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sexta-feira, 13 de março de 2009

Descoberto crânio de um suposto vampiro em Veneza - Cortesia Matteo Borrin, apresentada na 61ª reunião da American Academy of Forensic Science

Em Veneza uma equipe de cientistas  encontrou na Itália uma caveira com um tijolo aparentemente colocado à força dentro da boca,  que se faz acreditar que o cadáver era de um vampiro. A caveira foi encontrada na escavação de uma vala comum onde eram enterradas vítimas de uma epidemia de peste bubônica na ilha de Lazzaretto Nuovo, perto de Veneza, nos séculos XVI e XVII. 

Matteo Borrini, da Universidade de Florença, disse que objetos eram colocados na boca de supostos vampiros para impedir que eles se alimentassem dos cadáveres de pessoas enterradas nas proximidades, se fortalecessem e passassem a atacar os vivos.

Borrini, que apresentou suas conclusões na 61ª reunião da Academia Americana de Ciências Forenses em Denver, nos Estados Unidos, disse que, na época da epidemia, muitos acreditavam que a doença era propagada por vampiros. Segundo ele, na época da epidemia de peste, os coveiros reabriam constantemente a vala para enterrar os corpos de novas vítimas e encontravam cadáveres que eles suspeitavam ser de vampiros. 

Os suspeitos costumavam ser identificados por sinais como "marcas de mastigação" no tecido em que os corpos eram envoltos. De acordo com Borrini, estas marcas eram causadas por sangue e outros fluidos corporais que às vezes eram expelidos pela boca dos mortos, fazendo com que o tecido parecesse afundar entre as mandíbulas e romper-se.Borrini disse que este pode ser o primeiro ritual de "exorcismo de vampiro" confirmado por evidências arqueológicas e analisada com conhecimentos médicos e técnicas forenses. Entretanto, Peer Moore-Jansen, um especialista da Universidade Estadual de Wichita, no Kansas, afirma que encontrou esqueletos similares na Polônia, indicando que a descoberta não é pioneira. 

Veneza foi muito afetada pela chamada peste negra, que atingiu a cidade por volta de 1630. Estima-se que a epidemia matou até 50 mil pessoas de uma população de 150 mil.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil

Posted on sexta-feira, março 13, 2009 by Augusto Mota

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terça-feira, 10 de março de 2009


http://1.bp.blogspot.com/_JFeVj1sLFsU/SOz_rYuRAGI/AAAAAAAABFQ/55NgUtVfS6w/s400/charles_bukowski.JPG



Conversa às Três e Meia da Madrugada


às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.

com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?

e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho

e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos;
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem estado procurando emprego
nos últimos 32 dias.

você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.

não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,

e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto na entrada.

e finalmente
há muito pouca coisa
para dizer.





3:30 A.M. Conversation

at 3:30 a.m. in the morning
a door opens
and feet come down the hall
moving a body,
and there is a knock
and you put down your beer
and answer.

god damn it, she says,
dont' you ever sleep?

and she walks in
her hair in curlers
and herself in a silk robe
covered with rabbits and birds

and she has brought her own bottle
to which you splendidly add
2 glasses;
her husband, she says, is in Florida
and the sister sends her money and dresses and she has been looking for a job
for 32 days.

you tell her
you are a jockey's agent and a
writer of jazz and love songs,
and after a couple of drinks
she doesn't bother to cover
her legs
with the edge of the robe
that keeps falling away.

they are not bad legs at all,
in fact, very good legs,
and soon your are kissing a
head full of curlers.

and the rabbits are beginning
to wink, and Florida is a long way
away, and she says we are not strangers
really because shes has seem me
in the hall.

and finally
there is very little
to say.

Posted on terça-feira, março 10, 2009 by Augusto Mota

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oscar wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Posted on terça-feira, março 10, 2009 by Augusto Mota

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segunda-feira, 9 de março de 2009


Riley Ben King, mais conhecido como B. B. King, (16 de setembro de 1925, Itta Bena, Mississippi) é um guitarrista de Blues e cantor estado-unidense. O "B. B." em seu nome significa Blues Boy, seu pseudônimo como moderador na rádio WDIA.

Começou por tocar, a troco de algumas moedas, na esquina da Igreja com a Second Street e chegou mesmo a tocar em quatro cidades diferentes aos sábados à noite. Hoje é um dos mais reconhecidos guitarristas de Blues da atualidade, sendo por vezes referido como o Rei do Blues. É bastante apreciado por seus solos, nos quais, ao contrário de muitos guitarristas, prefere usar poucas notas. Certa vez, B.B. King teria dito: "posso fazer uma nota valer por mil".

http://www.toonpool.com/user/2106/files/bbking_286645.jpg

Biografia

Riley Ben King, mais conhecido como B. B. King, nasceu em uma plantação de algodão em 16 de setembro de 1925 em Itta Bena, perto de Indianola no Mississippi, Estados Unidos da América.

Teve uma infância difícil – aos 9 anos, o bluesman vivia sozinho e colhia algodão, trabalho que lhe rendia 35 centavos de dólar por dia. Começou por tocar, a troco de algumas moedas, na esquina da Igreja com a Second Street.

No ano de 1947, partia para Memphis, no Tennessee, apenas com sua guitarra e $2,50 dólares. Como pretendia seguir a carreira musical, a cidade de Memphis, cidade onde se cruzavam todos os músicos importantes do Sul, sustentava uma vasta competitiva comunidade musical em que todos os estilos musicais negros eram ouvidos.

Nomes como Django Reinhardt, Blind Lemon Jefferson, Lonnie Johnson, Charlie Christian e T-Bone Walker tornaram-se ídolos de B. B. King.

"Num sábado à noite ouvi uma guitarra elétrica que não estava a tocar espirituais negros. Era T-Bone interpretando "Stormy Monday" e foi o som mais belo que alguma vez ouvi na minha vida." recorda B. B. King, "Foi o que realmente me levou a querer tocar Blues".

http://www.karlmeersman.be/images/werk/cartoons/xl/BB-King-in-Vorst-(2006-09-13).jpg

A primeira grande oportunidade da sua carreira surgiu em 1948, quando actuou no programa de rádio de Sonny Boy Wiliamson, na estação KWEM, de Memphis. Sucederam-se atuações fixas no "Grill" da Sixteenth Avenue e mais tarde um spot publicitário de 10 minutos na estação radiofónica WDIA, com uma equipe e direcção exclusivamente negra. "King’s Sport", patrocinado por um tónico, tornou-se então tão popular que aumentou o tempo do transmissão e se transformou no "Sepia Swing Club".

King precisou de um nome artístico para a rádio. Ele foi apelidado de "Beale Blues Boy", como referência à música "Beale Street Blues", foi abreviado para "Blues Boy King" e eventualmente para B. B. King. Por mera coincidência, o nome de KING já incluia a simples inicial "B", que não correspondia a qualquer abreviatura.

