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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Jack Kerouac fala sobre On the Road em entrevista para o The Paris Review em 1967

Por L&PM Editores em 19/12/2008

Confira trechos da entrevista feita com Jack Kerouac pelo jornalista Ted Berrigan e publicada na revista The Paris Review em 1967

O que o motivou a usar o estilo "espontâneo" em On the Road?
Jack Kerouac: Tive a idéia de usar o estilo espontâneo em On the Road ao ver como meu velho amigo Neal Cassady escrevia suas cartas, sempre na primeira pessoa, rápidas, loucas, confessionais, completamente sérias, minuciosas, com os nomes reais, no caso dele (eram cartas). Também lembrei do aviso de Goethe - em uma profecia, Goethe disse que a literatura do Ocidente seria confessio­nal por natureza. Dostoiévski também percebeu isso, e poderia ter seguido por aí, se tivesse vivido o bastante para realizar a obra-prima que planejou, O grande pecador. Cassady também começou seus escritos juvenis com tentativas de fazer um negócio lento, sofrido, cheio da droga da técnica, mas ficou cheio, como eu, vendo que não botava as coisas para fora do modo visceral como elas brotavam. Mas seu estilo 56 me deu um toque...é uma mentira cruel daqueles vagabundos da costa oeste dizer que eu tirei dele a idéia para fazer On the Road.
Todas as cartas que me escreveu falavam do tempo em que era mais jovem, antes que eu o conhecesse, uma criança com o pai etc., e das experiências seguin­tes da adolescência. A carta que ele me mandou tem a fama injusta de possuir treze mil palavras... Não, o texto de treze mil palavras foi The first third, que ele conservou em seu poder. A carta, quer dizer, a maior carta, tinha quarenta mil palavras, veja bem, um pequeno romance completo. Foi a maior obra escrita que já vi, melhor do que qualquer um faria nos Estados Unidos – ou pelo menos dava para Melville, Twain, Dreiser, Wolfe e sei lá quem mais tremerem na sepultura. Allen Ginsberg pediu esta carta enorme emprestada. Depois que leu, passou para um sujeito chamado Gerd Stern, que morava em um barco - casa em Sausalito, Califórnia, em 1955, e esse cara perdeu a carta, deve ter deixado cair dentro d'água. Neal e eu a chamávamos de Joan Anderson Letter, por conveniência. Contava tudo sobre um fim de semana de Natal em salões de bilhar, quartos de hotel e prisões de Denver, estava cheia de casos hilariantes e trágicos também, tinha até o desenho de uma janela, com as medidas, para aju­dar o leitor a entender, e muito mais, Veja bem: esta carta teria sido publicada com o nome de Neal, se fosse possível encontrá-la. Mas, como você sabe, era uma carta para mim, propriedade minha, e Allen não poderia ter sido tão descuidado com ela, nem o cara do barco. Se nós pudéssemos descobrir esta carta de quarenta mil palavras, faríamos justiça a Neal. Além disso, grava­mos várias conversas rápidas por volta de 1952, e as ouvimos várias vezes, nós dois pegamos o segredo do código para contar uma história, e percebemos que era o único jeito de registrar a velocidade, a tensão e as bobagens deslumbradas da época...é o bastante?

Em sua opinião, de que maneira este estilo se modificou desde On the road?
Kerouac: Que estilo? Ah, o estilo de On the Road. Bem, como eu disse, Cowley mexeu no texto original, sem que eu pudesse reclamar. Depois disso, todos os meus livros foram publicados do modo como eu os escrevi, como já falei, e o estilo tem variado desde a escrita rápida altamente experimental de Railroad Earth até o estilo místico voltado para dentro de Tristessa, da loucura confessibnal à la Memórias do subterrâneo de Dostoiévski em The subterraneans (Os subterrâneos) e a perfeição dos três reunidos em Big Sur, que conta uma história simples no estilo fluente da prosa literária melosa, até Satori em Paris, que é, na verdade, o primeiro livro que escrevi com bebida ao lado (conhaque e bourbon) ...Sem falar em Book of dreams (O livro dos sonhos), no estilo de uma pessoa que mal acor­dou, escrevendo a lápis na beira da cama, sim, a lápis, que trabalho! Olhos congestionados, a mente insana confundida e mistificada pelo sono, de­talhes que pipocam e que você não entende o significado, enquanto escreve.

