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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pra vocês verem como o Brasil não muda, a música É fim de mês, continua atualíssima, confiram. Com direito a clipe moderninho e tudo :
É fim de mês, é fim de mês, é fim de mês, é fim de mês, é fim de
Mês!



Eu já paguei a conta do meu telefone,
Eu já paguei por eu falar e já paguei por eu ouvir.
Eu já paguei a luz, o gás, o apartamento
Kitnet de um quarto que eu comprei a prestação
Pela caixa federal, au, au, au,
Eu não sou cachorro não (não, não, não)!
Eu liquidei a prestação do paletó, do meu sapato, da camisa
Que eu comprei pra domingar com o meu amor
Lá no cristo redentor, ela gostou (oh!) e mergulhou (oh!)
E o fim de mês vem outra vez!

Eu já paguei o peg-pag, meu pecado,
Mais a conta do rosário que eu comprei pra mim rezar ave maria.
Eu também sou filho de deus
Se eu não rezar eu não vou pro céu,
Céu, céu, céu.
Já fui pantera, já fui hippie, beatnik,
Tinha o símbolo da paz pendurado no pescoço
Porque nego disse a mim que era o caminho da salvação.
Já fui católico, budista, protestante,
Tenho livros na estante, todos tem explicação.
Mas não achei! eu procurei!
Pra você ver que procurei,
Eu procurei fumar cigarro hollywood,
Que a televisão me diz que é o cigarro do sucesso.
Eu sou sucesso! eu sou sucesso!
No posto esso encho o tanque do meu carro
Bebo em troca meu cafezinho, cortesia da matriz.
"there's a tiger no chassis"...
Do fim do mês,
Do fim de mês,
Do fim de mês eu já sou freguês!
Eu já paguei o meu pecado na capela
Sob a luz de sete velas que eu comprei pro meu senhor
Do bonfim, olhai por mim!
Tô terminando a prestação do meu buraco, do
Meu lugar no cemitério pra não me preocupar
De não mais ter onde morrer.
Ainda bem que no mês que vem,
Posso morrer, já tenho o meu tumbão, o meu tumbão!

Eu consultei e acreditei no velho papo do tal psiquiatra
Que te ensina como é você vive alegremente,
Acomodado e conformado de pagar tudo calado,
Sem bancar o empregado sem jamais se aborrecer...
(Ele só que, só pensa em analisar, na profissão seu dever é adaptar, ele só que só pensa em adaptar, na profissão seu dever é adaptar)
Eu já paguei a prestação da geladeira,
Do açougue fedorento que me vende carne podre
Que eu tenho que comer,
Que engolir sem vomitar,
Quando às vezes desconfio
Se é gato, jegue ou mula
Aquele talho de acém que eu comprei pra minha patroa
Pra ela não me apoquentar,

E o fim de mês vem outra vez...

Posted on quinta-feira, janeiro 29, 2009 by Augusto Mota

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

http://farm2.static.flickr.com/1144/531990428_fffc3f1ce7_o.jpgCada dia que eu passo estudando o Cristianismo, mais me surpreendo. Não sou cético, pelo contrário sempre fui uma pessoa religiosa, mas não religioso no sentido carola da palavra, mas sim uma pessoa sempre em busca da verdade. Busque a verdade e ela o libertará, talvez sejam as palavras mais sabias que eu tenha lido. Então vamos a uma série de estudos que estarei compartilhando com os leitores do Hippies & Beatniks:



Comparando Osíris, Hórus e Jesus

Traduzido Livremente de: http://www.tektonics.org/copycat/osy.html


Andando Como um Egípcio

James Patrick Holding


De todos os candidatos à cópias pagãs, estes sãos os dois últimos – com exceção de Buda – que parecem representar maior ameaça. Afinal de contas o Egito não está longe da Palestina, e os judeus moraram no Egito; logo, não é teoricamente improvável que eles pudessem roubar uma idéia para inventar um Jesus a partir deste lugar. Mas será que eles fizeram isso? Este campo está cheio de alegações, mas como sempre há muitos exageros envolvendo a questão. Existe uma grande quantidade de termos Cristãos utilizados indevidamente para descrever eventos egípcios (nem todos são usados com más intenções) e uma grande quantidade de fontes não citadas que possam comprovar alegações absurdas. Sendo este o caso, novamente anunciamos aqui que, por um tempo, este será nosso último artigo sobre cópias de deuses pagãos até que alguém no grupo de Acharya, S / Freke e Gandy dê um passo à frente e forneça uma melhor documentação sobre os boatos dos séculos 18 e 19.

http://cdshaw11.files.wordpress.com/2008/04/part-11.jpg

Vejamos então algumas destas assertivas. Por questão de conveniência vou unir as alegações sobre Hórus e Osíris. Estas são as declarações contidas no livro The Christ Conspiracy de autoria de Archarya S. [pgs 114-116]; curiosamente Freke e Gandy não acrescentam nada de novo, na verdade apenas complementam algumas destas.


Osíris

  • Possuia mais de 200 nomes divinos, incluindo Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Deus dos Deuses, a Ressurreição e a Vida, Bom Pastor, Pai da Eternidade, o deus que "fez homens e mulheres nascerem de novo."
  • Sua chegada ao mundo foi anunciada por três Reis Magos: as três estrelas Mintaka, Anilam, e Alnitak no cinturão de Órion, que apontam diretamente para a estrela de Osíris ao leste, Sírius, indicando seu nascimento.
  • Ele foi uma hóstia simbólica. Seu corpo foi comido numa cerimonia religiosa sob a forma de bolos de trigo, a "planta da Verdade '.
  • Salmos 23 é uma cópia de um texto egípcio apelando para Osíris o Bom Pastor que conduz o cansado rumo aos "pastos verdejantes" e às "águas tranquilas' das terras de nefer-nefer, a fim de restabelecer a alma e o corpo e, para dar proteção no vale da sombra da morte...
  • A oração do Pai Nosso foi prefigurada por um hino egípcio à Osiris do início ao fim, “Ó Amém, ó Amém, que estais no céu.” Amém era também citado no final de cada oração.
  • Os ensinamentos de Jesus e Osíris são maravilhosamente semelhantes. Muitas passagens são idênticamente as mesmas, palavra por palavra.
  • Tal como o Senhor da vinha, um grande mestre viajante que civilizou o mundo. Soberano e juiz dos mortos.
  • Em sua paixão, Osíris foi alvo de uma conspiração e mais tarde assassinado por Set e "os 72."
  • A ressureição de Osíris serviu para dar esperança à todos que também desejam a vida eterna.


Hórus

  • Nascido da virgem Ísis-Meri em 25 de dezembro numa caverna/manjedoura, com seu nascimento tendo sido anunciado por uma estrela no Oriente e, visitado por três Reis Magos.
  • Seu pai terreno chamava-se "Seb" ("José").
  • Ele era descendente de uma linhagem real.
  • Aos 12 anos de idade foi uma criança que ensinou no templo e, aos 30 foi batizado, após ter desaparecido por 18 anos.
  • Foi batizado no rio Eridanus ou Iaurutana (Jordâo) por "Anup o Batizador" (João Batista), que foi decapitado.
  • Ele teve 12 discípulos, dois dos quais foram suas "testemunhas" e eram chamados "Anup" e "AAn" (os dois "Joãos").
  • Ele realizou milagres, expulsou demônios e ressucitou El-Azarus ( "El-Osíris") dos mortos.
  • Hórus andou sobre as águas.
  • Seu cognome pessoal era "Iusa" o "Filho eterno desejado" de "Ptah", o "Pai". Ele era chamado de "Divino Filho".
  • Ele pregou um "Sermão da Montanha", e seus seguidores recitaram as "parábolas de Iusa."
  • Hórus foi transfigurado no monte.
  • Ele foi crucificado entre dois ladrões, sepultado por três dias em um túmulo e, em seguida ressuscitado.
  • Títulos: O Caminho; a Verdade; a Luz; Messias; Ungido Filho de Deus; Filho do homem; Bom Pastor; Cordeiro de Deus; Verbo feito carne; Palavra da Verdade.
  • Ele foi "o Pescador" e era associado com o Peixe ( "Ichthus"), o Cordeiro e o Leão.
  • Ele veio para cumprir a lei.
  • Era chamado de "o KRST" ou "Ungido".
  • Ele deveria reinar por mil anos.


Essa é uma lista e tanto, mas vamos simplificá-la para começar: Uma boa quantidade dessas alegações – no mínimo a metade – pelo que tenho visto até agora são falsificações. Não há sequer um fragmento de evidência para muitas dessas reivindicações em qualquer livro de religião egípcia que tenho consultado até agora. Portanto, como Clara Peller costumava dizer, Cadê o bife? Onde está a literatura original egípcia que apoia estas alegações? caros defensores dos mitos: não desejamos ouvir de Gerald Massey ou Godfrey Higgins; “queremos as citações originais dos registros egípcios.” Se eu mesmo não recebi isso de nenhum de vocês durante um ano (e eu sei que eles checaram este site, porque eu ouvi deles), vou fazer então de conta que não é possível obter resposta alguma e voltar a mais projetos de cópias. Em alguns casos abaixo, iremos recorrer ao artigo de Glenn Miller sobre cópias pagãs onde ele fez algumas investigações prévias.