Pouco depois do seu êxito "Three O' Clock Blues", em 1951, B. B. King começou a fazer turnês nacionais sem parar, atingindo uma média de 275 concertos/ano. Só em 1956 B. B. King e a sua banda fizeram 342 concertos! Dos pequenos cafés, teatros de "gueto", salões de dança, clubes de jazz e de rock, grandes hotéis e recintos para concertos sinfónicos aos mais prestigiados recintos nacionais e internacionais, B. B. King depressa se tornou o mais conceituado músico de Blues dos últimos 40 anos, desenvolvendo um dos mais prontamente identificáveis estilos musicais de guitarra, a nível mundial. O seu estilo foi inspirador para muitos guitarristas de rock. Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Freddie King, Jimi Hendrix, Otis Rush, Johnny Winter, Albert King, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck foram apenas alguns dos que seguiram a sua técnica como modelo.

http://www.nga.ch/img/Blue%20Img/B.B.King_1.jpg

Em 1969, B. B. King foi escolhido para a abertura de 18 concertos dos Rolling Stones. Em 1970 fez uma turnê por Uganda, Lagos e Libéria, com o patrocínio governamental dos E.U.A.

B. B. King (1989).

Começou a participar da maioria dos festivais de Jazz por todo o mundo, incluindo o Newport Jazz Festival e o Kool Jazz Festival New York, e sua presença tornou-se regular no circuito por universidades e colégios.

Em 1989 fez uma tournê de três meses pela Austrália, Nova Zelândia, Japão, França, Alemanha Ocidental, Países Baixos e Irlanda, como convidado especial dos U2, participando igualmente no álbum "Rattle and Hum", deste grupo, com o tema "When Love Comes to Town".

Em 26 de Julho de 1996, B. B. King, aproveitando o fato de ter um concerto agendado para Stuttgart, deslocou-se propositalmente de avião até à base aérea de Tuzla, para atuar perante tropas da Suécia, Rússia, Bélgica e E.U.A., estacionadas na Bósnia num esforço conjunto de manutenção da paz. No dia seguinte, voou para a base aérea de Kapsjak, para nova atuação junto de tropas norte-americanas. B. B. King confessa: "Foi emocionante atuar para estes homens e mulheres. Apreciamo-los e queremos que eles saibam que têm o nosso total apoio na sua árdua tarefa de manutenção da paz."

B. B. King terminou 1996 com uma turne pela América Latina, com concertos no México, Brasil, Chile, Argentina, Uruguai e, pela primeira vez, no Peru e Paraguai. O "Rei dos Blues" totaliza mais de 90 países onde atuou até hoje.

Ao longo dos anos tem sido agraciado com diversos Grammy Awards: melhor desempenho vocal masculino de Rhythm & Blues, em 1970, com "The Thrill is Gone", melhor gravação étnica ou tradicional, em 1981, com "There Must Be a Better World Somewhere", melhor gravação de Blues tradicionais, em 1983, com "Blues'N Jazz" e em 1985 com "My Guitar Sings the Blues". Em 1970, "Indianopola Missisipi Seeds" concede-lhe o "Grammy" de melhor capa de álbum. A Gibson Guitar Co. nomeou-o "Embaixador das guitarras Gibson no Mundo".

Curiosidades

  • Uma das imagens de marca de King é chamar às sua guitarras o nome de "Lucille" - uma tradição que vem desde a década de 1950. No inverno de 1949, King se apresentou num salão de dança em Twist, no Arkansas. Com o intuito de aquecer o salão, acendeu-se um barril meio cheio de querosene no centro do salão, prática muito comum na época. Durante a apresentação, dois homens começaram a brigar e entornaram o barril que imediatamente espalhou chamas por todo o lado. Durante a evacuação, já fora do estabelecimento, King apercebeu-se de que tinha deixado a sua guitarra de 30 dólares no edifício em chamas. Voltou a entrar no incêndio para reaver a sua Gibson acústica, escapando por um triz. Duas pessoas morreram no fogo. No dia seguinte, soube que os dois homens tinham começado a briga devido a uma mulher chamada Lucille. A partir dessa altura, passou a a designar as suas guitarras por esse nome, para "se lembrar de nunca mais fazer uma coisa daquelas."
  • Quando foi perguntado a John Lennon sobre sua maior ambição, ele disse que era tocar guitarra como B.B. King.
  • BB King era considerado o melhor guitarrista do mundo por Jimi Hendrix.
  • Um anime japonês por nome Beck - Mongolian Chop Squad teve influências do bluesman B. B. King. Por vezes, ele é citado e ainda tem a guitarra "Lucille".

A guitarra

  • Iniciou utilizando uma Fender Telecaster
  • Passou a utilizar uma Gibson ES-335, modelo que foi substituído pela B. B. King Lucille, um modelo baseado na ES-345.
  • Uma das características de King é chamar às sua guitarras o nome de "Lucille" - uma tradição que vem desde a década de 1950.
  • No dia 19 de dezembro de 1997, apresentou Lucille ao Papa João Paulo II em um concerto no Vaticano.
  • No dia 5 de novembro de 2000, doou uma cópia autografada de Lucille para o Museu de Música Nacional, Estados Unidos da América.

Honras e prêmios

  • Em 15 de dezembro de 2006 o Presidente americano George W Bush prêmiou King com a Medalha Presidencial da Liberdade.
  • Em 2004, ele foi premiado como Ph.D honorário da Universidade de Mississippi e o Conservatório Sueco Real lhe premiou com o Prêmio de Música Polar, por suas contribuições significantes para o blues.
  • King foi agraciado com a Medalha Nacional de Artes, em 1990, nos Estados Unidos da América.
  • Ganhador de diversos Grammys de 1971 a 2006.

Discografia

[editar] Algumas Músicas

  • Three O Clock Blues (originalmente a primeira música que levou B.B King ao sucesso)
  • Why I Sing the Blues?
  • The Thrill is Gone (em parceria com Tracy Chapman)
  • Rock Me, Baby
  • No Body Loves Me But My Mother
  • Blues Funk
  • Dangerous Mood
  • Blues man

Albuns

  1. King of the Blues (1960)
  2. My Kind of Blues (1960)
  3. Live at the Regal (Live, 1965)
  4. Lucille (B.B. King album)|Lucille (1968)
  5. Live and Well (1969)
  6. Completely Well (1969)
  7. Indianola Mississippi Seeds (1970)
  8. B.B. King In London (1971)
  9. Live in Cook County Jail (1971)
  10. Lucille Talks Back (1975)
  11. Midnight Believer (1978)
  12. Live "Now Appearing" at Ole Miss (1980)
  13. There Must Be a Better World Somewhere (1981)
  14. Love Me Tender (B.B. King album)|Love Me Tender (1982)
  15. Why I Sing the Blues (1983)
  16. B.B. King and Sons Live (B.B. King album)|B.B. King and Sons Live (Live, 1990)
  17. Live at San Quentin (1991)
  18. Live at the Apollo (B.B. King album)|Live at the Apollo (Live, 1991)
  19. There is Always One More Time (1991)
  20. Deuces Wild (album)|Deuces Wild (1997)
  21. Riding with the King (B.B. King and Eric Clapton album)|Riding with the King (2000)
  22. Reflections (B.B. King album)|Reflections (2003)
  23. The Ultimate Collection (B.B. King album)|The Ultimate Collection (2005)
  24. 80 (album)|B.B. King & Friends: 80 (2005)
  25. One Kind Favor (2008)

Posted on segunda-feira, março 09, 2009 by Augusto Mota

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Viracocha - Porta do Sol, detalhe

Viracocha ou Wiracocha ou Huiracocha (no idioma quechua: Apu Kun Tiqsi Wiraqutra) é a divindade invisível, criadora de toda a cosmovisão andina, era considerado como o esplendor original, o Senhor, Mestre do Mundo, sendo o primeiro deus dos antigos tiahuanacos, que provinham do lago Titicaca, de cujas águas teria surgido, criando então o céu e a terra. É o arquétipo da ordem do universo no homem.