É verdade que você datilografou o original de Naked lunch (Almoço nu) para Burroughs em Tânger?
Kerouac: Não...só o começo. Os dois primeiros capítulos. Eu tinha pesadelos, quando ia para a cama...um monte de besteiras saindo de minha boca. Datilografar aquele livro estava me provocando pesadelos...Eu dizia, "Bill". E ele: "Continue batendo". Ele disse: "Comprei a porra do fogareiro para você, aqui, no norte da Africa, sabia?". É difícil conseguir um fogareiro... entre os árabes. Eu acendia o fogo, pegava as cobertas e um pouco de fumo, ou "kif", como diziam lá... Ou, de vez em quando, um pouco de haxixe ... Lá é legal, por falar nisso...E ia batendo tac-tac-tac-tac-tac-tac, e quando ia para a cama, à noite, aquelas coisas ficavam saindo pela minha boca. De repente chegaram outros caras, como Alan Ansen e Allen Ginsberg, e estragaram todo o original, porque não o datilografaram do jeito que ele o escreveu.

A Grove Press tem lançado os livros dele da Olympia Press com uma porção de mudanças e acréscimos.
Kerouac: Bem, na minha opinião Burroughs não produziu nada de atraente para nossos corações atormentados desde que escreveu Naked lunch daquele jeito. A única coisa que ele faz agora é um negócio fragmentado, que se chama. ..quando você escreve uma página em prosa, e depois escreve mais uma... aí você dobra, corta e junta tudo...(cut-ups) e outras merdas do gênero...

E o que você diz de Junkie (Junky - Drogado), então?
Kerouac: É um clássico. Melhor que Hemingway - é que nem Hemingway, até um pouco melhor. Diz o seguinte: Danny chega em minha casa uma noite, e diz, ei, Bill, me empresta o porrete? Um porrete - você sabe o que é um porrete?

Um cassetete?
Kerouac: Isso, um cassetete. Bill conta: " Abri a gaveta de baixo, e puxei o porrete, guardado embaixo das camisas finas. Dei para Danny e disse: 'Vê se não perde isso, Danny' - Danny diz: 'Não se preocupe, não vou perder'". Ele vai embora e perde. Porrete. ..cassetete. ..isso sou eu. Porrete. ..cassetete.

Isso é um haicai: porrete, cassetete, isso sou eu. Melhor anotar
Kerouac:
Não.

Quando conheceu Allen Ginsberg?
Kerouac:
Primeiro conheci Claude.(trata-se provavelmente de Lucien Carr - N. do Ed.) Aí conheci Allen, e depois conheci Burroughs. Claude entrou pela saída de incêndio. ..deram tiros no beco. Estava chovendo, e minha mulher falou: "Lá vem o Claude". Então aparece aquele cara loiro, pela saída de incêndio, todo molhado. Eu disse: "O que está acontecendo? Que diabo é isso?". Ele diz: "Estão atrás de mim". No dia seguinte chega Allen Ginsberg, trazendo livros. Tinha dezesseis anos e orelhas de abano. Ele disse: "Bem, a discrição é a melhor medida do valor!". Eu disse: "Cala a boca, seu intrometido". No dia seguinte apareceu o Burroughs, vestindo um temo listado de algodão, junto com o outro cara.

Que outro cara?
Kerouac:
O cara que acabou dentro do rio. Era um cara de Nova Orleans, que Claude matou e jogou no rio. Ele o esfaqueou doze vezes, no coração, com um canivete de escoteiro. Claude, quando tinha catorze anos, era o menino loiro mais lindo de Nova Orleans. Ele entrou para os escoteiros...o chefe dos escoteiros era uma bicha ruiva gorda, que estudou na Universidade de St. Louis, se não me engano. Ele já tinha ficado apaixonado por um cara muito parecido com o Claude, em Paris. Esse cara caçou Claude pelo país inteiro. Por causa dele, Claude já fora expulso de Baldwin, Tulane e do curso de preparação em Andover...,um caso de viadagem, mas Claude não é viado.