Por conveniência começo reproduzindo um "pequeno esboço da vida de Hórus" "contido na Enciclopédia das Religiões sugerida por Miller, na qual também são estabelecidas as bases para Osíris:


"No antigo Egito, haviam vários deuses inicialmente conhecidos pelo nome de Hórus, porém o mais conhecido e mais importante desde o início do período histórico foi o filho de Osíris e Ísis, que era associado com o rei do Egito. De acordo com a lenda, Osíris , que assumiu o domínio da terra logo após sua criação, foi morto por seu irmão ciumento, Seth. A irmã-esposa de Osíris, Ísis, que recolheu os pedaços de seu marido mutilado e o ressucitou, também concebeu seu filho e vigador, Hórus. Hórus lutou com Seth, e, apesar da perda de um olho na batalha, teve sucesso ao conseguir vingar a morte de seu pai tornando-se seu legítimo sucessor. Osíris então tornou-se rei dos mortos e Hórus o rei dos vivos, esta troca era renovada a cada mudança de governo terreno. O mito da realeza divina provavelmente elevou a posição dos deuses tanto quanto elevou a do rei. Na quarta dinastia, o rei, o deus vivo, provavelmente também era um dos maiores deuses, mas por volta da quinta dinastia a supremacia do culto à Rá, o deus sol, era aceito até mesmo pelos reis. O rei Hórus era agora também "filho de Rá." Isto só se tornou possível mitologicamente, ao personificação toda a genealogia antiga de Hórus (o ennead – grupo de nove deuses egípcios - Heliopolitano) como se fosse a deusa Hathor, "casa de Hórus", que também era esposa de Rá e mãe de Hórus.


"Hórus era frequentemente representado como um falcão, e uma pintura dele o mostra como um grande deus do firmamento cujas asas estendidas enchem os céus; seu olho saudável era o sol e seu olho ferido a lua. Outra pintura dele, particularmente popular no Último Período, era a de uma criança humana mamando no peito de sua mãe, Ísis. Os dois principais centros de adoração ao culto de Hórus localizavam-se em Bekhdet no norte, onde hoje muito pouco ainda resta , e em Idfu no sul, no qual existe um grande e bem preservado templo datado do período ptolomaico. Os mais antigos mitos envolvendo a história de Hórus, bem como os rituais lá realizados, estão registrados em Idfu."


Osíris

  • Possuia mais de 200 nomes divinos, incluindo Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Deus dos Deuses, a Ressurreição e a Vida, Bom Pastor, Pai da Eternidade, o deus que "fez homens e mulheres nascerem de novo." Os títulos que tenho encontrado atribuídos à Osíris são [Fraz.AAO] Senhor de tudo, o Bom Ser (o título mais comum), Senhor do Mundo dos Mortos, Senhor/Rei da Eternidade, Soberano dos Mortos, [Griff.OO] Senhor do Ocidente, O Majestoso, [Bud.ERR, 26] ", aquele que se assenta", o Progenitor, o Carneiro, [Bud.ERR, 79] "grande Palavra" (como em, "a palavra do que virá a ser e que não é " - um reflexo da antiga noção do poder criativo da expressão de uma palavra, encontrada também no grego Logos),"Líder dos Espíritos "; [Short.EG, 37] regente da eternidade, [Meek.DL , 31] "deus vivo", "Deus acima dos deuses". Todos estes ou são títulos gerais que seriam de se esperar que fossem atribuídos a qualquer divindade em posição de liderança, ou no mínimo estão relacionados ao domínio dos deuses sobre o mundo dos mortos. Nenhum dos títulos citados se aproxima ou especificamente assemelhasse com os que foram atribuídos a Jesus.

  • Sua chegada ao mundo foi anunciada por três Reis Magos: as três estrelas Mintaka, Anilam, e Alnitak no cinturão de Órion, que apontam diretamente para a estrela de Osíris ao ocidente, Sírius, indicando seu nascimento. Freke e Gandy somente repetem a última parte sobre a estrela. Porém, embora alguns estudiosos relacionem Osíris com Órion, eles por sua vez, nada sabem sobre reis magos ou uma estrela no ocidente.

  • Ele foi uma hóstia simbólica. Seu corpo foi comido numa cerimonia religiosa sob a forma de bolos de trigo, a "planta da Verdade ''. Isso não é algo que alguém na literatura acadêmica tenha relatado.

  • Salmos 23 é uma cópia de um texto egípcio apelando para Osíris, o Bom Pastor, que conduz o cansado rumo aos "pastos verdejantes" e às "águas tranquilas' das terras de nefer-nefer, a fim de restabelecer a alma e o corpo e, para dar proteção no vale da sombra da morte... Se isto é verdade, nenhum comentarista na religião egípcia ou do Antigo Testamento sabe disso. Provavelmente Osíris fosse conhecido como um pastor e, de fato tal imagem era popular no ANE, mas ainda não vi esse termo sendo aplicado a ele por ninguém, a não ser pelos defensores dos mitos.

  • A oração do Pai Nosso foi prefigurada por um hino egípcio à Osiris do início ao fim, “Ó Amém, ó Amém, que estais no céu.” Amém também era citado no final de cada oração. Neste caso, nós e os especialistas em religião egípcia, queremos saber onde esta oração está registrada. O hebraico "Amém" nunca é usado como uma saudação e quer dizer "que assim seja", o que significa que não é algo "invocado" como é uma divindade. Além disso, vemos aqui uma ligação etimológica baseada nas línguas originais e, não na compatibilidade das letras em Inglês.

  • Os ensinamentos de Jesus e Osíris são maravilhosamente semelhantes. Muitas passagens são idênticamente as mesmas, palavra por palavra. Se é assim, alguém, com exceção da fonte de Archarya, James Churchward, precisa colocá-las lado a lado, e provar isso. Os estudiosos religiosos egípcios não parecem estar cientes dessas palavras.

  • Tal como o Senhor da vinha, foi um grande mestre viajante que civilizou o mundo. Soberano e juiz dos mortos. Isso é um tanto não específico. Frazer relatou [Fraz.AAO, vii, 7] que Osíris ensinava o cultivo de uvas e agricultura, estabeleceu as leis Egípcias, ensinou-lhes como prestar culto e, viajou pelo mundo ensinando essas coisas. Mas esta também é a alegação feita sobre Dionísio, e temos respondido esta questão dentro deste artigo. Não que isso tenha importância, já que parece que somente Frazer e mais tarde Freke e Gandy conceberam a idéia de que as duas divindades estão ligadas. Literaturas escritas por estudiosos da religião egípcia não os consideram as mesmas figuras, embora alguns correlacionem Osíris e Órion e, Budge tenha observado as viagens, mas não veja qualquer relação entre Osiris e Dionísio [Bud.ERR, 9]. Em todo caso, em nenhum lugar Osíris é chamado de "Senhor da vinha". Ele é o governante e juiz dos mortos, mas isso não descreve Jesus, que simboliza um Deus que não é Deus dos mortos, "mas dos vivos." No máximo Osíris representa o que pode se esperar de qualquer divindade suprema: domínio e julgamento.

  • Em sua paixão, Osíris foi alvo de uma conspiração e mais tarde assassinado por Set e "os 72". Esta é uma combinação de falsificação terminológica, meia-verdade, e irrelevância. Não houve uma "paixão" - no referido incidente, de fato houve um complô executado por Set contra Osíris. Houve uma grande festa, em que um caixão foi trazido por Set, ele então incentivou a todos, incluindo os 72 participantes do complô e uma rainha da Etiópia, a deitarem-se nele para verificar as medidas. Finalmente chegou a vez de Osíris, ele foi convencido a deitar no caixão. No momento em que Osíris entrou, Set fechou e pregou o caixão e, o lançou no rio; Osíris morreu sufocado. Observe que os 72 aqui são inimigos de Osíris e não seus discípulos: apenas este número - um múltiplo de 12, um número que ainda valorizamos hoje quando compramos ovos e rosquinhas - é um ponto em comum (e isso somente em algumas passagens de Lucas 10; outros colocam o número em 70, talvez por representar o número de nações Gentias, de acordo com os judeus). Eles não fazem nada que possa ser considerado como o que os discípulos de Jesus fizeram. Conforme consta na narrativa, Ísis, a esposa de Osíris passou a procurar o caixão. Ela o encontra na Síria, onde ele havia sido incorporado à coluna de uma casa. Ela pranteou tão alto que algumas crianças na casa morreram do susto. Mais tarde, ela o levou para fora, abriu a tampa, então ficou procurando por Hórus. Nesse meio tempo Set encontrou o caixão e dilacerou o corpo de Hórus em 14 pedaços, espalhando-os por todos os lugares. Como resultado, Ísis passou a buscar os pedaços e os enterrava a medida que achava um a um. Uma história alternativa mostra Ísis, Anúbis, e Rá unindo novamente as partes do corpo, envonvendo-o com faixas, e revivendo seu corpo – para o propósito relacionado abaixo.

  • A ressureição de Osíris serviu para dar esperança à todos que também desejam a vida eterna. Aqui encontramos alguns dos maiores usos indevidos da terminologia, incluídos por alguns estudiosos da religião egípcia (os quais não apoiam uma relação com a teoria da cópia pagã!). Osíris ressuscitado? Não se a "ressurreição" for definida como o retorno em um corpo glorificado. Sobre este assunto Miller fez um trabalho fenomenal ao citar as palavras de J. Z. Smith, sendo assim, vou deixá-los que expliquem melhor:

"Osíris foi morto e seu corpo mutilado e espalhado. Os pedaços do corpo foram recuperados e unidos novamente, e a divindade foi rejuvenescida. Entretanto, ele não voltou ao seu antigo modo de vida, ao invés disso viajou pelo mundo subterrâneo, onde se tornou o poderoso senhor dos mortos. De modo algum pode ser dito que Osíris "ressuscitou" no sentido exigido por um padrão de morte e ressurreição (como descrito por Frazer e outros autores.); é quase certo que sua morte nunca foi considerada como um evento anual."



