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quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Paz e bem!!!!DIVULGUE,a natureza agradece!
Assunto: Adeus ao Parque do MendanhaAmigos, estou apenas repassando mais um absurdo de nosso prefeito, que visa apenas medidas populistas visando sempre a sua autopromoção, sem falar do que vem por baixo dos panos... realmente é um absurdo tal medida, pois o Parque Natural do Mendanha (que faz parte do maciço do Gericinó) junto com o Parque Nacional da Tijuca e o Maciço da Pedra Branca, é um dos três maiores e mais preservados fragmentos de Mata Atlântica de nosso município, abrigando várias espécies de nossa fauna e flora, sem falar de sua importância no ciclo hidrológico e na prevenção de acidentes, como deslizamentos e enchentes. Para quem não sabe onde fica o Macicço, ele fica à direita da avenida Brasil, de quem vem do Rio em direção à zona Oeste. É toda aquela montanha linda, cheia de verde, que começa a ser avistada mais ou menos, da Av. Brasil, na altura de Deodoro e vai até aproximadamente Nova Iguaçu, na entrada pelo viaduto Oscar Brito, que pega a antiga Rio-São Paulo, Universidade Rural, AMBEV. Repassem esse absurdo. Como cidadãos e amantes da natureza e da vida não podemos deixar isto passar despercebido.
Foi sancionada a Lei Municipal 4.899/08 e publicada no Diário Oficial da Cidade do Rio de Janeiro no dia 18/08/08, após ser sancionado pelo Prefeito César Maia, que extingue o Parque Ecológico do Mendanha (atual Parque Natural Municipal da Serra do Mendanha - renomeado devido ao SNUC), para transformá-lo em uma Área Especial de Interesse Social. Esta categoria se destina a dar títulos de propriedades e para implantar programas sociais, tais como: conjuntos habitacionais, favela bairro, etc.
Esta Unidade de Conservação era a mais bem preservada do município e uma das raras com a situação fundiária resolvida. Ela é coberta com a Floresta Ombrófila Densa mais bem conservada da Cidade do Rio de Janeiro e de toda a Região Metropolitana do Estado do RJ. E por incrível que pareça só agora está sendo estudada, inclusive com a descoberta de uma nova espécie de anfíbio (ainda em descrição).
A área precisaria de reassentamentos (ou redelimitação) e até de ampliação, para proteger o restante da floresta que está fora do parque e para excluir uma área rural (veja foto).
Toda a Secretaria de Meio Ambiente foi tomada de surpresa, pois uma consulta havia sido realizada e todos foram contra o projeto, totalmente sem propósito. Mas ao apagar das luzes de um mandato, o VEREADOR JORGE FELIPPE (gravem este nome!!!) submeteu um projeto que vai na corrente contrária da conscientização ambiental mundial. Pior é que a Câmara de Vereadores aprovou e o Prefeito sancionou.
E agora como fica a preservação da área???? E o dinheiro público investido até então???? E as pesquisas em andamento??? ??
Peço à todos que enviem mensagens de repudio para a câmara, para o prefeito e para o indigníssimo vereador (jorge.felippe@ camara.rj. gov.br). Mas também divulguem, pois não podemos ficar de braços cruzados e entregar uma área pública que tem vocação para a preservação, ecoturismo e fins científicos, que foi solicitada por iniciativa popular ficar sem uma proteção mais restritiva, como um Parque Natural.
Agradeço, desde já a atenção e qualquer ajuda possível.
Obrigado.
“Preze o globo terrestre, pois não o herdamos de nossos pais, mas sim, o tomamos emprestado de nossos filhos.” Provérbio Queniano
Antes de imprimir, pense em sua responsabilidade e compromisso com o MEIO AMBIENTE
Carlos Aguiar,
21 7857-2787 ID 83*85884.
Conhecimento é a única virtude e ignorância é o único vício!!!