Deus andrógeno criado por si mesmo, hermafrodita, imortal, introduzido durante a expansão Wari-Tiwanaco, é o deus principal, criador do Universo e tudo que nele existe: a terra, o sol, os homens, as plantas, adotando distintas formas, e se acreditava que ele estava em toda parte.

O culto ao deus criador supõe um conceito que abrange o abstrato e o intelectual, e era destinado apenas à nobreza.

Este deus, ou Huaca, aparentemente também está presente na iconografia dos habitantes de Caral e de Chavín, antigas cidades no atual território do Peru.

Etimologia

Em quechua, tiqsi significa "fundamento, base, início"; enquanto que wiraqutra provém da fusão dos vocábulos: wira (gordo) e qutra (que contém água - lago, lagoa). Na simbologia dos antigos andinos, a gordura era um símbolo da energia, e a água o elemento capital do ciclo vital do universo.

Quando os primeiros cronistas chegaram à América, a língua espanhola estava ainda em plena evolução, carecendo de normatização em seu alfabeto. Em tais casos, era comum o uso do V como o U para representar indistintamente a vogal u, e a semi-consoante W, que hoje tanto se escreve com U ou HU, naquele idioma. Por esta razão a grafia do nome deste deus foi largamente transliterada como Viracocha, e ainda outros escreviam Huiracocha ou Huiraccocha. Em outras versões seu nome era Ticci, Tiki ou Teisi.


Doutrina

Viracocha, assim como outras deidades, era nômade e tinha um companheiro alado - o pássaro Inti, uma espécie de ave mágica, conhecedora do presente e do futuro, representada nos mitos orais como um colibri com asas de ouro (Quri qinqi).

Na mitologia inca atribui-se a este deus todo-poderoso a faculdade de dirigir a construção de tudo que é visível e invisível. Organizando o universo em três mundos relacionados entre sí, em dualidade e harmonia.

  • HANAN PACHA: o mundo de acima, habitam os seres celestes, constelações, astros, raios, estrelas, arco-íris, nuvens.
  • KAY PACHA: o mundo daqui, convivem os seres terrestres, as montanhas, os lagos, os homens, os animais, as plantas.
  • UCHU PACHA: o mundo subterrâneo, vivem os mallquis que são as sementes, os ancestrais enterrados para que na terra nasçam os homens novos.

Estes mundos estão relacionados através da Yacumama e Sachamama que os atravessam:

  • YACUMAMA é o poder das águas e da fecundidade. No mundo de acima é o raio, no mundo terreno é o rio, e no subterrâneo é a serpente.
  • SACHAMAMA é o poder da fertilidade, que no mundo de acima é o arco-íris, aqui no terrestre é a árvore, e no subterrâneo é a serpente de duas cabeças, uma em cada extremidade.

Entre esse mundo interior ou subterrâneo, existe uma comunicação física através dos orifícios da terra, covas, crateras, lagoas, denominadas genericamente de PACARINAS, relacionadas à origem dos seres viventes.

Entre o mundo terreno e o celeste, a comunicação se torna ideal. O homem se converte no mediador e intérprete dos mundos.

Iniciou sua obra no mundo dos antigos (ñawpa pacha), talhando na pedra as figuras dos dois primeiros seres humanos, dos primeiros homens e mulheres que vão tornar-se os fundamentos de seu trabalho.

Quando Viracocha coloca estas estátuas nos vários lugares que lhes correspondem e, e lhes dá nome, animam-se ganham vida na escuridão do mundo primitivo (ñawpa pacha), posto que não havia ainda o deus cuidado de dar luz à Terra, que era então iluminada apenas pelo claror de Titi, um puma selvagem e chamejante, que vive no alto do mundo - certamente o jaguar que se entrelaça com outros animais nas representações totêmicas do Império Inca e das culturas pré-inca e incas.

O mundo visível chama-se Kay Pacha, mas ainda está incompleto porque Viracocha postergou o labor de criação completa do mundo, com o nascimento dos seres humanos que vão desfrutar dele.

Satisfeito com os homens, o deus prosseguiu em seu projeto, agora pondo em seu lugar devido os filhos Sol (Inti), a Lua (Mama Quilla), a infinitas estrelas, até cobrir toda a abóboda celeste com suas luzes.

Depois, Viracocha dirige-se ao norte para, a partir de lá, chamar ao seu lado as criatura que ele acabara de dotar com vida própria.

A partir de Tiahuanaco, Tiqsi Huiracocha delegou as tarefas secundarias da criação a seus dois ajudantes, Tocapu Huiracocha e Imaymana Huiracocha, que iniciam imediatamente as rotas do leste e oeste dos Andes, para - a cada instante nestes largos caminhos dar vida e nome a todas as plantas e animais que vão fazendo aparecer sobre a face da terra, na sua linda missão de auxiliar e complementar a obra realizada antes por seu deus e senhor Huiracocha, missão que terminam junto a a orla do mar, para depois mergulhar regiamente nas suas aguas, uma vez cumprida a tarefa ordenada pelo deus criador principal do universo e dos incas e pre-incas ao que parece desde a época de Caral.

Nos mitos orais Huiracocha mostra-se como um sábio gobernante da época de Caral que ditou as leis da economía de retribuição (trueque, sistema de distribuição do trabalho) como também da Ayllu a grande unidade familiar andina. Viracocha logo ascendeu a categoría divina, igual a de todos os grandes governantes pre-incas e incas.

Devido a ser o principal icone da mitologia inca, no vocabulário moderno, em todo os Andes centrais, é um nome de tratamento de respeito como senhor.

Posted on segunda-feira, março 09, 2009 by Augusto Mota

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sexta-feira, 6 de março de 2009





Talvez uma das primeiras experiências anarquistas do mundo, antes mesmo de ter sido criado o termo, tenha ocorrido nas margens da Baía de Babitonga, perto da cidade histórica de São Francisco do Sul. Em 1842 o Dr. Benoit Jules Mure, inspirado na teorias de Fourier, instala o Falanstério do Saí ou Colônia Industrial do Saí, reunindo os colonos vindos de França no Rio de Janeiro em 1841. Houve dissidências e um grupo dissidente, à frente do qual estava Michel Derrion, constituiu outra colônia a algumas léguas do Saí, num lugar chamado Palmital: a Colônia do Palmital.

