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quinta-feira, 4 de junho de 2009
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Posted on quinta-feira, junho 04, 2009 by Guto Dias
quinta-feira, 28 de maio de 2009

O hinduísmo é uma tradição religiosa[1] que se originou no subcontinente indiano. O hinduísmo é frequentemente chamado de Sanātana Dharma (सनातन धर्म) por seus praticantes, uma frase em sânscrito que significa "a eterna dharma (lei)"[2]
Num sentido mais abrangente, o hinduísmo abrange o bramanismo, a crença na "Alma Universal", Brâman; num sentido mais específico, o termo se refere ao mundo cultural e religioso, ordenado por castas, da Índia pós-budista.[3] Entre as suas raízes está a religião védica da Idade do Ferro na Índia.
O hinduísmo é citado frequentemente como a "mais antiga tradição religiosa" dentre os principais grupos religiosos do mundo,[4][5] ou como a "mais antiga das principais tradições existentes".[6][7][8] É formado por diferentes tradições e composto por diversos tipos, e não possui um fundador.[9] Estes tipos, sub-tradições e denominações, quando somadas, fazem do hinduísmo a terceira maior religião, depois do cristianismo e do islamismo, com aproximadamente um bilhão de fiéis, dos quais cerca de 905 milhões vivem na Índia e no Nepal.[10] Outros países com populações significativas de hinduístas são Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão, Malásia, Singapura, ilhas Maurício, Fiji, Suriname, Guiana, Trinidad e Tobago, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.
O vaso corpo de escrituras do hinduísmo se divide em shruti ("revelado") e smriti ("lembrado"). Estas escrituras discutem a teologia, filosofia e a mitologia hinduísta, e fornecem informações sobre a prática do dharma (vida religiosa). Entre estes textos os Vedas e os Upanixades possuem a primazia na autoridade, importância e antiguidade. Outras escrituras importantes são os Tantras, os Ágamas, sectários, e os Puranas (AFI: [Purāṇas]), além dos épicos Maabárata (AFI: [Mahābhārata]) e Ramáiana (AFI: [Rāmāyaṇa]). O Bagavadguitá (AFI: [Bhagavad Gītā]), um tratado do Maabárata, narrado pelo deus Críxena (Krishna), costuma ser definido como um sumário dos ensinamentos espirituais dos Vedas.[11]
Os hindus acreditam num espírito supremo cósmico, que é adorado de muitas formas, representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistos como meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes, e realizar a verdadeira natureza de seu Ser.
A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos avatares (manifestações corporais) da divindade suprema, Brâman. Particular destaque é dado à Trimurti - uma trindade constituída por Brama (Brahma), Xiva (Shiva) e Vixnu (Vishnu). Tradicionalmente o culto direto aos membros da Trimurti é relativamente raro - em vez disso, costumam-se cultuar avatares mais específicos e mais próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes, como por exemplo Críxena (Krishna), avatar de Vixnu e personagem central do Bagavadguitá.
Etimologia
Hindū é o nome em persa do rio Indo, encontrado pela primeira vez na palavra Hindu (həndu) do persa antigo, correspondente ao sânscrito védico Sindhu.[12] O Rigveda chama a terra dos indo-arianos como Sapta Sindhu (a terra dos sete rios no noroeste da Ásia Meridional, um deles o Indo), que corresponde ao Hapta Həndu no Avesta (Vendidad or Videvdad, 1.18), escritura sagrada do zoroastrianismo. O termo foi utilizado para designar aqueles que viviam no subcontinente indiano, ou para além do "Sindhu".[13]
O termo persa (persa médio Hindūk, persa moderno Hindū) entrou na Índia pelo Sultanato de Délhi e aparece nos textos do sul da Índia, bem como da Caxemira, a partir de 1323 d.C.[14], e a partir daí é cada vez mais utilizado, especialmente durante o Raj britânico. Desde o fim do século XVIII a palavra passou a ser usada no Ocidente como um termo que abrange a maioria das tradições religiosas, espirituais e culturais do subcontinente, com a exceção do sikhismo, budismo e jainismo, religiões distintas.[15]
Divisões
O hinduísmo contemporâneo pode ser subdividido em diversas correntes principais. Dos seis darshanas ou divisões históricas originais, apenas duas escolas, a vedanta e a ioga, sobrevivem. As principais divisões do hinduísmo hoje em dia são o vixnuísmo, o xivaísmo, o smartismo e shaktismo. A imensa maioria dos hindus atuais podem ser categorizados sob um destes quatro grupos, embora ainda existam outros, cujas denominações e filiações variam imensamente.
Alguns estudiosos dividem as correntes do hinduísmo moderno em seus "tipos":[16]
- Hinduísmo popular, baseado nas tradições locais e nos cultos das divindades tutelares, praticado em nível mais localizado;
- Hinduísmo dármico ou "moral diária", baseado na noção de carma, na astrologia, nas normas de sociedade como o sistema de castas, os costumes de casamentos.
- Hinduísmo vedanta, especialmente o Advaita (smartismo), baseado nos Upanixades e nos Puranas;
- Bhakti, ou "devocionalismo", especialmente o vixnuísmo;
- Hinduísmo bramânico védico, tal como é praticado pelos brâmanes tradicionalistas, especialmente os shrautins;
- Hinduísmo iogue, baseado especialmente nos Yoga Sutras de Patandjáli.
Crenças
O hinduísmo é uma corrente religiosa que evoluiu organicamente através dum grande território marcado por uma diversidade étnica e cultural significativa. Esta corrente evoluiu tanto através da inovação interior quanto pela assimilação de tradições ou cultos externos ao próprio hinduísmo. O resultado foi uma variedade enorme de tradições religiosas, que vai de cultos pequenos e pouco sofisticados os principais movimentos da religião, que contam com milhões de aderentes espalhados por todo o subcontinente indiano e outras regiões do mundo. A identificação do hinduísmo como uma religião independente, separada do budismo e do jainismo, depende muitas vezes da afirmação dos próprios fiéis de que ela o é.[17]
Temas proeminentes nas (porém não restritos às) crenças hinduístas incluem o darma (dharma, ética hindu), samsara (samsāra, o contínuo ciclo do nascimento, morte e renascimento), carma (karma, ação e consequente reação), mocsa (moksha, libertação do samsara), e as diversas iogas (caminhos ou práticas).
O hinduísmo repousa sobre o fundamento espiritual dos Vedas, conjunto de escritos religiosos, sendo por isso mesmo conhecido como o Dharma Veda, além dos escritos meditativos destes, os Upanixades, e os ensinamentos de diversos gurus que viveram ao longo dos tempos.
O Caminho eterno
"O caminho eterno" (em sânscrito सनातन धर्म, Sanātana Dharma), ou a "Filosofia perene/Harmonia/Fé", é o nome que tem sido usado para representar o Hinduísmo desde a antiguidade. De acordo com os Hindus, transmite a idéia de que certos princípios espirituais são intrínsecamente verdadeiros e eternos, transcendendo as ações humanas, representando uma ciência pura da consciência. Mas essa consciência não é meramente aquela do corpo, da mente ou do intelecto, mas a de um estado de espírito supramental que existe dentro e além de nossa existência, o imaculado Ser de tudo. A religião dos Hindus é a busca inata pelo divino dentro do Ser, a busca por encontrar a Verdade que nunca foi perdida de fato. Verdade buscada com fé que poderá tornar-se reconfortante luminosidade independente da raça ou do credo professado. Na verdade, toda forma de existência, dos vegetais e animais até o homem, são sujeitos e objetos do eterno Dharma. Essa fé inata, então, é também conhecida por Arya/Dharma Nobre, Veda/Dharma do Conhecimento, Yoga/Dharma da União, e Dharma Hindu ou simplesmente Dharma.
O que pode ser compreendido como uma crença comum a todos os hindus são o Dharma, a reencarnação, o karma, e a moksha (liberação) de cada alma através de variadas ações de cunho moral e da meditação yoga. Entre os princípios fundamentais incluem-se ainda o ahimsa (não-violência), com a primazia do Guru, a palavra divina Aum e o poder do mantra, amor à verdade em muitas manifestações como deuses e deusas, e a compreensão de que a chama divina essencial (Atman/Brahman) está presente em cada ser humano e em todas as criaturas viventes, que podem chegar por diversas sendas à Verdade Una.
Ioga
Um dos pontos de vista (darshanas) do hinduísmo é a ioga (yoga), que significa "união", no sentido de "integração". Trata-se de uma filosofia prática surgida há mais de 5.000 anos,[carece de fontes?] e os Upanixades são o mais antigo registro escrito desta cultura.
No século III a.C. a ioga foi clássificado por Patandjali, em sua célebre obra Yoga Sutra.
Os quatro objetivos na vida do hindu
Outro maior aspecto do Dharma Hindu que é uma prática comum de todos os Hindus é o purushartha, ou "quatro objetivos da vida". Eles são kama, artha, dharma e moksha. É dito que todos os homens seguem o kama (prazer, físico ou emocional) e artha (poder, fama e riqueza), mas brevemente, com maturidade, eles aprendem a controlar estes desejos, com o dharma, ou a harmonia moral presente em toda a natureza. O objetivo maior é infinito, cujo resultado é a absoluta felicidade, moksha, ou liberação (também conhecida como Mukti, Samadhi, Nirvana, etc.) do Samsara, o ciclo da vida, morte, e da existência dual.
Os quatro estágios da vida humana
A vida humana também é vista como quatro Ashramas ("fases"ou “estágios"). Eles são Brahmacharya, Grihasthya, Vanaprastha e Sanyasa. O primeiro quarto da vida, brahmacharya (literalmente "pastar em Brahma") é passado em celibato, sobriedade e pura contemplação dos segredos da vida sob os cuidados de um Guru, solidificando o corpo e a mente para as responsabilidades da vida. Grihastya é o estágio do chefe de família, alternativamente conhecido como Samsara, no qual o indivíduo se casa para satisfazer kama e artha na vida conjugal e em uma carreira profissional. Vanaprastha é o gradual desapego do mundo material, ostensivamente entregando seus deveres aos filhos e filhas, e passando mais tempo em contemplação da verdade, e em peregrinações santas. Finalmente, no Sanyasa, o indivíduo vai para reclusão, geralmente em uma floresta, para encontrar Deus através da meditação Yogica e pacificamente libertar-se de seu corpo para uma próxima vida.
Origens, nomenclatura e sociedade
Origens históricas e aspectos sociais
Pouco é conhecido sobre a origem do hinduísmo, já que sua existência antecede os registros históricos. É dito que o Hinduísmo deriva das crenças dos arianos, que residiam nos continentes sub-indianos, ('nobres' seguidores dos Vedas), dravidianos, e harapanos. Alguns dizem que o hinduísmo nasceu com o budismo e o jainismo, mas Heinrich Zimmer e outros indólogos afirmam que o jainismo é muito anterior ao hinduísmo, e que o budismo deriva deste e do Sankhya que em conseqüência afetaram o desenvolvimento de sua religião mãe. Diversas são as idéias sobre as origens dos Vedas e a compreensão se os arianos eram ou não nativos ou estrangeiros na Índia. A existência do Hinduísmo data de 4000 a 6000 mil anos a.C..
É preciso salientar que há, atualmente, dúvidas entre os estudiosos sobre ter ou não havido uma invasão ariana na Índia. Questiona-se sobre a miscigenação lenta, em lugar de invasão violenta, com os dravidianos e outros povos de origem autóctone e mesmo mediterrânea, existentes na região antes da chegada dos pastores-guerreiros vindos da Europa. Isto coloca em questão também a origem do hinduísmo. Como reforço a esta hipótese, a análise dos Rig Vedas mais antigos (cerca de 1500 a.C.) mostra uma série de fórmulas mágicas de propriedade de famílias no poder, sem qualquer indicação das práticas de yoga que acompanham a filosofia Sankhya, e que são documentadas em selos de cerca de 2500 a.C..
Historicamente, a palavra hindu antecende o hinduísmo como religião; o termo é de origem persa e primeiramente referia-se ao povo que residia no outro lado (do ponto de vista persa) do Sindhu ou rio Indo. Foi utilizado para expressar não somente a etnicidade mas a religião védica desde o século XV e XVI, por personalidades como Guru Nanak (fundador do sikhismo). Durante o Império Britânico, a utilização do termo tornou-se comum, e eventualmente, a religião dos hindus védicos foi denominada "hinduísmo". Na verdade, foi meramente uma nova vestimenta para uma cultura que vinha prosperando desde a mais remota antiguidade.