Posted on quarta-feira, outubro 15, 2008 by Guto Dias
Lembrei de me esquecer a tempo
Perdi meus maiores achados
Odiei por amor
Utilizei coisas inúteis
Paguei caro por prazeres baratos
Lembrei de me esquecer a tempo
Perdi meus maiores achados
Odiei por amor
Utilizei coisas inúteis
Paguei caro por prazeres baratos
Desafiei a lâmina afiada
Enterrei um sapo no terreiro
Quis não ter querer
Tentei não cair em tentação
Mas livrei-me dos livros
Pois eles não me livraram
Lembrei de me esquecer a tempo
Perdi meus maiores achados
Odiei por amor
Utilizei coisas inúteis
Paguei caro por prazeres baratos
Desafiei a lâmina afiada
Enterrei um sapo no terreiro
Quis não ter querer
Tentei não cair em tentação
Mas livrei-me dos livros
Pois eles não me livraram
Desafiei a lâmina afiada
Enterrei um sapo no terreiro
Quis não ter querer
Tentei não cair em tentação
Livrei-me dos livros
Pois eles
Perdi meus maiores achados
Odiei por amor
Utilizei coisas inúteis
Paguei caro por prazeres baratos
Lembrei de me esquecer a tempo
Perdi meus maiores achados
Odiei por amor
Utilizei coisas inúteis
Paguei caro por prazeres baratos
Desafiei a lâmina afiada
Enterrei um sapo no terreiro
Quis não ter querer
Tentei não cair em tentação
Mas livrei-me dos livros
Pois eles não me livraram
Lembrei de me esquecer a tempo
Perdi meus maiores achados
Odiei por amor
Utilizei coisas inúteis
Paguei caro por prazeres baratos
Desafiei a lâmina afiada
Enterrei um sapo no terreiro
Quis não ter querer
Tentei não cair em tentação
Mas livrei-me dos livros
Pois eles não me livraram
Desafiei a lâmina afiada
Enterrei um sapo no terreiro
Quis não ter querer
Tentei não cair em tentação
Livrei-me dos livros
Pois eles
Posted on quarta-feira, outubro 15, 2008 by Guto Dias
Um pingo de chuva estourou na pedra de gelo do meu whisk
Lembrei de ti
Que sempre quer botar pingo de "i" em ipsilone
Que é que há
Parece até que sou um livro mal escrito
E que você é uma caneta cor vrmelha
Rasurando o que não aceita e nem consegue decifrar
Outras vezes você tenta, feito louca, rasgar as minhas páginas
Mal eu esqueço do que lembrei
Você aparece
"Olá"
"Olá coisa nenhuma" é o que me diz
Roubando meu whisk pra falar
Que eu te beijo como Judas bejou Cristo
Pois leva o tempo a imaginar como seria
Com quem e quando eu trairia o que jamais jurei te dar
Põe em minha boca palavras que não são minhas
Com voz trêmula e trágica
E me ameça quando diz "eu vou embora"
Ora... Vá!