Mure conseguiu apoio do Coronel Oliveira Camacho e do presidente da Província de Santa Catarina, Antero Ferreira de Brito. Este apoio foi-lhe fundamental para posteriormente conseguir a ajuda financeira do Governo Imperial do Brasil para seu projeto.

O anarquismo no Brasil ganhou força com a grande imigração de trabalhadores europeus entre fins do século XIX e início do século XX. Em 1889 Giovani Rossi tentou fundar em Palmeira, no interior do Paraná, uma comunidade baseada no trabalho, na vida e na negação do reconhecimento civil e religioso do matrimônio, (o que não significa, necessariamente, "amor livre"), denominada Colônia Cecília. A experiência teve curta duração.

No início do século XX, o anarquismo e o anarco-sindicalismo eram tendências majoritárias entre o operariado, culminando com as grandes greves operárias de 1917, em São Paulo, e 1918-1919, no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período, escolas modernas foram abertas em várias cidades brasileiras, muitas delas a partir da iniciativa de agremiações operárias de inclinação anarquista.

Alguns acreditam que a decadência do movimento anarquista se deveu ao fortalecimento das correntes do socialismo autoritário, ou estatal, i.e., marxista-leninista, com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922 participada inclusivamente, por ex-integrantes do movimento anarquista que, influenciados pelo sucesso da revolução Russa, decidem fundar um partido segundo os moldes do partido bolchevique russo.

Porém, esta posição, sustentada por muitos historiadores, vem sendo contestada desde a década de 1970 por Edgar Rodrigues (anarquista português naturalizado no Brasil, pesquisador autodidata da história do movimento anarquista no Brasil e em Portugal), e pelos recentes estudos de Alexandre Samis que indicam que a influência anarquista no movimento operário cresceu mais durante este período do que no já fundado (PCB) e só a repressão do governo de Artur Bernardes, viria diminuir a influência das idéias anarquistas no seio do movimento grevista. Artur Bernardes foi responsável por campos de concentração e centros de tortura, nos quais morreram inúmeros libertários, sendo que o pior de tais campos foi o de Clevelândia, localizado no Oiapoque. Edgar Rodrigues apresenta em várias de suas obras as investidas de membros do PCB que, procurando transformar os sindicatos livres em sindicatos partidãrios e conquistar devotos às idéias leninistas, polemizavam em sindicatos e jornais, chegando a realizar atentados contra anarquistas que se destacavam no movimento operário brasileiro, durante a década de 1920.

Provavelmente devido aos problemas de comunicação resultantes da tecnologia da época, os anarquistas só terão compreendido a revolução russa de forma mais clara, a partir das notícias de célebres anarquistas, como a estadunidense Emma Goldman, que denunciara as atrocidades cometidas na Rússia em nome da ditadura do proletariado. Seria a partir deste momento histórico que se definiria a posição tática do anarquismo perante os socialistas autoritários no Brasil, separando a confusão ideológica que reinava em torno da revolução russa, identificada pelos anarquistas inicialmente como uma revolução libertária. Esta ideia seria depois desmistificada pelos anarquistas, que acreditam no socialismo sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolição do Estado.

Para Rômulo Angélico, foi durante o governo de Getúlio Vargas que o anarco-sindicalismo recebeu seu golpe de morte, devido ao surgimento dos sindicatos controlados pelo Estado e as novas perseguições estatáis. Até a primeira metade da década de 1930, no entanto, o anarquismo permaneceu a idelogia mais influente entre os operários brasileiros.

Durante o Regime Militar (1964-1985), as principais expressões anarquistas no Brasil foram o Centro de Estudos Professor José Oiticica, no Rio de Janeiro, o Centro de Cultura Social de São Paulo e o Jornal O Protesto no Rio Grande do Sul. Todos foram fechados no final da década de 1960, mas seus militantes continuaram se encontrando clandestinamente, publicando livros e se correspondendo com libertários de outros países. na década de 1970 surge na Bahia o jornal O Inimigo do Rei, impulsionando a formação de novos grupos anarquistas, atráves das editorias autogestionárias, em várias partes do Brasil. No Rio Grande do Sul, nos anos oitenta, cria-se na cidade de Caxias do Sul, o Centro de Estudos em Pesquisa Social- CEPS, voltado para o trabalho social. No ano de 1986, na cidade de Florianópolis, é realizada a Primeira Jornada Libertaria com o lançamento das bases para a reorganização da Confederação Operária Brasileira - COB/AIT e a organização dos anarquistas.

O anarquismo, mesmo com a repressão, renasce, em meio aos estudantes, intelectuais e trabalhadores.

você pode ver na internet um livro de Edgard Leuenroth "Anarquismo roteiro da libertação social" publicado na década de 60 pela editora mundo livre feita pelo CEPJO.

Posted on sexta-feira, março 06, 2009 by Augusto Mota

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quarta-feira, 4 de março de 2009



Para a maioria dos brasileiros de origens católica, só conhecem o dilúvio através da bíblia, mas você sabia que em todo o mundo, as civilizações antigas tem histórias muito parecidas ? Bom, vamos aos fatos e chegue as suas próprias conclusões:
Em alguns dos mitos mais impressionantes e duradouros que herdamos dos tempos antigos, parece que nossa espécie reteve uma recordação confusa, mas persistente, de uma pavorosa catástrofe global.
De onde vem esses mitos?
Por que, embora procedam de culturas sem relação entre si, seus temas são tão parecidos? Por que estão imbuídos de um simbolismo comum? E por que falam, com tanta freqüência, dos mesmos personagens e enredos padronizados? Se são realmente memórias, por que não existem registros históricos das catástrofes planetárias a que parecem aludir?
Poderia acontecer que os próprios mitos sejam registros históricos? Poderia acontecer que essas histórias interessantes e imortais, compostas por gênios anônimos, tenham sido o meio usado para conservar informações desse tipo e transmiti-las ao longo do tempo, antes que começasse a história documentada?

E a Arca Flutuou sobre a Face das Águas

Houve na antiga Suméria um rei que buscava a vida eterna. Seu nome era Gilgamesh. Conhecemos suas aventuras através dos mitos e tradições da Mesopotâmia, que foram gravadas em escrita cuneiforme em tabuinhas de argila cozidas em forno. Milhares dessas tabuinhas, algumas datadas do início do terceiro milênio a.C., foram escavadas nas areias do moderno lraque. Elas contam uma história ímpar de uma cultura desaparecida e nos lembram que, mesmo naqueles dias da alta antiguidade, seres humanos preservavam memórias de tempos ainda mais remotos ¬tempos dos quais estavam separados pelo intervalo de um grande e terrível dilúvio:

Proclamarei ao mundo as façanhas de Gilgamesh. Ele era o homem para o qual todas as coisas eram conhecidas; ele era o rei que conhecia os países do mundo. Ele era sábio, enxergava dentro de mistérios, conhecia coisas secretas e nos trouxe a história dos dias anteriores ao dilúvio. Ele partiu em uma longa jornada, ficou cansado, esgotado pela viagem. Ao voltar, repousou e gravou em uma pedra toda a história.