Distribuição geográfica atual
A Índia, a ilhas Maurício, e o Nepal assim como a ilha indonésia de Bali têm como religião predominante o hinduísmo; importantes minorias hindus existem em Bangladesh (11 milhões), Myanmar (7,1 milhões), Sri Lanka (2.5 milhões), Estados Unidos (2,5 milhões), Paquistão (4,3 milhões), África do Sul (1,2 milhões), Reino Unido (1,5 milhão), Malásia (1,1 milhão), Canadá (1 milhão), Ilhas Fiji (500 mil), Trinidad e Tobago (500 mil), Guiana (400 mil), Holanda (400 mil), Cingapura (300 mil) e Suriname (200 mil).
Filosofia hindu: as seis escolas védicas de pensamento
As seis escolas filosóficas ortodoxas hindu (Astika, que aceitam a autoridade dos Vedas) são Nyaya, Vaisheshika, Sankhya, Yoga, Purva Mimamsa - também denominadas Mimamsa -, Uttara Mimamsa e Vedanta. As escolas não-védicas são denominadas Nastika, ou heterodoxas, e referem-se ao budismo, jainismo e Lokayata. As escolas que continuam a influênciar o hinduísmo hoje são Purva Mimamsa, Yoga, e Vedanta.
Purva Mimamsa
O principal objetivo do Purva ("cedo") ou da escola Mimamsa era estabelecer a autoridade dos Vedas. Consequentemente a valiosa contribuição desta escola ao Hinduísmo foi a formulação das regras da interpretação Védica. Seus aderentes acreditavam que a revelação deveria ser provada através da razão, e não aceita como um dogma cego. Este método empírico e eminentemente sensível de aplicação religiosa é a chave para Sanatana Dharma e foi especialmente desenvolvido por racionalistas como Sankaracharya e Swami Vivekananda. Para aprofundar-se mais neste tema veja Purva Mimamsa.
Yoga
-
Ver artigo principal: Ioga
O sistema da Yoga (ioga, em português) é geralmente considerado como tendo surgido a partir da filosofia Sankhya. Entretanto a yoga referida aqui, é especialmente a Raja Yoga (ou união através da meditação). E é baseada em um texto (que exerceu grande influéncia) de Patandjali intitulado Yoga Sutras, e é essencialmente uma compilação e sistematização da filosofia da Yoga meditacional. Os Upanixades e o Bagavadguitá também são textos indispensáveis ao estudo da ioga.
A filosofia Sankhya é anterior ao bramanismo, filosofia que deu origem ao hinduísmo, como coloca o indólogo Heinrich Zimmer em seu clássico Filosofias da Índia. Patandjali, monge do sul da Índia, onde até hoje a tradição tamil preserva elementos das filosofias pré-védicas, tinha formação no sistema Sankhya-yoga, indissociável. O Sankhya foi compilado bem antes de Patandjali (que viveu no século II a.C., por Kapila, que viveu pouco tempo antes de Buda. Uma diferença importante entre o Sankhya e o bramanismo é que o primeiro é dualista, e o segundo monista, mas ambos vêem o espírito, ou Deus, como imanente e transcendente ao mesmo tempo.
A diferença mais significante do Sankhya é que a escola de yoga não somente incorpora o conceito do Ishvara (ou "Deus pessoal") numa visão do mundo metafísica mas também sustenta Ishvara como um ideal sobre o qual meditar. A razão é que Ishvara é o único aspecto de purusha (do infinito Terreno Divino) que não foi mesclado com prakrti (forças criativas temporárias). Também utiliza as terminologias Brahman/Atman e conceitos profundos dos Upanixades, adotando uma visão vedântica monista. A realização do objetivo da ioga é conhecido como moksha ou samadhi. E como nos Upanixades, busca, o despertar ou a compreensão de Atman como sendo nada mais que o infinito brâmane, através da (mente) ética, (corpo) físico meditação (alma) o único alvo de suas práticas é a "verdade suprema".
Uttara Mimamsa: As Três Escolas de Vedanta
A Escola Uttara ("tarde") Mimamsa é talvez a pedra angular dos movimentos do hinduísmo, e certamente foi responsável por uma nova onda de investigação filosófica e meditativa, renovação da fé, e reformas culturais. Primeiramente associada com os Upanixades e seus comentários por Badarayana, e Vedanta Sutra, o pensamento vedanta dividiu-se em três grupos, iniciados pelo pensamento e escrita de Sankaracharya. A maioria da atual filosofia hindu, está relacionada a mudanças que foram influenciadas pelo pensamento vedanta, o qual é focalizado na meditação, moralidade e centralização no Eu uno ao invés de rituais ou distinções sociais insignificantes como as castas.
Puro monismo: Advaita Vedanta
Advaita literalmente significa "não dois"; isto é o que referimos como monoteístico, ou sistema não-dualístico, que enfatiza a unidade. Seu consolidador foi Shankaracharya (788-820). Shankara expos suas teorias baseadas amplamente nos ensinamentos dos Upanixades e de seu guru Gaudapada. Através da analise da consciência experimental, ele expos a natureza relativa do mundo e estabeleceu a realidade não dual ou Brahman no qual Atman (a alma individual) ou Brahman (a realidade última) são absolutamente identificadas. Não é meramente uma filosofia, mas um sistema consciente de éticas aplicadas e meditação, direcionadas a obténção da paz e compreensão da verdade. Sankaracharya acusou as castas e rituais como tolos, e em sua própria maneira carismática, suplicou aos verdadeiros devotos a meditarem no amor de Deus e alcançarem a verdade.
Monismo qualificado: Vishistadvaita Vedanta
Ramanuja (1040 - 1137) foi o principal proponente do conceito de Sriman Narayana como Brahman o supremo. Ele ensinou que a realidade última possui três aspectos: Ishvara (Vixnu), cit ("alma") e acit ("matéria"). Vixnu é a única realidade independente, enquanto alma e material são dependentes de Deus para sua existência. Devido a esta qualificação da realidade últimA, o sistema de Ramanuja é conhecido como não dualístico.
Dualismo: Dvaita Vedanta
Madhva (1199 - 1278) identificou deus com Vishnu, mas a sua visão da realidade era puramente dualista, pois ele compreendeu uma diferenciação fundamental entre o Deus supremo e a alma individual, e o sistema consequentemente foi denominado Dvaita (dualístico) Vedanta.
Culturas Alternativas de Adoração
As Escolas Bhakti
A Escola Devocional Bhakti tem seu nome derivado do termo hindu que evoca a idéia de "amor prazeroso, abnegado e estupefante de Deus como Pai, Mãe, Filho Amados", ou qualquer outra forma de relacionamento que encontre apelo no coração do devoto. A filosofia de Bhakti procura usufruto pleno da divindade universal através da forma pessoal, o que explica a proliferação de tantas divindades na Índia, freqüentemente refletindo as inclinações particulares de pequenas áreas ou grupos de pessoas. Vista como uma forma de Yoga ou união, ele preconiza a necessidade de se dissolver o ego em Deus, na medida em que a consciência do corpo e a mente limitada, como individualidade, seriam fatores contrários à realização espiritual. Essencialmente, é Deus que promove toda mudança, que é a fonte de todos os trabalhos, que a idade através do amor e da luz. 'Sins' e mal - fazendo da devoto são mencionado cair embora da sua próprio acorde , o entusiasta enrugar limitedness já transcendido , através do amor de Deus. Os movimentos Bhakti rejuvenesceram o Hinduísmo ao longo da sua intensa expressão de fé e receptividade às necessidades emocionais e filosóficas da Índia. Pode-se dizer corretamente que influenciaram a maior onda de mudança em orações e rituais hindus desde tempos remotos.
A mais popular forma de expressão de amor a Deus na tradição hindu é através do puja, ou ritual de devoção, frequentemente utilizando o auxílio de murti (estátua) juntamente com canções ou recitação de orações meditacionais em forma de mantras. Canções devocionais denominadas bhajan (escritas primeiramente nos séculos XIV-XVII), kirtan (elogio), e arti (uma forma filtrada do ritual de fogo Védico) são algumas vezes cantados juntamente com a realização do puja. Este sistema orgânico de devoção tenta auxiliar o indivíduo a conectar-se com Deus através de meios simbolicos. Entretanto, é dito que bhakta, através de uma crescente conexão com Deus, é eventualmente capaz de evitar todas as formas externas e é inteiramente imerso na bênção do indiferenciado amor a Verdade.
Tantrismo
A palavra tantra significa "tratado" ou "série continua", e é aplicada a uma variedade de trabalhos místicos, ocultos, médicos e científicos bem como aqueles que agora nos consideramos como "tântricos". A maioria dos tantras foram escritos no final da Idade Média e surgiram da cosmologia hindu.
Temas e simbolismos importantes no hinduismo
Ahimsa e as vacas
É vital uma nota sobre o elemento ahimsa no hinduísmo para compreender a sociedade que se formou à volta de alguns dos seus princípios. Enquanto o jainismo, à medida que era praticado, era certamente uma grande influência sobre a sociedade indiana - que dizer da sua exortação do estrito veganismo e da não-violência como ahimsa - o termo primeiro apareceu nos Upanixades. Assim, uma influência internamente enraizada e externamente motivada levou ao desenvolvimento de uma grande quantidade de hindus que acabaram por abraçar o vegetarianismo numa tentativa de respeitar formas superiores de vida, restringindo a sua dieta a plantas e vegetais. Cerca de 30% da população hindu actual, especialmente em comunidades ortodoxas no sul da Índia, em alguns estados do norte como o Guzerate e em vários enclaves brâmanes à volta do subcontinente, é vegetariana. Portanto, enquanto o vegetarianismo não é um dogma, é recomendado como sendo um estilo de vida sátvico (purificador).
Os hindus abstêm-se predominantemente de carne, e alguns até vão tão longe quanto evitar produtos de pele. Isto acontece provavelmente porque o largamente pastoral povo Védico e as subsequentes gerações de hindus ao longo dos séculos dependiam tanto da vaca para todo o tipo de produtos lácteos, aragem dos campos e combustível para fertilizante, que o seu estatuto de "cuidadora" espontânea da humanidade cresceu ao ponto de ser identificada como uma figura quase maternal. Assim, enquanto a maioria dos hindus não adora a vaca, e as instruções escriturais contra o consumo de carne surgiram muito depois dos Vedas terem sido escritos, esta ainda ocupa um lugar de honra na sociedade hindu. Diz-se que Krishna é tanto Govinda (pastor de vacas) como Gopala (protector de vacas), e que o assistente de Xiva é Nandi, o touro. Com a força no vegetarianismo (que é habitualmente seguido em dias religiosos ou ocasiões especiais até por hindus comedores de carne) e a natureza sagrada da vaca, não admira que a maior parte das cidades santas e áreas na Índia tenham uma proibição sobre a venda de produtos de carne e haja um movimento entre os Hindus para banir a matança de vacas não só em regiões específicas como em toda a Índia.
Formas de Adoração: murtis e mantras
Contrário a crença popular, o hinduísmo prático não é politeístico nem estritamente monoteístico. A variedade de deuses e avatares que são adorados pelos hindus são compreendidos como diferentes formas da Verdade Única, algumas vezes vistos como mais do que um mero Deus e um último terreno Divino (Brahman), relacionado mas não limitado ao monismo, ou um princípio monoteístico como Vixnu ou Xiva.
Acreditando na origem única como sem forma (nirguna brahman, sem atributos) ou como um Deus pessoal (saguna Brahman, com atributos), os Hindus compreendem que a verdade única pode ser vista de forma variada por pessoas diferentes. O Hinduísmo encoraja seus devotos a descreverem e desenvolverem um relacionamento pessoal com sua deidade pessoal escolhida (ishta devata) na forma de Deus ou Deusa.
Enquanto alguns censos sustentam que os adoradores de uma forma ou outra de Vishnu (conhecido como Vaishnavs) são 80% dos Hindus e aqueles de Shiva (chamados Shaivaites) e Shakti compõem o restante dos 20%, tais estatísticas provavelmente são enganadoras. A maioria dos Hindus adoram muitos deuses como expressões variadas do mesmo prisma da Verdade. Entre os mais populares estão Vishnu (como Krishna ou Rama), Shiva, Devi (a Mãe de muitas deidades femininas, como Lakshmi, Sarasvati, Kali e Durga), Ganesha, Skanda e Hanuman.
A adoração das deidades é geralmente expressa através de fotografias ou imagens (murti) que são ditas não serem o próprio Deus mas condutos para a consciência dos devotos, marcas para a alma humana que significam a inefável e ilimitada natureza do amor e grandiosidade de Deus. Eles são símbolos do príncipio maior, representado mas nunca presumido ser o conceito da própria entidade. Conseqüentemente, a maneira hindu de adoração de imagens as toma apenas como símbolos da divindade, opostos à idolatria, geralmente imposta (erroneamente) aos hindus.