O que diz da influência de Ginsberg e Burroughs? Você alguma vez teve noção do marco que os três foram na literatura americana?
Kerouac:
Eu estava decidido a ser um "grande escritor", entre aspas, como Thomas Wolfe, sabe...Allen vivia lendo e fazendo poesia. ..Burroughs lia muito, e andava por aí olhando as coisas...Já escreveram, muitas e muitas vezes, sobre a influência que exercemos uns sobre os outros...Nós éramos apenas três personagens curiosos, na grande e curiosa cidade de Nova York, circulando pelas universidades, bibliotecas e cafés. Você vai encontrar um monte de detalhes em Vanity... em On the road, onde Burroughs é Bull Lee e Ginsberg é Carlo Marx.

O que foi que reuniu vocês todos nos anos 50? O que havia para unir o pessoal da "geração beat"?
Kerouac:
Bem, geração beat foi só um nome que usei no original de On the road para descrever caras como Moriarty, que percorriam o país de carro, atrás de serviços avulsos, garotas e farras. Mais tarde foi aproveitado por grupos esquerdistas da costa oeste, e ganhou um sentido de "rebelião beat" e "insurreição beat" e outras bobagens. Eles só queriam se agarrar a um movimento qualquer da juventude, para atingir seus objetivos políticos e sociais. Eu não tive nada a ver com isso. Eu era um jogador de futebol, estudante bolsista da universidade, marinheiro da frota mercante, guarda-freios de trens de carga, preparador de sinopses, secretário... e Moriarty-Cassady era um cowboy de verdade no rancho de Dave Uhl, em New Raymer, Colorado...Que tipo de beatnik é este?

Havia alguma noção de "comunidade" no meio da turma beat?
Kerouac:
A sensação de comunidade foi largamente inspirada pelas mesmas pessoas que já mencionei, como Ferlinghetti e Ginsberg. Eles vivem com a cabeça cheia de socialismo e querem que todo mundo viva em uma espécie de kibbutz frenético, com companheirismo e tudo mais. Eu era um solitário. Snyder não é igual a Whalen, Whalen não é igual a McClure, eu não sou igual a McClure. McClure não é igual a Ferlinghetti, Ginsberg não é igual a Ferlinghetti, mas todos nós gostávamos de tomar vinho, de qualquer maneira. Conhecíamos milhares de poetas e pintores e músicos de jazz. Não havia uma "turma beat", como você falou... O que me diz de Scott Fitzgerald e sua "turma perdida", ou de Goethe e da "turma de Wilhelm Meister"? O assunto é muito chato. Me passa aquele copo.

Bem, e porque eles se afastaram, no começo dos anos 60
Kerouac:
Ginsberg começou a se interessar por política, pela esquerda... como Joyce, eu disse a mesma coisa que Joyce disse a Ezra Pound nos anos 20: "Não me amole com a política, a única coisa que me interessa é estilo".





Posted on terça-feira, agosto 11, 2009 by Guto Dias

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

 

Neal Cassady é o herói insano que inspirou Kerouac a criar On the Road - pé na estrada. Aparece no livro como Dean Moriarty, o catalizador da aventura louca pelas estradas da América.