Você tem seu direito de ir e vir
Mas eu tenho o meu de querer ficar
Não precisa de um pedido de Habeas Corpus
A porta está aberta
Você tem seu direito de ir e vir
Mas eu tamnbém tenho o meu direito de querer ficar
Não precisa de um pedido de Habeas Corpus
A porta está abertaPosted on quarta-feira, outubro 15, 2008 by Guto Dias
segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Faixas:
1 Caso você queira saber(Márcio Borges - Beto Guedes)2 Sonhei que viajava com você(Itamar Assumpção)3 Sensações(Luiz Melodia)4 Teu bem(Paulo Barnabé)5 Amnésia(Cláudio Lobato - Luiz Melodia)6 O marginal(Hermelino Neder - Luiz Pinheiro - Zé Marcos - Cássia Eller)7 Eles(Luiz Pinheiro - Tavinho Fialho - Cássia Eller)8 Aquele grandão(Leda Pasta - Mário Manga)9 Bobagem(Lúcia Turnbull - Rita Lee)10 Comédia (Instrumental)(Tatá Spalla)11 Hear my train a coming(Jimi Hendrix)12 If six was nine(Jimi Hendrix)
DOWNLOAD - Cássia Eller - O Marginal [1992]
1 Caso você queira saber(Márcio Borges - Beto Guedes)2 Sonhei que viajava com você(Itamar Assumpção)3 Sensações(Luiz Melodia)4 Teu bem(Paulo Barnabé)5 Amnésia(Cláudio Lobato - Luiz Melodia)6 O marginal(Hermelino Neder - Luiz Pinheiro - Zé Marcos - Cássia Eller)7 Eles(Luiz Pinheiro - Tavinho Fialho - Cássia Eller)8 Aquele grandão(Leda Pasta - Mário Manga)9 Bobagem(Lúcia Turnbull - Rita Lee)10 Comédia (Instrumental)(Tatá Spalla)11 Hear my train a coming(Jimi Hendrix)12 If six was nine(Jimi Hendrix)
DOWNLOAD - Cássia Eller - O Marginal [1992]
O Marginal, que trouxe If Six Was Nine que não havia entrado no LP original por problemas de espaço. Lembro da minha surpresa ao comprar o cd e descobrir uma faixa a mais (O Marginal foi o primeiro e último vinil que comprei, ainda na adolescência). Legal é ouvir Cássia cantando uma galera que representa o outro lado do Rock Brazuca: Paulo Branabé, Itamar Assumpção, Beto Guedes (sim, Beto Guedes também faz rocks), Mário Manga. Um disco com gosto de algo meio anos 70, algo tipo "vamo pegar o som portátil e chamar a galera pra acampar", sei lá, gosto de coisas que marcam.
Posted on segunda-feira, outubro 13, 2008 by Guto Dias
sábado, 11 de outubro de 2008
Clássico estradeiro, poema dos vencidos, jornada existencial no pó ressecado da vida. As hipérboles passionais tornam-se a tônica quando o assunto é o romance On the Road, o clássico beat por excelência, que completa 50 anos este ano e está sendo reeditado no Brasil com tradução revista pelo jornalista Eduardo Bueno, responsável pela versão da obra original para o português em 1984, ou seja, há 23 anos! É impossível falar de literatura no século 20 sem falar de On the Road- pé na Estrada.

O livro de Jack Kerouac (1922 - 1969) incendiou o sonho de milhares de mentes jovens, prontas para deixar uma vida confortável e cair no mundo, viajando de carona em caminhões, carros de estranhos, vagões de trens.
A história do livro, já decorrido o cinqüentenário de seu lançamento, já se tornou conhecida, mesmo por quem teve em mãos esta obra - o que expressa o quanto essa viagem cheia de aventuras, verdadeira “odisséia”se internou no íntimo coletivo - mas basta de opinião e vamos a uma breve “pincelada” sobre ela. Trata-se do relato de um jovem, Sal Paradise, que, influenciado pela presença exuberante de Dean Moriarty, um vagabundo sedutor, que deixa a casa da tia, em Nova Jersey, e se joga em viagens pelos EUA, atravessando o país de costa a costa, às vezes só e outras acompanhado de seu ídolo. O tema da viagem como veículo de transformação não era em si novo, já havia tomado carona nos vagões de Jack London, nos navios de Melville, mergulhado no perturbador Coração das Trevasde Conrad. A prosa épica e poética de Kerouac, uma composição poética apaixonada à vida, já havia tirado uma soneca no leito de folhas da relva arrumado por Walt Whitman. O ritmo da prosa trazia inspiração do jazz, nervoso, escrito ao correr do raciocínio, como a conversa delirante de um entusiasmado contador de histórias que tomou mais café do que o recomendável. O que tornou On the Roadessa