Mantra
Recitação e mantras originaram-se no hinduismo e são técnicas fundamentais praticadas até os dias de hoje. Muito da chamada Mantra Yoga, é realizada através de japa ("repetições"). Dizem que os mantras, através de seus significados, sons e recitação melódica, auxíliam o sadhaka (aquele que prática) na obtenção de concentração durante a meditação. Eles também são utilizados como uma expressão de amor a deidade, uma outra faceta da Bhakti Yoga necessária para a compreensão de murti. Frequentemente eles oferecem coragem em momentos dificeis e são utilizados para a obtenção de auxílio ou para 'invocar' a força espiritual interior. As ultimas palavras de Mahatma Gandhi enquanto morria foi um mantra ao Senhor Rama: "Hey Ram!"
O mais representativo de todos os mantras Hindu é o famoso Gayatri Mantra:
- ॐ भूर्भुवस्व: | तत् सवितूर्वरेण्यम् | भर्गो देवस्य धीमहि | धियो यो न: प्रचोदयात्
- Aum bhūrbhuvasvah | tat savitūrvareṇyam | bhargo devasya dhīmahi | dhiyo yo naha pracodayāt
Significa, literalmente: "Om! Terra, Universo, Galáxias (invocação aos três mundos). Que nós alcancemos a excelente glória de Savitr, o Deus. Que ele estimule os nossos pensamentos/meditações."
O mantra Gayatri é considerado o mais universal de todos os mantras hindus, e invoca o Brâman universal como um princípio de conhecimento e iluminação do sol primordial, mas somente em seu aspecto feminino. Muitos hindus até os dias de hoje, seguindo uma tradição que permanece viva por pelo menos 5.000 anos, realizam abluções matinais às margens do rio sagrado (especialmente do rio Ganges. Conhecido como um mantra sagrado, é reverenciado como sendo a forma mais condensada do "Conhecimento Divino" (Veda). E governado pelo principio, Ma ("Mãe") Gayatri, também conhecido como Veda Mata ("mãe dos Vedas") e intimamente associado à deusa do aprendizado e iluminação, Sarasvati.
O maior objetivo da religião védica é alcançar moksha, ou liberação, através da constante dedicação a Satya (Verdade) e uma eventual realização de Atman (Alma Universal). Não importa se atingido através de meditação ou puro amor, este objetivo universal é alcançado por todos. Deve ser observado que o Hinduísmo é uma fé prática, e é incorporado em cada aspecto da vida. Acredita igualmente no temporal e no infinito, e somente encoraja perspectivas destes principios. Os grandes rishis (sábios, considerados espécies de santos hindus) e também denominados como samsárico (aquele que vive no samsara, i.e. plano temporal ou terrestre) aquele que segue um meio de vida honesto e amável (dhármico) é um jivanmukta (alma vivente liberta). As verdades fundamentais do hinduísmo são melhores compreendidas na frase dos Upanixades, Tat Twam Asi (Assim És Tu), e na última aspiração como segue:
- Aum Asato ma sad gamaya, tamaso ma jyotir gamaya, mrityor ma aamritaam gamaya
- "Aum Conduza-me da ignorância para a verdade, das trevas para a luz, da morte para a imortalidade."
Escrituras sagradas do hinduísmo
Muita da morfologia e filosofia lingüística inerente ao aprendizado do sânscrito está associada ao estudo dos Vedas e outros relevantes textos Hindus. Os textos hindus apresentam diversos níveis de leitura: físico material, sutil ou supernatural. Engloba vários níveis de interpretação e compreensão. As escrituras hindus são divididas em duas categorias:
- Shruti - aquela que se escuta - oral (i.e. revelação)
- Smriti - aquela que se recorda - escrita (i.e. tradição, não revelação).
Vedas
Os Vedas são os textos mais antigos do hinduísmo, e também influenciaram o budismo, o jainismo e o sikhismo. Os Vedas contêm hinos, encantamentos e rituais da Índia antiga. Juntamente com o Livro dos Mortos, com o Enuma Elish, I Ching e o Avesta, eles estão entre os mais antigos textos religiosos existentes. Além de seu valor espiritual, eles também oferecem uma visão única da vida cotidiana na Índia antiga. Enquanto a maioria dos hindus provavelmente nunca leram os Vedas, a reverência por mais uma noção abstrata de conhecimento (Veda significa "conhecimento" em sânscrito) está profundamente impregnada no coração daqueles que seguem o Veda Dharma.
Existem quatro Vedas:
- Rig Veda
- Sama Veda
- Yajur Veda
- Atharva Veda
Upanixades
Os Upanixades são denominados Vedanta, porque eles contêm uma exposição da essência espiritual dos Vedas. Entretanto é importante observar que os Upanixades são textos e Vedanta é uma filosofia. A palavra Upanishad significa "sentar-se próximo ou perto", pois os estudantes costumavam sentar-se no solo, próximos a seus mestres.
Os Upanixades organizaram mais precisamente a doutrina védica de auto-realização, yoga, e meditação, karma e reencarnação, que eram veladas no simbolismo da antiga religião de mistérios. Os mais antigos Upanixades são geralmente associados a um Veda em particular, através da exposição de uma brâmana ou Aranyaka, enquanto os mais recentes não.
Formando o coração da Vedanta (Final dos Vedas), eles contêm a técnica de adoração aos deuses védicos e capturam a essência do dito do Rig Veda "A Verdade é Uma". Eles colocam a filosofia hindu separada e acolhendo uma única e transcendente força imanente e inata na alma de cada ser humano, identificando o microcosmo e o macrocosmo como Um. Podemos dizer que enquanto o hinduísmo primitivo é fundamentado nos quatro Vedas, o Hinduísmo Clássico, a Ioga e Vedanta, e correntes tântricas do Bhakti foram modelados com base nos Upanixades.
Puranas - Smriti
Os Puranas são considerados smriti; ensinamentos não escritos passados oralmente de uma geração a outra. Eles são distintos dos shrutis ou ensinamentos em escritos tradicionais. Existem um total de 18 Puranas maiores, todos escritos em forma de versos. E dito que estes textos foram escritos muito anteriormente ao Ramáiana e ao Maabárata.
Acredita-se que o mais antigo Purana provém de cerca de 300 a.C., e os mais recentes de 1300-1400 d.C. Apesar de terem sido compostos em diferente períodos, todos os Puranas parecem ter sido revisados. Tal fato pode ser notado no fato de que todos eles comentam que o número de Puranas é 18. Os Puranas variam muito: o Skanda Purana é o mais longo com 81.000 versos, enquanto o Brahma Purana e o Vamana Purana são os mais curtos com 10.000 versos cada. O número total de versos em todos os 18 Puranas é 400.000.
As Leis de Manu
Manu é o homem lendário, o Adão dos hindus. As leis de Manu são uma coleção de textos atribuídos a ele.
Bhagavad Gita
O Bhagavad Gita (Bagavadguitá em português) é considerado parte do Maabárata (escrito em 400 ou 300 a.C.), é um texto central do hinduísmo, um diálogo filosófico entre o deus Krishna e o guerreiro Arjuna. Este é um dos mais populares a acessíveis textos do hinduísmo, e é de essencial importância para a religião. O Gita discute altruísmo, dever, devoção, meditação, integrando diferente partes da filosofia hindu.
O Ramayana e o Mahabarata
O Ramayana e o Mahabarata são os épicos nacionais da Índia. São provavelmente os poemas mais longos escritos em todo o mundo. O Mahabharata é atribuído ao sábio Vyasa, e foi escrito no período entre 540 e 300 a.C.. O Mahabharata conta a lenda dos báratas, uma das tribos arianas.
O Ramayana é atribuído ao poeta Valmiki, e foi escrito no primeiro século d.C., apesar de ser baseado em tradições orais que datam de seis ou sete séculos a.C..
Escrituras hindus importantes
- Bagavadguitá
- Maabárata
- Ramáiana
- Upanixades
- Vedanta Sutras
- Yoga Sutras
- Vedas
- Devi Mahatmya
Posted on quinta-feira, maio 28, 2009 by Guto Dias
segunda-feira, 9 de março de 2009
Viracocha ou Wiracocha ou Huiracocha (no idioma quechua: Apu Kun Tiqsi Wiraqutra) é a divindade invisível, criadora de toda a cosmovisão andina, era considerado como o esplendor original, o Senhor, Mestre do Mundo, sendo o primeiro deus dos antigos tiahuanacos, que provinham do lago Titicaca, de cujas águas teria surgido, criando então o céu e a terra. É o arquétipo da ordem do universo no homem.
Deus andrógeno criado por si mesmo, hermafrodita, imortal, introduzido durante a expansão Wari-Tiwanaco, é o deus principal, criador do Universo e tudo que nele existe: a terra, o sol, os homens, as plantas, adotando distintas formas, e se acreditava que ele estava em toda parte.
O culto ao deus criador supõe um conceito que abrange o abstrato e o intelectual, e era destinado apenas à nobreza.
Este deus, ou Huaca, aparentemente também está presente na iconografia dos habitantes de Caral e de Chavín, antigas cidades no atual território do Peru.
Etimologia
Em quechua, tiqsi significa "fundamento, base, início"; enquanto que wiraqutra provém da fusão dos vocábulos: wira (gordo) e qutra (que contém água - lago, lagoa). Na simbologia dos antigos andinos, a gordura era um símbolo da energia, e a água o elemento capital do ciclo vital do universo.
Quando os primeiros cronistas chegaram à América, a língua espanhola estava ainda em plena evolução, carecendo de normatização em seu alfabeto. Em tais casos, era comum o uso do V como o U para representar indistintamente a vogal u, e a semi-consoante W, que hoje tanto se escreve com U ou HU, naquele idioma. Por esta razão a grafia do nome deste deus foi largamente transliterada como Viracocha, e ainda outros escreviam Huiracocha ou Huiraccocha. Em outras versões seu nome era Ticci, Tiki ou Teisi.
Doutrina
Viracocha, assim como outras deidades, era nômade e tinha um companheiro alado - o pássaro Inti, uma espécie de ave mágica, conhecedora do presente e do futuro, representada nos mitos orais como um colibri com asas de ouro (Quri qinqi).
Na mitologia inca atribui-se a este deus todo-poderoso a faculdade de dirigir a construção de tudo que é visível e invisível. Organizando o universo em três mundos relacionados entre sí, em dualidade e harmonia.
- HANAN PACHA: o mundo de acima, habitam os seres celestes, constelações, astros, raios, estrelas, arco-íris, nuvens.
- KAY PACHA: o mundo daqui, convivem os seres terrestres, as montanhas, os lagos, os homens, os animais, as plantas.
- UCHU PACHA: o mundo subterrâneo, vivem os mallquis que são as sementes, os ancestrais enterrados para que na terra nasçam os homens novos.
Estes mundos estão relacionados através da Yacumama e Sachamama que os atravessam:
- YACUMAMA é o poder das águas e da fecundidade. No mundo de acima é o raio, no mundo terreno é o rio, e no subterrâneo é a serpente.
- SACHAMAMA é o poder da fertilidade, que no mundo de acima é o arco-íris, aqui no terrestre é a árvore, e no subterrâneo é a serpente de duas cabeças, uma em cada extremidade.
Entre esse mundo interior ou subterrâneo, existe uma comunicação física através dos orifícios da terra, covas, crateras, lagoas, denominadas genericamente de PACARINAS, relacionadas à origem dos seres viventes.
Entre o mundo terreno e o celeste, a comunicação se torna ideal. O homem se converte no mediador e intérprete dos mundos.
Iniciou sua obra no mundo dos antigos (ñawpa pacha), talhando na pedra as figuras dos dois primeiros seres humanos, dos primeiros homens e mulheres que vão tornar-se os fundamentos de seu trabalho.
Quando Viracocha coloca estas estátuas nos vários lugares que lhes correspondem e, e lhes dá nome, animam-se ganham vida na escuridão do mundo primitivo (ñawpa pacha), posto que não havia ainda o deus cuidado de dar luz à Terra, que era então iluminada apenas pelo claror de Titi, um puma selvagem e chamejante, que vive no alto do mundo - certamente o jaguar que se entrelaça com outros animais nas representações totêmicas do Império Inca e das culturas pré-inca e incas.
O mundo visível chama-se Kay Pacha, mas ainda está incompleto porque Viracocha postergou o labor de criação completa do mundo, com o nascimento dos seres humanos que vão desfrutar dele.
Satisfeito com os homens, o deus prosseguiu em seu projeto, agora pondo em seu lugar devido os filhos Sol (Inti), a Lua (Mama Quilla), a infinitas estrelas, até cobrir toda a abóboda celeste com suas luzes.
Depois, Viracocha dirige-se ao norte para, a partir de lá, chamar ao seu lado as criatura que ele acabara de dotar com vida própria.