"De maneira alguma o dramático mito de sua morte e reanimação pode ser conciliado com o modelo dos deuses mortos e ressucitados (como descrito por Frazer e outros)."

"A fórmula repetida 'Levante-se, você não morreu", quer seja aplicada à Osíris ou à um cidadão do Egito, sinalizava uma vida nova e permanente no reino dos mortos."



O autor Frankfort concorda:


"Na verdade, de modo algum Osíris foi um deus 'agonizante', e sim um deus 'morto'. Ele nunca retornou entre os vivos; ele não foi libertado do mundo dos mortos, como foi Tammuz. Pelo contrário, no geral Osíris pertencia ao mundo dos mortos, era a partir de lá que ele concedia suas bênçãos sobre o Egito. Ele sempre foi retratado como uma múmia, um rei morto". [Kingship and the gods: a study of ancient Near Eastern religion as the integration of society & nature. UChicago:1978 edition, p.289]

Talvez a única divindade pagã, para a qual existe uma ressurreição é o egípcio Osíris. Um exame mais atento desta história mostra que ela é muito diferente da ressurreição de Cristo. Osíris não ressucitou dentre os mortos, ele governava na morada dos mortos. Como escreveu o estudioso bíblico, Roland de Vaux: "O que se entende por Osíris sendo trazido de volta a vida?" Simplesmente que, graças à ajuda de Ísis, ele é capaz de viver uma vida além do túmulo, o qual é uma réplica quase perfeita da existência terrena. Porém ele nunca voltará novamente entre os vivos e somente irá reinar sobre os mortos.… Este deus ressucitado é na realidade um deus "múmia"... Não, o Osíris mumificado dificilmente serviu de inspiração para o Cristo ressuscitado... Conforme observa Yamauchi, "Os homens comuns aspiravam a identificação com Osíris como aquele que triunfou sobre a morte." Mas é um erro comparar a visão egípcia da vida após a morte com a doutrina bíblica da ressurreição. Para alcançar a imortalidade o egípcio tinha que satisfazer três condições: Primeiro, seu corpo tinha de ser preservado por meio da mumificação. Segundo, a alimentação era fornecida pela própria oferta de pão e cerveja. Terceiro, feitiços mágicos eram sepultados com ele. Seu corpo não ressurgia dos mortos; ao invés disso elementos de sua personalidade - seu Ba e Ka - continuavam a pairar sobre seu corpo. [["The Resurrection of Jesus Christ: Myth, Hoax, or History?" David J. MacLeod, in The Emmaus Journal, V7 #2, Winter 98, p169


Frazer [Fraz.AAO, viii] escreveu que cada homem morto recebia o nome de Osíris por cima do próprio nome, a fim de ser identificado com a divindade.


Portanto, sob nenhum aspecto a "ressurreição" de Osíris representa uma ressurreição de fato – e na prática, era uma espécie de resultado da forma como os deuses egípcios eram, digamos, metade Frankenstein, metade brinquedos de montagem. Existem de fato muitas histórias de deuses egípcios espalhando várias partes do corpo ao redor, para não prejudicar o conjunto, pois "pensava-se que corpos divinos eram imúnes às substituições" [Meek.DL, 57] neste caso, o corpo morto de Osíris não apodreceu e nem se decompôs como se esperava para que fosse montado novamente em conjunto. Foi assim com todos estes deuses egípcios: Seth e Hórus têm uma luta em que atiram excrementos um no outro, em seguida cada um rouba os órgãos genitais do outro [Bud.ERR, 64]. O olho de Hórus é roubado por Set, porém Hórus o toma de volta e o entrega à Osíris, que o devora [ibid., 88]. Hórus teve uma dor de cabeça, e outra divindade se ofereceu para emprestar a própria cabeça para ele até que sua aflição desapareçesse [Meek.DL, 57]. Osíris pagou um preço por ter morrido mutilado, já que ele foi limitado ao mundo dos mortos [e de forma notória alienado como consequência do que se passou "acima da superfície" - Meek.DL, 88-9], mas isto somente porque ele na realidade havia morrido uma vez antes, quando seu pai o matou acidentalmente [ibid., 80].


Hórus

Agora chegamos ao assunto Hórus. Muitos têm algum comentário de Miller, portanto vamos citá-los e fazer acréscimos conforme a necessidade.


· Nascido da virgem Ísis-Meri em 25 de dezembro numa caverna/manjedoura com seu nascimento sendo anunciado por uma estrela no Oriente e visitado por três Reis Magos. A literatura confirma aquilo que Miller sugere, e eu também vi a imagem a que ele se refere abaixo. Não encontrei nenhuma referência à uma caverna/manjedoura - Frazer [Fraz.AAO, 8], afirma que Hórus nasceu num pântano, e não sabe nada acerca de uma estrela ou sobre o número de Reis Magos.



...Hórus certamente NÃO nasceu de uma virgem. Na verdade, um antigo relevo egípcio retrata essa concepção, ao mostrar sua mãe Ísis na forma de um falcão, pairando sobre o pênis ereto de um Osíris prostrado e morto no Mundo dos mortos (EOR, sv.. "Phallus"). E a questão do 25 de Dezembro não é importante para nós – em lugar nenhum do Novo Testamento esta data é associada ao nascimento de Jesus.



Na realidade, a descrição da concepção de Hórus irá mostrar exatamente os elementos sexuais que caracterizam "nascimentos milagrosos" pagãos, como observado anteriormente por estudiosos:


"Mas depois dela [isto é, Ísis] tê-lo trazido [isto é, o corpo de Osíris] de volta ao Egito, Seth conseguiu se apossar do corpo de Osíris novamente e o despedaçou em catorze partes, as quais ele espalhou por toda a terra do Egito. Ísis então saiu uma segunda vez em busca do corpo de Osíris e enterrou cada parte no lugar em que ela encontrava (por isso o grande número de túmulos de Osíris existentes no Egito). A única parte que ela não encontrou foi o pênis do deus, pois Seth o havia jogado no rio, onde o membro foi comido por um peixe; Ísis, então moldou um pênis artificial para colocar no lugar do que havia sido cortado. Ela também teve relações sexuais com Osíris após a morte dele, o que resultou na concepção e nascimento de seu filho póstumo, Harpocrates, Hórus o Filho. Osíris tornou-se rei do mundo dos mortos e, Hórus começou a lutar com Seth..." [CANE: 2:1702; grifo meu] [A PROPÓSITO, a palavra hebraica 'Satanás' de qualquer maneira não é um 'cognato' do nome "seth": "A raiz *STN não aparece em nenhum jargão de cognatos em textos que sejam anteriores ou contemporâneos às suas ocorrências na Bíblia hebraica "DDD, sv 1369f]


A única referência que tenho encontrado sobre o nascimento de Hórus é que ele nasceu no dia 31 do mês de Khoiak Egípcio - os estudiosos e defensores dos mitos pagãos têm uma chance em 365 de que isto combine com 25 de dezembro! Archarya acrescenta, usando Massey como uma provável fonte, a alegação de que nas paredes do Templo em Luxor existe uma cena mostrando a "Anunciação, Imaculada Conceição, Nascimento e Adoração de Hórus, com Thoth anunciando à Virgem Ísis que ela irá dar à luz; com Kenph, o "Espírito Santo", engravidando a virgem ", concluindo com a visita dos três Reis Magos. Por alguma razão nem Archarya nem Massey fornecem um nome ou número para este relevo, ou um local mais específico do que o Templo em Luxor, que é um lugar bastante grande e inacessível para a maioria dos leitores dela. Quando pressionada em seu website por um leitor que investigava o assunto, Archarya fez um jogo de palavras - "Isis é a constelação de Virgo a Virgem, assim como a Lua, que se torna uma "virgem" durante o período de Lua Nova. O deus sol - neste caso, Hórus - é nascido desta deusa virgem". - E devemos concluir, segundo ela, que isso alude à um documento do 6º século dC! Em momento algum apresenta-se uma confirmação para a ligação Ísis-Virgem; seria o mesmo que dizer "Ísis é Gomer, a prostituta". Se tal relevo existe de fato, é apenas aquilo que Archarya pensa ser através da interpretação de Massey. (Recentemente um escritor enviou esta descrição de um site egípcio de viagens:

"Acreditava-se que a Realeza fora decretada pelos deuses no início dos tempos de acordo com ma'at, o reinado bem organizado de verdade, justiça, e ordem cósmica. O rei soberano era também o filho físico do deus sol criador. Esta concepção divina e nascimento foi registrada nas paredes do Templo em Luxor, em Deir el-Bahri, e em outros templos reais por todo o Egito. O rei era também uma encarnação do Dinástico deus Hórus, e quando morto, foi identificado com Osíris, o pai de Hórus. Este rei vivo era portanto uma única entidade, a encarnação viva da divindade, escolhido divinamente como um mediador, que poderia atuar como um sacerdote em favor de toda a nação, recitando orações, oferecendo sacrifícios... Um átrio cercado por colunas do rei Akenatom III está unido ao interior de uma sala imponente com teto plano apoiada sobre várias fileiras de colunas, o qual é o primeiro aposento interno originalmente coberto e fazia parte do templo. Isto conduz à uma sucessão de antecâmaras com salas auxiliares. O quarto do nascimento a leste da segunda antecâmara é decorado com relevos que retratam o nascimento simbólico divino de Akenatom III, resultante da união de sua mãe Mutemwiya e o deus Amun. O santuário inclui um edifício à parte adicionado por Alexandre o Grande dentro da câmara maior criada por Akenatom III. Relevos bem preservados mostram o santuário transportável de Amun e outras cenas do rei, na presença dos deuses. O santuário de Akenatom III é o último aposento sobre o eixo central do templo."