Filho de "um dos bêbados mais trôpegos de Larrimer Street" de Denver, Neal passou a infância em becos imundos, esmolando nas esquinas das grandes avenidas e entregando a grana para o pai, que jazia atirado entre garrafas estilhaçadas, cobertores em farrapos em ruas estreitas sem saída na parte baixa do centro de Denver. Aos seis anos, depôs no tribunal para livrar o velho do xadrez. Segundo Kerouac,Neal "era o cara perfeito para a estrada, já que nasceu na estrada quando seus pais estavam passando por Salt Lake City, 1926, num calhambeque caindo aos pedaços."
Em 1943, depois de fugir de vários reformatórios essa "nova espécie de Santo Americano" fez sua primeira grande viagem. E nas páginas de On the Road ele conta tudo: "Eu trabalhava na lavanderia Nova Era, em Los Angeles, aí falsifiquei meus papéis e fui até o autódromo de Indiana, que ficava a uns três mil quilômetros, com a determinação expressa de assistir à clássica corrida de Memorial Dar, pedindo carona de dia e roubando carros à noite pra ganhar tempo." E depois: "'No outono seguinte, aos 17 anos, refiz o mesmo percurso para assistir o jogo entre Notre Dame e Califórnia em South Bend, Indiana e tinha apenas a grana para a entrada, nem um centavo a mais e não comi absolutamente nada na ida e na volta, a não ser o pouco que consegui mendigar de todos os tipos malucos com os quais ia cruzando pela estrada, e das putas também. Fui o único sujeito em todos os Estados Unidos da América que se sujeitou a tamanhas dificuldades somente para assistir um jogo de baseball."
Mais tarde, Neal pôde percorrer com mais conforto (mas não menos demência) as estradas da América: conseguiu comprar alguns carros, como o lendário e flamante Hudson 49 de uma das viagens de On the Road, ou o Cadillac que ele e Jack deveriam levar de Denver a Chicago (e realmente levaram só que o reduziram a escombros -"mais parecia uma bota enlameada do que uma limousine flamejante; pagara o preço da noite"), ou o velho Ford modelo 1937 com as portas amarradas por uma corda, no qual ambos viajaram para o México na primavera de 1950.
Maior motorista de todos os tempos ("Cody, como qualquer outro motorista que dirigia por aquelas estradas cheias de buracos e tremendamente perigosas, apoiava o cotovelo na janela e, mais do que ninguém dava a impressão de sentir-se particularmente calmo, tranquilo e à vontade atrás do volante, com seu pescoço grosso, musculoso, erguido e eficiente - como são os pescoços dos grandes motoristas de ônibus - e era assim que eu o via enquanto olhava por cima de seu ombro para a estrada que à noite mostra apenas uma pequena parte de si mesma", escreveu Kerouac no sublime Visions of Cody sendo que Cody Pomeroy, é, claro, Neal Cassady e o livro, a obra suprema da prosa "espontânea" de Jack). Neal continuou na estrada mesmo depois que Kerouac careteou de vez .
Tornou-se chofer do ônibus mais alucinado de todos os tempos: o ônibus pintado com a bandeira dos Estados Unidos no qual viajavam o escritor Ken (Um Estranho no Ninho) Kensey e seus Merry Pranksters, além do conjunto Greatful Dead, dando concertos gratuitos e promovendo coloridíssimos happeanings, nos quais aproveitavam para distribuir ácido para todos os participantes, graciosamente. A insólita experiência (fulminada pelo já baixo astral Ronald Reagan, então governador da Califórnia) foi narrada por Tom Wolfe, num livro antológico, The Electric Koll-Aid Acid Test. ( "O teste do ácido do refresco elétrico", Editora Objetiva, 1990)
No dia 4 de fevereiro de 1968, pouco antes de completar 42 anos, Neal Cassady foi encontrado estendido à beira dos trilhos de trem, no deserto mexicano. Misturara (propositadamente?) uma dose descomunal de álcool e anfetaminas. Quando o encontraram, "era puro espírito já".

Posted on quinta-feira, outubro 02, 2008 by Guto Dias

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Jack Kerouac
Jack Kerouac

Jack Kerouac (12 de Março de 1922, Lowell - Massachusetts - 21 de Outubro de 1969, St. Petersburg - Flórida), foi um escritor estadunidense.

Índice

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Infância e juventude

Kerouac, de origem franco-canadense, teve uma infância séria, onde era muito dedicado à mãe. Freqüentou um colégio jesuíta e ajudou o pai numa fábrica de impressão. Um de seus traumas mais trágicos, que voltaria relatado em seus romances, foi a morte de seu irmão Gerard quando ele tinha apenas nove anos.

Devido às dificuldades econômicas por que passava a família, Jack resolveu fazer parte do time de futebol americano do colégio para tentar uma bolsa de estudo na faculdade. Assim conseguindo entrar na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para onde mudou-se com a família.

Antes de pegar o diploma, abandonou os estudos após uma briga com o treinador e resolveu alistar-se na Marinha. De acordo com o biógrafo Yves Buin, autor de Kerouac (L&M Pocket, outono de 2007, p. 61), Jack assumiu certa vez haver feito felação num marinheiro.

Não se ajustando à marinha de guerra, acabou na marinha mercante, onde ficou algum tempo. Quando não estava viajando, Jack andava por Nova Iorque acompanhado de seus amigos "delinqüentes" da Universidade de Columbia, entre eles Allen Ginsberg e William Burroughs, chamado de Bill pelos camaradas, além de seu maior companheiro de viagens, Neal Cassady, o “Cowboy”. Foi a época em que Jack conheceu os grandes amigos que formariam, alguns anos mais tarde, o pelotão de frente da geração beat, para desgosto da mãe.

