787, ela foi proibida pelo Papa), com o argumento de que era “coisa do demônio”, assim procedendo com a intenção de ocultar antigas culturas e costumes,introduzindo a sua doutrina de uma forma quase ditatorial. Qualquer cicatriz, má formação ou desenho na pele não era visto com bons olhos.[2]

No século XVIII, porém, a tatuagem se tornou bastante popular entre os marinheiros, particularmente aqueles que navegaram os mares do sul.

O termo tatuagem, pelo francês tatouage e, por sua vez, do inglês tattoo, tem sua origem em línguas polinésias (taitiano) na palavra tatau [3], e supõe-se que todos os povos circunvizinhos ao Oceano Pacífico possuíam a tradição da tatuagem além das dos Mares do Sul.

James Cook

O pai da palavra "tattoo" que conhecemos atualmente foi o capitão James Cook (também descobridor do surf), que escreveu em seu diário a palavra "tattow", também conhecida como "tatau"(era o som feito durante a execução da tatuagem,onde se utilizavam ossos finos como agulhas e uma espécie de martelinho para introduzir a tinta na pele). Com a circulação dos marinheiros ingleses a tatuagem e a palavra Tattoo entraram em contato com diversas outras civilizações pelo mundo novamente.Porém o Governo da Inglaterra adotou a tatuagem como uma forma de identificação de criminosos em 1879, a partir daí a tatuagem ganhou uma conotação fora-da-lei no Ocidente.

Aparelho elétrico

Aparelho elétrico para se fazer tatuagens.
Falsa tatuagem contemporânea no tornozelo. Feita à base de Henna Indiana.

Em 1891, Samuel O’Reilly desenvolveu um aparelho elétrico para fazer tatuagens, baseado em outro aparelho extremamente parecido que havia sido criado e patenteado pelo próprio Thomas Edison para marcar couro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a tatuagem foi muito utilizada por soldados e marinheiros, que gravavam o nome da pessoa amada em seus corpos.

Brasil

No Brasil, a tatuagem elétrica é uma arte muito recente, surgiu em meados dos anos 60 na cidade portuária de Santos e foi introduzida pelo dinamarquês "Knud Harld Likke Gregersen" também conhecido como Lucky Tattoo, que teve sua loja nas proximidades do cais, onde na época era a zona de boemia e prostituição da cidade de Santos.[4]

Isto contribuiu bastante para a disseminação de preconceitos e discriminação da atividade. A localização da loja era zona de intensa circulação de imigrantes embarcados, muitas vezes bêbados, arruaceiros e envolvidos com drogas e prostitutas; gerando um estigma de arte marginal que perdurou por décadas.

Hoje em dia, graças a circulação de informação pela televisão e por meios de comunicação como a internet, a tatuagem vem atingindo todas as camadas das populações brasileiras sem distinções.

Temas

Os temas são infinitos e variam tanto quanto as personalidades - dos tatuadores e tatuados. As motivações são inúmeras, e não há uma forma definida ou percurso que explique o desejo e e sua efetivaçao na realização da tatuatem, um evento a princípio, antinatural (biologicamente). Portanto considera-se um movimento do ser simbólico-social, que supera o instinto de autopreservação, uma característica absolutamente humana. O contexto, o ambiente, a época, o nível cultural, as influências, modismos, ideologias, crença e espírito despojado são alguns dos níveis que podem dar vazão ao processo. Nenhuma teoria psicológica, psicanalítica, religiosa, antropológica ou médica apresenta uma explicação exclusiva e final para a tatuagem. Considera-se um movimento complexo sobredeterminado, desde sua origem histórica até o contínuo uso na contemporaneidade.


Cuidados pós-tatuagem

Filme plástico

Muitos tatuadores recomendam o recobrimento do local da tatuagem recém-feita com plástico de embalar alimentos, por pelo menos três dias. No entanto, nem todos os tatuadores compartilham da mesma opinião, pois alega-se que a pele recoberta por plástico, com resíduos de pele e líquidos (linfa, sangue, tinta, suor) podem gerar uma ambiente propício para a formação de colônias de bactérias. Alguns recomendam manter por no mínimo cinco horas, tempo suficiente para cicatrização inicial, e depois retirar só recolocando à noite para não grudar no lençol, no primeiro e talvez no segundo dia. A recomendação de uso do plástico também está associada ao contato da tatuagem recente com tecidos: a cicatrização que pode ocorrer logo após o processo ou à noite, com vazamento de linfa e consequente aderência do lençol ou roupa ao desenho, gera o risco de remoção da camada (epiderme e derme ) superficial onde estão alojadas as tintas. A consequência pode ser um grave esburacamento no desenho, que torna-se irretocável se o desenho for sombreado (ficará com algumas marcas).