A partir de Tiahuanaco, Tiqsi Huiracocha delegou as tarefas secundarias da criação a seus dois ajudantes, Tocapu Huiracocha e Imaymana Huiracocha, que iniciam imediatamente as rotas do leste e oeste dos Andes, para - a cada instante nestes largos caminhos dar vida e nome a todas as plantas e animais que vão fazendo aparecer sobre a face da terra, na sua linda missão de auxiliar e complementar a obra realizada antes por seu deus e senhor Huiracocha, missão que terminam junto a a orla do mar, para depois mergulhar regiamente nas suas aguas, uma vez cumprida a tarefa ordenada pelo deus criador principal do universo e dos incas e pre-incas ao que parece desde a época de Caral.
Nos mitos orais Huiracocha mostra-se como um sábio gobernante da época de Caral que ditou as leis da economía de retribuição (trueque, sistema de distribuição do trabalho) como também da Ayllu a grande unidade familiar andina. Viracocha logo ascendeu a categoría divina, igual a de todos os grandes governantes pre-incas e incas.
Devido a ser o principal icone da mitologia inca, no vocabulário moderno, em todo os Andes centrais, é um nome de tratamento de respeito como senhor.
Posted on segunda-feira, março 09, 2009 by Guto Dias
quarta-feira, 4 de março de 2009
Para a maioria dos brasileiros de origens católica, só conhecem o dilúvio através da bíblia, mas você sabia que em todo o mundo, as civilizações antigas tem histórias muito parecidas ? Bom, vamos aos fatos e chegue as suas próprias conclusões:
Em alguns dos mitos mais impressionantes e duradouros que herdamos dos tempos antigos, parece que nossa espécie reteve uma recordação confusa, mas persistente, de uma pavorosa catástrofe global.
De onde vem esses mitos?
Por que, embora procedam de culturas sem relação entre si, seus temas são tão parecidos? Por que estão imbuídos de um simbolismo comum? E por que falam, com tanta freqüência, dos mesmos personagens e enredos padronizados? Se são realmente memórias, por que não existem registros históricos das catástrofes planetárias a que parecem aludir?
Poderia acontecer que os próprios mitos sejam registros históricos? Poderia acontecer que essas histórias interessantes e imortais, compostas por gênios anônimos, tenham sido o meio usado para conservar informações desse tipo e transmiti-las ao longo do tempo, antes que começasse a história documentada?
E a Arca Flutuou sobre a Face das Águas
Houve na antiga Suméria um rei que buscava a vida eterna. Seu nome era Gilgamesh. Conhecemos suas aventuras através dos mitos e tradições da Mesopotâmia, que foram gravadas em escrita cuneiforme em tabuinhas de argila cozidas em forno. Milhares dessas tabuinhas, algumas datadas do início do terceiro milênio a.C., foram escavadas nas areias do moderno lraque. Elas contam uma história ímpar de uma cultura desaparecida e nos lembram que, mesmo naqueles dias da alta antiguidade, seres humanos preservavam memórias de tempos ainda mais remotos ¬tempos dos quais estavam separados pelo intervalo de um grande e terrível dilúvio:
Proclamarei ao mundo as façanhas de Gilgamesh. Ele era o homem para o qual todas as coisas eram conhecidas; ele era o rei que conhecia os países do mundo. Ele era sábio, enxergava dentro de mistérios, conhecia coisas secretas e nos trouxe a história dos dias anteriores ao dilúvio. Ele partiu em uma longa jornada, ficou cansado, esgotado pela viagem. Ao voltar, repousou e gravou em uma pedra toda a história.
A história trazida por Gilgamesh lhe foi contada por um certo Utnapishtim, um rei que governara seu povo milhares de anos antes, que sobrevivera ao grande dilúvio e fora premiado com o dom da imortalidade, porque tinha preservado as sementes da humanidade e de todas as coisas vivas.
Isso aconteceu há muito, muito tempo, disse Utnapishtim, numa época em que os deuses viviam na terra: Anu, senhor do firmamento, Enlil, o executor das decisões divinas, Ishtar, a deusa da guerra e do amor sexual, e Ea, o senhor das águas, amigo e protetor natural do homem.
Naqueles dias, o mundo fervilhava de atividade, os homens se multiplicavam, o mundo mugiu como um touro e o grande deus foi acordado pelo clamor. Enlil ouviu o clamor e disse aos deuses, reunidos em conselho: "O barulho da humanidade é intolerável e sono não é mais possível devido à balbúrdia.” Em vista disso, os deuses concordaram em exterminar a humanidade.
Ea, porém, teve pena de Utnapishtim. Falando através da parede de caniço da casa do rei, avisou-o da catástrofe iminente e disse-lhe que construísse um barco, no qual ele e sua família poderiam sobreviver:
Derruba tua casa e constrói um barco, abandona tuas posses e procura a vida, despreza os bens mundanos e salva tua alma. (...) Derruba tua casa e constrói um barco com suas dimensões em proporção - largura e comprimento em harmonia. Põe a bordo do barco as sementes de todas as coisas vivas.
No momento exato, Utnapishtim construiu o barco, da forma ordenada. "Carreguei o barco com tudo o que tinha", disse ele, "carreguei-o com as sementes de todas as coisas vivas":
Embarquei todos os meus parentes, embarquei o gado, os animais selvagens da natureza, todos os tipos de artesãos. (...) O prazo foi cumprido. Quando a primeira luz do amanhecer surgiu, uma nuvem negra surgiu da base do céu e trovejou no lugar onde Adad, o senhor da tempestade, cavalgava. (...) Um estupor de desespero subiu ao céu, quando o deus da tempestade transformou a luz do dia em trevas, quando esmagou a terra como se ela fosse uma taça. (...)
No primeiro dia, a tempestade soprou feroz e trouxe o dilúvio. (...) Nenhum homem podia ver seu companheiro. Nem os homens podiam ser diferenciados do céu. Até os deuses ficaram com medo do dilúvio. Retiraram-se, subiram para o céu de Anu e agacharam-se nas proximidades. Os deuses acovardaram-se como cães de rua, enquanto Ishtar chorava, e exclamava em voz alta: "Dei à luz esses meus próprios filhos apenas para encher o mar com seus cadáveres, como se eles fossem peixes?"
Enquanto isso, continuou Utnapishtim:
Durante seis dias e noites o vento soprou, e torrente, tempestade e inundação varreram o mundo, a tempestade e o dilúvio rugiram juntos como hostes em guerra. Ao raiar o sétimo dia, a tempestade vinda do sul amainou, o mar ficou calmo, o dilúvio parou. Olhei para a face do mundo e havia silêncio. A superfície do mar estendia-se tão plana como um telhado. Toda a humanidade retornara ao pó. (...) Abri uma escotilha e luz caiu sobre minha face. Em seguida, curvei-me, sentei-me e chorei, lágrimas escorrendo pelo meu rosto, pois, por todos os lados, só havia o deserto de água. (...) A quatorze léguas de distância apareceu uma montanha e nela o barco encalhou. Na montanha de Nisir o barco se prendeu fortemente à terra, ficou imóvel e não se mexeu. (...) Quando o sétimo dia amanheceu, soltei uma pomba no ar. Ela voou para longe, mas, não achando lugar para pousar, voltou. Soltei em seguida uma andorinha, ela voou para longe, mas, não encontrando lugar para pousar, voltou. Soltei um corvo, ele viu que as águas haviam baixado, comeu, voou em volta, grasnou e não voltou.
Utnapishtim soube que, nesse momento, era seguro desembarcar:
Verti uma libação sobre o cume da montanha. (...) Juntei madeira, cana, cedro e murta... Quando os deuses sentiram o doce aroma, eles se reuniram como moscas sobre o sacrifício. (...)
Esses textos não são absolutamente os únicos que chegaram até nós, com origem na terra antiga da Suméria. Em outras tabuinhas - algumas delas com quase 5.000 e, outras, menos de 3.000 anos de idade - a figura "semelhante a Noé" de Utnapishtim era variadamente conhecida como Zisudra, Xisuthros ou Atrahasis. Ainda assim, ele é sempre reconhecível como o mesmo personagem patriarcal, avisado pelo mesmo deus compassivo, que sobrevive ao mesmo dilúvio universal na arca sacudida pela tempestade e cujos descendentes repovoaram o mundo.
Há muitas semelhanças óbvias entre o mito do dilúvio mesopotâmico e a famosa história bíblica de Noé e o dilúvio. Estudiosos discutem interminavelmente sobre a natureza dessas semelhanças. O importante, porém, é que, em todas as esferas de influência, a mesma tradição solene foi preservada para a posteridade - uma tradição que conta, em linguagem vívida, uma catástrofe global e a aniquilação quase total da humanidade.
América Central
Mensagem idêntica foi preservada no Vale do México, muito distante dos montes Ararat e Nisir, ambos situados no outro lado do mundo. No México, cultural e geograficamente isolado das influências judaico-cristãs, e em longas eras antes da chegada dos espanhóis, eram contadas também histórias sobre um grande dilúvio. Como o leitor recordará pelo que dissemos na Parte III, reinava a crença em que o dilúvio assolara toda a terra, ao fim do Quarto Sol. "A destruição aconteceu sob a forma de chuvas torrenciais e inundações. As montanhas desapareceram e os homens foram transformados em peixes... De acordo com a mitologia asteca, sobreviveram apenas dois seres humanos: um homem, Coxcoxtli, e a esposa, Xochiquetzal, que um deus avisara do iminente cataclismo. Os dois escaparam em um imenso barco que haviam recebido ordens para construir e desembarcaram no cume de uma alta montanha. Lá desceram e tiveram muitos filhos, todos mudos, que assim permaneceram até que uma pomba, no alto de uma árvore, lhes deu o dom das línguas. Essas línguas diferiam tanto entre si que as crianças não podiam se entender.
Uma tradição centro-americana semelhante, a de Mechoacanesecs, apresenta uma semelhança ainda mais notável com a história contada no Gênesis e por fontes mesopotâmicas. De acordo com essa tradição, o deus Tezcatilpoca resolveu destruir toda a humanidade com um dilúvio, salvando apenas um certo Tezpi, que embarcou em uma espaçosa canoa com a esposa, filhos, e grande número de animais e aves, bem como suprimentos de cereais e sementes, cuja preservação era essencial para o sustento futuro da raça humana. A canoa encalhou no cume de uma montanha, depois de ter Tezcatilpoca ordenado que as águas do dilúvio se retirassem. Desejando saber se era seguro desembarcar nesse momento, Tezpi soltou um abutre que, alimentando-se das carcaças que cobriam a terra, não voltou. Ele enviou outras aves, das quais só voltou o beija-flor, com um galho folhudo no bico. Com esse sinal de que a terra começava a se renovar, Tezpi e família desceram da arca, multiplicaram-se e repovoaram a terra.
Recordações de uma terrível inundação causada por desagrado divino foram também preservadas no Popol Vuh. De acordo com esse texto arcaico, o Grande Deus resolveu criar a humanidade logo depois do início do tempo. Era um experimento e ele começou com "figuras feitas de madeira, que pareciam homens e que falavam como homens". Essas criaturas caíram em desgraça porque "não se lembravam de seu Criador":
E assim um dilúvio foi desencadeado pelo Coração do Céu, um grande dilúvio foi formado e caiu sobre a cabeça das criaturas de madeira. (...) Uma pesada resina caiu do céu. (..,) a face da terra se tornou escura e uma chuva negra começou a cair, dia e noite. (..,) As figuras de madeira foram aniquiladas, destruídas, quebradas e mortas.
Nem todos morreram, porém. Tal como os astecas e os mechoacanesecas, os maias de Yucatán e da Guatemala acreditavam que uma figura semelhante a Noé e esposa, "o Grande Pai e a Grande Mãe", sobreviveram ao dilúvio para povoar novamente a Terra, tornando-se, dessa maneira, os ancestrais de todas as gerações subseqüentes da humanidade.
América do Sul
Passando à América do Sul, encontramos os chibcas, da região central da Colômbia. De acordo com seus mitos, eles viveram inicialmente como selvagens, sem leis, agricultura ou religião. Certo dia, porém, apareceu entre eles um velho de raça diferente. Ele usava barba espessa e longa e seu nome era Bochica. Ele ensinou aos chibcas como construir cabanas e viver juntos em sociedade.