As grandes viagens e escritos

Viagens de Kerouac pela América
Viagens de Kerouac pela América

A relação do escritor com Neal foi determinante para despertar em Jack sua vontade reprimida de botar o pé na estrada e desfrutar de uma liberdade ainda não experimentada. Os dois viajaram por sete anos percorrendo a rota 66, que cruza os EUA na direção leste-oeste, com descidas freqüentes ao México. Saíram de Nova York e cruzaram o país em direção a São Francisco. Dessa jornada saiu o livro “On the Road”, cujo protagonista é Dean Moriarty, o nome criado por Jack para representar o amigo Neal.

Kerouac começou a escrever um romance, falando sobre os tormentos que sofria para equilibrar a vida selvagem da cidade com os seus valores do velho mundo. Foi o seu primeiro romance publicado, porém não chegou a lhe trazer fama. Passaria muito tempo para que ele publicasse novamente. Na tentativa de escrever sobre as surpreendentes viagens que vinha fazendo com o amigo de Columbia, Neal Cassady, Kerouac experimentou formas mais livres e espontâneas de escrever, contando as suas viagens exatamente como elas tinham acontecido, sem parar para pensar ou formular frases. O manuscrito resultante sofreria 7 anos de rejeição até ser publicado. Jack escrevia vários romances, que ia guardando em sua mochila, enquanto vagava de um lado a outro do país. Escreveu Tristessa obra sobre uma viciada em morfina que vive na cidade do mexico... É um romance triste, cheio de ensinamentos budistas ,repleto de compaixão pelo sofrimento humano.

No verão de 1953 Jack Kerouac envolveu-se com uma moça negra, experiência que usou para escrever em 1958 "Os subterrâneos". Escrito em três dias e três noites, Os subterrâneos foi gerado a partir do mesmo tipo de rompante inspiracional que produziu o grande clássico de Kerouac, On the road (traduzido no Brasil no verão de 2007 como Pé na estrada, por Eduardo Bueno) Em 1955 Kerouac apaixonou-se por uma prostituta indígena chamada Esperanza.

Foi publicado pela primeira vez en 1960 e baseado em fatos biograficos.

O método de escrever inovador

Jack Kerouac escreveu sua obra-prima “On The Road”, livro que seria consagrado mais tarde como a “bíblia hippie”, em apenas três semanas. O fôlego narrativo alucinante do escritor impressionou bastante seus editores. Jack usava uma máquina de escrever e uma série de grandes folhas de papel manteiga, que cortou para servirem na máquina e juntou com fita para não ter de trocar de folha a todo momento. Redigia de forma ininterrupta, invariavelmente sem a preocupação de cadenciar o fluxo de palavras com parágrafos.

O material bruto que chegou às mãos de Malcom Cowley, da editora Viking Press, em 1957, deu trabalho. Os rolos quilométricos de texto tiveram de ser revisados, foram inseridos pontos e vírgulas e praticamente 120 páginas do original foram eliminadas. O estilo-avalanche de Jack tinha ainda um elemento intensificador. Ao contrário às idéias correntes, que trabalhou em cima do livro sob o efeito de benzedrina, uma droga estimulante, Kerouac, em admissão própria, abasteceu seu trabalho com nada mais que café.

Drogas

O uso de drogas era comum entre Jack Kerouac e seus amigos. Sobre o assunto, o amigo Allen Ginsberg comentou que “Começamos a experimentar benzedrina e anestésicos. Eu pensava que não poderia escrever porque minha mente ficava confusa, mas Jack sentia que podia escrever romances usando isso. E acho que alguns dos seus romances do início dos anos 50 foram escritos sob efeito desses e outros tóxicos. Jack praticamente se sentava e datilografava por várias semanas, fazia correções, escrevia continuamente 5, 6 ou 7 horas por dia, às vezes até o dia inteiro”.

“Jack sempre foi muito tímido, ainda que parecesse durão, era doce, sensível, passional. Neal era mais espontâneo, machão sem fazer esforço, mas também se interessava muito pelas palavras. Ele esperava Jack ensiná-lo a ser do seu jeito. Eles eram opostos e muita gente pensava que se pareciam. Neal era rude, Jack era mais introvertido e gostaria de ter a mesma iniciativa com as mulheres. Ele gostava de ver Neal fazer isso”, diz a novelista e mulher de Neal, Carolyn Cassady.