A história trazida por Gilgamesh lhe foi contada por um certo Utnapishtim, um rei que governara seu povo milhares de anos antes, que sobrevivera ao grande dilúvio e fora premiado com o dom da imortalidade, porque tinha preservado as sementes da humanidade e de todas as coisas vivas.

Isso aconteceu há muito, muito tempo, disse Utnapishtim, numa época em que os deuses viviam na terra: Anu, senhor do firmamento, Enlil, o executor das decisões divinas, Ishtar, a deusa da guerra e do amor sexual, e Ea, o senhor das águas, amigo e protetor natural do homem.
Naqueles dias, o mundo fervilhava de atividade, os homens se multiplicavam, o mundo mugiu como um touro e o grande deus foi acordado pelo clamor. Enlil ouviu o clamor e disse aos deuses, reunidos em conselho: "O barulho da humanidade é intolerável e sono não é mais possível devido à balbúrdia.” Em vista disso, os deuses concordaram em exterminar a humanidade.

Ea, porém, teve pena de Utnapishtim. Falando através da parede de caniço da casa do rei, avisou-o da catástrofe iminente e disse-lhe que construísse um barco, no qual ele e sua família poderiam sobreviver:
Derruba tua casa e constrói um barco, abandona tuas posses e procura a vida, despreza os bens mundanos e salva tua alma. (...) Derruba tua casa e constrói um barco com suas dimensões em proporção - largura e comprimento em harmonia. Põe a bordo do barco as sementes de todas as coisas vivas.

No momento exato, Utnapishtim construiu o barco, da forma ordenada. "Carreguei o barco com tudo o que tinha", disse ele, "carreguei-o com as sementes de todas as coisas vivas":

Embarquei todos os meus parentes, embarquei o gado, os animais selvagens da natureza, todos os tipos de artesãos. (...) O prazo foi cumprido. Quando a primeira luz do amanhecer surgiu, uma nuvem negra surgiu da base do céu e trovejou no lugar onde Adad, o senhor da tempestade, cavalgava. (...) Um estupor de desespero subiu ao céu, quando o deus da tempestade transformou a luz do dia em trevas, quando esmagou a terra como se ela fosse uma taça. (...)
No primeiro dia, a tempestade soprou feroz e trouxe o dilúvio. (...) Nenhum homem podia ver seu companheiro. Nem os homens podiam ser diferenciados do céu. Até os deuses ficaram com medo do dilúvio. Retiraram-se, subiram para o céu de Anu e agacharam-se nas proximidades. Os deuses acovardaram-se como cães de rua, enquanto Ishtar chorava, e exclamava em voz alta: "Dei à luz esses meus próprios filhos apenas para encher o mar com seus cadáveres, como se eles fossem peixes?"

Enquanto isso, continuou Utnapishtim:

Durante seis dias e noites o vento soprou, e torrente, tempestade e inundação varreram o mundo, a tempestade e o dilúvio rugiram juntos como hostes em guerra. Ao raiar o sétimo dia, a tempestade vinda do sul amainou, o mar ficou calmo, o dilúvio parou. Olhei para a face do mundo e havia silêncio. A superfície do mar estendia-se tão plana como um telhado. Toda a humanidade retornara ao pó. (...) Abri uma escotilha e luz caiu sobre minha face. Em seguida, curvei-me, sentei-me e chorei, lágrimas escorrendo pelo meu rosto, pois, por todos os lados, só havia o deserto de água. (...) A quatorze léguas de distância apareceu uma montanha e nela o barco encalhou. Na montanha de Nisir o barco se prendeu fortemente à terra, ficou imóvel e não se mexeu. (...) Quando o sétimo dia amanheceu, soltei uma pomba no ar. Ela voou para longe, mas, não achando lugar para pousar, voltou. Soltei em seguida uma andorinha, ela voou para longe, mas, não encontrando lugar para pousar, voltou. Soltei um corvo, ele viu que as águas haviam baixado, comeu, voou em volta, grasnou e não voltou.

Utnapishtim soube que, nesse momento, era seguro desembarcar:

Verti uma libação sobre o cume da montanha. (...) Juntei madeira, cana, cedro e murta... Quando os deuses sentiram o doce aroma, eles se reuniram como moscas sobre o sacrifício. (...)

Esses textos não são absolutamente os únicos que chegaram até nós, com origem na terra antiga da Suméria. Em outras tabuinhas - algumas delas com quase 5.000 e, outras, menos de 3.000 anos de idade - a figura "semelhante a Noé" de Utnapishtim era variadamente conhecida como Zisudra, Xisuthros ou Atrahasis. Ainda assim, ele é sempre reconhecível como o mesmo personagem patriarcal, avisado pelo mesmo deus compassivo, que sobrevive ao mesmo dilúvio universal na arca sacudida pela tempestade e cujos descendentes repovoaram o mundo.
Há muitas semelhanças óbvias entre o mito do dilúvio mesopotâmico e a famosa história bíblica de Noé e o dilúvio. Estudiosos discutem interminavelmente sobre a natureza dessas semelhanças. O importante, porém, é que, em todas as esferas de influência, a mesma tradição solene foi preservada para a posteridade - uma tradição que conta, em linguagem vívida, uma catástrofe global e a aniquilação quase total da humanidade.

América Central

Mensagem idêntica foi preservada no Vale do México, muito distante dos montes Ararat e Nisir, ambos situados no outro lado do mundo. No México, cultural e geograficamente isolado das influências judaico-cristãs, e em longas eras antes da chegada dos espanhóis, eram contadas também histórias sobre um grande dilúvio. Como o leitor recordará pelo que dissemos na Parte III, reinava a crença em que o dilúvio assolara toda a terra, ao fim do Quarto Sol. "A destruição aconteceu sob a forma de chuvas torrenciais e inundações. As montanhas desapareceram e os homens foram transformados em peixes... De acordo com a mitologia asteca, sobreviveram apenas dois seres humanos: um homem, Coxcoxtli, e a esposa, Xochiquetzal, que um deus avisara do iminente cataclismo. Os dois escaparam em um imenso barco que haviam recebido ordens para construir e desembarcaram no cume de uma alta montanha. Lá desceram e tiveram muitos filhos, todos mudos, que assim permaneceram até que uma pomba, no alto de uma árvore, lhes deu o dom das línguas. Essas línguas diferiam tanto entre si que as crianças não podiam se entender.
Uma tradição centro-americana semelhante, a de Mechoacanesecs, apresenta uma semelhança ainda mais notável com a história contada no Gênesis e por fontes mesopotâmicas. De acordo com essa tradição, o deus Tezcatilpoca resolveu destruir toda a humanidade com um dilúvio, salvando apenas um certo Tezpi, que embarcou em uma espaçosa canoa com a esposa, filhos, e grande número de animais e aves, bem como suprimentos de cereais e sementes, cuja preservação era essencial para o sustento futuro da raça humana. A canoa encalhou no cume de uma montanha, depois de ter Tezcatilpoca ordenado que as águas do dilúvio se retirassem. Desejando saber se era seguro desembarcar nesse momento, Tezpi soltou um abutre que, alimentando-se das carcaças que cobriam a terra, não voltou. Ele enviou outras aves, das quais só voltou o beija-flor, com um galho folhudo no bico. Com esse sinal de que a terra começava a se renovar, Tezpi e família desceram da arca, multiplicaram-se e repovoaram a terra.
Recordações de uma terrível inundação causada por desagrado divino foram também preservadas no Popol Vuh. De acordo com esse texto arcaico, o Grande Deus resolveu criar a humanidade logo depois do início do tempo. Era um experimento e ele começou com "figuras feitas de madeira, que pareciam homens e que falavam como homens". Essas criaturas caíram em desgraça porque "não se lembravam de seu Criador":