referência foi o momento em que sua publicação alcançou os corações e mentes americanos. Kerouac e seus camaradas Allen Ginsberg, Gregory Corso e William Burroughs representavam uma rejeição à estabilidade valorizada com todos os dentes pela geração anterior, filhos da Grande Depressão para quem a idéia de conforto e progresso parecia mais cara do que qualquer aventura. Também a prosa em On the Roadé a responsável pelo seu mito, uma onda de paixão e delírio na voz de um jovem viajante aberto à realidade que encontra, alguém disposto a conhecer na estrada a alma da América, e não no que Henry Miller chamava de " pesadelo de ar-condicionado”. A par de qualquer consideração estética, On the Roadtornou-se o livro beat por excelência, sua manifestação mais conhecida, uma obra que influenciou de Bob Dylan a blogueiros. Nem tudo o que a geração beat produziu ainda se sustenta por si só, mas o livro de Kerouac é uma dessas obras, assim como o delírio dadaísta de Almoço Nu, de Burroughs, ou o doloroso Kaddish, de Ginsberg. Vale a pena mergulhar nessa prosa libertária reeditada por L&PM,384 páginas, aproximadamente R$ 20,00. São cinco décadas de rebeldia inoculadas diretamente na veia estética da América e considerada a influência avassaladora da cultura americana hoje, não seria exagero dizer "do mundo".

O livro de Jack Kerouac (1922 - 1969) incendiou o sonho de milhares de mentes jovens, prontas para deixar uma vida confortável e cair no mundo, viajando de carona em caminhões, carros de estranhos, vagões de trens.
A história do livro, já decorrido o cinqüentenário de seu lançamento, já se tornou conhecida, mesmo por quem teve em mãos esta obra - o que expressa o quanto essa viagem cheia de aventuras, verdadeira “odisséia”se internou no íntimo coletivo - mas basta de opinião e vamos a uma breve “pincelada” sobre ela. Trata-se do relato de um jovem, Sal Paradise, que, influenciado pela presença exuberante de Dean Moriarty, um vagabundo sedutor, que deixa a casa da tia, em Nova Jersey, e se joga em viagens pelos EUA, atravessando o país de costa a costa, às vezes só e outras acompanhado de seu ídolo. O tema da viagem como veículo de transformação não era em si novo, já havia tomado carona nos vagões de Jack London, nos navios de Melville, mergulhado no perturbador Coração das Trevasde Conrad. A prosa épica e poética de Kerouac, uma composição poética apaixonada à vida, já havia tirado uma soneca no leito de folhas da relva arrumado por Walt Whitman. O ritmo da prosa trazia inspiração do jazz, nervoso, escrito ao correr do raciocínio, como a conversa delirante de um entusiasmado contador de histórias que tomou mais café do que o recomendável. O que tornou On the Roadessa referência foi o momento em que sua publicação alcançou os corações e mentes americanos. Kerouac e seus camaradas Allen Ginsberg, Gregory Corso e William Burroughs representavam uma rejeição à estabilidade valorizada com todos os dentes pela geração anterior, filhos da Grande Depressão para quem a idéia de conforto e progresso parecia mais cara do que qualquer aventura. Também a prosa em On the Roadé a responsável pelo seu mito, uma onda de paixão e delírio na voz de um jovem viajante aberto à realidade que encontra, alguém disposto a conhecer na estrada a alma da América, e não no que Henry Miller chamava de " pesadelo de ar-condicionado”. A par de qualquer consideração estética, On the Roadtornou-se o livro beat por excelência, sua manifestação mais conhecida, uma obra que influenciou de Bob Dylan a blogueiros. Nem tudo o que a geração beat produziu ainda se sustenta por si só, mas o livro de Kerouac é uma dessas obras, assim como o delírio dadaísta de Almoço Nu, de Burroughs, ou o doloroso Kaddish, de Ginsberg. Vale a pena mergulhar nessa prosa libertária reeditada por L&PM,384 páginas, aproximadamente R$ 20,00. São cinco décadas de rebeldia inoculadas diretamente na veia estética da América e considerada a influência avassaladora da cultura americana hoje, não seria exagero dizer "do mundo".