Sucesso e crítica

O sucesso e o prestígio conquistados após a publicação de “On the Road”, em 1957, deixou Jack atormentado. Apesar de eventuais críticas positivas que realçavam o caráter inovador da obra, muitos o tacharam de subliterato e imoral. A primeira resenha escrita por Gilbert Millstein no jornal The New York Times foi satisfatória. Ele recorda no documentário “O Rei dos Beats” qual foi sua sensação ao ler o livro: “Eu li o livro e fiquei simplesmente estupefato. Eu disse ali que acreditava naquilo como a expressão perfeita de uma geração, assim como Hemingway em ‘The Sun Also Rises’ também foi uma expressão da sua geração naquela época”.

O efeito imediato da fama causou apreensão e relutância em Jack. Joyce Johnson, a jovem namorada com quem o escritor morava na época, relembra a reação dele diante da celebração instantânea: “Ele estava agitado e com medo. Ele também sentia que teria de viver para sua imagem pública, pois todos esperariam que ele fosse como Dean Moriarty ou Neal Cassady, mas ele era só Jack Kerouac. Era bastante tímido, preferia ficar num canto olhando, refletindo.”

Logo após a publicação, Jack trabalhou intensamente em outros projetos. “The Dharma Bums”, lançado em 1958, foi a tentativa do escritor de estabelecer afinidades com o budismo. É o relato de uma escalada com o amigo poeta Gary Snyder em busca de realizações espirituais.

Isolamento

Nesta mesma época, Jack resolveu se isolar do convívio humano. Subiu até o alto de uma colina e passou longos dias sozinho confinado em uma cabana sem eletricidade e sem vidros nas janelas. Tomava quase uma garrafa de bebida por dia e sofreu com alucinações e paranóias. A experiência foi registrada no livro “Big Sur”, de 1962.

O problema do alcoolismo piorou com o tempo. Derrotado e solitário, vai morar com a sua mãe em Long Island. Seus últimos trabalhos exibiam uma alma desconectada de um ser humano perdido em ilusões. Apesar do estereótipo de beatnik, Kerouac era um conservador, especialmente sob a influência de sua mãe católica. O vigor deu lugar ao cansaço, e o escritor resignou-se a uma vida ordinária.

Frequentemente apaixonado, ele chegou a casar duas vezes ao longo da vida, mas ambos os matrimônios acabaram em poucos meses. Na metade dos anos 60, Jack casa novamente, agora com uma velha conhecida de infância. Ele, a esposa e a mãe mudam para St. Petersburg, na Flórida

Em 21 de outubro de 1969, Jack Kerouac morreu de hemorragia, destruído pela bebida, quando tinha apenas 47 anos, no hospital em St. Petesburg, na Flórida. O amigo e agente literário Allen Ginsberg reverencia seu talento: “Eu não conheço outro escritor que teve influência tão produtiva quanto Kerouac, que abriu o coração como escritor para contar o máximo dos segredos da sua própria mente”.


Posted on quinta-feira, outubro 02, 2008 by Guto Dias

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Meus planos finais: solidão eremítica nas florestas, escrever tranqüilamente na velhice


Jesus era um estranho vagabundo que caminhava sobre a água




Eu só confio nas pessoas loucas, aquelas que são loucas pra viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo,que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas amarelas romanas explodindo como aranhas através das estrelas




Sempre considerei que escrever fosse o meu dever na terra


A minha falha e o meu fracasso não são as minhas paixões, mas a falta de controle sobre elas


Apaixona-te pela tua existência



Posted on quinta-feira, outubro 02, 2008 by Guto Dias

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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

...porque as únicas pessoas autênticas, para mim, são as loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir, semelhantes a aranhas, através das estrelas, e no meio vê-se o clarão azul a estourar e toda a gente exclama Aaaah!