E assim um dilúvio foi desencadeado pelo Coração do Céu, um grande dilúvio foi formado e caiu sobre a cabeça das criaturas de madeira. (...) Uma pesada resina caiu do céu. (..,) a face da terra se tornou escura e uma chuva negra começou a cair, dia e noite. (..,) As figuras de madeira foram aniquiladas, destruídas, quebradas e mortas.

Nem todos morreram, porém. Tal como os astecas e os mechoacanesecas, os maias de Yucatán e da Guatemala acreditavam que uma figura semelhante a Noé e esposa, "o Grande Pai e a Grande Mãe", sobreviveram ao dilúvio para povoar novamente a Terra, tornando-se, dessa maneira, os ancestrais de todas as gerações subseqüentes da humanidade.

América do Sul

Passando à América do Sul, encontramos os chibcas, da região central da Colômbia. De acordo com seus mitos, eles viveram inicialmente como selvagens, sem leis, agricultura ou religião. Certo dia, porém, apareceu entre eles um velho de raça diferente. Ele usava barba espessa e longa e seu nome era Bochica. Ele ensinou aos chibcas como construir cabanas e viver juntos em sociedade.
A esposa de Bochica, muito bela, chamada Chia, veio depois dele, mas era má e gostava de contrariar-lhe os trabalhos altruísticos. Uma vez que não podia anular diretamente o poder do marido, usou de meios mágicos para causar um grande dilúvio, no qual morreu a maioria da população. Profundamente irado, Bochica exilou-a da terra para o céu, onde ela se tornou a lua e recebeu o trabalho de iluminar as noites. Ele fez também com que se dissipassem as águas do dilúvio e trouxe para baixo os poucos sobreviventes que haviam se refugiado no cume de uma montanha. Em seguida, deu-lhes leis, ensinou-lhes a cultivar a terra e instituiu a adoração do sol, com festivais, sacrifícios e peregrinações periódicas. Em seguida, dividiu entre dois chefes o poder de governar e passou o resto de seus dias na terra em tranqüila contemplação, como asceta. Quando subiu ao céu, tornou-se um deus.
Ainda mais ao sul, os canarianos, uma tribo de índios do Equador, contam uma história antiga de dilúvio, do qual dois irmãos escaparam por terem subido para o cume de uma montanha. À medida que a água subia, o mesmo acontecia com a montanha, de modo que os dois irmãos puderam sobreviver à calamidade.
Ao serem descobertos, os índios tupinambás, do Brasil, veneravam uma série de heróis civilizadores, ou criadores. O primeiro desses heróis era Monan (antigo, velho), que eles diziam ter sido o criador da humanidade, mas que em seguida destruiu o mundo com água e fogo...
O Peru, como vimos na Parte II, é particularmente rico em lendas sobre o dilúvio. Uma história típica fala de um índio que foi avisado do dilúvio por uma lhama. Juntos, homem e lhama fugiram para uma alta montanha, chamada Vilca-¬Coto:

Quando chegaram ao alto da montanha, viram que todos os tipos de aves e animais já haviam se refugiado ali. O mar começou a subir e cobriu todas as planícies e montanhas, exceto o cume de Vilca-Coto e, mesmo lá, as ondas batiam tão altas que os animais foram obrigados a se apertarem numa área estreita. (..,) Cinco dias depois, a água recuou e o mar voltou a seu leito. Mas todos os seres humanos, exceto um, morreram afogados e dele descendem todas as nações da terra.

Os araucnaianos do Chile pré-colombiano preservaram uma tradição que dizia que houve outrora um dilúvio, do qual poucos índios escaparam. Os sobreviventes refugiaram-se em uma alta montanha chamada Thegtheg (a "trovejante" ou "faiscante"), que tinha três picos e a capacidade de flutuar na água.
Na extremidade sul do continente, uma lenda dos yamanas, da Terra do Fogo, informa: "A mulher-lua causou o dilúvio. Isso aconteceu no tempo da grande elevação da superfície da terra. (...) A lua estava cheia de ódio aos seres humanos. (...) Nessa ocasião, todos morreram afogados, com exceção dos poucos que conseguiram escapar para cinco picos de montanhas que a água não cobriu."
Outra tribo da Terra do Fogo, a pehenche, associa o dilúvio a um prolongado período de escuridão. "O sol e a lua caíram do céu; e o mundo permaneceu assim, sem luz, até que, finalmente, dois condores gigantescos levaram de volta o sol e a lua para o céu."

América do Norte

Enquanto isso, no outro lado das Américas, entre os inuítes do Alasca, havia a tradição de um dilúvio terrível, acompanhado por um terremoto, que varreu tão rapidamente a face da terra que só uns poucos homens conseguiram escapar em canoas, petrificados de terror, ou refugiar-se nos picos das montanhas mais altas.
Os luisenos, da Baixa Califórnia, tinham uma lenda que dizia que uma inundação cobriu as montanhas e destruiu a maior parte da humanidade. Salvaram-¬se apenas uns poucos, porque fugiram para os mais altos picos e que foram poupados quando a água inundou todo o mundo. Os sobreviventes ali permaneceram até que passou a inundação. Mais ao norte, mitos semelhantes foram registrados entre os hurons. E uma lenda dos montagnais, grupo pertencente à família algonquina, contava que Michabo, ou a Grande Lebre, com ajuda de um corvo, uma lontra e um rato almiscarado, recriou o mundo.
O History of the Dakotas, de Lynd, um trabalho respeitado do século XIX que preservou numerosas tradições indígenas que, de outro modo, teriam sido perdidas, refere-se ao mito iroquês de que "o mar e as águas haviam, um dia, invadido a terra, e toda vida humana foi destruída". Os chickasaws afirmavam que o mundo fora destruído pela água, "mas que havia sido salva uma família e dois animais de todos os tipos." Os sioux falavam também de um tempo em que não havia terra seca e quando todos os homens desapareceram.