Este relato é significativamente desprovido de uma concepção ou nascimento virginal, de Reis Magos, ou de um Espírito Santo. Você pode até insistir numa adoração que não existe aqui, mas seja como for, quem é que não adora um recém-nascido? Agora, dê uma olhada no trunfo fornecido por um cético irritado com a tese de Archarya; aqui.)


  • Seu pai terreno chamava-se "Seb" ("José"). Na verdade Seb era o deus-terra e não o “pai terreno", mas ao invés da própria terra (como Nut que simbolizava o céu), ele era o pai de Osíris, não de Hórus ", embora um de meus prestativos pesquisadores tenha me dito que existe uma versão na qual Hórus era o filho de Seb. Cuidado, não caia no truque da etimologia: você não pode concluir que "Seb" é "José" apenas colocando os nomes lado a lado.
  • Ele era descendente de uma linhagem real. Obviamente verdade, e Hórus era freqüentemente identificado com a vida de Faraó, mas isto é tão banal quanto sem importância.
  • Aos 12 anos de idade foi uma criança que ensinou no templo, e aos 30 foi batizado, após ter desaparecido por 18 anos.
  • Foi batizado no rio Eridanus ou Iaurutana (Jordão) por "Anup o Batizador" (João Batista), que foi decapitado.
  • Ele teve 12 discípulos, dois dos quais foram suas "testemunhas" e eram chamados "Anup" e "AAn" (os dois "Joãos"). Eruditos da religião egípcia não conheçem nenhum desses. Quanto à esta última alegação Miller observa:

...Minha pesquisa na literatura acadêmica não revela esta informação. Encontrei referências à QUATRO "discípulos" – de diversas maneiras chamados de os semi-divinos HERU-SHEMSU ("Seguidores de Hórus") [GOE: 1,491]. Encontrei referências à DEZESSEIS seguidores humanos (GOE: 1,196). E encontrei referências à um grupo INCONTÁVEL de seguidores chamados mesniu / mesnitu ("ferreiros") que acompanhavam Hórus em algumas de suas batalhas [GOE: 1.475f; embora estes possam ser identificados com os HERU-SHEMSU no texto GOE: 1,84]. Mas não consigo encontrar DOZE DISCÍPULOS em qualquer lugar... Hórus NÃO é o deus-sol (este é Rá), portanto não podemos recorrer a afirmação de que "todos os deuses solares têm doze discípulos - no Zodíaco" como é de costume.]


  • Ele realizou milagres, expulsou demônios e ressucitou El-Azarus ( "El-Osíris") dos mortos. Miller observa:

Hstórias de milagres são abundantes, mesmo entre grupos religiosos que eventualmente não poderiam ter exercido influência mútua, tais como grupos latino-americanos (por exemplo os Astecas) e os Romanos, portanto esta "semelhança" não implica nenhum significado. Não encontro em LUGAR ALGUM da literatura acadêmica referências a esta ressurreição específica. Tenho examinado todas as formas do nome El-Azarus sem êxito. O fato de que algo tão notável nem sequer é mencionado nas modernas obras de Egiptologia indica seu status questionável. Simplesmente é algo que não pode ser apresentado como prova sem que exista ALGUMA fundamentação autêntica. O mais próximo disso que pude encontrar, está no papel que Hórus desempenha em seu funeral oficial, no qual ele "apresenta" um recém-morto à Osíris e à seu reino dos mortos. No Livro dos Mortos, por exemplo, Hórus apresenta para Osíris o recém-morto Ani e, pede que Osíris o receba e tome conta dele (GOE: 1,490).



  • Hórus andou sobre as águas. Não que eu tenha encontrado, na verdade ele foi jogado na água (veja abaixo).
  • Seu cognome pessoal era "Iusa" o "Filho eterno desejado" de "Ptah", o "Pai". Ele era chamado de "Divino Filho". Miller diz:

Este fato também escapou à minha investigação. Examinei provavelmente 50 títulos das diversas divindades de Hórus, e a maioria dos principais índices de referências Egípcias padrão praticamente não contêm nada a respeito destas alegações. Encontrei uma cidade chamada "Iusaas" [GOE: 1,85], uma divindade árabe pré-islâmica também de nome "Iusaas", cogitada por alguns como sendo igual ao deus egípcio Tehuti / Thoth [GOE: 2,289], e uma equivalente fêminina denominada "Iusaaset" [GOE: 1,354]. Mas nenhuma referência à Hórus como sendo "Iusa"... ]


  • Ele pregou um "Sermão da Montanha", e seus seguidores recitaram as "parábolas de Iusa."
  • Hórus foi transfigurado no monte.
  • Ele foi crucificado entre dois ladrões, sepultado por três dias em um túmulo e, em seguida ressuscitado. Nenhuma destas três afirmações sequer pode ser encontrada. Sobre a última Miller escreve:

Não consigo SEQUER encontrar referências à Hórus morrendo, até que mais tarde ele se torna "um" com Rá o deus Sol, após isso ele 'morre' e 'renasce' todos os dias a medida que o sol nasce. E mesmo nesta "morte", não há em lugar algum nenhuma referência à um túmulo...


Encontrei na obra de Budge uma hipótese de que Hórus havia morrido e seus pedaços lançados nas águas, e que seus membros foram pescados por Sebek, o deus crocodilo, a pedido de Ísis. Porém, na melhor das hipóteses, isso é uma espécie de batismo engraçado (veja acima). Outra fonte regista uma história onde Hórus é picado por uma serpente e revivido, o que ainda assim não é bem uma semelhança.


  • Títulos: O Caminho, a Verdade, a Luz; Messias; Ungido Filho de Deus, Filho do homem; Bom Pastor; Cordeiro de Deus; Verbo feito carne; Palavra da Verdade. Encontrei estes títulos: [Bud.ERR, 78] Grande Deus, Senhor dos Poderes, Mestre do Céu, Vingador de Seu Pai (considerando-se que ele derrotou Set, o qual havia "assassinado" Osíris). É provável que ele fosse chamado apropriadamente de "Filho do Homem", como o filho da realeza (veja aqui), mas não tenho encontrado nenhuma evidência que confirme isso.

  • Ele foi "o Pescador" e era associado com o Peixe ( "Ichthus"), o Cordeiro e o Leão.
  • Ele veio para cumprir a lei.
  • Era chamado de "o KRST" ou "Ungido".
  • Ele deveria reinar por mil anos. Não tenho achado nenhuma evidência para qualquer uma dessas quatro últimas alegações.

Conclusão: Até agora este artigo parece estar cheio de impostores, e está na hora daqueles que defendem os mitos pagãos apoiarem-se mais do que em obras ameaçadoras de terceiros como as Barbara Walkers e os Gerald Masseys da vida. Portanto, eu os desafio agora a apresentar seus deuses – quer dizer, suas armas. Algum desafiante? (Alguns destes também aparecem no site de Tom Harpur - leia mais sobre o assunto aqui.)


Se quiser saber mais: Veja Mark McFall assumir a identidade do "Cético X" (o ceticismo da própria Acharya S) sobre o tema da "ressurreição" de Osíris aqui, aqui e aqui.

Posted on segunda-feira, janeiro 26, 2009 by Augusto Mota

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

http://www.photoshoptalent.com/images/contests/peace/fullsize/peace_46fcd9566ec1d.jpg


Não-Violência refere-se a uma série de conceitos sobre moralidade, poder e conflitos que rejeitam completamente o uso da violência nos esforços para a conquisa de objetivos sociais e políticos. Geralmente usado como sinônimo para pacifismo, a partir do meio do século XX o termo não-violência passou a ser aplicado também para designar conflitos sociais que não utilizavam o uso de violência, assim como movimentos políticos e filosóficos que também utilizam os mesmos conceitos.


O termo não-violência é comumente associado à luta pela independência da Índia, que foi liderada por Mahatma Gandhi, e à luta pelos direitos civis dos estadunidenses de origem africana, liderada por Martin Luther King. O movimento realizado na Índia foi fortemente influênciado pelas idéias de não-violência do anarquismo cristão de Leon Tolstoy. Nos dias atuais é fortemente influenciada pelo Humanismo de SILO

Um Decênio da ONU

Em 10 de Novembro de 1998, a Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou a primeira década do século XXI (de 2001 a 2010) como a Decênio internacional da promoção de uma cultura da não-violência e da paz em prol das crianças do mundo (International Decade for the Promotion of a Culture of Peace and Non-Violence for the Children of the World).

Por que Não-violência?

A maioria dos adeptos da não-violência escolheram esta opção por aspectos religiosos, éticos, ou ainda estratégicos. Nos dois primeiros casos, ela é utilizada como um princípio de integridade e respeito à condição humana. No último caso, trata-se tão somente de uma questão circunstancial, em que se faz útil essa prática. No entanto, em um mesmo movimento de não-violência podemos encontrar estes três aspectos co-existindo.http://farm3.static.flickr.com/2035/2462380423_dbd7b7916f.jpg

No mundo atual, a não-violência vem sendo amplamente utilizada em movimentos pelo trabalho, pela paz, pelo meio ambiente e pelos direitos das mulheres. No entanto, uma outra maneira de utilizar a tática de não-violência é com o intuito de direcionar a opinião pública (principalmente a internacional) contra regimes políticos extremamente repressivos, expondo ao mundo os excessos cometidos contra manifestações de cunho pacífico. Teoricamente, isto faria com que a comunidade internacional passasse a pressionar os dirigentes destes regimes opressivos.http://www.catsplaza.com/files/imagecache/medium/files/pictures/best-friends_4336_funny.jpg

O estudioso da não-violência Gene Sharp, em seu livro "The Politics of Nonviolent Action", sugere que a completa ausência de estudos sobre o tema no meio acadêmico de história, pode ser o reflexo de que as técnicas que visam conquistas sociais não são do interesse da elite. Estes acreditam muito mais nos armamentos e no poder do dinheiro do que na capacidade de mobilização organizada de uma comunidade.