Jack Kerouac

Posted on sexta-feira, setembro 19, 2008 by Guto Dias

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Para quem leu "On the Road" e ficou com sede de Kerouac e da literatura beatnik, há um monte de títulos do gênero a caminho, pela editora L&PM.
As maiores novidades são "Beat Generation", peça escrita por Kerouac em 1957, inédita até 2005 e com lançamento brasileiro previsto para abril, e a biografia "Kerouac", de Yves Buin, que deve ser lançada em março.
Em novembro deve sair "The Town and the City", primeiro livro do autor. Em 2006 foi publicado "Diários de Kerouac, 1947-1954", anos que incluem o da redação de "On the Road" (1951).
Outros livros seus já saíram em português, como "Os Vagabundos Iluminados" e "O Livro dos Sonhos" este, um Kerouac para iniciados, dado o fluxo livre e ensandecido de consciência.
Outros beats ganharão títulos neste ano: Allen Ginsberg ("Cartas do Yage"), Lawrence Ferlinghetti ("Um Parque de Diversões na Cabeça") e Charles Bukowski ("Fabulário Geral do Delírio Cotidiano", entre três outros livros). De William Burroughs, em 2006, saiu "O Gato por Dentro".


Livro será longa e documentário de Walter Salles



Em apenas três semanas de 1951, Jack Kerouac escreveu cerca de 40 metros de texto. Mas sua empolgação não contaminou os editores, e "On the Road" foi recusado várias vezes antes de ser publicado, há 50 anos, em 1957.
De ônibus, carro e carona, o narrador Sal Paradise, personagem inspirado em Kerouac, faz seis travessias les Perrengues..
Invariavelmente, Sal Paradise parte para suas travessias com US$ 50. Como apenas um ônibus entre Denver e San Francisco custava US$ 25, seu dinheiro mingua no meio do caminho. Mas ser beat é deixar isso pra lá. No limite dos perrengues, Paradise trabalha como segurança e colhedor de algodão, rouba gasolina, come e se hospeda na casa alheia e pede dinheiro emprestado para sua tia de Nova Jersey.
Na vida real, Kerouac largou a universidade, foi adepto de jazz, drogas e promiscuidade e chegou a ser preso.
O autor, no entanto, é até convencional perto do co-protagonista Dean Moriarty -na verdade, Neal Cassady, um quase iletrado que pedia a Kerouac que o ensinasse a ser escritor e que se tornou seu companheiro de viagens.
Moriarty acumula vários roubos de carros, cinco anos de prisão e quatro filhos pequenos Estados Unidos afora. Abandona três mulheres apaixonadas por ele. E, se bem fiscalizado, não dirigiria 50 quilômetros sem ter a carteira de motorista cassada. Na vida real, seu currículo era parecido. Cassady chegou a ser menino de rua.

Jack Kerouac (1922-1969), um dos criadores do movimento beat, não tinha paciência para explicá-lo. Talvez porque as melhores explicações estivessem com seus personagens.
Em "On the Road", Sal Paradise, alter ego de Kerouac, diz: "Para mim, as únicas pessoas são as loucas, as que são loucas para viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, que querem tudo ao mesmo tempo, aquelas que nunca bocejam nem dizem um lugar-comum".
O movimento surge como contracultura nos anos 50, de macartismo e de caretice nos EUA. Os beatniks buscavam uma maior exploração da consciência ("tour" muitas vezes animado por drogas) e desdenhavam do "american way of life". Marcam esse começo Allen Ginsberg e Bill Burroughs, além do próprio Kerouac.

Recém-publicado no Brasil, "Contracultura Através dos Tempos", de Ken Goffman e Dan Joy (Ediouro), fala do início beat. Em 1955, "com Kerouac gritando "VAI!" e membros da platéia chorando abertamente", Ginsberg leu o poema "Uivo", que falava em "solidão, sujeira/ saudade, latas de lixo e dólares inatingíveis/ crianças berrando debaixo das escadarias/ garotos soluçando nos exércitos/ velhos chorando nos parques".
Já "On the Road", para os autores, "era um livro fluvial, e os ritmos de linguagem, os brilhos de iluminação, os expressivos relances dos marginalizados dos Estados Unidos deram a seus gratos jovens leitores o equivalente literário da viagem que eles experimentavam com um solo de Charlie Parker."
Mas um dia Kerouac maldisse sua bíblia: virou conservador e anti-semita. Morreu aos 47 anos, por causa do álcool. Allen Ginsberg e Bill Burroughs (em "On the Road", Carlo Marx e "Old Bull" Lee) surpreenderam menos seus fãs: Ginsberg passou pelo budismo e pelo pacifismo, e Burroughs, pela esquerda revolucionária e pelo movimento punk. Os dois morreram em 1997.

.. Jack Kerouac influenciou Bob Dylan e outras pessoas, artistas ou não!

Posted on quarta-feira, setembro 03, 2008 by Guto Dias

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