A esposa de Bochica, muito bela, chamada Chia, veio depois dele, mas era má e gostava de contrariar-lhe os trabalhos altruísticos. Uma vez que não podia anular diretamente o poder do marido, usou de meios mágicos para causar um grande dilúvio, no qual morreu a maioria da população. Profundamente irado, Bochica exilou-a da terra para o céu, onde ela se tornou a lua e recebeu o trabalho de iluminar as noites. Ele fez também com que se dissipassem as águas do dilúvio e trouxe para baixo os poucos sobreviventes que haviam se refugiado no cume de uma montanha. Em seguida, deu-lhes leis, ensinou-lhes a cultivar a terra e instituiu a adoração do sol, com festivais, sacrifícios e peregrinações periódicas. Em seguida, dividiu entre dois chefes o poder de governar e passou o resto de seus dias na terra em tranqüila contemplação, como asceta. Quando subiu ao céu, tornou-se um deus.
Ainda mais ao sul, os canarianos, uma tribo de índios do Equador, contam uma história antiga de dilúvio, do qual dois irmãos escaparam por terem subido para o cume de uma montanha. À medida que a água subia, o mesmo acontecia com a montanha, de modo que os dois irmãos puderam sobreviver à calamidade.
Ao serem descobertos, os índios tupinambás, do Brasil, veneravam uma série de heróis civilizadores, ou criadores. O primeiro desses heróis era Monan (antigo, velho), que eles diziam ter sido o criador da humanidade, mas que em seguida destruiu o mundo com água e fogo...
O Peru, como vimos na Parte II, é particularmente rico em lendas sobre o dilúvio. Uma história típica fala de um índio que foi avisado do dilúvio por uma lhama. Juntos, homem e lhama fugiram para uma alta montanha, chamada Vilca-¬Coto:
Quando chegaram ao alto da montanha, viram que todos os tipos de aves e animais já haviam se refugiado ali. O mar começou a subir e cobriu todas as planícies e montanhas, exceto o cume de Vilca-Coto e, mesmo lá, as ondas batiam tão altas que os animais foram obrigados a se apertarem numa área estreita. (..,) Cinco dias depois, a água recuou e o mar voltou a seu leito. Mas todos os seres humanos, exceto um, morreram afogados e dele descendem todas as nações da terra.
Os araucnaianos do Chile pré-colombiano preservaram uma tradição que dizia que houve outrora um dilúvio, do qual poucos índios escaparam. Os sobreviventes refugiaram-se em uma alta montanha chamada Thegtheg (a "trovejante" ou "faiscante"), que tinha três picos e a capacidade de flutuar na água.
Na extremidade sul do continente, uma lenda dos yamanas, da Terra do Fogo, informa: "A mulher-lua causou o dilúvio. Isso aconteceu no tempo da grande elevação da superfície da terra. (...) A lua estava cheia de ódio aos seres humanos. (...) Nessa ocasião, todos morreram afogados, com exceção dos poucos que conseguiram escapar para cinco picos de montanhas que a água não cobriu."
Outra tribo da Terra do Fogo, a pehenche, associa o dilúvio a um prolongado período de escuridão. "O sol e a lua caíram do céu; e o mundo permaneceu assim, sem luz, até que, finalmente, dois condores gigantescos levaram de volta o sol e a lua para o céu."
América do Norte
Enquanto isso, no outro lado das Américas, entre os inuítes do Alasca, havia a tradição de um dilúvio terrível, acompanhado por um terremoto, que varreu tão rapidamente a face da terra que só uns poucos homens conseguiram escapar em canoas, petrificados de terror, ou refugiar-se nos picos das montanhas mais altas.
Os luisenos, da Baixa Califórnia, tinham uma lenda que dizia que uma inundação cobriu as montanhas e destruiu a maior parte da humanidade. Salvaram-¬se apenas uns poucos, porque fugiram para os mais altos picos e que foram poupados quando a água inundou todo o mundo. Os sobreviventes ali permaneceram até que passou a inundação. Mais ao norte, mitos semelhantes foram registrados entre os hurons. E uma lenda dos montagnais, grupo pertencente à família algonquina, contava que Michabo, ou a Grande Lebre, com ajuda de um corvo, uma lontra e um rato almiscarado, recriou o mundo.
O History of the Dakotas, de Lynd, um trabalho respeitado do século XIX que preservou numerosas tradições indígenas que, de outro modo, teriam sido perdidas, refere-se ao mito iroquês de que "o mar e as águas haviam, um dia, invadido a terra, e toda vida humana foi destruída". Os chickasaws afirmavam que o mundo fora destruído pela água, "mas que havia sido salva uma família e dois animais de todos os tipos." Os sioux falavam também de um tempo em que não havia terra seca e quando todos os homens desapareceram.
Água, Água, por Todos os Lados
Até que distância e com que abrangência as repercussões do grande dilúvio chegaram às memórias preservadas em mitos?
Até grande distância, sem a menor dúvida. Em todo o mundo são conhecidas mais de 500 lendas que falam do dilúvio e, em um levantamento de 86 delas (20 na Ásia, 3 na Europa, 7 na África, 46 nas Américas e 10 na Austrália e no Pacífico), um pesquisador especializado, o Dr. Richard Andree, concluiu que 62 eram inteiramente independentes das versões mesopotâmicas e hebraicas.
Antigos estudiosos jesuítas, que figuraram entre os primeiros europeus a vi-sitar a China, por exemplo, tiveram oportunidade, na Biblioteca Imperial, de examinar um vasto conjunto de obras, composto de 4.320 volumes, que se dizia ter sido herdado de tempos antigos e que continham "todos os conhecimentos". Esse grande livro incluía certo número de tradições citando as conseqüências que se seguiram quando a humanidade se rebelou contra os grandes deuses e o sistema do universo despencou na desordem: "Os planetas mudaram seus cursos. O céu afundou na direção do norte, o sol, a lua e as estrelas mudaram seus movimentos. A terra desfez-se em pedaços e as águas no seu seio jorraram violentas para o alto e inundaram a terra”.
Na floresta tropical de Chewong, na Malásia, os nativos acreditavam que, com grande freqüência, o mundo em que viviam, que chamavam de Terra Sete, virava de cabeça para baixo e tudo era inundado e destruído. Não obstante, graças à intervenção do Deus Criador Tohan, a nova superfície plana do que fora antes o lado de baixo da Terra Sete é moldada e transformada em montanhas, vales e planícies. Novas árvores são plantadas e nascem novos seres humanos.
Um mito do dilúvio originário do Laos e da região norte da Tailândia diz que seres chamados thens viviam há muito tempo no alto reino, enquanto os senhores do baixo mundo eram três grandes homens, Pu Leng Seung, Khun K'na e Khum K'et. Certo dia, os thens anunciaram que, antes de tomar qualquer refeição, os homens deveriam lhes dar uma parte da comida, como sinal de respeito. Os homens recusaram-se a cumprir a ordem e, irados, os thens provocaram um dilúvio que destruiu toda a terra. Os três grandes homens construíram uma jangada, no alto da qual fizeram uma pequena casa e embarcaram com certo número de mulheres e crianças. Dessa maneira, eles e seus descendentes sobreviveram ao dilúvio.
De forma semelhante, os karens da Birmânia têm tradições de um dilúvio global, do qual dois irmãos se salvaram em uma jangada. Um dilúvio do mesmo tipo faz parte da mitologia do Vietnã, na qual se diz que um irmão e uma irmã sobreviveram dentro de um grande caixão de madeira, que continha também dois espécimes de todos os tipos de animais.
Vários povos aborígines australianos, especialmente aqueles cujas terras tradicionais se situavam ao longo da costa tropical no norte, atribuem sua origem a uma grande inundação, que acabou com a terra e a sociedade anteriores. Paralelamente, nos mitos sobre a origem de certo número de outras tribos, a serpente cósmica Yurlunggur (associada ao arco-íris) é julgada responsável pelo dilúvio.
Existem também tradições japonesas, de acordo com as quais as ilhas do Pacífico na Oceania foram formadas depois de baixarem as águas de um grande dilúvio. Na própria Oceania, um mito dos habitantes nativos do Havaí conta que o mundo foi destruído por uma inundação e, mais tarde, recriado por um deus chamado Tangaloa. Os samoanos acreditam que, no passado, aconteceu uma inundação que destruiu quase toda a humanidade. Só sobreviveram dois seres humanos, que se fizeram ao mar em um barco que, finalmente, chegou à terra no arquipélago samoano.
Grécia, Índia e Egito
No outro lado do mundo, a mitologia grega era também assombrada por memórias de um dilúvio. Neste caso, porém (como, aliás, na América Central), a inundação não era vista como um evento isolado, mas como uma etapa em uma série de destruições e recriações do mundo. Os astecas e maias falavam em termos de "Sóis", ou épocas sucessivas (das quais pensavam que a nossa era a quinta e última). De forma semelhante, as tradições orais da Grécia antiga, compiladas e redigidas por Hesíodo no século VIII a.C., relatam que, antes da presente criação, houve quatro raças anteriores de homens. Julgavam os gregos que cada uma delas fora mais adiantada do que a que a seguiu. E todas elas, na hora aprazada, haviam sido "engolidas" em um cataclismo geológico.
A primeira e mais antiga criação fora a "raça de ouro" da humanidade, que "vivera como os deuses, sem cuidados, sem problemas ou sofrimentos... Dotados de corpos que não envelheciam, eles se regalavam em seus banquetes... Quando morriam, era como homens vencidos pelo sono". Com a passagem do tempo e por ordem de Zeus, a raça de ouro "mergulhou finalmente nas profundezas da terra". Foi sucedida pela "raça de prata", suplantada pela "raça de bronze", substituída por sua vez pela raça dos "heróis" e seguida pela raça de "ferro" - a nossa -, a quinta e mais recente criação.
O destino da raça de bronze é o que mais nos interessa aqui. Descrita nos mitos como tendo "a força de gigantes e mãos poderosas em braços poderosos", esses homens formidáveis foram exterminados por Zeus, o rei dos deuses, como castigo pelas más ações de Prometeu, o titã rebelde que deu o fogo à humanidade. o mecanismo usado pela vingativa divindade para limpar a terra foi uma inundação que a tudo cobriu.
Na versão mais conhecida da história, Prometeu engravidou uma humana. Ela lhe deu um filho, chamado Deucalião, que governou a Pítia, na Tessália, e tomou como esposa Pirra, "a ruiva", filha de Epimeto e Pandora. Quando Zeus tomou a terrível decisão de destruir a raça de bronze, Deucalião, avisado por Prometeu, construiu uma caixa de madeira, encheu-a de "tudo que era necessário" e entrou nela com Pirra. O rei dos deuses despejou dos céus chuvas torrenciais, inundando a maior parte da terra. Toda a humanidade pereceu no dilúvio, exceto alguns que haviam fugido para as montanhas mais altas. “Aconteceu também nesse tempo que as montanhas da Tessália foram fendidas ao meio e toda a região, até o Istmo e o Peloponeso, tornou-se um único lençol de água.”
Deucalião e Pirra flutuaram nessa caixa durante nove dias e nove noites e chegaram finalmente ao monte Parnaso. Aí, quando cessaram as chuvas, desembarcaram e fizeram sacrifício aos deuses. Em resposta, Zeus enviou Hermes a Deucalião, com permissão para pedir tudo que quisesse. Ele quis seres humanos. Zeus ordenou-lhe que pegasse pedras no chão e que as jogasse por cima do ombro. As pedras jogadas transformaram-se em homens e, as jogadas por Pirra, em mulheres.
Da mesma forma que os hebreus se lembravam de Noé, os gregos dos tempos históricos lembravam-se de Deucalião - como ancestral da nação e fundador de numerosas cidades e templos.
Uma figura semelhante era reverenciada na Índia védica há mais de 3.000 anos. Certo dia (conta a história), quando um sábio chamado Manu estava fazendo suas abluções, encontrou, na concha da mão, um peixinho, que lhe implorou que o deixasse viver. Sentindo pena do peixinho, ele o colocou em um jarro. No dia seguinte, porém, o peixinho crescera tanto que ele teve que levá-lo para um lago. Logo depois, o lago ficou pequeno demais. "Jogue-me no mar", pediu o peixe [que era, na realidade, uma manifestação do deus Vishnu], "e eu me sentirei mais confortável." Em seguida, ele avisou Manu do dilúvio que estava por acontecer. Enviou-lhe um grande navio, com ordens para que o enchesse com duas criaturas vivas de todas as espécies e sementes de todas as plantas, e que, em seguida, subisse para bordo.
Manu mal havia acabado de cumprir as ordens quando o oceano subiu e submergiu tudo e nada podia ser visto, exceto Vishnu em sua forma de peixe - ¬nesse momento uma criatura enorme, de um único chifre e escamas douradas.
Manu amarrou o navio no chifre do peixe e Vishnu rebocou-o pelas águas altas até parar no cume da "Montanha do Norte": o peixe disse: "Eu te salvei, amarra o navio a uma árvore, porque a água pode varrê-lo para longe, enquanto estiveres na montanha e, na proporção em que as águas descerem, tu também descerás." Manu desceu com as águas. O Dilúvio havia destruído todas as criaturas e Manu permaneceu sozinho.