Enquanto que o pensador Mario Rodrigues Luis Cobos passou toda sua vida organizando um Movimento Humanista que realmente pudesse aplicar os princípios da Não-violência Ativa para solucionar conflitos sociais da atualidade.

Como funciona a Não-violência?

O uso da não-violência numa luta social é algo radicalmente diferente das idéias convencionais sobre conflitos, mesmo assim, pertencem à não-violência uma série de conhecimentos que fazem parte do senso-comum de uma sociedade, tais como:

  • O poder daqueles que dirigem uma nação depende da aderência e consentimento dos cidadãos comuns. Sem uma burocracia, um exército ou uma força policial para pôr em prática os objetivos estipulados pela classe dominante, as leis perdem força quando não encontram respaldo no cidadão comum. A não-violência nos ensina que o poder depende da cooperação de outros tantos, assim, a não-violência faz desmoronar o poder dos dirigentes quando consegue extinguir grande parte desta cooperação.
  • Um outro conceito que faz parte do senso-comum é o de que somente através de um meio justo conseguiremos alcançar um fim justo. Quando Gandhi expressou que o meio pode ser comparado a uma raiz, e o fim a uma árvore, ele estava referindo-se ao objeto central de uma filosofia que alguns denominam de "Política Prefigurativa". Assim, aqueles que propõem a não-violência explicam que as ações tomadas no presente inevitavelmente irão repercutir na forma como a sociedade se organizará no futuro. Eles argumentam que seria irracional conceber uma sociedade pacífica através do uso da violência.
  • Alguns divulgadores da não-violência, como os Anarquistas Cristãos e os Ativistas Humanistas, defendem que devemos respeitar e amar os nossos oponentes. Este é o princípio que mais se aproxima das justificativas religiosas e espirituais para a não-violência, como pode ser visto no Sermão da Montanha quando Jesus Cristo clama aos seus seguidores "amai vossos inimigos", ou no conceito Taoísta do wu-wei, ou na filosofia da arte marcial Aikido, ou no conceito budista de metta (amor fraterno entre todos os seres vivos) e no princípio de ahimsa (não-violência entre todos os seres vivos), que também está presente no hinduísmo.

O Fim Não Justifica os Meios

Comumente escuta-se que o fim justifica os meios num alusão de que "certos" fins podem, ou devem, ser alcançados através de métodos não convencionais, ou anti-éticos, ou violentos. Este conceito é utilizado com freqüência numa tentativa de minimizar os meios violentos utilizados na guerra, na justificativa de leis severas e repressões impostas a grupos sociais ou religiosos ou étnicos, ou ainda, mas em crescente desuso, na justificativa de sistemas e métodos educacionais rigorosos e punitivos.

A Não-violência entende que o fim é um resultado do meio, num ciclo de causas e efeitos que se correlacionam e se estendem numa espiral evolutiva. Desta forma, a paz não pode ser obtida através de métodos violentos e repressivos. Uma "paz" que se pretende obter através da opressão, cessa assim que os instrumentos de repressão deixam de ser utilizados, logo, um estado real de paz não se mantém quando ela não se estende a todos os indivíduos de uma sociedade.

Uma releitura de "o fim justifica os meios" numa percepção da não-violência seria: os meios justificam o fim, ou seja, o fim é o resultado dos meios.

Posted on quinta-feira, janeiro 22, 2009 by Augusto Mota

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Tá...Vocês podem ficar falando: -Mas esse cara só vai falar de Bo Dylan agora ? -
Vou, vou falar de Dylan até enjoar, e eu acho que nos próximos duzentos anos ainda devo estar falando dele, afinal, Bob Dylan é o maior compositor de todos os tempos, e olha que com isso tô colocando Dylan acima de Raul Seixas. Bom, agora só vou colocar uma letra traduzida de Dylan que poderia ter sido escrita por mim, não que eu chegue aos pés dele como compositor, mas por dizer tudo que eu gostaria:

O BLUES DE BOB DYLAN:

Bem, o Cavaleiro Solitário e Tonto
Estão cavalgando pela trilha
Concertando os problemas de todos
Menos os meus
Alguém deve ter lhe dito
Que eu estou indo muito bem

Oh, vocês mulheres baratas
Com nada em suas mentes
Eu tenho uma menina de verdade que amo
E Senhor, eu a amarei até a morte
Suma de minha porta e minha janela também
Agora mesmo

Senhor, eu não vou até nenhum autódromo
Assistir nenhum carro de esporte correr
Eu não tenho nenhum carro esporte
E não tenho o desejo de ter um
Eu posso andar a qualquer hora pelo quarteirão

Bem, o vento continua me soprando
Pra cima e pra baixo nas ruas
Com meu chapéu em minhas mãos
E botas nos meus pés
Cuidado para não pisar em mim

Bem, olha aqui companheiro
Você quer ser como eu?
Saque um seis tiros
E roube todo banco que puder encontrar
Diga ao juiz que eu disse que estava tudo bem
Sim!




Esse foi o único vídeo que encontrei de Bob Dylan blues - Cantado por Syd Barret

Posted on quinta-feira, janeiro 22, 2009 by Augusto Mota

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Nem sempre uma música vem acompanhada de poesia ( que diga o calipso ), e Bob Dylan é o melhor nisso, como exemplo estou passando pra vocês o primeiro grande sucesso de Dylan, Blowin' In The Wind, que além de ter uma bela poesia ainda trás um belíssimo conteúdo de protesto, por mais que ele negue até ser um cantor de protesto ( coisas de Dylan ). Mas o que importa ? As músicas dele são lindas.




SOPRANDO NO VENTO

Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Sim e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar
Antes que ela possa dormir na praia?
Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Até poder ver o céu?
Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter
Até que ele possa ouvir o povo chorar?
Sim e quantas mortes custará até que ele saiba
Que gente demais já morreu?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não ver?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Posted on quarta-feira, janeiro 21, 2009 by Augusto Mota

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Entender Raul não é tarefa fácil, eu que o diga, e certas letras são tão cheias de enigmas que só nos resta pesquisar as fontes da qual Raul bebeu. Pra cachorro-urubu, notei uma veia poética beatnik e com a constante exotérica de várias outras, mas se aprofundarmos um pouquinho ainda encontramos frases que indicavam um disfarce subliminar contra a ditadura. Não concorda ? Então faça seu comentário.

BABY, ESSA ESTRADA É COMPRIDA
ELA NÃO TEM SAIDA
É HORA DE ACORDAR
PRA VER O GALO CANTAR
PRO MUNDO INTEIRO ESCUTAR

BABY, A HISTÓRIA É A MESMA
APRENDI NA QUARESMA
DEPOIS DO CARNAVAL
A CARNE É ALGO MORTAL
COM MULTA DE AVANÇAR SINAL

TODO JORNAL QUE EU LEIO
ME DIZ QUE A GENTE JÁ ERA
QUE JÁ NÃO É MAIS PRIMAVERA
Ô BANY, BABY A GENTE AINDA NEM COMEÇOU

BABY, O QUE HOUVE NA TRANÇA
VAI MUDAR NOSSA DANÇA
SEMPRE A MESMA BATALHA
POR UM CIGARRO DE PALHA
NAVIO DE CRUZAR DESERTO

BABY, ISSO SÓ VAI DAR CERTO
SE VOCÊ FICAR PERTO
EU SOU UM ÍNDIO SIOUX
EU SOU CACHORRO URUBU
EM GERRA COM ZÉ U


Posted on terça-feira, janeiro 20, 2009 by Augusto Mota

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

http://projetodesorientado.files.wordpress.com/2008/08/raul-seixas-1.jpg
É isso mesmo, nenhum post, só saudade do mestre que nunca conheci, do cara que mais me influenciou na vida. Só a primeira foto que encontrei. Se esse blog existe, no fundo tem a ver com esse cara. Se sou quem sou é graças a ele... De vez em quando é assim choro de saudades dele que nunca vi pessoalmente, sinto falta. Mas falta de que ? Não sei dizer... Eu acho que é falta dele estar fazendo coisas novas... Duas vezes sonhei com ele na vida, e na primeira eu só chorei abraçado com ele enquanto recebia um afago na cabeça... Queria sonhar novamente com meu amigo Raulzito, só pra matar um pouco da saudade...

Posted on quinta-feira, janeiro 15, 2009 by Augusto Mota

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Christian foi um leão encontrado em 1969 por dois australianos que moravam em Londres, John Rendall e Anthony 'Ace' Bourke (erroneamente citado num artigo do Daily Mail como Ace Berg) na loja de departamentos Harrods.[1] Eles o encontraram, a venda, no departamento de animais exóticos e, comovidos com suas condições e futuro, decidiram comprá-lo.





Recolocação e encontro

Rendall, Bourke e suas namoradas Jennifer Mary e Unity Jones cuidaram do leão até que ele tivesse um ano de idade. O tamanho cada vez maior de Christian e o custo para mantê-lo fizeram com que eles percebessem que não poderiam mantê-lo em Londres por muito tempo.[1] A solução veio quando Bill Travers e Virginia McKenna, estrelas do filme Born Free, visitaram a loja de móveis de Rendall e Bourke, onde Christian passava seus dias. Travers e McKenna sugeriram, então, que eles pedissem a ajuda de George Adamson, um conservacionista Kenyano que, justamente com sua esposa Joy, foi o assunto de seu filme. Adamson concordou em ajudá-los na adaptação de Christian para a vida selvagem na Reserva Nacional de Kora.