Posted on sábado, outubro 11, 2008 by Guto Dias
No mais famoso romance de George Orwell, a história se passa no "futuro" ano de 1984 na Inglaterra, ou Pista de Pouso Número 1, parte integrante do megabloco da Oceania. É comum a confusão dos leitores com o continente homônimo real. O megabloco imaginado por Orwell tem este nome por ser uma congregração de países de todos os oceanos. A união da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), Reino Unido, Sul da África e Austrália não parece estar tão distante da realidade.
E a transformação da realidade é o tema principal de 1984. Disfarçada de democracia, a Oceania vive um totalitarismo desde que o IngSoc (o Partido) chegou ao poder sob a batuta do onipresente Grande Irmão (Big Brother).
Narrado em terceira pessoa, o livro conta a história de Winston Smith, membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade. A função de Winston é reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido. Nada muito diferente de um jornalista ou um historiador. Winston questiona a opressão que o Partido exercia nos cidadãos. Se alguém pensasse diferente, cometia crimidéia (crime de idéia em novilíngua) e fatalmente seria capturado pela Polícia do Pensamento e era vaporizado. Desaparecia.
Inspirado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40, o livro não se resume a apenas criticar o stalinismo e o nazismo, mas toda a nivelação da sociedade, a redução do indivíduo em peça para servir ao estado ou ao mercado através do controle total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. Winstom Smith representa o cidadão-comum vigiado pelas teletelas e pelas diretrizes do Partido. Orwell escolhera este nome na soma da 'homenagem' ao primeiro-ministro Winston Churchill com o uso do sobrenome mais comum na Inglaterra. A obra-prima foi escrita no ano de 1948 e seu titúlo invertido para 1984 por pressão dos editores. A intenção de Orwell era descrever um futuro baseado nos absurdos do presente.
Winston Smith e todos os cidadãos sabiam que qualquer atitude suspeita poderia significar seu fim. E não apenas sair de um programa de tv com o bolso cheio de dinheiro, mas desaparecer de fato. Os vizinhos e os próprios filhos eram incentivados a denunciar à Polícia do Pensamento quem cometesse crimidéia. Fato comum nos regimes totalitários.
Algo estava errado, Winston não sabia como mas sentia e precisava extravassar. Com quem seria seguro comentar sobre suas angústias? Não tendo respostas satisfatórias, Winston compra clandestinamente um bloco e um lápis (artigos de venda proibida adquiridos num antiquário).
Para verbalizar seus sentimentos, Winston atualiza seu diário usando o canto "cego" do apartamento. Desta forma ele não recebia comentários nem era focalizado pela teletela de seu apartamento. Um membro do Partido (mesmo que externo como Winston) tinha de ter um teletela em casa, nem que fosse antiga. A primeira frase que Winston escreve é justificavel e atual: Abaixo o Big Brother!
A vida de repressão e medo nem sempre fora assim na Oceania. Antes da Terceira Guerra e do Partido chegar ao poder, Winston desfrutava uma vida normal com os seus pais.
Mesmo Winston tinha dificuldades para lembrar das recordações do passado e da vida pré-revolucionária. Os esforços da propaganda do Partido com números e duplipensamento tornavam a tarefa quase impossível já que o futuro, presente e passado eram controlados pelo Partido.
O próprio ofício de Winston era transformar a realidade. No Miniver (Ministério da Verdade), ele alterava dados e jogava os originais no incinerador (Buraco da Memória) de tudo que pudesse contradizer as verdades do Partido. A função de Winston é uma crítica à fabricação da verdade pela mídia e da ascenção e queda de ídolos de acordo com alguns interesses.