Com ele, e com os animais e plantas que ele salvara da destruição, começou uma nova era no mundo. Após um ano, das águas emergiu uma mulher, que se apresentou como "a filha de Manu". Os dois casaram e tiveram filhos, tornando-se, dessa maneira, os ancestrais da atual raça da humanidade.
Por último, mas não menos importante, as tradições egípcias referem-se também a uma grande inundação. Um texto funerário descoberto na tumba do Faraó Seti I, por exemplo, conta a destruição, por um dilúvio, da humanidade pecadora. As razões da catástrofe estão expostas no Capítulo CLXXV do Livro dos Mortos, que atribui o discurso seguinte ao Deus da Lua, Thoth:
Eles lutaram entre si, açularam conflitos, praticaram o mal, criaram hostilidade, cometeram massacres, causaram problemas e opressão... [Por conseguinte], vou apagar tudo que fiz. Esta terra entrará em um abismo aquoso por intermédio de uma inundação furiosa e ela se tornará vazia como no tempo primevo.
Na Pista de um Mistério
Com as palavras de Thoth fechamos o círculo, que inclui os dilúvios sumeriano e bíblico. "A terra estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência", diz o Gênesis:
Viu Deus a Terra e eis que estava corrompida, porque todo ser vivente havia corrompido seu caminho na terra. Então disse Deus a Noé: "Resolvi dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra”.
Tal como a inundação de Deucalião, a inundação de Manu, a inundação que destruiu o "Quarto Sol" dos astecas, o dilúvio bíblico foi o fim de uma era mundial. Uma nova era sucedeu-a: a nossa, povoada pelos descendentes de Noé. Desde o próprio início, porém, era entendido que esta era também acabaria no devido tempo, em um fim catastrófico. Ou como diz uma velha canção: "Deus deu a Noé o sinal do arco-íris; não mais água, será o fogo, na próxima vez.”
A fonte escritural dessa profecia de destruição do mundo é encontrada em 2 Pedro, versículo 3:
Tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: onde está a promessa de sua vida. Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água, pela palavra de Deus, pelas quais veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. Ora, os céus que agora existem, e a terra, pela mesma palavra têm sido entesourados para o fogo, estando reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios. Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.
A Bíblia, por conseguinte, imagina duas eras do mundo, sendo a nossa a segunda e a última. Em outros locais, em outras culturas, são registrados diferentes números de criações e destruições. Na China, por exemplo, as eras desaparecidas são denominadas kis, dez das quais teriam passado desde o começo dos tempos até Confúcio. Ao fim de cada ki, "em uma convulsão geral da natureza, o mar sai de seu leito, montanhas saltam da terra, rios mudam seus cursos, seres humanos e tudo mais são arruinados, e apagados os traços antigos..."
As escrituras budistas falam dos "Sete Sóis", todos eles levados ao fim por água, fogo, ou vento. Ao fim do Sétimo Sol, o atual "ciclo mundial", é esperado que a "terra irrompa em chamas". Tradições aborígines de Sarawak e Sabah lembram que o céu foi outrora "baixo" e nos dizem que "seis Sóis pereceram (...) No presente, o mundo é iluminado pelo sétimo Sol". Analogamente, os Livros Sibilinos falam em "nove Sóis que são nove eras" e profetizam duas eras ainda por vir - as do oitavo e do nono Sol".
No outro lado do oceano Atlântico, os índios hopi (que são parentes distantes dos astecas) mencionam três Sóis anteriores, todos culminando em uma grande aniquilação, seguida do reaparecimento gradual da humanidade. Na cosmologia asteca, claro, houve quatro Sóis antes do nosso. Essas pequenas diferenças sobre o número exato de destruições e criações mencionadas nesta ou naquela mitologia não devem nos fazer esquecer a convergência notável das tradições antigas. Em todo o mundo, essas tradições parecem rememorar uma série de catástrofes. Em muitos casos, o caráter de cada cataclismo sucessivo é obscurecido pelo uso de linguagem poética e o acúmulo de metáforas e símbolos. Com grande freqüência, além disso, pelo menos dois diferentes tipos de calamidade podem ser descritos como tendo ocorrido simultaneamente (com mais freqüência, inundações e terremotos, embora, às vezes, fogo e apavorante escuridão).
Tudo isso contribui para a criação de um quadro confuso e atabalhoado. Os mitos dos hopi, porém, destacam-se por sua franqueza e simplicidade. E o que eles nos dizem é o seguinte:
O primeiro mundo foi destruído, como castigo de más ações praticadas pelo homem, por um fogo consumidor, que veio de cima e de baixo. O segundo mundo terminou quando o globo terrestre inclinou-se para a frente a partir de seu eixo e tudo foi coberto pelo gelo. O terceiro mundo terminou em um dilúvio universal. O atual mundo é o quarto. Seu destino dependerá de seus habitantes se comportarem ou não de acordo com os planos do Criador.
Aqui, estamos na pista de um mistério. E muito embora não possamos jamais alimentar a esperança de sondar os planos do Criador, podemos chegar a uma conclusão sobre o enigma de mitos convergentes de destruição global.
Através desses mitos, os antigos nos falam diretamente. E o que é que estão tentando nos dizer?
fonte: As digitais dos deuses - Graham Hancok
Posted on quarta-feira, março 04, 2009 by Guto Dias
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Cada dia que eu passo estudando o Cristianismo, mais me surpreendo. Não sou cético, pelo contrário sempre fui uma pessoa religiosa, mas não religioso no sentido carola da palavra, mas sim uma pessoa sempre em busca da verdade. Busque a verdade e ela o libertará, talvez sejam as palavras mais sabias que eu tenha lido. Então vamos a uma série de estudos que estarei compartilhando com os leitores do Hippies & Beatniks:
Comparando Osíris, Hórus e Jesus
Traduzido Livremente de: http://www.tektonics.org/copycat/osy.html
Andando Como um Egípcio
James Patrick Holding
De todos os candidatos à cópias pagãs, estes sãos os dois últimos – com exceção de Buda – que parecem representar maior ameaça. Afinal de contas o Egito não está longe da Palestina, e os judeus moraram no Egito; logo, não é teoricamente improvável que eles pudessem roubar uma idéia para inventar um Jesus a partir deste lugar. Mas será que eles fizeram isso? Este campo está cheio de alegações, mas como sempre há muitos exageros envolvendo a questão. Existe uma grande quantidade de termos Cristãos utilizados indevidamente para descrever eventos egípcios (nem todos são usados com más intenções) e uma grande quantidade de fontes não citadas que possam comprovar alegações absurdas. Sendo este o caso, novamente anunciamos aqui que, por um tempo, este será nosso último artigo sobre cópias de deuses pagãos até que alguém no grupo de Acharya, S / Freke e Gandy dê um passo à frente e forneça uma melhor documentação sobre os boatos dos séculos 18 e 19.
Vejamos então algumas destas assertivas. Por questão de conveniência vou unir as alegações sobre Hórus e Osíris. Estas são as declarações contidas no livro The Christ Conspiracy de autoria de Archarya S. [pgs 114-116]; curiosamente Freke e Gandy não acrescentam nada de novo, na verdade apenas complementam algumas destas.
● Osíris
- Possuia mais de 200 nomes divinos, incluindo Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Deus dos Deuses, a Ressurreição e a Vida, Bom Pastor, Pai da Eternidade, o deus que "fez homens e mulheres nascerem de novo."
- Sua chegada ao mundo foi anunciada por três Reis Magos: as três estrelas Mintaka, Anilam, e Alnitak no cinturão de Órion, que apontam diretamente para a estrela de Osíris ao leste, Sírius, indicando seu nascimento.
- Ele foi uma hóstia simbólica. Seu corpo foi comido numa cerimonia religiosa sob a forma de bolos de trigo, a "planta da Verdade '.
- Salmos 23 é uma cópia de um texto egípcio apelando para Osíris o Bom Pastor que conduz o cansado rumo aos "pastos verdejantes" e às "águas tranquilas' das terras de nefer-nefer, a fim de restabelecer a alma e o corpo e, para dar proteção no vale da sombra da morte...
- A oração do Pai Nosso foi prefigurada por um hino egípcio à Osiris do início ao fim, “Ó Amém, ó Amém, que estais no céu.” Amém era também citado no final de cada oração.
- Os ensinamentos de Jesus e Osíris são maravilhosamente semelhantes. Muitas passagens são idênticamente as mesmas, palavra por palavra.
- Tal como o Senhor da vinha, um grande mestre viajante que civilizou o mundo. Soberano e juiz dos mortos.
- Em sua paixão, Osíris foi alvo de uma conspiração e mais tarde assassinado por Set e "os 72."
- A ressureição de Osíris serviu para dar esperança à todos que também desejam a vida eterna.
● Hórus
- Nascido da virgem Ísis-Meri em 25 de dezembro numa caverna/manjedoura, com seu nascimento tendo sido anunciado por uma estrela no Oriente e, visitado por três Reis Magos.
- Seu pai terreno chamava-se "Seb" ("José").
- Ele era descendente de uma linhagem real.
- Aos 12 anos de idade foi uma criança que ensinou no templo e, aos 30 foi batizado, após ter desaparecido por 18 anos.
- Foi batizado no rio Eridanus ou Iaurutana (Jordâo) por "Anup o Batizador" (João Batista), que foi decapitado.
- Ele teve 12 discípulos, dois dos quais foram suas "testemunhas" e eram chamados "Anup" e "AAn" (os dois "Joãos").
- Ele realizou milagres, expulsou demônios e ressucitou El-Azarus ( "El-Osíris") dos mortos.
- Hórus andou sobre as águas.
- Seu cognome pessoal era "Iusa" o "Filho eterno desejado" de "Ptah", o "Pai". Ele era chamado de "Divino Filho".
- Ele pregou um "Sermão da Montanha", e seus seguidores recitaram as "parábolas de Iusa."
- Hórus foi transfigurado no monte.
- Ele foi crucificado entre dois ladrões, sepultado por três dias em um túmulo e, em seguida ressuscitado.
- Títulos: O Caminho; a Verdade; a Luz; Messias; Ungido Filho de Deus; Filho do homem; Bom Pastor; Cordeiro de Deus; Verbo feito carne; Palavra da Verdade.
- Ele foi "o Pescador" e era associado com o Peixe ( "Ichthus"), o Cordeiro e o Leão.
- Ele veio para cumprir a lei.
- Era chamado de "o KRST" ou "Ungido".
- Ele deveria reinar por mil anos.
Essa é uma lista e tanto, mas vamos simplificá-la para começar: Uma boa quantidade dessas alegações – no mínimo a metade – pelo que tenho visto até agora são falsificações. Não há sequer um fragmento de evidência para muitas dessas reivindicações em qualquer livro de religião egípcia que tenho consultado até agora. Portanto, como Clara Peller costumava dizer, Cadê o bife? Onde está a literatura original egípcia que apoia estas alegações? caros defensores dos mitos: não desejamos ouvir de Gerald Massey ou Godfrey Higgins; “queremos as citações originais dos registros egípcios.” Se eu mesmo não recebi isso de nenhum de vocês durante um ano (e eu sei que eles checaram este site, porque eu ouvi deles), vou fazer então de conta que não é possível obter resposta alguma e voltar a mais projetos de cópias. Em alguns casos abaixo, iremos recorrer ao artigo de Glenn Miller sobre cópias pagãs onde ele fez algumas investigações prévias.
Por conveniência começo reproduzindo um "pequeno esboço da vida de Hórus" "contido na Enciclopédia das Religiões sugerida por Miller, na qual também são estabelecidas as bases para Osíris:
"No antigo Egito, haviam vários deuses inicialmente conhecidos pelo nome de Hórus, porém o mais conhecido e mais importante desde o início do período histórico foi o filho de Osíris e Ísis, que era associado com o rei do Egito. De acordo com a lenda, Osíris , que assumiu o domínio da terra logo após sua criação, foi morto por seu irmão ciumento, Seth. A irmã-esposa de Osíris, Ísis, que recolheu os pedaços de seu marido mutilado e o ressucitou, também concebeu seu filho e vigador, Hórus. Hórus lutou com Seth, e, apesar da perda de um olho na batalha, teve sucesso ao conseguir vingar a morte de seu pai tornando-se seu legítimo sucessor. Osíris então tornou-se rei dos mortos e Hórus o rei dos vivos, esta troca era renovada a cada mudança de governo terreno. O mito da realeza divina provavelmente elevou a posição dos deuses tanto quanto elevou a do rei. Na quarta dinastia, o rei, o deus vivo, provavelmente também era um dos maiores deuses, mas por volta da quinta dinastia a supremacia do culto à Rá, o deus sol, era aceito até mesmo pelos reis. O rei Hórus era agora também "filho de Rá." Isto só se tornou possível mitologicamente, ao personificação toda a genealogia antiga de Hórus (o ennead – grupo de nove deuses egípcios - Heliopolitano) como se fosse a deusa Hathor, "casa de Hórus", que também era esposa de Rá e mãe de Hórus.