Lavagem

Deve-se lavar a região com sabonete neutro durante o banho, após algumas horas, para manter o local limpo, já que a pomada também sairá na lavagem. Além disso, os resíduos podem criar uma superfície de risco por falta de assepsia.

Água

A água é um elemento importante para no processo químico de cicatrização, fazendo parte da cadeia de fixação do colágeno. A pele muito seca pode perder mais células ou demorar mais para cicatrizar. Por outro lado, o excesso de água também prejudica, ao amolecer a casquinha. Por isso, é muito importante não deixar a tatuagem exposta ao sol, não ir à praia, piscinas, saunas, nem tomar banhos longos, e não esfregar com buchas abrasivas ou sabonetes fortes.

Pomada

Uma nova camada de pomada deve ser aplicada logo em seguida, bem fina, até completa cicatrização da tatuagem, que pode levar de uma semana a 60 dias.[5]. Em média três vezes por dia é o ideal. Algumas pessoas podem ter alergia à pomada combinada com algumas tintas, ou com perfuração excessiva da pele. Nesses casos, a pele pode formar bolhas e descolar o desenho. Recomenda-se nesses casos, muito cuidado para não arrancar o pedaço, e a suspensão imediata do uso da pomada para cicatrização a seco, também muito eficiente. A única diferença é que a pomada melhora um pouco a fixação do pigmento. As pomadas costumam conter dexpantenol, um ácido que ajuda a formação do tecido sem excessiva troca de células.

Casquinha

Não puxe a casquinha! É o conselho de todo tatuador. Para algumas pessoas, uma tarefa fácil. Para outras, nem tanto: é um ritual viciante e somado à curiosidade, puxar as casquinhas para que "cicatrize logo" pode abrir buracos nos desenhos, mesmo quando a casquinha parece fina e superficial. Além disso, uma coceira frequente devido à retração da pele provoca o desejo de se encravar as unhas no local. Via de regra, jamais arranque a casquinha!

Alimentação

Deve-se tomar um certo cuidado com a alimentação nos períodos de cicatrização do trabalho, pois em algumas pessoas a pele pode adquirir um comportamento mais reativo e sofrer alergias, que podem comprometer o trabalho. Apesar de raro, é uma possibilidade. Costuma-se recomendar a suspensão de alimentos:

* muito gordurosos

* frutos do mar

* comida japonesa

* pimentas


Elementos que determinam o resultado da tatuagem:

* ajuste da maquininha: para contorno, a agulha deve penetrar aproximadamente, em torno de 1,7mm na pele. Para preenchimento também, mas eventualmente um pouco mais: 2,5mm. Estas medidas são aproximadas, e dependem do tatuador, do tipo de ponta e do tipo de traço pretendido.
* frequência de vibração e força da maquininha: máquinas fracas nem sempre conseguem introduzir a agulha na pele, conforme o local. Já a frequência, se for muito alta pode "rasgar" a pele ao invés de marcar o traço, e depois perde-se tinta na cicatrização.
* qualidade das tintas: algumas tintas podem gerar alergia, dependendo do tipo de pele. Não há uma regra, mas há predominância do vermelho, por exemplo, entre os pigmentos que geram alergia. Mas todos podem gerar, dependendo da pessoa. Além disso, há no mercado muitas tintas para iniciantes, que são mais "lavadas". O pigmento mais inócuo é o preto, por se feito (nomalmente) à base de carvão de origem animal ou vegetal, e portanto, quimicamente muito estável.
* tipo de pele e o local do corpo. Algumas pessoas incorporam mais a tinta, e outras eliminam quase toda a tinta.
* procedimento: como foi executado o desenho.
* Padrões de soldagem, textura e espessura das agulhas
* Cor da pele. Mesmo em peles de tons médios, a tatuagem inicialmente fica bem colorida, mas depois o pigmento natural da pele (melanina), que é produzido acima da camada onde se aloja a tinta, cobre o desenho, escurecento-o. Assim, este é outro motivo para evitar o sol.
* Profissional: na verdade, ele é o responsável pela maior parte dos itens listados acima.

Deve-se seguir à risca as recomendações do profissional que aplicou a tatuagem, pois a maior parte dos incidentes desagradáveis ocorrem durante o processo de cicatrização.




Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Posted on terça-feira, dezembro 02, 2008 by Guto Dias

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