O Partido informa: a ração de chocolate semanal aumenta para 20g para cada cidadão. O trabalho de Winston consistia em coletar todos os dados antigos em que descreviam que a ração antiga era de 30g e substitui-los pela versão oficial. A população agradece ao Grande Irmão pelo aumento devido aos propósitos midiáticos do poder. Winston entendia que adulterava a verdade, por muito tempo ele encobria a verdade para si, mas, aos poucos, ele começava a questionar calado e solitariamente. O medo de comentar algo era um dos trunfos do Partido para o controle total da população. Winston tinha esperança na prole. Na sua ingênua visão, que confunde-se com a biografia de Orwell em sua visão durante a guerra civil espanhola, a prole é a única que pode mudar o status quo.
Winston lembra dos "Dois minutos de ódio", parte do dia em que todos os membros do partido se reunem para ver propaganda enaltecendo as conquistas do Grande Irmão e, principalmente, direcionar o ódio contido contra os inimigos (toteísmo usado amplamente pelo ser humano: odeie o seu inimigo e se identifique com o seu semalhante). Durante este ato, Winston repara num membro do Partido Interno, seu nome é O'Brien. Winston separou-se devido à devoção de sua esposa ao Partido. Ela seguia as determinação que o sexo deveria ser apenas para procriação de novos cidadãos. O sexo como prazer era crime. Ao ver uma bela mulher, lembrou-se da última vez que fizera sexo. Havia três anos e com uma prostituta repugnante. Boicotar o sexo, como pretendem os atuais donos-do-mundo é uma das forças-motrizes para dominar a mente. Winston anotava tudo o que se passava pela sua cabeça. Um exercício proibido mas necessário. Anotar e lembrar pode ser muito perigoso. O caso mais escandaloso que revoltava Winston era o de Jones, Aaronson and Rutherford, os últimos três sobreviventes da Revolução. Presos em 1965, confessaram assasinatos e sabotagens em seus julgamentos. Foram perdoados, mas logo após foram presos e executados. Após um breve periodo Winston os viu no Café Castanheira (Local mal-visto pelos cidadãos que não queriam cometer crimidéia). No ano do julgamento Winston refez uma matéria sobre os três 'traidores'. Recebeu através do tubo de transporte que eles estavam na Lestásia naqueles dias, mas ele sabia que eles confessaram estar na Eurásia (naquela época a Eurásia era a inimiga, mas num piscar de olhos, a Lestásia deixava de ser a aliada e passava a ser a inimiga).
Esta é uma crítica às alianças políticas, principalmente ao pacto de Hitler e Stalin. Os nazistas chegaram ao poder financiados também por setores dos EUA para combater o avanço do comunismo. Durante a vigoração do pacto, a aliança entre Moscou e Berlim sempre existiu para a população dos dois países. Eles não eram amigos, eles sempre foram amigos! No ano seguinte, rumo ao 'espaço vital alemão', os russos sempre foram os inimigos. Sempre tinham sido. Bastante atual se compararmos o apoio logístico e bélico dado aos estaduinedenses a Saddam Hussein e Osama bin Laden para combater o comunismo. Agora, eles são os inimigos eternos.
A mentira do Partido era a prova que Winston procurava para si. Havia algo podre na Oceania. Winston, que era curioso mas não era burro, joga o papel que podia incriminá-lo no buraco da memória. Revoltado, escreve no seu diário que liberdade é poder escrever que dois mais dois são quatro. As fábricas russas ainda contém placas com o lema: dois mais dois são cinco se o partido quiser.
Não era bem-visto que membros do Partido freqüentassem o bairro proletário. Winston estivera havia poucos dias no mesmo local para comprar seu diário. Depois de um costumaz bombardeio, Winston entrevista pessoas sobre como era a vida antes da guerra, mas os idosos não lembram mais, apenas futilidades e coisas pessoais. Ao voltar ao antiquário o propietário tem uma surpresa para o curioso por antiquidades. Winston esperava ver algum objeto anterior ao Partido, mas o que o sr. Carrrington lhe mostra é um quarto com arrumação e mobílias antigas. Sem teletelas.