Água, Água, por Todos os Lados

Até que distância e com que abrangência as repercussões do grande dilúvio chegaram às memórias preservadas em mitos?
Até grande distância, sem a menor dúvida. Em todo o mundo são conhecidas mais de 500 lendas que falam do dilúvio e, em um levantamento de 86 delas (20 na Ásia, 3 na Europa, 7 na África, 46 nas Américas e 10 na Austrália e no Pacífico), um pesquisador especializado, o Dr. Richard Andree, concluiu que 62 eram inteiramente independentes das versões mesopotâmicas e hebraicas.
Antigos estudiosos jesuítas, que figuraram entre os primeiros europeus a vi-sitar a China, por exemplo, tiveram oportunidade, na Biblioteca Imperial, de examinar um vasto conjunto de obras, composto de 4.320 volumes, que se dizia ter sido herdado de tempos antigos e que continham "todos os conhecimentos". Esse grande livro incluía certo número de tradições citando as conseqüências que se seguiram quando a humanidade se rebelou contra os grandes deuses e o sistema do universo despencou na desordem: "Os planetas mudaram seus cursos. O céu afundou na direção do norte, o sol, a lua e as estrelas mudaram seus movimentos. A terra desfez-se em pedaços e as águas no seu seio jorraram violentas para o alto e inundaram a terra”.
Na floresta tropical de Chewong, na Malásia, os nativos acreditavam que, com grande freqüência, o mundo em que viviam, que chamavam de Terra Sete, virava de cabeça para baixo e tudo era inundado e destruído. Não obstante, graças à intervenção do Deus Criador Tohan, a nova superfície plana do que fora antes o lado de baixo da Terra Sete é moldada e transformada em montanhas, vales e planícies. Novas árvores são plantadas e nascem novos seres humanos.
Um mito do dilúvio originário do Laos e da região norte da Tailândia diz que seres chamados thens viviam há muito tempo no alto reino, enquanto os senhores do baixo mundo eram três grandes homens, Pu Leng Seung, Khun K'na e Khum K'et. Certo dia, os thens anunciaram que, antes de tomar qualquer refeição, os homens deveriam lhes dar uma parte da comida, como sinal de respeito. Os homens recusaram-se a cumprir a ordem e, irados, os thens provocaram um dilúvio que destruiu toda a terra. Os três grandes homens construíram uma jangada, no alto da qual fizeram uma pequena casa e embarcaram com certo número de mulheres e crianças. Dessa maneira, eles e seus descendentes sobreviveram ao dilúvio.
De forma semelhante, os karens da Birmânia têm tradições de um dilúvio global, do qual dois irmãos se salvaram em uma jangada. Um dilúvio do mesmo tipo faz parte da mitologia do Vietnã, na qual se diz que um irmão e uma irmã sobreviveram dentro de um grande caixão de madeira, que continha também dois espécimes de todos os tipos de animais.
Vários povos aborígines australianos, especialmente aqueles cujas terras tradicionais se situavam ao longo da costa tropical no norte, atribuem sua origem a uma grande inundação, que acabou com a terra e a sociedade anteriores. Paralelamente, nos mitos sobre a origem de certo número de outras tribos, a serpente cósmica Yurlunggur (associada ao arco-íris) é julgada responsável pelo dilúvio.
Existem também tradições japonesas, de acordo com as quais as ilhas do Pacífico na Oceania foram formadas depois de baixarem as águas de um grande dilúvio. Na própria Oceania, um mito dos habitantes nativos do Havaí conta que o mundo foi destruído por uma inundação e, mais tarde, recriado por um deus chamado Tangaloa. Os samoanos acreditam que, no passado, aconteceu uma inundação que destruiu quase toda a humanidade. Só sobreviveram dois seres humanos, que se fizeram ao mar em um barco que, finalmente, chegou à terra no arquipélago samoano.

Grécia, Índia e Egito

No outro lado do mundo, a mitologia grega era também assombrada por memórias de um dilúvio. Neste caso, porém (como, aliás, na América Central), a inundação não era vista como um evento isolado, mas como uma etapa em uma série de destruições e recriações do mundo. Os astecas e maias falavam em termos de "Sóis", ou épocas sucessivas (das quais pensavam que a nossa era a quinta e última). De forma semelhante, as tradições orais da Grécia antiga, compiladas e redigidas por Hesíodo no século VIII a.C., relatam que, antes da presente criação, houve quatro raças anteriores de homens. Julgavam os gregos que cada uma delas fora mais adiantada do que a que a seguiu. E todas elas, na hora aprazada, haviam sido "engolidas" em um cataclismo geológico.
A primeira e mais antiga criação fora a "raça de ouro" da humanidade, que "vivera como os deuses, sem cuidados, sem problemas ou sofrimentos... Dotados de corpos que não envelheciam, eles se regalavam em seus banquetes... Quando morriam, era como homens vencidos pelo sono". Com a passagem do tempo e por ordem de Zeus, a raça de ouro "mergulhou finalmente nas profundezas da terra". Foi sucedida pela "raça de prata", suplantada pela "raça de bronze", substituída por sua vez pela raça dos "heróis" e seguida pela raça de "ferro" - a nossa -, a quinta e mais recente criação.
O destino da raça de bronze é o que mais nos interessa aqui. Descrita nos mitos como tendo "a força de gigantes e mãos poderosas em braços poderosos", esses homens formidáveis foram exterminados por Zeus, o rei dos deuses, como castigo pelas más ações de Prometeu, o titã rebelde que deu o fogo à humanidade. o mecanismo usado pela vingativa divindade para limpar a terra foi uma inundação que a tudo cobriu.
Na versão mais conhecida da história, Prometeu engravidou uma humana. Ela lhe deu um filho, chamado Deucalião, que governou a Pítia, na Tessália, e tomou como esposa Pirra, "a ruiva", filha de Epimeto e Pandora. Quando Zeus tomou a terrível decisão de destruir a raça de bronze, Deucalião, avisado por Prometeu, construiu uma caixa de madeira, encheu-a de "tudo que era necessário" e entrou nela com Pirra. O rei dos deuses despejou dos céus chuvas torrenciais, inundando a maior parte da terra. Toda a humanidade pereceu no dilúvio, exceto alguns que haviam fugido para as montanhas mais altas. “Aconteceu também nesse tempo que as montanhas da Tessália foram fendidas ao meio e toda a região, até o Istmo e o Peloponeso, tornou-se um único lençol de água.”
Deucalião e Pirra flutuaram nessa caixa durante nove dias e nove noites e chegaram finalmente ao monte Parnaso. Aí, quando cessaram as chuvas, desembarcaram e fizeram sacrifício aos deuses. Em resposta, Zeus enviou Hermes a Deucalião, com permissão para pedir tudo que quisesse. Ele quis seres humanos. Zeus ordenou-lhe que pegasse pedras no chão e que as jogasse por cima do ombro. As pedras jogadas transformaram-se em homens e, as jogadas por Pirra, em mulheres.
Da mesma forma que os hebreus se lembravam de Noé, os gregos dos tempos históricos lembravam-se de Deucalião - como ancestral da nação e fundador de numerosas cidades e templos.
Uma figura semelhante era reverenciada na Índia védica há mais de 3.000 anos. Certo dia (conta a história), quando um sábio chamado Manu estava fazendo suas abluções, encontrou, na concha da mão, um peixinho, que lhe implorou que o deixasse viver. Sentindo pena do peixinho, ele o colocou em um jarro. No dia seguinte, porém, o peixinho crescera tanto que ele teve que levá-lo para um lago. Logo depois, o lago ficou pequeno demais. "Jogue-me no mar", pediu o peixe [que era, na realidade, uma manifestação do deus Vishnu], "e eu me sentirei mais confortável." Em seguida, ele avisou Manu do dilúvio que estava por acontecer. Enviou-lhe um grande navio, com ordens para que o enchesse com duas criaturas vivas de todas as espécies e sementes de todas as plantas, e que, em seguida, subisse para bordo.
Manu mal havia acabado de cumprir as ordens quando o oceano subiu e submergiu tudo e nada podia ser visto, exceto Vishnu em sua forma de peixe - ¬nesse momento uma criatura enorme, de um único chifre e escamas douradas.
Manu amarrou o navio no chifre do peixe e Vishnu rebocou-o pelas águas altas até parar no cume da "Montanha do Norte": o peixe disse: "Eu te salvei, amarra o navio a uma árvore, porque a água pode varrê-lo para longe, enquanto estiveres na montanha e, na proporção em que as águas descerem, tu também descerás." Manu desceu com as águas. O Dilúvio havia destruído todas as criaturas e Manu permaneceu sozinho.
Com ele, e com os animais e plantas que ele salvara da destruição, começou uma nova era no mundo. Após um ano, das águas emergiu uma mulher, que se apresentou como "a filha de Manu". Os dois casaram e tiveram filhos, tornando-se, dessa maneira, os ancestrais da atual raça da humanidade.
Por último, mas não menos importante, as tradições egípcias referem-se também a uma grande inundação. Um texto funerário descoberto na tumba do Faraó Seti I, por exemplo, conta a destruição, por um dilúvio, da humanidade pecadora. As razões da catástrofe estão expostas no Capítulo CLXXV do Livro dos Mortos, que atribui o discurso seguinte ao Deus da Lua, Thoth:

Eles lutaram entre si, açularam conflitos, praticaram o mal, criaram hostilidade, cometeram massacres, causaram problemas e opressão... [Por conseguinte], vou apagar tudo que fiz. Esta terra entrará em um abismo aquoso por intermédio de uma inundação furiosa e ela se tornará vazia como no tempo primevo.
Na Pista de um Mistério

Com as palavras de Thoth fechamos o círculo, que inclui os dilúvios sumeriano e bíblico. "A terra estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência", diz o Gênesis:

Viu Deus a Terra e eis que estava corrompida, porque todo ser vivente havia corrompido seu caminho na terra. Então disse Deus a Noé: "Resolvi dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra”.

Tal como a inundação de Deucalião, a inundação de Manu, a inundação que destruiu o "Quarto Sol" dos astecas, o dilúvio bíblico foi o fim de uma era mundial. Uma nova era sucedeu-a: a nossa, povoada pelos descendentes de Noé. Desde o próprio início, porém, era entendido que esta era também acabaria no devido tempo, em um fim catastrófico. Ou como diz uma velha canção: "Deus deu a Noé o sinal do arco-íris; não mais água, será o fogo, na próxima vez.”
A fonte escritural dessa profecia de destruição do mundo é encontrada em 2 Pedro, versículo 3:

Tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: onde está a promessa de sua vida. Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água, pela palavra de Deus, pelas quais veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. Ora, os céus que agora existem, e a terra, pela mesma palavra têm sido entesourados para o fogo, estando reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios. Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.

A Bíblia, por conseguinte, imagina duas eras do mundo, sendo a nossa a segunda e a última. Em outros locais, em outras culturas, são registrados diferentes números de criações e destruições. Na China, por exemplo, as eras desaparecidas são denominadas kis, dez das quais teriam passado desde o começo dos tempos até Confúcio. Ao fim de cada ki, "em uma convulsão geral da natureza, o mar sai de seu leito, montanhas saltam da terra, rios mudam seus cursos, seres humanos e tudo mais são arruinados, e apagados os traços antigos..."
As escrituras budistas falam dos "Sete Sóis", todos eles levados ao fim por água, fogo, ou vento. Ao fim do Sétimo Sol, o atual "ciclo mundial", é esperado que a "terra irrompa em chamas". Tradições aborígines de Sarawak e Sabah lembram que o céu foi outrora "baixo" e nos dizem que "seis Sóis pereceram (...) No presente, o mundo é iluminado pelo sétimo Sol". Analogamente, os Livros Sibilinos falam em "nove Sóis que são nove eras" e profetizam duas eras ainda por vir - as do oitavo e do nono Sol".
No outro lado do oceano Atlântico, os índios hopi (que são parentes distantes dos astecas) mencionam três Sóis anteriores, todos culminando em uma grande aniquilação, seguida do reaparecimento gradual da humanidade. Na cosmologia asteca, claro, houve quatro Sóis antes do nosso. Essas pequenas diferenças sobre o número exato de destruições e criações mencionadas nesta ou naquela mitologia não devem nos fazer esquecer a convergência notável das tradições antigas. Em todo o mundo, essas tradições parecem rememorar uma série de catástrofes. Em muitos casos, o caráter de cada cataclismo sucessivo é obscurecido pelo uso de linguagem poética e o acúmulo de metáforas e símbolos. Com grande freqüência, além disso, pelo menos dois diferentes tipos de calamidade podem ser descritos como tendo ocorrido simultaneamente (com mais freqüência, inundações e terremotos, embora, às vezes, fogo e apavorante escuridão).
Tudo isso contribui para a criação de um quadro confuso e atabalhoado. Os mitos dos hopi, porém, destacam-se por sua franqueza e simplicidade. E o que eles nos dizem é o seguinte:

O primeiro mundo foi destruído, como castigo de más ações praticadas pelo homem, por um fogo consumidor, que veio de cima e de baixo. O segundo mundo terminou quando o globo terrestre inclinou-se para a frente a partir de seu eixo e tudo foi coberto pelo gelo. O terceiro mundo terminou em um dilúvio universal. O atual mundo é o quarto. Seu destino dependerá de seus habitantes se comportarem ou não de acordo com os planos do Criador.

Aqui, estamos na pista de um mistério. E muito embora não possamos jamais alimentar a esperança de sondar os planos do Criador, podemos chegar a uma conclusão sobre o enigma de mitos convergentes de destruição global.
Através desses mitos, os antigos nos falam diretamente. E o que é que estão tentando nos dizer?



fonte: As digitais dos deuses - Graham Hancok

Posted on quarta-feira, março 04, 2009 by Augusto Mota

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