Adamson gradualmente apresentou Christian a um leão mais velho - 'Boy' - e, subsequentemente, para a filhote fêmea Katiana, na tentativa de formar o núcleo de um novo bando. No entanto, alguns infortúnios assolaram este novo bando: Katiana foi, provavelmente, devorada por crocodilos enquanto bebia água. Outra fêmea foi morta por leões selvagens. Os eventos atingiram 'Boy' de forma tal que ele perdeu sua habilidade de socializar-se com outros leões e humanos. Ele acabou sendo baleado no coração por Adamson, depois de ferir um homem fatalmente.

Desta forma, Christian acabou sendo o único sobrevivente do bando original.

Adamson continuou seu trabalho, e, após um ano o bando estabeleceu-se na região de Kora, tendo Christian como o líder do bando iniciado por 'Boy'.[2]

Quando Rendall e Bourke foram informados por Adamson do exitoso resultado em 1971, eles viajaram para o Kenya para visitar Christian. A visita foi filmada e transformou-se no documentário Christian, The Lion at World's End. De acordo com este documentário, Adamson alertou Rendall e Bourke para a possibilidade de Christian não recordar-se deles, mas o filme mostra um leão, inicialmente cauteloso, correndo ao encontro dos dois homens, envolvendo os braços em torno dos seus ombros e lambendo seus rostos. O documentário também mostra as fêmeas Mona e Lisa, e um filhote chamado Supercub saudando os dois homens, devido à influência de Christian.

Rendall conta de um encontro final, ocorrida em 1974. Nesta época, Christian já estava a frente de seu próprio bando, tinha filhotes seus e era quase duas vezes maior do que no vídeo do encontro de 1971.[3] Adamson avisou-os de que a viagem poderia ser em vão, porque ele não via o bando de Chirstian há 9 meses. Entretanto, eles descobriram, ao chegar em Kora, que Christian e seu bando haviam retornado para o complexo de Adamson no dia anterior a sua chegada.

Rendall descreve a visita que ele. Bourke e George Adamson fizeram: "Nos o chamamos, ele levantou e começou a caminhar em nossa direção, lentamente. Então, como se tivesse se convencido de que eramos nós mesmos, ele começou a correr ao nosso encontro, pulando sobre nós e nos abraçando, como ele costumava fazer, colocando suas patas sobre nossos ombros."

O reencontro durou até o dia seguinte, pela manhã, quando todos foram dormir. De acordo com Rendall, esta foi a última vez que alguém viu Christian.

Posted on quarta-feira, janeiro 14, 2009 by Augusto Mota

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http://importance.corante.com/archives/Woody_guthrie.gif

Woodrow Wilson "Woody" Guthrie (14 de Julho de 1912 - 3 de Outubro de 1967) foi um cantor e compositor americano de folk music. O legado musical de Guthrie é composto por centenas de músicas, baladas e obras improvisadas que abrangem desde temas políticos, músicas tradicionais e até canções infantis. Guthrie tocava continuamente ao longo de sua vida com sua guitarra, a qual exibia o slogan "Esta máquina mata facistas". Guthrie é talvez melhor conhecido por sua canção "This Land Is Your Land", que é regularmente cantada nas escolas americanas. Muitas de suas músicas gravadas estão arquivadas na Biblioteca do Congresso.[1] Guthrie viajou com trabalhadores migrantes de Oklahoma para a Califórnia e aprendeu tradicionais canções de folk e blues. Suas músicas são sobre suas experiências na Dust Bowl durante a Grande Depressão, conhecida como o "Trovadorismo Dust Bowl."[2] Guthrie foi associado a grupos comunistas nos Estados Unidos, mas nunca como membro, ao longo de sua vida.[3] Guthrie foi casado três vezes e teve oito filhos, incluindo músico americano de folk Arlo Guthrie. Ele é o avô da cantora Sarah Lee Guthrie. Guthrie morreu de complicações neurológicas degenerativas conhecida como Doença de Huntington. Apesar de sua doença, durante seus últimos anos, Guthrie serviu como uma figura a ser seguida no movimento folclórico, proporcionando inspiração para uma nova geração de músicos folk, incluindo as relações com o mentor Ramblin 'Jack Elliott e, em menor grau, Bob Dylan.[4]

Biografia

Início da vida: 1912–1930

Cidade natal de Woody Guthrie em Oklahoma, aparentemente em 1979.

Guthrie nasceu em Okemah, Oklahoma. Seus pais, Nora Belle Sherman e Charles Edward Guthrie[4], o nomearam em homenagem a Woodrow Wilson, então governador de New Jersey, o qual logo iria tornar-se presidente dos Estados Unidos. Charles Guthrie, conhecido como Charley, foi um zeloso empresário, proprietário de uma só vez de 30 lotes em terreno no conselho Okfuskee. Charley foi, também, ativamente envolvido na política de Oklahoma, sendo um candidato democrata a fim de alcançar um cargo no escritório do concelho. O jovem Guthrie acompanhava muitas vezes o pai, quando Charley fazia discursos nas redondezas.[5]

A vida familiar de Guthrie em sua infância foi marcada por várias tragédias de incêndio, as quais causaram a perda de sua casa em Oklahoma. Sua irmã Clara, morreu acidentalmente em um incêndio de carvão e petróleo e seu pai foi gravemente queimado em um incêndio posterior[6], quando Guthrie tinha 7 anos. As circunstâncias destes incêndios, especialmente a do acidente de Charley, ainda não foram esclarecidas. Não se sabe de fato se os incêndios foram realmente acidentes ou foram provocados pela mãe de Woody, que naquela época estava sofrendo de uma doença neurológica degenerativa, até então não descoberta pela família. [7] Nora Guthrie acabou sendo internada em um hospício, em Oklahoma, onde em 1930 veio a falecer. Acredita-se que ela era uma vítima da Doença de Huntington, que viria a ser a causa da morte de seu filho. Também há suspeitas de que o avô materno de Guthrie, George Sherman, foi vítima da doença, devido às circunstâncias que rodeam sua morte por afogamento.[8]

Com Nora Guthrie institucionalizada e Charley Guthrie vivendo em Pampa, Texas, trabalhando para reembolsar as suas dívidas vencidas a partir de ofertas imobiliárias, Woody Guthrie e seus irmãos ficaram em Oklahoma sob responsabilidade de Roy Guthrie, seu irmão mais velho. Woody, naquela época com 14 anos, fazia alguns trabalhos extras, em torno de Okemah, mendigava refeições e às vezes dormia nas casa de amigos da família. De acordo com uma história, Guthrie fez amizade com um músico de blues que tocava gaita chamado "George". Depois Guthrie comprou sua própria gaita e começou a tocar junto de George. Mas em outra entrevista, 14 anos depois, Guthrie alegou que ele aprendeu a tocar gaita com um amigo de infância, John Woods, e que aquela história anterior era falsa.[9] Ele parecia ter uma afinidade natural com a música e facilmente aprendeu a "tocar de ouvido". Ele começou a usar suas habilidades musicais pela cidade, tocando uma música em troca de um sanduíche ou moedas.[10] Guthrie facilmente aprendeu antigas baladas irlandesas e músicas tradicionais, ensinadas pelos pais de seus amigos. Embora não tenha se graduado na escola — ele saiu da escola no último ano do Ensino Médio e não conseguiu se formar — seus professores o descreveram como brilhante. Ele também era um leitor ávido e lia livros com bastante conteúdo. Amigos se lembram dele lendo constantemente.[11]

Eventualmente, o pai de Guthrie chamava o filho para ir ao Texas onde haveria uma pequena mudança para ele, que naquele momento era um músico aspirante. Guthrie, 18 anos, estava relutante em assistir às aulas na Escola Secundária em Pampa e passou muito tempo aprendendo canções, tocando nas ruas e lendo livro na biblioteca. Ele foi crescendo como um músico, ganhando prática tocando regular reproduzir em bailes com seu primo Jeff Guthrie, um violinista. Além disso, Guthrie passou muito tempo na biblioteca da prefeitura de Pampa e escreveu um manuscrito resumindo tudo que ele tinha lido sobre os conceitos básicos da psicologia. Um bibliotecário arquivou esse manuscrito no nome de Guthrie, mas ele foi perdido em uma reorganização da biblioteca.[11]

Década de 1930: Era das viagens

Com 19 anos, Guthrie conheceu e casou-se com sua primeira esposa, Mary Jennings, com quem teve três filhos.[12] Com o advento da era Dust Bowl, Guthrie saiu do Texas, deixando para atrás Mary, e juntou-se aos milhares de Okies que estavam migrando para a Califórnia à procura de trabalho. Muitas de suas canções falam sobre a preocupação com as condições enfrentadas por estes trabalhadores.

Esta canção é Copyrighted nos EUA, ao abrigo dos Direitos de Autororais # 154085, por um período de 28 anos, e qualquer um pode cantar sem a nossa permissão, nós poderemos ser bons amigos, porque ela não é para ser secreta. Publique-a. Escreve-a. Cante-a. Nós escrevemos ela, isso é tudo que nós queríamos fazer.