"Hórus era frequentemente representado como um falcão, e uma pintura dele o mostra como um grande deus do firmamento cujas asas estendidas enchem os céus; seu olho saudável era o sol e seu olho ferido a lua. Outra pintura dele, particularmente popular no Último Período, era a de uma criança humana mamando no peito de sua mãe, Ísis. Os dois principais centros de adoração ao culto de Hórus localizavam-se em Bekhdet no norte, onde hoje muito pouco ainda resta , e em Idfu no sul, no qual existe um grande e bem preservado templo datado do período ptolomaico. Os mais antigos mitos envolvendo a história de Hórus, bem como os rituais lá realizados, estão registrados em Idfu."
Osíris
- Possuia mais de 200 nomes divinos, incluindo Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Deus dos Deuses, a Ressurreição e a Vida, Bom Pastor, Pai da Eternidade, o deus que "fez homens e mulheres nascerem de novo." Os títulos que tenho encontrado atribuídos à Osíris são [Fraz.AAO] Senhor de tudo, o Bom Ser (o título mais comum), Senhor do Mundo dos Mortos, Senhor/Rei da Eternidade, Soberano dos Mortos, [Griff.OO] Senhor do Ocidente, O Majestoso, [Bud.ERR, 26] ", aquele que se assenta", o Progenitor, o Carneiro, [Bud.ERR, 79] "grande Palavra" (como em, "a palavra do que virá a ser e que não é " - um reflexo da antiga noção do poder criativo da expressão de uma palavra, encontrada também no grego Logos),"Líder dos Espíritos "; [Short.EG, 37] regente da eternidade, [Meek.DL , 31] "deus vivo", "Deus acima dos deuses". Todos estes ou são títulos gerais que seriam de se esperar que fossem atribuídos a qualquer divindade em posição de liderança, ou no mínimo estão relacionados ao domínio dos deuses sobre o mundo dos mortos. Nenhum dos títulos citados se aproxima ou especificamente assemelhasse com os que foram atribuídos a Jesus.
- Sua chegada ao mundo foi anunciada por três Reis Magos: as três estrelas Mintaka, Anilam, e Alnitak no cinturão de Órion, que apontam diretamente para a estrela de Osíris ao ocidente, Sírius, indicando seu nascimento. Freke e Gandy somente repetem a última parte sobre a estrela. Porém, embora alguns estudiosos relacionem Osíris com Órion, eles por sua vez, nada sabem sobre reis magos ou uma estrela no ocidente.
- Ele foi uma hóstia simbólica. Seu corpo foi comido numa cerimonia religiosa sob a forma de bolos de trigo, a "planta da Verdade ''. Isso não é algo que alguém na literatura acadêmica tenha relatado.
- Salmos 23 é uma cópia de um texto egípcio apelando para Osíris, o Bom Pastor, que conduz o cansado rumo aos "pastos verdejantes" e às "águas tranquilas' das terras de nefer-nefer, a fim de restabelecer a alma e o corpo e, para dar proteção no vale da sombra da morte... Se isto é verdade, nenhum comentarista na religião egípcia ou do Antigo Testamento sabe disso. Provavelmente Osíris fosse conhecido como um pastor e, de fato tal imagem era popular no ANE, mas ainda não vi esse termo sendo aplicado a ele por ninguém, a não ser pelos defensores dos mitos.
- A oração do Pai Nosso foi prefigurada por um hino egípcio à Osiris do início ao fim, “Ó Amém, ó Amém, que estais no céu.” Amém também era citado no final de cada oração. Neste caso, nós e os especialistas em religião egípcia, queremos saber onde esta oração está registrada. O hebraico "Amém" nunca é usado como uma saudação e quer dizer "que assim seja", o que significa que não é algo "invocado" como é uma divindade. Além disso, vemos aqui uma ligação etimológica baseada nas línguas originais e, não na compatibilidade das letras em Inglês.
- Os ensinamentos de Jesus e Osíris são maravilhosamente semelhantes. Muitas passagens são idênticamente as mesmas, palavra por palavra. Se é assim, alguém, com exceção da fonte de Archarya, James Churchward, precisa colocá-las lado a lado, e provar isso. Os estudiosos religiosos egípcios não parecem estar cientes dessas palavras.
- Tal como o Senhor da vinha, foi um grande mestre viajante que civilizou o mundo. Soberano e juiz dos mortos. Isso é um tanto não específico. Frazer relatou [Fraz.AAO, vii, 7] que Osíris ensinava o cultivo de uvas e agricultura, estabeleceu as leis Egípcias, ensinou-lhes como prestar culto e, viajou pelo mundo ensinando essas coisas. Mas esta também é a alegação feita sobre Dionísio, e temos respondido esta questão dentro deste artigo. Não que isso tenha importância, já que parece que somente Frazer e mais tarde Freke e Gandy conceberam a idéia de que as duas divindades estão ligadas. Literaturas escritas por estudiosos da religião egípcia não os consideram as mesmas figuras, embora alguns correlacionem Osíris e Órion e, Budge tenha observado as viagens, mas não veja qualquer relação entre Osiris e Dionísio [Bud.ERR, 9]. Em todo caso, em nenhum lugar Osíris é chamado de "Senhor da vinha". Ele é o governante e juiz dos mortos, mas isso não descreve Jesus, que simboliza um Deus que não é Deus dos mortos, "mas dos vivos." No máximo Osíris representa o que pode se esperar de qualquer divindade suprema: domínio e julgamento.
- Em sua paixão, Osíris foi alvo de uma conspiração e mais tarde assassinado por Set e "os 72". Esta é uma combinação de falsificação terminológica, meia-verdade, e irrelevância. Não houve uma "paixão" - no referido incidente, de fato houve um complô executado por Set contra Osíris. Houve uma grande festa, em que um caixão foi trazido por Set, ele então incentivou a todos, incluindo os 72 participantes do complô e uma rainha da Etiópia, a deitarem-se nele para verificar as medidas. Finalmente chegou a vez de Osíris, ele foi convencido a deitar no caixão. No momento em que Osíris entrou, Set fechou e pregou o caixão e, o lançou no rio; Osíris morreu sufocado. Observe que os 72 aqui são inimigos de Osíris e não seus discípulos: apenas este número - um múltiplo de 12, um número que ainda valorizamos hoje quando compramos ovos e rosquinhas - é um ponto em comum (e isso somente em algumas passagens de Lucas 10; outros colocam o número em 70, talvez por representar o número de nações Gentias, de acordo com os judeus). Eles não fazem nada que possa ser considerado como o que os discípulos de Jesus fizeram. Conforme consta na narrativa, Ísis, a esposa de Osíris passou a procurar o caixão. Ela o encontra na Síria, onde ele havia sido incorporado à coluna de uma casa. Ela pranteou tão alto que algumas crianças na casa morreram do susto. Mais tarde, ela o levou para fora, abriu a tampa, então ficou procurando por Hórus. Nesse meio tempo Set encontrou o caixão e dilacerou o corpo de Hórus em 14 pedaços, espalhando-os por todos os lugares. Como resultado, Ísis passou a buscar os pedaços e os enterrava a medida que achava um a um. Uma história alternativa mostra Ísis, Anúbis, e Rá unindo novamente as partes do corpo, envonvendo-o com faixas, e revivendo seu corpo – para o propósito relacionado abaixo.
- A ressureição de Osíris serviu para dar esperança à todos que também desejam a vida eterna. Aqui encontramos alguns dos maiores usos indevidos da terminologia, incluídos por alguns estudiosos da religião egípcia (os quais não apoiam uma relação com a teoria da cópia pagã!). Osíris ressuscitado? Não se a "ressurreição" for definida como o retorno em um corpo glorificado. Sobre este assunto Miller fez um trabalho fenomenal ao citar as palavras de J. Z. Smith, sendo assim, vou deixá-los que expliquem melhor:
"Osíris foi morto e seu corpo mutilado e espalhado. Os pedaços do corpo foram recuperados e unidos novamente, e a divindade foi rejuvenescida. Entretanto, ele não voltou ao seu antigo modo de vida, ao invés disso viajou pelo mundo subterrâneo, onde se tornou o poderoso senhor dos mortos. De modo algum pode ser dito que Osíris "ressuscitou" no sentido exigido por um padrão de morte e ressurreição (como descrito por Frazer e outros autores.); é quase certo que sua morte nunca foi considerada como um evento anual."
"De maneira alguma o dramático mito de sua morte e reanimação pode ser conciliado com o modelo dos deuses mortos e ressucitados (como descrito por Frazer e outros)."
"A fórmula repetida 'Levante-se, você não morreu", quer seja aplicada à Osíris ou à um cidadão do Egito, sinalizava uma vida nova e permanente no reino dos mortos."
O autor Frankfort concorda:
"Na verdade, de modo algum Osíris foi um deus 'agonizante', e sim um deus 'morto'. Ele nunca retornou entre os vivos; ele não foi libertado do mundo dos mortos, como foi Tammuz. Pelo contrário, no geral Osíris pertencia ao mundo dos mortos, era a partir de lá que ele concedia suas bênçãos sobre o Egito. Ele sempre foi retratado como uma múmia, um rei morto". [Kingship and the gods: a study of ancient Near Eastern religion as the integration of society & nature. UChicago:1978 edition, p.289]
Talvez a única divindade pagã, para a qual existe uma ressurreição é o egípcio Osíris. Um exame mais atento desta história mostra que ela é muito diferente da ressurreição de Cristo. Osíris não ressucitou dentre os mortos, ele governava na morada dos mortos. Como escreveu o estudioso bíblico, Roland de Vaux: "O que se entende por Osíris sendo trazido de volta a vida?" Simplesmente que, graças à ajuda de Ísis, ele é capaz de viver uma vida além do túmulo, o qual é uma réplica quase perfeita da existência terrena. Porém ele nunca voltará novamente entre os vivos e somente irá reinar sobre os mortos.… Este deus ressucitado é na realidade um deus "múmia"... Não, o Osíris mumificado dificilmente serviu de inspiração para o Cristo ressuscitado... Conforme observa Yamauchi, "Os homens comuns aspiravam a identificação com Osíris como aquele que triunfou sobre a morte." Mas é um erro comparar a visão egípcia da vida após a morte com a doutrina bíblica da ressurreição. Para alcançar a imortalidade o egípcio tinha que satisfazer três condições: Primeiro, seu corpo tinha de ser preservado por meio da mumificação. Segundo, a alimentação era fornecida pela própria oferta de pão e cerveja. Terceiro, feitiços mágicos eram sepultados com ele. Seu corpo não ressurgia dos mortos; ao invés disso elementos de sua personalidade - seu Ba e Ka - continuavam a pairar sobre seu corpo. [["The Resurrection of Jesus Christ: Myth, Hoax, or History?" David J. MacLeod, in The Emmaus Journal, V7 #2, Winter 98, p169
Frazer [Fraz.AAO, viii] escreveu que cada homem morto recebia o nome de Osíris por cima do próprio nome, a fim de ser identificado com a divindade.
Portanto, sob nenhum aspecto a "ressurreição" de Osíris representa uma ressurreição de fato – e na prática, era uma espécie de resultado da forma como os deuses egípcios eram, digamos, metade Frankenstein, metade brinquedos de montagem. Existem de fato muitas histórias de deuses egípcios espalhando várias partes do corpo ao redor, para não prejudicar o conjunto, pois "pensava-se que corpos divinos eram imúnes às substituições" [Meek.DL, 57] neste caso, o corpo morto de Osíris não apodreceu e nem se decompôs como se esperava para que fosse montado novamente em conjunto. Foi assim com todos estes deuses egípcios: Seth e Hórus têm uma luta em que atiram excrementos um no outro, em seguida cada um rouba os órgãos genitais do outro [Bud.ERR, 64]. O olho de Hórus é roubado por Set, porém Hórus o toma de volta e o entrega à Osíris, que o devora [ibid., 88]. Hórus teve uma dor de cabeça, e outra divindade se ofereceu para emprestar a própria cabeça para ele até que sua aflição desapareçesse [Meek.DL, 57]. Osíris pagou um preço por ter morrido mutilado, já que ele foi limitado ao mundo dos mortos [e de forma notória alienado como consequência do que se passou "acima da superfície" - Meek.DL, 88-9], mas isto somente porque ele na realidade havia morrido uma vez antes, quando seu pai o matou acidentalmente [ibid., 80].