Winston, ao sair do antiquário, vê uma mulher e desconfia que ela seja uma espiã da Polícia do Pensamento. No dia seguinte, a encontra no Ministério da Verdade, o que aumenta o seu temor em ser denunciado. Ao passar por Winston, ela simula uma dor para desviar a atenção das teletelas, e lhe passar um bilhete escrito: "Eu te amo".
As normas do Partido deixavam claro que membros do Partido, principalmente dos sexos opostos, não deveiam se comunicar a não ser a respeito de trabalho. Passaram-se semanas em conversas fragmentadas até conseguirem marcar um encontro num lugar secreto longe dos microfones escondidos. Winston só descobre seu nome após beijá-la. Júlia confessa que ficou atraída por Winston pelo seu rosto que parecia ir contra o partido. Estava na cara que Winston era perigoso à ordem e ao progresso.
Winston se surpreende ao saber que Júlia se 'apaixonava' com facilidade. O desejo dela era corromper o estado por dentro, literalmente. Para continuar seu romance com Júlia, Winston têm a idéia de alugar aquele quarto do antiquário.
Winston ficou impressionado e passou a acreditar que Júlia seria uma ótima companheira de guerra. Por enquanto, era a pessoa que Winston podia compartilhar seus sentimentos e secreções. Apaixonado, ele recupera peso e saúde. Enquanto isso, o partido organizava a "A Semana do Ódio " (paródia dos mega-eventos políticos, principalmente as Reuniões de Nuremberg promovidas pelo partido Nazista e das paradas militares comunistas) e algumas pessoas desapareciam. Syme, filologista que dedicava-se a finalizar a décima-primeira edição do Dicionário de Novilíngua, tornou-se impessoa. Seu nome não estava mais nos quadros. Nunca esteve.
Certo dia, O'Brien, um membro do Partido Interno, percebe também que Winston era diferente dos outros. O'Brien o convida, para despistar as teletelas, a ir ao seu apartamento ver a nova edição do dicionário de novilíngua. O convite de O'Brien era incomum e fez Winston se animar com a possibilidade de uma insurreição. Ele passa a crer que a Fraternidade não era apenas peça de propaganda, a organização anti-Grande Irmão responsável por todos os danos causados na Oceania tal qual Bola-de-Neve em a "Revolucão dos Bichos".
Winston leva Júlia ao encontro. Para espanto do casal, O'Brien desliga a teletela de seu luxuoso apartamento. Alguns integrantes do partido Interno tinham permissão para se desconectar de suas 'bandas-largas' por alguns instantes. Winston confessa seu desejo de conspirar contra o Partido, pois acreditava na existência da Fraternidade e para tal suas esperanças estavam depositadas em O'Brien. Os planos eram regados a vinho digno, artigo inviável para os integrantes do Partido Externo, e o brinde destinado ao líder da Fraternidade, Emanuel Goldstein. Dias depois, Winston recebe a obra política de Goldstein em seu cubículo.
Winston "devora" o livro enquanto Júlia não demonstra o mesmo interesse. Winston ainda acredita nas proles mesmo ao ver uma mulher cantando uma música pré-fabricada em máquinas de fazer versos. Nada muito distante da música atual. "Nós somos os mortos" filosofa Winston ao contemplar a vida simples da prole. A ignorância dos menos abastados não era perigo para o Partido e, portanto, não sofria tanta repressão quanto os membros, superiores e inferiores do Partido, a classe-média. "Nós somos os mortos" repete uma voz metálica. Sim, era uma teletela escondida atrás de um quadro. Guardas irrompem o quarto e Winston vai para uma cela, provavelmente, no Ministério do Amor.
Até as celas tinham teletelas que vigiavam cada passo de um Winston doente e faminto. Os prisioneiros têm a fisionomia dos do campo de concentração. Ao encontrar O'Brien, Winston que pensara que ele também fora capturado, escuta a frase mais enigmática do livro: "Eles me pegaram há muito tempo".