Escrito por Guthrie no final dos anos de 1930 em um livro de músicas distribuído aos ouvintes de seu programa na L.A Rádio, "Woody and Lefty Lou", onde queria que as palavras estivessem nas suas gravações.[13]

Califórnia

No final da década de 30, Guthrie alcançou a fama em Los Angeles, Califórnia, com o parcerio de rádio Maxine "Lefty Lou" Crissman como locutor de uma emissora comercial de músicas não muito conhecidas e músicas folclóricas.[14] Guthrie estava fazendo dinheiro suficiente para ajudar sua família que continuava vivendo no Texas. Enquanto figurava na estação de rádio KFVD, uma estação de rádio comercial pertencente a um populista de espírito New Deal democrata Frank Burke, Guthrie começou a escrever e tocar algumas canções sobre protesto que acabaria com as baladas sobre Dust Bowl. Foi na KFVD que Guthrie conheceu o apresentador Ed Robbin. Robbin ficou impressionado com uma canção que Guthrie escreveu sobre Thomas Mooney, um homem que foi injustamente condenado, naquela época, um esquerdista fora de campanha e acalorado de debate público.[15] Robbin, que se tornou mentor político da Guthrie, o introduziu aos Socialistas e Comunistas da Califórnia do Sul, incluindo Will Geer, que permaneceria amigo de Guthrie pelo resto de sua vida e ajudou a fazer circular o livro de benefício de performances de Guthrie nos círculos comunistas da Califórnia do Sul. Apesar de Guthrie alegar mais tarde que "a melhor coisa que fiz em 1936 foi inscrever-me no o Partido Comunista"[16] ele nunca foi um membro do Partido. Ele era, porém, notado como um companheiro de viagem que concordava com a plataforma do partido, mas sem estar sujeito à disciplina partidária. [17] Embora não sendo do partido, Guthrie pediu para escrever uma coluna para o jornal comunista The Daily Worker. A coluna, intitulada "Woody Sez", apareceu em um total de 174 vezes entre Maio de 1939 e Janeiro de 1940. As colunas não falavam explicitamente de política, mas sim sobre os acontecimentos atuais que foram vividos e observados por Guthrie. As colunas foram escritas em um dialecto exageradamente difícil, pouco usado e, normalmente, incluindo um pequeno quadrinho.[18] As colunas foram publicadas mais tarde como uma coleção após a morte de Guthrie.[3] Steve Earle falou sobre Woody:"Eu não penso em Woody como um escritor político. Ele foi um escritor que viveu em tempos muito políticos."[19] Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e o Pacto de não-agressão que a União Soviética assinou com a Alemanha, em 1939, os proprietários da Rádio KFVD não queriam seus funcionários tivessem alguma apologia à União Soviética, então tanto Robbin quanto Guthrie saíram da rádio.[20] Sem o seu show diário na rádio, as perspectivas de emprego diminuíram, fazendo com que Guthrie e sua família voltassem para Pampas, Texas. Embora Mary Guthrie tivesse ficado feliz na volta de Woody ao Texas, a vontade imensa de Guthrie viajar, fez com que ele aceitasse um pedido de Will Geer para ir ao leste de New York.

Construindo um legado

New York

Chegando em New York, Guthrie, conhecido como o cowboy de Oklahoma, foi abraçado pela comunidade de música folclórica esquerdista e dormiu em um sofá no apartamento de Will Geer. Guthrie também fez suas primeiras gravações — muitas horas de conversa e músicas gravadas pelo folclorista Alan Lomax para a Biblioteca do Congresso — assim formando um álbum, Dust Bowl Ballads pela Victor Records, em Camden, New Jersey.[21] Guthrie estava cansado de ouvir a música "God Bless America", de Irving Berlin, nas radios. Ele achava que a canção era surrealista e complacente.[22] Parcialmente inspirado por suas experiências durante uma viagem cross-country e sua antipatia por "God Bless America", ele escreveu sua canção mais famosa, "This Land Is Your Land" em fevereiro de 1940. Antes entitulado "God Blessed America". A melodia é baseada na canção gospel "Oh My Loving Brother", mais conhecida como "Little Darling, Pal of Mine", cantada pelo grupo country The Carter Family. Guthrie assinou um manuscrito com o comentário "Tudo que você pode escrever é aquilo que você vê, Woody G., NY, NY, NY"[23]. Ele protestou a desigualdade de classes nos seguintes versos:

Nas praças da cidade, Na sombra de um campanário;
No intervalo do escritório, eu vi o meu povo.
Tinham fome, e eu estava lá perguntando,
Esta terra é feita para você e para mim?
Quando andava, eu vi uma placa,
E na placa, Dizia "não invadir". (Em outra versão, lê-se "Propriedade Privada")
Mas no outro lado, ela não dizia nada!
Esse lado foi feito pra você e para mim.

Estes versos foram muitas vezes omitidos nas gravações posteriores, às vezes por Guthrie. A música foi escrita em 1940, sendo quatro anos depois gravada po Moses Asch em abril de 1944[24], e ainda depois foi produzida uma partitura e distribuídas nas escola por Howie Richmond.[25]

Em março de 1940, Guthrie foi convidado para tocar em um evento beneficente oferecido pelo The Steinbeck Committee to Aid Farm Workers para angariar dinheiro para os trabalhadores migrantes. O livro de John Steinbeck, The Grapes of Wrath foi bastante popular. Foi neste evento que Guthrie conheceu Pete Seeger e os dois tornaram-se bons amigos.[26] Mais tarde Seeger, acompanhado de Guthrie, volta ao Texas para conhecer outros membros da família de Guthrie e teve estranha conversa com a mãe de Mary Guthrie, onde ela pedia a ajuda de Seeger em persuadir Guthrie para ele tratar melhor a sua filha.[27]

Guthrie teve algum sucesso em Nova York, desta vez como convidado no programa da rádio CBS, "Back Where I Come From" e usou a sua influência para conseguir um lugar no show para o seu amigo Huddie "Lead Belly" Ledbetter. O apartamento de Ledbetter foi um local de encontro de uma roda de músicos de New York, no tempo em que Ledbetter e Guthrie eram bons amigos, depois de terem tocados juntos em bares de Harlem.[28]

Em setembro de 1940, Guthrie foi convidado pela empresa Model do Tobbaco para apresentar o programa de rádio "Pipe Smoking Time". Guthrie recebia um salário de 180 dólares por semana, um salário impressionante em 1940.[29] Ele foi finalmente juntando dinheiro suficiente para enviar uma ajuda regularmente à Mary e eventualmente trazê-la junto com as crianças para New York, onde a família viveu em um apartamento no Central Park West. Essa reunião representou o desejo de Woody de ser um pai e marido melhor. Ele disse: Eu tenho que me esforçar muito até pensar em ser um bom pai."[29] Infelizmente para a recém formada família, Guthrie se demitiu após a sétima emissão na rádio, afirmando que ele havia começado a sentir que o show estava o restringindo muito quando ele disse que queria cantar.[30] Descontentes com Nova York, Guthrie pegou Mary e seus filhos e foram, em um carro novo, para o oeste da Califórnia.[31]

Posted on quarta-feira, janeiro 14, 2009 by Augusto Mota

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dylan Marlais Thomas nasceu em Swansea, no País de Gales, a 27 de outubro de 1914. Considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, juntamente com W.Carlos Williams, Wallace Stevens, T.S. Eliot e W.B. Yeats. Dylan Thomas teve uma vida muito curta, devido a exagerada boemia que o levou ao fim de seus dias aos 39 anos, mas, ainda teve tempo de nos deixar um legado poético que o tornou um dos maiores influenciadores de toda uma geração de escritores e músicos, conta a lenda, que Bob Dylan, originalmente Robert Zimerman, muda seu nome para Dylan em homenagem ao grande poeta Dylan Thomas.

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18 Poems, 1934

25 Poems, 1936

The Map of Love, 1939

Deaths and Entrances, 1946

In Country Sleep, 1952




"...o meu processo criativo consiste numa ininterrupta construção e destruição de imagens que saem do núcleo central que é, ao mesmo tempo, destruidor e construtivo...""

§

"Para mim, o "impulso" poético ou a "inspiração" é apenas a súbita, e geralmente física, chegada da energia para a perícia e o senso estrutural do artesão."

§

"Poesia é aquilo que me faz rir, chorar ou uivar, aquilo que me arrepia as unhas do dedo do pé, o que me leva a desejar fazer isso, ou aquilo, ou nada.

§

"Tudo o que importa é o eterno movimento que há por trás da poesia, a vasta corrente subterrânea da dor, da loucura, da pretensão, da exaltação ou da ignorância humanas, por mais sublime que seja a intenção do poeta."

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Dylan Thomas 18 anos
com Caitlin Thomas, sua esposa
com Caitlin Thomas, sua esposa
Dylan Thomas
Dylan Thomas
Dylan Thomas
Dylan Thomas, por Mark Murphy
Dylan Thomas, por Richard Wills
Dylan Thomas, por Ceri Hopkin

EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA

Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

(tradução: Ivan Junqueira)

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ESTE LADO DA VERDADE

Para Llewlyn

Este lado da verdade,
Meu filho, tu não podes ver,
Rei de teus olhos azuis
No país que cega a tua juventude,
Que está todo por fazer,
Sob os céus indiferentes
Da culpa e da inocência
Antes que tentes um único gesto
Com a cabeça e o coração,
Tudo estará reunido e disperso
Nas trevas tortuosas
Como o pó dos mortos.

O bom e o mau, duas maneiras
De caminhar em tua morte
Entre as triturantes ondas do mar,
Rei de teu coração nos dias cegos,
Se dissipam com a respiração,
Vão chorando através de ti e de mim

(tradução: Ivan Junqueira)

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POEMA DE OUTUBRO

Era o meu trigésimo ano rumo ao céu
Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto
e do bosque ao lado,
E da praia empoçada de mexilhões
E sacralizada pelas garças
O aceno da manhã

Com as preces da água e o grito das gralhas e gaivotas
E o chocar-se dos barcos contra o muro emaranhado de redes
Para que de súbito
Me pusesse de pé
E descortinasse a imóvel cidade adormecida.