Hórus
Agora chegamos ao assunto Hórus. Muitos têm algum comentário de Miller, portanto vamos citá-los e fazer acréscimos conforme a necessidade.
· Nascido da virgem Ísis-Meri em 25 de dezembro numa caverna/manjedoura com seu nascimento sendo anunciado por uma estrela no Oriente e visitado por três Reis Magos. A literatura confirma aquilo que Miller sugere, e eu também vi a imagem a que ele se refere abaixo. Não encontrei nenhuma referência à uma caverna/manjedoura - Frazer [Fraz.AAO, 8], afirma que Hórus nasceu num pântano, e não sabe nada acerca de uma estrela ou sobre o número de Reis Magos.
...Hórus certamente NÃO nasceu de uma virgem. Na verdade, um antigo relevo egípcio retrata essa concepção, ao mostrar sua mãe Ísis na forma de um falcão, pairando sobre o pênis ereto de um Osíris prostrado e morto no Mundo dos mortos (EOR, sv.. "Phallus"). E a questão do 25 de Dezembro não é importante para nós – em lugar nenhum do Novo Testamento esta data é associada ao nascimento de Jesus.
Na realidade, a descrição da concepção de Hórus irá mostrar exatamente os elementos sexuais que caracterizam "nascimentos milagrosos" pagãos, como observado anteriormente por estudiosos:
"Mas depois dela [isto é, Ísis] tê-lo trazido [isto é, o corpo de Osíris] de volta ao Egito, Seth conseguiu se apossar do corpo de Osíris novamente e o despedaçou em catorze partes, as quais ele espalhou por toda a terra do Egito. Ísis então saiu uma segunda vez em busca do corpo de Osíris e enterrou cada parte no lugar em que ela encontrava (por isso o grande número de túmulos de Osíris existentes no Egito). A única parte que ela não encontrou foi o pênis do deus, pois Seth o havia jogado no rio, onde o membro foi comido por um peixe; Ísis, então moldou um pênis artificial para colocar no lugar do que havia sido cortado. Ela também teve relações sexuais com Osíris após a morte dele, o que resultou na concepção e nascimento de seu filho póstumo, Harpocrates, Hórus o Filho. Osíris tornou-se rei do mundo dos mortos e, Hórus começou a lutar com Seth..." [CANE: 2:1702; grifo meu] [A PROPÓSITO, a palavra hebraica 'Satanás' de qualquer maneira não é um 'cognato' do nome "seth": "A raiz *STN não aparece em nenhum jargão de cognatos em textos que sejam anteriores ou contemporâneos às suas ocorrências na Bíblia hebraica "DDD, sv 1369f]
A única referência que tenho encontrado sobre o nascimento de Hórus é que ele nasceu no dia 31 do mês de Khoiak Egípcio - os estudiosos e defensores dos mitos pagãos têm uma chance em 365 de que isto combine com 25 de dezembro! Archarya acrescenta, usando Massey como uma provável fonte, a alegação de que nas paredes do Templo em Luxor existe uma cena mostrando a "Anunciação, Imaculada Conceição, Nascimento e Adoração de Hórus, com Thoth anunciando à Virgem Ísis que ela irá dar à luz; com Kenph, o "Espírito Santo", engravidando a virgem ", concluindo com a visita dos três Reis Magos. Por alguma razão nem Archarya nem Massey fornecem um nome ou número para este relevo, ou um local mais específico do que o Templo em Luxor, que é um lugar bastante grande e inacessível para a maioria dos leitores dela. Quando pressionada em seu website por um leitor que investigava o assunto, Archarya fez um jogo de palavras - "Isis é a constelação de Virgo a Virgem, assim como a Lua, que se torna uma "virgem" durante o período de Lua Nova. O deus sol - neste caso, Hórus - é nascido desta deusa virgem". - E devemos concluir, segundo ela, que isso alude à um documento do 6º século dC! Em momento algum apresenta-se uma confirmação para a ligação Ísis-Virgem; seria o mesmo que dizer "Ísis é Gomer, a prostituta". Se tal relevo existe de fato, é apenas aquilo que Archarya pensa ser através da interpretação de Massey. (Recentemente um escritor enviou esta descrição de um site egípcio de viagens:
"Acreditava-se que a Realeza fora decretada pelos deuses no início dos tempos de acordo com ma'at, o reinado bem organizado de verdade, justiça, e ordem cósmica. O rei soberano era também o filho físico do deus sol criador. Esta concepção divina e nascimento foi registrada nas paredes do Templo em Luxor, em Deir el-Bahri, e em outros templos reais por todo o Egito. O rei era também uma encarnação do Dinástico deus Hórus, e quando morto, foi identificado com Osíris, o pai de Hórus. Este rei vivo era portanto uma única entidade, a encarnação viva da divindade, escolhido divinamente como um mediador, que poderia atuar como um sacerdote em favor de toda a nação, recitando orações, oferecendo sacrifícios... Um átrio cercado por colunas do rei Akenatom III está unido ao interior de uma sala imponente com teto plano apoiada sobre várias fileiras de colunas, o qual é o primeiro aposento interno originalmente coberto e fazia parte do templo. Isto conduz à uma sucessão de antecâmaras com salas auxiliares. O quarto do nascimento a leste da segunda antecâmara é decorado com relevos que retratam o nascimento simbólico divino de Akenatom III, resultante da união de sua mãe Mutemwiya e o deus Amun. O santuário inclui um edifício à parte adicionado por Alexandre o Grande dentro da câmara maior criada por Akenatom III. Relevos bem preservados mostram o santuário transportável de Amun e outras cenas do rei, na presença dos deuses. O santuário de Akenatom III é o último aposento sobre o eixo central do templo."
Este relato é significativamente desprovido de uma concepção ou nascimento virginal, de Reis Magos, ou de um Espírito Santo. Você pode até insistir numa adoração que não existe aqui, mas seja como for, quem é que não adora um recém-nascido? Agora, dê uma olhada no trunfo fornecido por um cético irritado com a tese de Archarya; aqui.)
- Seu pai terreno chamava-se "Seb" ("José"). Na verdade Seb era o deus-terra e não o “pai terreno", mas ao invés da própria terra (como Nut que simbolizava o céu), ele era o pai de Osíris, não de Hórus ", embora um de meus prestativos pesquisadores tenha me dito que existe uma versão na qual Hórus era o filho de Seb. Cuidado, não caia no truque da etimologia: você não pode concluir que "Seb" é "José" apenas colocando os nomes lado a lado.
- Ele era descendente de uma linhagem real. Obviamente verdade, e Hórus era freqüentemente identificado com a vida de Faraó, mas isto é tão banal quanto sem importância.
- Aos 12 anos de idade foi uma criança que ensinou no templo, e aos 30 foi batizado, após ter desaparecido por 18 anos.
- Foi batizado no rio Eridanus ou Iaurutana (Jordão) por "Anup o Batizador" (João Batista), que foi decapitado.
- Ele teve 12 discípulos, dois dos quais foram suas "testemunhas" e eram chamados "Anup" e "AAn" (os dois "Joãos"). Eruditos da religião egípcia não conheçem nenhum desses. Quanto à esta última alegação Miller observa:
...Minha pesquisa na literatura acadêmica não revela esta informação. Encontrei referências à QUATRO "discípulos" – de diversas maneiras chamados de os semi-divinos HERU-SHEMSU ("Seguidores de Hórus") [GOE: 1,491]. Encontrei referências à DEZESSEIS seguidores humanos (GOE: 1,196). E encontrei referências à um grupo INCONTÁVEL de seguidores chamados mesniu / mesnitu ("ferreiros") que acompanhavam Hórus em algumas de suas batalhas [GOE: 1.475f; embora estes possam ser identificados com os HERU-SHEMSU no texto GOE: 1,84]. Mas não consigo encontrar DOZE DISCÍPULOS em qualquer lugar... Hórus NÃO é o deus-sol (este é Rá), portanto não podemos recorrer a afirmação de que "todos os deuses solares têm doze discípulos - no Zodíaco" como é de costume.]
- Ele realizou milagres, expulsou demônios e ressucitou El-Azarus ( "El-Osíris") dos mortos. Miller observa:
Hstórias de milagres são abundantes, mesmo entre grupos religiosos que eventualmente não poderiam ter exercido influência mútua, tais como grupos latino-americanos (por exemplo os Astecas) e os Romanos, portanto esta "semelhança" não implica nenhum significado. Não encontro em LUGAR ALGUM da literatura acadêmica referências a esta ressurreição específica. Tenho examinado todas as formas do nome El-Azarus sem êxito. O fato de que algo tão notável nem sequer é mencionado nas modernas obras de Egiptologia indica seu status questionável. Simplesmente é algo que não pode ser apresentado como prova sem que exista ALGUMA fundamentação autêntica. O mais próximo disso que pude encontrar, está no papel que Hórus desempenha em seu funeral oficial, no qual ele "apresenta" um recém-morto à Osíris e à seu reino dos mortos. No Livro dos Mortos, por exemplo, Hórus apresenta para Osíris o recém-morto Ani e, pede que Osíris o receba e tome conta dele (GOE: 1,490).
- Hórus andou sobre as águas. Não que eu tenha encontrado, na verdade ele foi jogado na água (veja abaixo).
- Seu cognome pessoal era "Iusa" o "Filho eterno desejado" de "Ptah", o "Pai". Ele era chamado de "Divino Filho". Miller diz:
Este fato também escapou à minha investigação. Examinei provavelmente 50 títulos das diversas divindades de Hórus, e a maioria dos principais índices de referências Egípcias padrão praticamente não contêm nada a respeito destas alegações. Encontrei uma cidade chamada "Iusaas" [GOE: 1,85], uma divindade árabe pré-islâmica também de nome "Iusaas", cogitada por alguns como sendo igual ao deus egípcio Tehuti / Thoth [GOE: 2,289], e uma equivalente fêminina denominada "Iusaaset" [GOE: 1,354]. Mas nenhuma referência à Hórus como sendo "Iusa"... ]
- Ele pregou um "Sermão da Montanha", e seus seguidores recitaram as "parábolas de Iusa."
- Hórus foi transfigurado no monte.
- Ele foi crucificado entre dois ladrões, sepultado por três dias em um túmulo e, em seguida ressuscitado. Nenhuma destas três afirmações sequer pode ser encontrada. Sobre a última Miller escreve:
Não consigo SEQUER encontrar referências à Hórus morrendo, até que mais tarde ele se torna "um" com Rá o deus Sol, após isso ele 'morre' e 'renasce' todos os dias a medida que o sol nasce. E mesmo nesta "morte", não há em lugar algum nenhuma referência à um túmulo...
Encontrei na obra de Budge uma hipótese de que Hórus havia morrido e seus pedaços lançados nas águas, e que seus membros foram pescados por Sebek, o deus crocodilo, a pedido de Ísis. Porém, na melhor das hipóteses, isso é uma espécie de batismo engraçado (veja acima). Outra fonte regista uma história onde Hórus é picado por uma serpente e revivido, o que ainda assim não é bem uma semelhança.
- Títulos: O Caminho, a Verdade, a Luz; Messias; Ungido Filho de Deus, Filho do homem; Bom Pastor; Cordeiro de Deus; Verbo feito carne; Palavra da Verdade. Encontrei estes títulos: [Bud.ERR, 78] Grande Deus, Senhor dos Poderes, Mestre do Céu, Vingador de Seu Pai (considerando-se que ele derrotou Set, o qual havia "assassinado" Osíris). É provável que ele fosse chamado apropriadamente de "Filho do Homem", como o filho da realeza (veja aqui), mas não tenho encontrado nenhuma evidência que confirme isso.
- Ele foi "o Pescador" e era associado com o Peixe ( "Ichthus"), o Cordeiro e o Leão.
- Ele veio para cumprir a lei.
- Era chamado de "o KRST" ou "Ungido".
- Ele deveria reinar por mil anos. Não tenho achado nenhuma evidência para qualquer uma dessas quatro últimas alegações.
Conclusão: Até agora este artigo parece estar cheio de impostores, e está na hora daqueles que defendem os mitos pagãos apoiarem-se mais do que em obras ameaçadoras de terceiros como as Barbara Walkers e os Gerald Masseys da vida. Portanto, eu os desafio agora a apresentar seus deuses – quer dizer, suas armas. Algum desafiante? (Alguns destes também aparecem no site de Tom Harpur - leia mais sobre o assunto aqui.)
Se quiser saber mais: Veja Mark McFall assumir a identidade do "Cético X" (o ceticismo da própria Acharya S) sobre o tema da "ressurreição" de Osíris aqui, aqui e aqui.
Posted on segunda-feira, janeiro 26, 2009 by Guto Dias
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