Winston vai para uma sala e O'Brien torna-se o seu torturador. O'Brien explica o conceito do duplipensar, o funcionamento do Partido e questiona Winston das frases de seu diário sobre liberdade. O'Brien não esquece o que o Winston escreveu. A liberdade é o tema para que O'Brien explique durante a tortura o controle da realidade. Se fosse necessário deveriam haver quantos dedos em sua mão estendida o partido quisesse. A verdade pertence ao Partido já que este controla a memória das pessoas. Winston, torturado e drogado começa a aceitar o mundo de O'Brien e passa ao estágio seguinte de adaptação que consiste em: aprender, entender e aceitar Winston sabia que já estava se adaptando e confessando que a Eurásia era inimiga e que nunca tinha visto a foto dos revolucionários. Mas ainda faltava a reintegração e este ritual de passagem só podria ser concluído no Quarto 101. Segundo O'Brien, o pior lugar do mundo.
O Quarto 101 é um inferno personalizado. Como Winston tem pavor de roedores, os torturadores colocaram uma máscara em seu rosto com uma abertura para uma gaiola cheia de ratos famintos separada apenas por uma portinhola. A única forma de escapar era renegar o perigo maior ao Partido, o amor a outra pessoa acima do Grande Irmão. "Pare. Faça isso com a Júlia." Grita Winston.
Winston, libertado, termina seus dias tomando Gim Vitória e jogando sozinho xadrez no Castanheira Café. Ao fundo, seu rosto aparece na teletela confessando vários crimes. Ele foi solto e teve sua posição rebaixada para um trabalho ordinário num sub-comitê. Trajetória de milhares de pessoas de regimes totalitários, como o tcheco Thomaz de "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera, o caso do médico que vira pintor de paredes ao renegar as ordens do partido não é muito diferente daqueles que não se adaptam em suas profissões no mundo livre S/A.
Júlia escapa também do Quarto 101. O Partido os separou e os dois só voltaram a se encotrar ocasionalmente. Já não eram mais as mesmas pessoas. Tinham "crescido" e se traído. Wisnton, no Café Castanheira, sorri. Está completamente adaptado ao mundo. Finalmente ele ama o Grande Irmão.
| Livro citado pelo autor do artigo: • Livro 1984 - Edição Comemorativa - GEORGE ORWELL |
Principais personagens: Winston Smith; Júlia; O'Brien; e Grande Irmão (Big Brother).
Outras personagens: Sr. Carrington; Parsons; Syme; Tillotson; Martin; Jones; Rutherford; e Mãe de Winston.
Características da obra: Novilíngua; As Teletelas; Divisão das classes; e O livro de Goldstein.
Adaptações : cinema e tv.
Saiba mais sobre o livro 1984 de George Orwell
Saiba mais sobre a Biografia de George Orwell
Saiba mais sobre George Orwell
Obras de George Orwell - Romances:
• Dias na Birmânia - Burmese Days (1934)
• A Filha do Reverendo - A Clergyman's Daughter (1935)
• Mantenha o Sistema (O Vil Metal) - Keep the Aspidistra Flying (1936)
• Um Pouco de Ar, Por Favor! (Na sombra de 1984) - Coming up for Air (1939)
• A Revolução dos Bichos (O Triunfo dos Porcos) - Animal Farm (1945)
• 1984 (Mil Novecentos e Oitenta e Quatro) - Nineteen Eighty-Four (1949)
Obras de George Orwell - Não-Ficção:
• Na Pior em Paris e Londres (Na Penúria em Paris e Londres) - Down and Out in Paris and London (1933)
• A caminho de Wigan - The Road to Wigan Pier (1937)
• Lutando na Espanha (Homenagem à Catalunha) - Homage to Catalonia (1938)
Posted on sábado, outubro 11, 2008 by Guto Dias
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