Meu aniversário começou com as aves marinhas
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos
E levantei-me
No chuvoso outono
E perambulei sem rumo sob o aguaceiro de todos os meus dias.
A garça e a maré alta mergulhavam quando tomei a estrada
Acima da divisa
E as portas da cidade
Ainda estavam fechadas enquanto o povo despertava.

Toda uma primavera de cotovias numa nuvem rodopiante
E os arbustos à beira da estrada transbordante de gorjeios
De melros e o sol de outubro
Estival
Sobre os ombros da colina,
Eram climas amorosos e houve doces cantores
Que chegaram de repente na manhã pela qual eu vagava e ouvia
Como se retorcia a chuva
O vento soprava frio No bosque ao longe que jazia a meus pés.

Pálida chuva sobre o porto que encolhia
E sobre o mar que umedecia a igreja do tamanho de um caracol
Com seus cornos através da névoa e do castelo
Encardido como as corujas Mas todos os jardins
Da primavera e do verão floresciam nos contos fantásticos
Para além da divisa e sob a nuvem apinhada de cotovias.
Ali podia eu maravilhar-me
Meu aniversário Ia adiante mas o tempo girava em derredor.

Ao girar me afastava do país em júbilo
E através do ar transfigurado e do céu cujo azul se matizava
Fluía novamente um prodígio do verão
Com maçãs
Pêras e groselhas encarnadas
E no girar do tempo vi tão claro quanto uma criança
Aquelas esquecidas manhãs em que o menino passeava com sua mãe Em meio às parábolas
Da luz solar
E às lendas da verde capela

E pêlos campos da infância duas vezes descritos
Pois suas lágrimas me queimavam as faces e seu coração
se enternecia em mim.
Esses eram os bosques e o rio e o mar
Ali onde um menino
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.

E ali podia eu maravilhar-me com meu aniversário
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor. Mas a verdadeira
Alegria da criança há tanto tempo morta cantava
Ardendo ao sol.
Era o meu trigésimo ano
Rumo ao céu que então se imobilizara no meio-dia do verão
Embora a cidade repousasse lá embaixo coberta de folhas no sangue de outubro.

Oh, pudesse a verdade de meu coração
Ser ainda cantada
Nessa alta colina um ano depois.

.(tradução: Ivan Junqueira)

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AMOR NO HOSPÍCIO

Uma estranha chegou
A dividir comigo um quarto nessa casa que anda mal da cabeça,
Uma jovem louca como os pássaros

Que trancava a porta da noite com seus braços, suas plumas.
Espigada no leito em desordem
Ela tapeia com nuvens penetrantes a casa à prova dos céus

Até iludir com seus passos o quarto imerso em pesadelo,
Livre como os mortos,
Ou cavalga os oceanos imaginários do pavilhão dos homens.

Chegou possessa
Aquela que admite a ilusória luz através do muro saltitante,
Possuída pêlos céus
Ela dorme no catre estreito, e no entanto vagueia na poeira
E no entanto delira à vontade
Sobre as tábuas do manicômio aplainadas por minhas lágrimas deâmbulas.

E arrebatado pela luz de seus braços, enfim, meu Deus, enfim
Posso de fato
Suportar a primeira visão que incendeia as estrelas.

.(tradução: Ivan Junqueira)

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MORTES E ENTRADAS

Quase às vésperas incendiárias
De várias mortes próximas,
Quando alguém ante os despojos de quem mais amaste,
E desde sempre conhecido, tenha de abandonar
Os leões e as flamas de sua volátil respiração,
Quem dentre os teus amigos imortais
Elevaria o som dos órgãos do pó inventariado
Para lançar e cantar os teus louvores,
O que mais fundo os invocasse conquistaria a sua paz
Que não pode se afogar ou se esvair
Sem fim junto à sua chaga Nas muitas e alienantes dores
conjugais de Londres.

Quase às vésperas incendiárias
Quando diante de teus lábios e chaves,
Fechando, abrindo, se entrelacem os estranhos assassinados,
Aquele que é o mais desconhecido,
Teu vizinho, a estrela polar, sol de uma outra rua,
Mergulhará em tuas lágrimas.
Ele há de banhar teu sangue chuvoso no másculo oceano
Que percorrerá teu próprio morto
E fará girar sua esfera fora de teu fio de água
E entupirá as gargantas das conchas
Com todos os gritos desde que a luz
Começou a jorrar através de seus olhos tonitruantes.

Quase às vésperas incendiárias
De mortes e entradas,
Quando próximo e estranho, ferido nas ondas de Londres,
Hajas procurado a tua tumba solitária,
Um inimigo entre muitos, que bem sabe
Como cintila o teu coração
Nas trevas vigiadas, pulsando entre furnas e ferrolhos,
Arrancará os raios
Para tapar o sol, mergulhará, galgará tuas teclas sombrias
E fará definhar os ginetes para que recuem,
Até que aquele despojo adorado
Avulte como o último Sansão de teu zodíaco
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.(tradução: Ivan Junqueira)

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A LUZ IRROMPE ONDE NENHUM SOL BRILHA

A luz irrompe onde nenhum sol brilha;
onde não se agita qualquer mar, as águas do coração
impelem as suas marés;
e, destruídos fantasmas com o fulgor dos vermes nos cabelos,
os objectos da luz
atravessam a carne onde nenhuma carne reveste os ossos.

Nas coxas, uma candeia
aquece as sementes da juventude e queima as da velhice;
onde não vibra qualquer semente,
arredonda-se com o seu esplendor e junto das estrelas
o fruto do homem;
onde a cera já não existe, apenas vemos o pavio de uma candeia.

A manhã irrompe atrás dos olhos;
e da cabeça aos pés desliza tempestuoso o sangue
como se fosse um mar;
sem ter defesa ou protecção, as nascentes do céu
ultrapassam os seus limites
ao pressagiar num sorriso o óleo das lágrimas.

A noite, como uma lua de asfalto,
cerca na sua órbita os limites dos mundos;
o dia brilha nos ossos;
onde não existe o frio, vem a tempestade desoladora abrir
as vestes do inverno;
a teia da primavera desprende-se nas pálpebras.

A luz irrompe em lugares estranhos,
nos espinhos do pensamento onde o seu aroma paira sob a chuva;
quando a lógica morre,
o segredo da terra cresce em cada olhar
e o sangue precipita-se no sol;
sobre os campos mais desolados, detém-se o amanhecer.

( tradução: Fernando Guimarães)

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E A MORTE PERDERÁ O SEU DOMÍNIO

E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.

( tradução: Fernando Guimarães)

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A MÃO AO ASSINAR ESTE PAPEL

A mão ao assinar este papel arrasou uma cidade;
cinco dedos soberanos lançaram a sua taxa sobre a respiração; duplicaram o globo dos mortos e reduziram a metade um país;
estes cinco reis levaram a morte a um rei.

A mão soberana chega até um ombro descaído
e as articulações dos dedos ficaram imobilizadas pelo gesso;
uma pena de ganso serviu para pôr fim à morte
que pôs fim às palavras.

A mão ao assinar o tratado fez nascer a febre,
e cresceu a fome, e todas as pragas vieram;
maior se torna a mão que estende o seu domínio
sobre o homem por ter escrito um nome.

Os cinco reis contam os mortos mas não acalmam
a ferida que está cicatrizada, nem acariciam a fronte;
há mãos que governam a piedade como outras o céu;
mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar.

( tradução: Fernando Guimarães)

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ESTE PÃO QUE VENHO ABRIR

Este pão que venho abrir foi outrora centeio,
este vinho sobre uma ramada desconhecida
ficou submerso nos seus frutos;
o homem em cada dia, em cada noite o vento
arrancaram a alegria dos cachos e derrubaram as searas.

Com o vinho, outrora o sangue de estio
palpitava na carne que ornamentava a videira,
outrora neste pão
era feliz sob o vento o centeio;
mas o homem despedaçou o sol e abateu o vento.

Esta carne que despedaças, este sangue
que traz a desolação pelas veias,
eram os cachos e o centeio
nascidos das raízes e da seiva dos sentidos;
este meu vinho que bebes, este pão de que te alimentas.

( tradução: Fernando Guimarães)

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A FORÇA QUE IMPELE
ATRAVÉS DO VERDE RASTILHO

A força que impele através do verde rastilho a flor
impele os meus verdes anos; a que aniquila as raízes das árvores
é o que me destrói.
E não tenho voz para dizer à rosa que se inclina
como a minha juventude se curva sob a febre do mesmo inverno.

A força que impele a água através das pedras
impele o meu rubro sangue; a que seca o impulso das correntes
deixa as minhas como se fossem de cera.
E não tenho voz para que os lábios digam às minhas veias
como a mesma boca suga as nascentes da montanha.

A mão que faz oscilar a água no pântano
agita ainda mais a areia; a que detém o sopro do vento
levanta as velas do meu sudário.
E não tenho voz para dizer ao homem enforcado
como da minha argila é feito o lodo do carrasco.

Como sanguessugas, os lábios do tempo unem-se à fonte;
fica o amor intumescido e goteja, mas o sangue derramado
acalmará as suas feridas.
E não tenho voz para dizer ao dia tempestuoso
como as horas assinalam um céu à volta dos astros.

E não tenho voz para dizer ao túmulo da amada como sobre o meu sudário rastejam os mesmos vermes.

( tradução: Fernando Guimarães)

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Posted on segunda-feira, janeiro 12, 2009 by Augusto Mota

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